Notas iniciais
Bem, primeiramente, estou desanimada.
Vejo que não estão respondendo aos meus capítulos, e isso acaba com as minhas vontades de continuar.
Por favor, me dêem algum retorno, por mais simples que ele seja.

Gaara desceu Ino do cavalo com infrequente cuidado, segurando sua cintura fina com bastante força e colocando a profetiza no chão devagar. Quando segura, deslizou ainda as mãos pelas laterais curvilíneas do corpo dela antes de romper o contato físico. Não se olharam.

Entregou o cavalo nas mãos dos seguranças frontais do castelo de Neji.

Desde a última vez, o castelo não havia mudado nada. Neji provavelmente continuava o mesmo.

Notou de relance que a bruxa batia os dentes e apertava-se nas roupas que ele dera mais cedo, mas não podia fazer nada por ela. Nem por ele, que também estava com frio.

- Por aqui, senhor. – Um dos encapuzados mostrou o caminho que o ruivo tão bem conhecia, levando os recém-chegados à porta maior.

Ino estava fascinada. Aquele lugar era ainda maior que o castelo do Sabaku.

Diferente da decoração mórbida, tudo era branco. E nem a noite e a tempestade podiam esconder a vibração gostosa que aquele lugar distribuía genuinamente.

- Bem vindos. – A voz de Neji era bonita, Ino percebeu. Baixa, grossa, ritmada e educada. Diferente da de seu rei. Os braços do moreno de cabelos longos estavam estrategicamente abertos, como se oferecesse o espaço da casa para os dois.

Entraram.

- Nós jantaremos logo. Antes faço questão que vocês se banhem. – Graciosamente, o Hyuuga piscou os olhos. Não sorria. – Não há formas de sair daqui e voltar para seus reinos ainda esta noite. Quero que fiquem ajeitados.

Ino não conseguia desprender os olhos dos lábios dele. Não era apenas por ele ser bonito, mas a forma com que ele falava era... Diferente. Um som puxado.

- Subam. Sasuke e Sasori estão usando os banheiros daqui.

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O gosto estava do melhor. O melhor do melhor do mundo. Divino.

- É bom que você saiba, filha... – A cozinheira dizia, ligeiramente enrubescida pela atenção que estava recebendo mais o vapor das panelas, que batia diretamente em seu rosto.

- Você está comendo? – A interrupção foi decepcionante para a morena visitante, que só ficou constrangida depois que entendeu de quem aquela voz era.

O silêncio imperou. Tenten estava aproveitando a companhia da cozinheira para pedir alguns aperitivos. Estava faminta! Acabaram por desenvolver um coleguismo repentino e oportuno, até Neji interrompê-las.

- Me desculpe. É que... – A morena ruborizou minimamente. – Eu estou com fome.

As pupilas do Hyuuga dilataram, apreciando a sequência de movimentos estabanados da moça. Algo nos movimentos desenfreados dela realmente conquistaram sua atenção.

- Vamos para a sala de jantar. Meus convidados estão todos aí e eu nem tinha me dado conta que você não estava lá. – Os olhos enormes piscaram algumas vezes, analíticos. Dirigiu-se por fim à cozinheira: – Termine o jantar. Eu não gosto de atrasos.

Lado a lado, os dois morenos saíram da cozinha. Quando distantes o suficiente, Arata Tenten teve de se manifestar, mas bem baixinho:

- Você não foi muito educado.

- Algumas situações pedem medidas extremas.

Tenten subiu a sobrancelha, parando na porta da sala de jantar ao lado dele. Observou o pijama que ele usava. Sorriu.

- Teu extremo, então, é ser mal educado?

Neji andou à frente, deixando-a sem resposta.

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Os barulhos não deixavam que a noite fosse boa. Sakura temia acordar.

De fato, seus temores tinham justificativas pertinentes. Fugaku fedia ao seu lado, e qualquer movimento brusco o traria de pé. O que significava tortura.

