Notas iniciais
Demorei. Eu sei. Estou tentando escrever um episódio com drama+guerra, mas tipo... É difícil! Não posso dramatizar demais, não posso ser boazinha, não posso sair do roteiro... Uh! Mas enfim... Por enquanto estamos calmos. Quero ver é quando o Sasuke botar a boca no trombone. /spoiler. Até logo!

Gaara abriu os olhos devagar, mexendo-se preguiçosamente. Não estava sem sono, porque embora estivesse muito aconchegado... Bem, estava muito aconchegado. Queria continuar a dormir. O problema é que estava suado, fedido e com calor. Entrara no quarto de Ino já com um odor não agradável, mas...

Ino? – Murmurou baixo, virando o rosto para o outro lado da cama. Esqueceu-se de tudo! Como pode dormir ali?!

A loira estava encolhida em trajes pequenos e finos. Respirava num ritmo bem tranquilo, e a boca graciosa e borrada de vermelho o fez sorrir. Como estava um pouco grogue de sono, não foi capaz de perceber que estava sorrindo por causa da bruxa. Balançou levemente a cabeça como se quisesse espantar aquele devastador cansaço e rumou para o banheiro, enxergando o caminho através das lamparinas.

A banheira de Ino estava cheia, e a água estava esbranquiçada e cheirosa. Sais de banho, presumiu. Como estava sem as vestes superiores, tirou as inferiores e entrou ali. A água gelada não o fez recuar. Lavou-se durante alguns minutos, mas acabou adormecendo.

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Neji dormira com a cabeça apoiada no encosto do sofá. Quando entraram no dia anterior depois do momento no lago, Tenten pediu desculpa e ofereceu massagem. Ele imediatamente recusou, mas ela insistiu. Disse a ele que se ele permitisse que ela o massageasse, poderiam esquecer o que quase aconteceu.

Ele concordou com os olhos nos dela. Tenten podia jurar que aquelas pérolas faíscaram.

Ela dormiu no tapete da sala.

Acordaram juntos num sobressalto perturbador. O motivo de levantarem num pulo fora um soldado que adentrou o ambiente em que estavam. Falando alto e rápido.

Neji ainda entendeu duas palavras: “Rei e visita importante.”

Esfregou os olhos embaçados, pedindo que o soldado repetisse. Tenten estava como uma estátua, com os olhos um pouco arregalados e sentada no chão. Tomara um susto. Mal sabia que o susto que viria a seguir a deixaria ainda mais acabada.

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Foi como desconfiou. Na primeira oportunidade, as mãos daquela enfermeira oferecida estavam massageando uma região não tão dolorida. Necessitada, talvez.

Sasuke não a impediu de realizar o melhor oral que já recebeu, mas quando percebeu que se sentia revigorado e um pouco melhor dos machucados, coisa que também devia à Karin, aproveitou-se dela para fazer uma trouxa de alimentos e se foi, dizendo que antes de partir voltaria. Para pagar o tratamento.

Tinha problemas maiores. Precisava chegar até o papa ao final da cidade e logo, mas estava a pé. Como se os deuses quisessem ajudá-lo, seu cavalo apareceu ao longe. Caminhava devagar até seu dono. Como era manhãzinha, o comércio todo estava fechado, mas Sasuke desconfiava estar no centro da cidade. Pelo menos era assim que o centro do reino do fogo se parecia. Percebeu quando o quadrúpede se aproximou que as sacolas e o equipamento que usava para montar no animal sumiram.

Era o de menos.

Montou no animal com sua pequena nova trouxa e apressou-se até o templo cristão. Se tudo desse certo, ainda naquele dia partiria de volta.

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Gaara cochilou por míseros dez minutos. Constatou que os dedos de suas mãos estavam enrugados, do tempo ali dentro. A manhã começava a clarear, mas ele estava exausto.

Levantou e enrolou-se na toalha ainda sonolento, tentando não lembrar que mais uma vez teria que treinar junto com seus soldados. Maldito dia que teve a ideia infeliz de nunca perder o costume de lutar.

