7 Pecados Capitais

5 Viagens noturnas.


Notas iniciais
Estou muito feliz com as reviews. Obrigada a vocês, que me impulsionam a continuar! t1

As emoções de Ino estavam além do que o nervoso poderia causar. Nunca permitiram que ela saísse do quarto, e aquela seria a sua primeira vez. Seu coração acelerou.

Enquanto o guarda esperava uma reação, a loira se perguntava por que não previu que sairia por ordem de Sabaku No Gaara. Numa tentativa de ter certeza de que sairia, falou:

- Eu não posso sair. – Num fio de voz, temendo tomar distância do grandalhão e fazê-lo ficar na defensiva.

- Foi uma ordem do nosso líder. – Rouco e impaciente. – Gaara quer a senhorita lá embaixo. Agora.

- Então... Deixe-me só por alguns instantes. Preciso me trocar.

Ino era acostumada com os panos leves. Todos os que tinha eram leves, na verdade. Quando fazia frio no quarto, ela tinha um único acessório para esquentá-la: Cobertor de pele de carneiro. E andava com ele pendurado para todos os cantos do seu abrigo, já que nada mais poderia deixá-la aquecida ali.

Abrindo seu pequeno armário, deu-se conta disso. De que não tinha roupas grossas. Percebeu também que não tinha roupas como as mulheres de suas visões. Calças, blusas... Só tinha camisetas enormes e de tecido precário ou desgastado. Ainda lembrava-se do aviso do guerreiro que trouxe o recado de Gaara.

“Ele quer use roupas elegantes.”

E a única coisa que passou por sua cabeça foi pegar o vestido de sua falecida mãe, que ironicamente, servia para que ela fosse ao cemitério. Ele era como os seus: Pano fino. A grande diferença era que ele era um pouquinho mais apertado ao corpo e com alguns detalhes em renda. A cor... A cor também era diferente. Ele era negro. Mas não tinha nada de especial, se não o estado. Guardou-o durante anos e nunca o usou, de maneira que não possuía nenhum fiozinho fora do lugar.

Foi inevitável enquanto o vestia, não lembrar-se de sua mãe. As duas moravam no mesmo cômodo. Mas a mãe trabalhava como governanta, enquanto Ino... Ainda era muito pequena, mesmo para suas visões especiais. Quando morreu, levaram tudo que pertencia à morta. Não queriam deixar nada. Quem teve compaixão e permitiu que Ino pegasse uma peça de roupa, fora uma das moças que recolheram os pertencer da Senhora Yamanaka. E Ino nunca se esqueceu do rosto da velhinha.

- Senhorita. – O guarda abriu a porta e colocou a cabeça para dentro, sem se importar com a privacidade da bruxa. – Seja mais rápida.

Ino prendeu os cabelos no alto com um barbante, demorando-se um pouco na frente do pequenino espelho do banheiro, que também era pequeno. O barbante de sempre. Espirrou duas vezes o perfume feito por sua mãe, que infelizmente já estava no final. Ajeitou os pés num sapatinho preto que muito se parecia com uma sapatilha, mas sem nenhum adorno, e andou até o guarda de entrada. Ele não fez nenhuma expressão.

Pegou-a pelo braço sem gentilezas, mas sem machucá-la, e levou-a torre abaixo. Não deixou que ela analisasse muita coisa, pois Gaara havia o mandado há alguns minutos. Sokha não queria ser responsabilizado por fazer seu senhor se atrasar.

Quando atravessaram o portal de entrada apressados, Gaara tirou os olhos de seu cavalo mestiço e virou o corpo, pronto para repreender Sokha. Não o fez.

Não foi por uma surpresa boa. Mirou o olhar imediatamente na bruxa, e concluiu que a ideia de levá-la foi mesmo a pior que já pensou.

- Está de luto? – Ele perguntou, aproximando-se perigosamente rápido.

- Não. – Ela respondeu encolhida. Não era tanto medo, mas sim frio.