Esgueirou-se pelo quarto a fim de sair dele. Levou minutos para apanhar um roupão de frio. Ouviu os urros dos homens que treinavam dia e noite lá fora, no campo aberto dentro da propriedade. Perguntou-se se todo aquele esforço significava alguma coisa.

A primeira coisa que fez, com muito cuidado para não alarmar ninguém, foi tomar um generoso copo d’água. O líquido desceu machucando sua garganta, mas o sentimento de alívio – Por várias coisas, foi mais intenso.

Pensando que não podia dar-se o luxo de ser descoberta, arrastou-se silenciosamente pelos cômodos, procurando uma saída para a noite. Ao alcançar a porta, porém, sentiu o corpo inteiro congelar.

Havia ali um guarda.

- Senhorita, o que faz aqui tão tarde? – Confuso, o homem virou-se para ela e baixou a guarda por alguns instantes.

- Eu estou com falta de ar. – Falou em voz baixa. Ele analisou-a atentamente antes de ficar ereto de novo.

- Sente-se então no banco do jardim. Eu vigiarei. – Os olhos do guarda ficaram estáticos. Para a frente. Nem sequer piscou ou voltou a olhá-la. – Mas seja breve.

E Sakura apenas assentiu, inocente demais para perceber que mesmo protegida do frio com um roupão vinho, ainda era uma moça. E muito bonita, por sinal. Admirada.

Quando sentou no banco de pedra, não muito longe dos portões enormes e cobertos de homens robustos o guardando, colocou os olhos devagarzinho na direção dos barulhos de metal colidindo. Bem a tempo de ouvir uma declaração furiosa:

- Que tipo de novidade vocês levarão para esta guerra? Seus moles! Não surpreenderão em nada. – O silêncio ecoou, mas a Haruno podia jurar que uma trilha sonora de choramingos seguiu. – Vão. Chega.

E a única coisa que ecoou depois na mente dela, ainda que sem fazer muito sentido, foi a promessa implícita dos guerreiros em levar novidades para uma guerra.

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Demorou longos minutos para todos estarem sentados na mesa de jantar dos Hyuuga. Ino, Gaara pode perceber, não tirava o rubor das bochechas. Não podia deixar de achar esquisito. Para uma bruxa, as situações que constrangeriam os outros não deveriam constrangê-la. Ou deveriam? Ele não entendia muito de análises profundas.

Tenten segurava a barriga para não roncar. Estava à esquerda de Neji, que estava sentado tranquilamente na ponta da mesa. A inquietação dela certamente o divertindo. Sem segurar a vontade de negar, apreciava o modo natural e moderno como ela agia.

- Acho que não é conveniente conversarmos agora. – O rei de longos cabelos brilhantes piscou os olhos seguidas vezes. – Enquanto a minha mesa giratória não fica pronta, ainda dependerei dos meus empregados para servi-los. – Ajeitou o guardanapo enorme no colo, assentindo para as três mulheres que observavam os nobres quietos na mesa. Neji tinha uma alma tão moderna, que para os outros suas frases soavam insanas. Por isso ninguém prestava muita atenção nelas.

Tão logo a comida foi posta no prato, não demorou muito mais do que uma hora para a satisfação geral. Alguns, como Naruto, beliscavam alguns docinhos. Mas todos já cheios demais.

- Muito gostoso. – Ino declarou, partindo o silêncio com sua voz baixa.

Tenten concordou apenas com a cabeça, achando graça do quão esfomeada estava momentos atrás. Agora, apenas de pensar em comida, seu nariz torcia.

- Bem, agora nós podemos conversar melhor. – O moreno observou atentamente a postura de Sasuke. Não precisava ser especialista em análise de comportamentos para saber que o Uchiha estava muito incomodado. – Vamos para a sala. Será mais aconchegante.

Era muito ruim falar sozinho. O Hyuuga queria muito que os outros falassem abertamente. Naruto, incomodado com os olhares secos de Sasori, apenas permanecia na cola de Hinata. A menina Hyuuga por sua vez, estava se sentindo enjoada. Sua cara de desagrado não passou despercebido por ninguém.