Vestiu a calça fina íntima enquanto balançava o cabelo. Molhou um pouco sem querer. Enxugou as costas grandes com movimentos de vai e vem, bocejando. Voltou ao quarto. Ino estava deitada agora para a porta do banheiro. A alça bem fininha de sua nova camisola um pouco frouxa, caída no ombro. Suspirou, pensando que aquilo que ia fazer era um grande erro.

Deu a volta na cama e deitou junto dela. Ela permaneceu de costas. Aprumou-se por baixo dos lençois finos, mantendo distância do corpo da mulher. Ultimamente estava ansioso por uma aproximação, e admitia isso para si. Mas decidiu não pensar. Fechou os olhos, respirou fundo e esperou pouquíssimo tempo até o mundo dos sonhos inserí-lo num passado distante.

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Hidan invadiu a casa com um sorriso no rosto, como se fosse um velho amigo dos Hyuuga. Neji imediatamente ficou rígido, não entendendo o súbito aparecimento do homem em sua sala sem sua autorização.

– Falam muito bem de vossa majestade. – O grisalho falou com desdém, sorrindo maliciosamente. Viu Tenten ficar em choque. – Olá, querida.

Ele era o governo que frequentemente prendia a Arata por ser rebelde.

Neji olhou do homem para ela, entendendo imediatamente quem aquele pomposo nobre era. Franziu o cenho, vendo-a levantar na velocidade da luz.

– O que posso fazer por você? – Cordial, mas notoriamente malcriado, o rei foi direto. Hidan bateu os cílios grossos, claros e curtos, fazendo uma breve e debochada reverência.

– Devolver a minha fugitiva. Ela pode parecer qualquer uma, mas só é qualquer uma dentro do meu reino.

Tenten soltou um rugido quando foi falar, furiosa como um leão.

– Eu não pertenço àquele lugar mais!

Hidan sorriu, passando os olhos grandes dela para o rei Hyuuga. Neji ficou temporariamente sem fala. Tenten estava arrumando um problema grande. Neji poderia interceder por ela, mas colocar-se contra um outro reino era perigoso. Principalmente na situação em que estavam.

Vossa majestade pretende deixá-la presa? – O de cabelos longos perguntou.

Sentiu imediatamente o olhar de Tenten pairar assassino sobre ele, mas continuou olhando Hidan sem nem piscar. O nobre invasor soltou um riso fraco.

– É claro. Ela é prisioneira. Eu não viria pessoalmente se não quisesse muito levá-la. – Avançando de nariz empinado, ali estava o retrato da soberba. Hidan sentou no sofá.

– Que tipo de desobediências ela cometeu?

Recostou no estofado, fechando os olhos como se dissesse para si mesmo: “Tenha paciência.”

– Por que está tão interessado? Pretende negociá-la?

O silêncio preencheu a casa. Neji não tirava os olhos da postura completamente desdenhosa de Hidan, e Tenten estava longe, profundamente e verdadeiramente magoada.

Fora quase um minuto sem resposta.

– Não preciso ser negociada. – Ela murmurou numa voz estrangulada, quase como se quisesse chorar. Mas o tom de voz a partir dali não foi desequilibrado: – Eu não vou voltar pra lua e nem vou ficar aqui.

Neji franziu o cenho, se sentindo perdido na rapidez com que aquela conversa acontecia. Lua? Então aquele pomposo era o governante da vila da lua? Bufou, trazendo a atenção do homem para si. Com os olhos erguidos e dominadores, o moreno cruzou os braços e disse:

– Teremos um negócio.

Tenten arregalou os olhos, e o Hyuuga podia jurar que uma aura negra reluzia em volta dela.

– Ei! – Exclamou. – Eu não quero ser comprada. – Declarou com desgosto.

– Mas quer ficar. – Neji não diminuiu a voz. Mostrou-se másculo e irredutível, e Tenten se perguntou se existia alguém no mundo tão controlador e bonito quanto ele.

– Eu quero em dinheiro. – O grisalho se intrometeu, olhando para o teto como se não fosse pedir uma quantia que valesse a pena toda aquela discussão.

