We Are
We Are
Kapitel 13 min Lesezeit

Prólogo.

— Dez anos atrás.-

Os olhos de Cindy tinham um brilho férreo enquanto ela estava na porta, transmitindo puro ódio. Inesperadamente, dei-me conta de que ela estava realmente séria dessa vez, e meu coração apertou no peito, passando os olhos por ela. Não parecia uma mulher saindo de sua casa para ir embora, parecia uma mulher saindo para uma festa ou algo do tipo, bem vestida e maquiada, sem nenhuma mala em mãos. Porém não era algo inédito. Cindy vivia na ilusão de que a vida era uma grande festa luxuosa de ostentação. Como se algum paparazzi estivesse pronto para fotografá-la quando ela deixasse o apartamento.

“Por favor, Cindy...” Comecei, meu desespero aumentando, focando meus olhos nos verdes belos, e agora irados, dela. Levantei-me da cadeira lentamente. “As coisas não são assim, nós temos...”

“Não temos, Chris. Nós não temos mais nada. Nunca tivemos. Eu me iludi, e errei. E não continuarei assim.” Ela soltou, seu tom feroz, sem nenhum toque de tristeza, arrependimento, ou insegurança. Percebi que fora a gota d’água mesmo, para ela, e parei no mesmo lugar que estava.

“Nós somos casados. E temos um filho.” Argumentei, sem desviar os olhos dos dela, ou me mover. Sabia que se o fizesse, ela sairia pela porta no mesmo instante, como um animal arisco acuado. “Não pode simplesmente sair assim.”

Mantive o olhar fixado nela com todo meu esforço. Senti a mulher hesitar por um momento, e num momento de alívio, sem conseguir segurar, meus olhos se desviaram para a cadeirinha de bebê portátil que ela deixara no chão ao lado dela enquanto abria a porta, e onde Kyle estava preso, dormindo como um anjo. O real motivo do meu alívio era ele, com certeza.

Percebi meu erro quando vi a mão de Cindy pegar na alça da cadeirinha e a levantar. Arregalei meus olhos, assustado, voltando-me para vê-la com a face vermelha e irada, os olhos marejados de lágrimas de ódio.

“Cindy, eu...” Comecei, a entrar em desespero, mas não havia mais o que fazer. Ela estava furiosa e fervendo, e me interrompeu antes que eu pudesse argumentar qualquer coisa.

“Chega, Chris. Chega.” Minha esposa rosnou para mim antes de passar meu filho pela porta. “Se vier atrás de mim, eu juro que vai se arrepender. Não se esqueça que Kyle está comigo. Tome muito cuidado com suas atitudes.”

Abri minha boca, porém nenhuma palavra saiu. Estendi minha mão inutilmente na direção ela, mas a porta bateu com um baque alto, e pude ouvir os saltos dela batendo no piso do corredor. Minha visão embaçou, e eu literalmente perdi o rumo, como se meu corpo tivesse saído da realidade e eu estivesse caindo num poço sem fim. Senti um impacto forte e uma parte mínima de minha mente reconheceu que eu havia caído e perdido o equilíbrio.

“Não... Não...” Murmurei, o meu desespero aumentando. O que eu faria agora? O que eu faria? Aquela mulher levara o meu filho, a única coisa que eu realmente amava naquela vida!

Nada mais parecia fazer sentido. E realmente, não fazia.

Sem meu filho, minha vida foi o inferno. Por dez anos.

Kommentare & Reaktionen

Teile deine Gedanken, hefte Sammel-Stempel an und interagiere mit dem Autor und der Community.

Geschichten-Index