7 Pecados Capitais
20 O nosso Deus Parte I
Notas iniciais
Naruto chegou na hora do almoço. O sol estava brilhante e quente como nunca. Desmontou do cavalo num pulo, puxando o animal através das rédeas até um guarda do castelo dos Hyuuga.
– Bom dia, majestade. – O guarda que sempre o recebia baixou a fronte educadamente.
– Bom dia, Moroi. – Naruto sorriu, colocando a mão à frente dos olhos no intuito de protegê-los da luz do sol. – Como estão as coisas?
– Sossegadas, meu Senhor. Minha majestade tem ficado muito ocupado com as tarefas do reino. Não tem saído.
– Certo. – Naruto puxou do bolso um papelzinho dobrado. – Aqui tenho um agradecimento pelos cuidados que você faz ao meu cavalo desde sempre. Guarde-o.
– De Naruto. – O guarda leu, desdobrando o papel com delicadeza.
– Você... – O Uzumaki arregalou os olhos. – Sabe ler?
– Sim. – Respondeu desentendido. – Sou letrado, Senhor. Minha majestade me estudou, assim como estudou a todos os outros empregados.
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– Ah. Ele está no escritório, então?
A cozinheira assentiu. Sorriu consigo, já sabendo a pergunta seguinte do loiro.
– E Hinata?
– A menina não se sentia bem do estômago. Está no quarto desde manhã.
– Certo. Depois eu levo comigo o guarda Jinjo. Não será de bom tom subir sozinho, não é?
A mulher apenas assentiu outra vez, voltando aos afazeres.
Naruto encaminhou-se até o escritório. Como ele e Neji eram amigos, não sentiu-se constrangido para abrir a porta normalmente, como se estivesse em sua casa.
Os olhos azuis anuviaram ao ver o amigo estudando papeis, como costumava ser. Segurava numa mão um óculos de haste lateral enquanto era iluminado pela janela acima da cabeça dele e algumas lamparinas.
– Oi. – O loiro falou adentrando o cômodo. Virou-se para fechar a porta, colocando finalmente e de relance os olhos sobre Tenten.
Suas bochechas avermelharam, bem como as de Neji. Demorou alguns segundos fixando a morena. Como estava de costas para o amigo, virou vagarosamente.
– Vocês...?
– Não. – Voltando os olhos claríssimos ao papel, Neji limpou a garganta. – Ela estava exausta e dormiu aí.
– Ok. – Naruto pigarreou também. – Eu tenho algumas notícias.
Neji hesitou antes de levantar a cabeça. Naruto não soube dizer se era porque estava concentrado ou se porque ficara constrangido.
– Meus pais tem mandado guardas nossos estudar regiões não aliadas. Tem uma movimentação estranha no sul. Acho que começamos algo maior.
– É uma boa estratégia vigiar o perímetro, mas você deve tomar cuidado. Pode ficar sem soldados. E quando virem os broches de reconhecimento com o símbolo do teu reino, já saberão por onde começar realmente.
Tenten não tinha o sono leve, mas quando estava num lugar desconhecido e acompanhada de uma pessoa que sentia certo constrangimento, algo em seu inconsciente ficava acordado. Como uma sirene pronta para tocar quando acontecesse algo.
Este algo fora desperto de vez com a chegada de Naruto. Como o barulho e a voz eram estranhas, ela imediatamente acordou. Mas fingiu ainda dormir.
–E ainda temos um outro problema, Naruto. – Respirou fundo. – Fugaku tem contatado outras regiões e as reerguido. A troco de quê não faço ideia. Sei que por trás disso há outro homem poderoso. Quase tive de negociar Tenten. Tudo por um dinheiro que eles não tem e precisam desesperadamente.
– Que será isso? Pra quê será que usam esse dinheiro? – O loiro suspirou. – Mamãe foi ameaçada por um homem que pensávamos ser um guarda. Ele a encurralou na biblioteca e ameaçou. Queria dinheiro também. Por sorte um guarda de confiança estava procurando ela porque encontrou o real dono da roupa de soldado desmaiado no celeiro. Me pergunto se os outros reinos estão passando necessidades a ponto de mandar alguém invadir, tomar roupas de soldados reais e ameaçar em troca de dinheiro.
– Não sei. Sei que sozinho não posso com esse exército fantasma. Você acha que pode juntar-se a mim?
O loiro assentiu.
– Acho que devo. – Sem pausar, emendou: — Posso almoçar aqui?
– Acho que deve.