- Quer tomar um ar? Algum chá? – A preocupação do Uzumaki com os próximos era uma de suas muitas qualidades.

Até o momento, todos já estavam sentados na sala. O assunto começou a surgir, mas o casal conversava em pé.

Neji se intrometeu.

- Depois do jantar as empregadas ficam livres pra dormir. Não há ninguém que possa fazer chá, Hinata. E eu não posso agora.

Por mais rude que tivesse soado, a moça entendia.

- Eu posso fazer. Eu sei. – Tenten, que sabia que não deveria estar ali naquela reunião, adiantou-se.

- Não precisa agora. Vou sentar um pouco. Se não passar...

E o assunto principal da noite voltou a ser o foco.

- Ele espera a minha saída para planejar as coisas. – Sasuke contou, unindo as mãos em pose de reza. O queixo repousou ali. – Ele não sabe de nós, mas age cautelosamente demais na minha frente.

- Tem certeza que ele não sabe de nós? – Gaara perguntou, curvado no sofá. Claramente, Tenten avaliou, ele estava na defensiva. Não se permitia relaxar. Nem mesmo recostar as costas no encosto. Atrás dele, perdida em pensamentos, Ino estava praticamente deitada, de tão à vontade.

Sasuke aproveitou que Sasori foi ao banheiro.

- Se sabe, não está sendo tão cuidadoso assim.

- Seu pai é nosso maior inimigo. – Neji foi direto.

- Eu sei que é. – Os olhos de Sasuke ficaram misteriosamente brilhantes. – Ele é inimigo de todos.

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A conversa finalmente embalou. Sasori os observava, opinando de vez em quando. Naruto era o que mais dava ideias de ataque, enquanto a defensiva ficava nas mãos de Gaara e Neji. Sasuke desenhava armamentos. Ino ficava ao lado do ruivo, com a blusa dele sobre o colo, e Tenten, completamente entediada, observava Hinata. Pálida.

- Vou ao banheiro. – Sasuke falou, conhecendo o caminho. Ninguém deu atenção ao seu aviso.

- Hinata... – Ino chamou incerta, mas com o tom de voz normalizado. – Você não está bem. Sinto você mal.

As palavras intensas da loira desviaram a atenção precária da Hyuuga, que só pensava em quanto tempo aguentaria segurar a vontade de vomitar.

- Vou fazer o seu chá. – Tenten declarou. – Eu acho as coisas na cozinha. Fique tranquila.

E embora Neji tivesse escutado, não interrompeu sua conversa para prestar atenção nas duas.

Tenten levantou e passou entre todos. O rei Hyuuga prendeu os olhos no pijama da moça, e sua fala sumiu por alguns segundos. Naruto sorriu. Sasuke voltou.

A conversa retomou o rumo naturalmente, ainda mais gostosa que antes. Para os homens. Mesmo assim, Naruto dava jeitos de observar de esguelha Hinata, que não parecia nada bem. Nada mesmo. Ia falar com ela quando um grito ensurdecedor baqueou o divertimento e concentração de todos.

Ino arregalou os olhos, assistindo em câmera lenta toda a sua visão acontecer. Quando ia pôr-se de pé, os braços branquelos e fortes de Gaara proibiram seu movimento bruscamente, roçando os pelos eriçados. Em seu lugar, ele levantou já munido da adaga dourada, seguido de Neji que estava aparentemente machucado – E manco, e depois Naruto. Ino seguiu o ruivo pelas costas. Aos poucos, a cena entrava em seu campo de visão.

Tenten estava com os olhos enormes, e o pijama adorável que usava estava cheio de manchas vermelhas. No rosto também, o sangue escorria. Mas todos ficaram sem entender. As luzes que provinham de lampiões e castiçais da cozinha estavam apagadas, nem Tenten conseguia raciocinar. Era evidente que estava em estado de choque. Olhava para as mãos limpas e trêmulas com uma angústia quase palpável.