- Sokha, volte para o seu posto. – Mandou, passando os olhos claros pela forma de Ino. Encolhida. Bufou. – Não é possível que não tenha uma roupa sequer diferente destas.

Ela ia falar algo mal educado que competisse com a arrogância dele, mas ficou calada quando o viu tirar a blusa-manta que o cobria. Sem hesitar segundo algum ou perguntar se ela se sentiria bem vestindo algo dele, despejou o pano grosso pelas costas dela. Ino não conseguiu segurar o arrepio quando a bem-vinda quentura acomodou-se imediatamente ao frio de seu corpo. Aprumou-se no tecido, vestindo-o direito.

- Eu quero que você vá na frente. – Ele falou, andando até o cavalo mestiço que esfregava o rosto no gramado. Ela não entendeu direito. – Se deixá-la atrás, você ficará desprotegida. – Com algum esforço, subiu no mestiço. Estendeu os braços para Ino assim que posicionado corretamente nas costas do animal. – Não iremos longe. – Declarou por fim, puxando-a para cima imediatamente.

Quando o bicho começou a se mexer e Gaara colocou os braços ao seu redor, branquelos e desprotegidos, segurando as rédeas, foi que percebeu que estava vendo a noite. De fora. E as estrelas eram ainda mais bonitas vistas do chão.

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- Você realmente a tirou de lá? – Naruto perguntou, entretido com os cabelos de Hinata. Tentava trançá-los, mas não estava tendo sucesso. Aquilo não se parecia com uma trança.

- Tirei. – Neji respondeu, observando aos dois. Estava sentado em sua poltrona, enquanto os outros dois estavam no sofá. Não se incomodou com a proximidade deles.

- E...? – A curiosa da vez fora Hinata, que estava sentada e ereta no macio sofá e de costas para Naruto. Cansou de ficar daquela forma e inclinou o corpo, de modo que pudesse descansá-lo ainda de costas para o loiro, no encosto.

- Ela reagiu muito bem. – Falou, encostando as costas na poltrona devagar. Doía ainda. – Estranho. Foi apenas um dia. Talvez ela já estivesse acostumada a estar presa.

O Hyuuga fechou os olhos quando terminou de falar, aproveitando-se do silêncio bem vindo. Estava exausto do pouco esforço que fez. Passaram-se alguns minutos.

Não viu quando Naruto acarinhou a cabeça de Hinata recostada no sofá. A moça sentiu sonolência no mesmo instante, mas a reação de seu corpo a deixou alarmada. As mãos de Naruto tinham um toque aconchegante.

- Eu estava mesmo. – A voz intrusa vinha das escadas. De pijama, Tenten descia devagarzinho os degraus. Naruto virou para olhá-la imediatamente, enquanto Hinata e Neji abriam os olhos. Viu as caras de desentendimento. – Acostumada. A ficar presa.

- E por quê? – A moça Hyuuga perguntou, virando de frente para ela e consequentemente para Naruto.

- Era jornalista. E denunciava o rei do meu povo. Da última vez, ele me jurou a morte. Mas eu fugi. – Sem jeito, ficou parada onde estava.

- Venha sentar. – O moreno convidou, mas levantou-se devagar e mudou de planos. – Não. Melhor irmos para a mesa.

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Sakura respirou fundo quando a porta de seu quarto foi aberta. Estava pronta para se desculpar com Sasuke e virar uma aliada dele, mas quando mexeu o corpo na cama e se virou, deu de cara com Fugaku.

O susto transformou-se em asco quando ele se jogou ao seu lado, acomodando-se perto imediatamente. O asco piorou quando ele beijou seu colo desprotegido pela camisola longa. Piorou ainda mais, quando sentiu o cheiro de bebida, tabaco e sexo impregnados nele, numa fragrância única e absolutamente nojenta.

Estava cheirosa e bem sem ele. Estava começando a deixar a paz entrar.

Fugaku a expulsou apenas com sua presença.

Pensou no quão ruim para Sasuke era. O quão ruim era ser filho de um homem tão abominável.