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Sasuke finalmente chegou à casa de Gaara, onde o papa e seus auxiliares ficariam hospedados. O moreno estava exausto, abatido e mal cuidado, mas não poderia parar. Combinou de entrar, tomar banho, água, comer e sair novamente.
Na verdade o príncipe Uchiha nem queria que parassem para tudo isso, mas o papa Ancelmo manifestou-se ordenando que o obedecessem.
Sasuke começou a cogitar coisas variadas. Será que alguém daquele meio de auxiliares conhecia seu pai? Será que alguém dali fora orientado por Fugaku para ganhar o máximo de tempo possível? Entortou o lábio, completamente desgostoso. Uma pulga ficava o incomodando atrás da orelha.
Comeu rapidamente, dizendo para si mesmo que mais tarde poderia ver Sakura quando não estivesse tão acabado. Como os homens todos apreciaram do banquete bem devagar, tinha quase certeza de que estavam brincando com ele. Só podiam estar de brincadeira!
– Não podemos sair depois que o sol se por. Os guardas de meu pai costumam atacar casas no meio da floresta.
– O príncipe não acha que este relato fora tardio? – O papa pareceu ficar bravo. Faria Sasuke rir de sua formalidade se não fosse um momento tenso. Limpou a boca com o guardanapo, levantando da cadeira num rompante. Todos o imitaram. – Vamos logo.
– Eu já havia relatado. – O moreno murmurou bem baixo, de maneira que ninguém escutou.
Gaara, o anfitrião, assentiu para o Uchiha enquanto fazia sinal mandando que seus homens escoltassem toda aquela gente para fora de sua casa.
O ruivo pediu mais cedo que Ino e Sakura fossem alimentadas no quarto porque teve receio. E muito. Se a igreja descobrisse sobre Ino daquela forma, não só a matariam no fogo, o que já era suficientemente doloroso – fisicamente falando. A torturariam com instrumentos que ele nem gostava de imaginar.
Fora aí que pensou em outro problema e esqueceu-se completamente de acompanhar aquele grupo de cristãos para fora do castelo, o que soava como tremendo desrespeito. Dissera a Sakura para livrar-se dela e sua chatice que amava Ino. Se descobrissem isso também, que o rei supostamente amava uma bruxa, fariam tudo com ela para puni-lo. De tudo.
A ideia o fez estremecer, mas não notou o quão afetado ficou.
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A mesa estava repleta de iguarias. A música era animada e harmoniosa, bem baixa. Neji não permitia que tocassem sempre, mas não se importava naquele dia.
(Recomendo agora: Turisas, The March of the Varangian guard — http://www.youtube.com/watch?v=RUvCFW6SfIQ)
Naruto sequer sabia de onde aquelas pessoas surgiam. O castelo parecia sempre tão vazio, solitário...
Perdeu a linha de raciocínio quando Hinata apareceu. Os olhos estavam pesados, provavelmente porque estava dormindo. Sorriu ladino, encantado com a falta de vaidade da Hyuuga. Naruto imaginava que ela sabia que ele estava lá, pois geralmente guardas pessoais servem para isso também. Avisar o que acontece no andar de baixo. – Agora, por motivos óbvios, todos tinham um guarda de quarto.
Neji levantou a cabeça por um momento só, mas tornou a comer.
– Bom dia. – Ela cumprimentou com a voz séria. Não fez reverência ao rei. Sentou ao lado de Naruto, guardando um pequenino sorriso para ele.
Neji não respondeu. Estava pensando que Tenten mudara desde a visita de seu antigo algoz. Os olhos dela estavam opacos e baixos, nunca alarmados como sempre. A boca afiada permanecia fechada, e a voz só era usada quando alguém lhe fazia uma pergunta. Até distraída estava! Mais desastrada que nunca. Batia-se nos objetos e vez ou outra tropeçava nos degraus da escada, entretanto, não era tristeza que ela parecia sentir. Era algo diferente.
– Eu gostaria de comer de novo. – O loiro soltou de repente.
Hinata deixou escapar uma leve risadinha. Neji a olhou por alguns segundos, não entendendo a que se devia a risada. Respondeu:
– Sirva-se, Naruto. Você sabe que não há aqui formalidades entre nós.
– Não parece. Já viu a maneira como você conversa comigo? Parece que estamos constantemente falando sobre coisas seríssimas.
O moreno olhou para o loiro. Sustentaram o olhar sem um sorriso sequer. Neji obviamente não gostou do comentário.
A música tomou um rumo mais rápido, e o moreno fez um movimento com a mão mandando os músicos repentinamente pararem.