Neji afastou os corpos na frente dele para acudir a moça. O terror dela definitivamente adrenalizou suas ações. Checou rapidamente, à distância, se ela estava machucada. Mas a voz de Naruto o fez ficar atônito e paralisado.

- Deuses do céu... Isso é um coração!

E ao olhar atentamente o rastro de sangue na beirada da porta da cozinha, iluminada pela luz da sala de jantar, viu uma bolota vermelha pulsando fracamente. Engoliu a seco.

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Fugaku sempre acordava de mal humor, e naquela madrugada não era diferente. Sakura não estava deitada ao seu lado como deveria. Bufou.

Descalço, andou pela casa com pressa. O som de seus pés reverberavam no silêncio da noite. Quando estava passando pela sala foi que a viu, pela janela, do lado de fora. Sentada no banco.

Escancarou a porta, colocando o guarda de outrora alerta. Quando percebeu que era o rei, permaneceu ereto, vendo-o percorrer o caminho até a moça de cabelos rosas. As coisas aconteceram rapidamente até mesmo para o segurança armado. Primeiro, Fugaku balançando os cabelos grisalhos, médios e mal lavados numa velocidade anormal. Segundo, os cabelos de Sakura balançando impiedosamente presos nas mãos do rei.

- Eu quero você lá dentro! – Ralhou, puxando-a de qualquer maneira. Aproveitando-se das curvas magras, carregou-a facilmente, batendo em todos os pedaços de pele que encontrava, rasgando a partir do pescoço a camisola longa e escura que deu para ela. De alguma loja de vestimentas de segunda mão. O roupão não o impedia de alcançar frestas abertas.

Ela era uma moça malcriada, e ele não gostava de desobediência.

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- Leve a moça daqui. – Gaara mandou Neji, afastando Ino raivoso com empurrões fracos. Nem sequer olhou para ela. Só queria metê-la fora do perímetro. – Naruto, pegue um castiçal da sala.

Hinata chegava atrasada pé por pé, enquanto Neji tentava tirar sua visitante-invasora do lugar.

- Venha comigo. – Ele pediu, puxando o corpo formoso de Arata Tenten pelos ombros.

Não pretendia ficar com ela para cuidá-la. Ainda que quisesse ter certeza de que ela estava bem, queria entender o que estava acontecendo no castelo dele. Isso era mais urgente que o susto da moça.

Deixando-a aos cuidados de Hinata, que olhava tudo sem entender, saiu acompanhado de Sasori com um castiçal na mão. Ao chegar, entretanto, não precisaram de mais luz. Precisaram de estômago.

Pendurado por cordas presas nos vãos do cimento que fazia do teto uma estrutura aberta para a saída de fumaças, um corpo lavado de sangue pendia torto pelo pescoço, completamente aberto e desfigurado. Refazendo a cena em sua cabeça, o rei Hyuuga entendeu que provavelmente Tenten entrou distraída e deu de cara, literalmente, com aquilo.

Passou os olhos por todos ali. Naruto, Gaara, Ino e demorando os lilás-claríssimos em Sasuke e Sasori. Olhou depois, através das janelas e da porta aberta que ficava na cozinha, para o jardim, onde seus seguranças já patrulhavam pela área com o armamento pronto para ser ativado.

Ele não tinha que pensar muito para saber que era um aviso.

Deu a volta, voltando para o choque de Tenten, esperando pela remoção do defunto para que pudesse tentar reconhecê-lo. Ou encontrar seu assassino.

As probabilidades o enlouqueciam. Voltou a horas antes, quando Sasori foi ao banheiro e demorou um pouco. Sasuke foi mais rápido, mas também saiu da sala.

Já se sabe que Fugaku tem a tradição de arrancar o coração dos inimigos. As evidências levam aos suspeitos de sempre.

Respirou fundo. Precisava ficar calmo.