Sasuke pensava a mesma coisa, distante demais de casa para consolar-se bebendo. Andava na carroça junto de Sasori, que guiava os cavalos com algum esforço. O frio estava cortante, e os dois cobertores que os acompanhavam na viagem não estavam fazendo o efeito esperado.

Viajaram por duas horas seguidas, sem encontrar qualquer pessoa no caminho. De dia era fácil encontrar pessoas, mas à noite... Ninguém que não tivesse intenções ruins saía do aconchego de suas casas.

Para não serem reconhecidos, ele e Sasori usavam toucas de lã. Os dois estavam com blusas-manta no corpo e mais uma coberta para cada, mas o ar congelado dava um jeito de entrar pelos vãos e espaços descobertos, e ainda que estivessem chegando, já não podiam nem se mexer.

Também não conversavam. Eram amigos, mas falar qualquer coisa faria com que movimentassem o corpo, e a câimbra os pegaria desprevenidos cedo ou tarde, imobilizando-os de verdade.

Felizmente, já conseguiam ver a entrada do reino representada por enormes portões. Sasori parou a carroça e os dois desceram com alguma dificuldade, abandonando o único pedaço de pano que reforçava e mantinha a temperatura quente. Andaram até lá, trazendo os cavalos nas rédeas, que por sua vez, puxavam a carroceria.

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- Você está tremendo. – Gaara constatou atrás dela, segurando as rédeas de seu cavalo. Temia que chovesse, e vê-la vulnerável sem que pudesse ajudar não era uma boa sensação. Se por um acaso o tempo piorasse, a situação também pioraria. – Não tem blusas para proteção?

Ino molhou os lábios com a língua, presa e agarrada na blusa que ele lhe deu como se pudesse esquentá-la mais. Ainda que estivesse envolta pelo corpo de Gaara, não era suficiente.

- Não. Só tenho vestimentas finas.

Atento ao caminho, o ruivo não a respondeu. Bateu com as cordas no animal abaixo de seu corpo e continuou o caminho. Estava concentrado demais em chegar logo, mas a cada minuto, o corpo da mulher na frente dele ficava bambo e mole. E de repente ela largou-se em seu peito duro.

Ao invés de parar o mestiço, continuou a correr com ele enquanto a chamava.

- Bruxa! – Ralhou, mas percebeu alguns segundos depois que ela estava acordada. Devagar, a profetiza desencostou-se dele minimamente e sussurrou:

– Me desculpe. Acho que meu corpo está se preparando para uma visão. Estou apenas um pouco desorientada.

Gaara gostou muito de sentir o corpo dela encostar no dele. Gostou também do fraco cheiro de flores que desprendia da pele dela e o distraiu. Cheiro delicado. Mas não gostou de vê-la molenga e esquisita. Por isso, não prestou mais atenção ao corpo dela. Seguiu com o caminho, apressado em mantê-los seguros.

E Ino não se sentiu magoada por não ter a atenção dele. Estava sentindo coisas muito mais intensas, como uma vertigem assustadora e eficaz. Agarrou-se aos braços do ruivo para não cair, fazendo-o ficar alarmado e assustado pela força que imprimia no simples apertar das mãos no corpo dele.

Um grito ensurdecedor machucou os ouvidos despreparados da Yamanaka, que olhava-se na cena. A Ino da visão ficou assustada, mas foi segurada pelos braços fortes de Gaara, que mandou implicitamente que continuasse sentada. O guerreiro ruivo andou junto de Neji e Naruto, retirando das calças uma adaga brilhante e dourada.

Curiosa, teimosa, e temerosa, a Ino de sua visão levantou-se com os olhos arregalados, seguindo o corpo do Sabaku enquanto permanecia atrás dele. Viu o pijama branco e gracioso da menina morena da cena tomado de partes vermelhas. Antes que pudesse ter alguma reação, a voz de Naruto, alguém que não conhecia, saiu perturbada:

- Deuses do céu... Isso é um coração!”