As janelas enormes deixavam a luz do dia os iluminar. Embora o sol estivesse glorioso, não havia quentura o suficiente dentro da casa. Tenten fez uma reverência formal enquanto colocava-se de pé. Encostou a cadeira na mesa e deu seu prato à empregada que os esperava no canto da sala de jantar, escondida pelas sombras.
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Sasuke era um cavalheiro e um cavaleiro escondido na sombra do pai. Sua bota recém trocada brilhava, enquanto sua postura ereta liderava os cavalos de seus convidados. Seus olhos estavam mais abertos, sua audição atenta, suas mãos maltratadas pelo tempo na estrada sempre batendo as rédeas no cavalo, tentando fazer o movimento sem machucar o animal.
Seus cabelos molhados e esvoaçantes eram o retrato de um homem libertino, infiel, lutador. Seus lábios levemente rosados curvados num sorriso que não podia ser encarado como bom.
– Estamos chegando! – Gritou para o cavaleiro de trás, diminuindo bem pouco o ritmo.
O cavalo do Uchiha fazia um som ritmado quando batia as ferraduras na terra. Estranhamente, era como bater em tambores. Repentinamente o moreno obrigou que o cavalo fosse mais rápido, levando assim todos a acelerar. Deu a volta num pedaço de terra completamente destruído, cheio de restos de coisas. Coisas de sua antiga casa. Ficou de frente para os homens do papa que se aproximavam. Abriu os braços como se dissesse: “Estão vendo?”
Mas não esperava a reação que os soldados tiveram.
Embanharam a espada numa rapidez que seus olhos acompanharam em câmera lenta.
– Senhor! – O soldado começou.
Mas nem precisou terminar. Sasuke escutou a movimentação atrás dele e prontamente virou o próprio cavalo, deparando-se com as figuras medonhas que eram os soldados de seu pai. Todos com roupagem negra e máscaras desenhadas.
Embora Sasuke parecesse bem, estava acabado. Não teve tempo de descansar, cuidar de seus machucados da última saída... Suspirou. Pegou também uma espada, apontando aos homens que ainda se aproximavam.
– Viemos em paz. – Disseram.
Jamais diriam que vieram matar o papa, é claro.
– Homens, que surpresa! – Sasuke falou, exibindo um sorriso amistoso. – O que vieram fazer por aqui?
Houve uma pausa. O único Uchiha ali teve a certeza de que aqueles homens não sabiam da presença do papa. Foram apenas para, provavelmente, continuar a recolher os destroços.
– Bom dia, Senhores. – O papa disse. A figura cristã descia de sua carruagem. Os homens todos curvaram-se. – Eu vejo que estão aqui para reparar aquilo que sua majestade tem feito.
Sasuke olhou dos cavaleiros para o pequeno homem que caminhava para o meio deles. O representante de Deus. Estava surpreso pelo raciocínio rápido.
– Na verdade estamos recolhendo destroços de uma ação de rebeldes.
O papa olhou bem para as figuras monstruosamente maiores.
– Filhos, é bom que confessem seus pecados e digam a verdade. Neste momento, Deus está sussurrando em meu ouvido que devo condená-los ao inferno.
Sasuke arregalou os olhos, bem como toda a tropa de Fugaku. Não demorou muito para que começassem a relatar cada ordem que o rei Uchiha os confiou.
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Sakura estava pronta para fugir no dia seguinte. Suas malas estavam feitas, seu psicológico abalado, mas sendo reconstruído aos poucos, e sua vontade de viver era maior que sua tristeza por nunca mais ver Sasuke. Tivera tempo pra pensar sobre ele durante os dias do moreno fora.
Tudo ruiu quando Gaara a informou que o moreno estaria de volta ainda naquele dia.
Já era noite, mas ela mordia as unhas de ansiedade. Queria abraçá-lo, mesmo que fosse uma bobeira sentir saudade. Só o Senhor saberia quando o veria de novo. E Ino... Talvez.
– Você vai destruir toda a sua unha. – Ino comentou. Estavam na biblioteca, mas afastadas uma da outra. Enquanto Ino estava deitada no sofá e encolhida, Sakura estava na mesa de madeira.
– E que isso te interessa?
Ino levantou o olhar do livro que tinha dificuldades em ler.
– Rabugenta. Eu...
Mas a Yamanaka engoliu a seco. Uma dor de cabeça insuportável a atingiu como um soco, e ela já sabia que era um sinal – e um sintoma de uma previsão. O livro caiu de suas mãos, e os olhos giraram na órbita. Sua mão esquerda, fora do ângulo de visão de Sakura, começou a tremer. Aquele sintoma ela nunca tivera antes.
– Ino? – Sakura perguntou, largando o livro na mesa. Os olhos da Uchiha percorreram todo o corpo da loira, até chegar no rosto contorcido em dor. No mesmo momento a expressão dolorosa se desfez vagarosamente. As linhas do rosto tornaram-se novamente relaxadas. – Ino?!
Achando aquilo tudo estranho, a moça de melenas rosas saiu da biblioteca apressada. Seu objetivo era achar Gaara e dizer que Ino não parecia bem. Nem parou para pensar que não gostava dela.
– Gaara! – Sussurrou batendo os pés, tentando chamar a atenção. Ele estava conversando com um homem rechonchudo, sem vestes formais.
O ruivo não a ouviu, mas o outro presente sim. Olhando acima do ombro de Gaara, murmurou:
– Que bela moça... – Pigarreou. – Majestade.
Gaara preparava-se para virar e encontrar Ino, mas surpreendeu-se. Fez um gesto entediado ao gordo e respondeu que era casada com um nobre importante. Akiri, como era o nome do homem, saiu pedindo perdão.
– Gaara, Ino está passando mal. Ela até desmaiou!
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“Ino estava assistindo a visão que tinha. A Ino do presente.
A Ino do futuro tinha os cabelos maiores e roupas elegantes, e estava comendo uvas verdes deitada numa cama totalmente branca.
Sorria sozinha, imaginando quem sairia da porta do banheiro, que abria-se lentamente.
Não era Gaara. O sorriso da Ino que assistia à visão morreu, enquanto o sorriso da que vivia a visão abria ainda mais.
– Você está tão bem... – O homem falou. A voz era rouca. Os cabelos eram loiros e lisíssimos.
– Você também.
Sentou na cama, acariciando os cabelos loiros de Ino. A Ino que via tudo, a do presente, se aproximou, observando o carinho tão simplório. Não gostara exatamente. Queria que fosse Gaara. Ao mesmo tempo, o carinho parecia sincero.”
Gaara chegara ali apressado, arrastando sua roupagem pesada pelo chão. Imediatamente soube o que estava acontecendo.
– Ela não está passando mal. – Disse, analisando melhor a respiração da bruxa. Continuou bem baixo: – Ela está prevendo. Como te disse que ela faz.
Sakura arregalou os olhos. Colocou a mão na boca. Andou poucos passos para trás, até trombar com alguém que acabara de chegar e não fazia ideia do quê estava acontecendo.
O moreno subiu as mãos no topo da cabeça da Uchiha e acariciou três vezes.
– Tenho boas notícias.
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O meu Deus.
Hinata levara Naruto pela mão ao seu quarto. Disse a ele que não fariam sexo, mas assim que bateu a porta, Naruto roubou um beijo tão desesperado que ela nem se lembrava de ter aberto a boca algum dia.
– Eu sei que você é cuidadosa. – Sussurrou. Levantou o queixo dela para que ela pudesse olhá-lo de forma superior. – Você é sensual. Você é meiga. Você é rabugenta. Hinata... Eu quero ficar com você. Ter com você paixão, sexo, felicidades e quando for necessário, tristezas. – Sorriu, sabendo que estava sendo ruim. Dissera isso para tantas mulheres... Mas nunca com tanta veracidade em cada sílaba. – Seja lá pra quê me trouxe aqui, espero que seja para te engravidar.
Hinata arregalou os olhos, abaixando a cabeça para encará-lo frente a frente. Naruto riu.
– Queria tanto falar logo que... Bem, não saiu tão carinhoso. Quero te engravidar para oficializarmos qualquer coisa.
– Não preciso engravidar. – Ela falou. – Sei que o que você quer é alguém que possa fazer sexo sempre...
Naruto estava pronto para negar.
– Com alguém que você goste. Tenha sentimentos. – Ela enrubesceu. – Algo assim.
– Certo. – Ele murmurou pensativo. – É exatamente o que quero. – Aproveitou-se do pequeno sorriso dela para circundar sua cintura. As mãos dele tão ásperas eram grandes e bonitas, bem como as unhas masculinas. O braço forte estava escondido, mas ela começou a despi-lo, soltando-se do agarro sensual dele.
– Esta noite nós tomaremos banho. Outra noite, talvez, façamos o que você deseja.
O loiro bufou. Inevitavelmente lembrou-se das mulheres que já o lamberam ferozmente a glande e engoliram seu pênis inteiro — além de engolir outras coisas. Não se sentiu culpado por querer aquilo. Hinata o dá tanto trabalho...!
Assentiu, suspirou e deixou-se envolver pelo sorriso dela.
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