– Eu soube que seu reino passa por dificuldades. Vila da lua, não é? – Provocativo, o rei viu os olhos do religioso homem tremeluzirem, brilhantes de raiva.

– Fomos golpeados! Traídos! – Tentou se justificar enquanto levantava do sofá abruptamente. Com o movimento, balançou as grossas correntes penduradas no pescoço, adornadas com pingentes de ouro num bonito e distinto formato de crucifixo. Tenten prontamente se afastou.

– Você vivia longe do reino. Facilitou o golpe. – Como se já soubesse de tudo, Neji pareceu sorrir com os olhos. Tenten respirou fundo, percebendo finalmente a presença de Hinata nas escadas. – Mas vamos ao que interessa. Quanto você quer?

– Nada. – Humilhado, Hidan apenas mexeu as mãos como se dissesse “deixe pra lá”. – Quero silêncio. O fogo é quem vem bancando a minha vila. Eu não quero que eles saibam que tudo vai de mal a pior.

– Muito bem. Negócio feito.

Era claro que o moreno estava surpresíssimo com a nova notícia. Fugaku então mantinha outros reinos? É por isso que tem tantos soldados!

– E não te quero – Dirigiu-se à Tenten. – nunca mais dentro do meu reino.

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Itachi estava jantando do lado de fora. A sopa estava gostosa, mas nem comida boa compensava o inferno que estava vivendo. E que sempre viveu.

Distraído, só percebeu fogo quando ele se aproximava. Na realidade, alguns cavalos carregavam homens com tochas, mas eram poucos. Levantou da cadeira de primeira. Eram rebeldes. O povo de Fugaku, embora fossem poucos os corajosos, queria justiça.

Entrou na casa sem pensar, repassando o filme das atrocidades que já viu seu pai cometer. Precisava salvá-lo outra vez. Não podia deixá-lo morrer! Talvez fosse a chance dele. Talvez seu pai fosse mudar realmente depois disso.

Quando o fogo engoliu a casa e Fugaku e Itachi já estavam na parte de trás, assistindo os pedaços da construção caindo pouco a pouco, foi que viram o homem que os abrigaram saindo de dentro. Tossindo. Chorando. Condenado.

Imprestável.

Fugaku pegou a faca que levava nas roupas com agilidade, enfiando-a na garganta do pobre fiel ao rei, que até a casa deu de bom grado. Itachi levou segundos para fechar a boca, de tão embabascado com a atitude pensada do pai. Sempre cometeria o mesmo erro. Salvá-lo.

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Naruto estava deitado no gramado. O jardim de sua mãe era belíssimo, mas não o foco de seus pensamentos. Nestes dias isolado, trabalhou mais do que em toda a sua vida. A mãe e o pai constantemente estavam o mimando, pois estavam certos de que Naruto estava se esforçando.

Ele quem distribuiu o dinheiro do mês. Ele quem visitou o comércio e ajudou nas contas de lucro. Ele quem fez a pasta de gastos... Não foram muitas coisas, mas estava exausto. E queria Hinata. Definitivamente.

Já sentia saudade de ir nos Hyuuga pela noite, conversar com eles e conversar com ela. Ela era uma boa estrategista e ouvinte.

– Filho, você vai ficar vermelho de novo. Não quero ter que passar creme de assadura no seu rosto outra vez.

O loiro riu, fechando os olhos e mostrando os dentes branquíssimos. Kushina sentou ao lado, acariciando os cabelos dourados e arrumados do Uzumaki.

– Mãe, eu preciso mesmo estar casado para reinar?

– Não. – Ela murmurou incerta. – Eu e seu pai achamos que você deve escolher a moça certa para ser rainha. Não queremos obrigá-lo.

Mal Kushina sabia que seriam o primeiro reino a permitir casamento por grande afeto. E mal sabia das consequências que traria.

– Mas então nunca poderei ser rei de verdade.

–Você está aprendendo. E sim, você será.

– Mas...

– Você quer casar? – Curiosa e divertida, a mulher recebeu o doce e preguiçoso olhar de seu menino.

– Não. Mas gosto de uma menina nobre. – Mais sério, o loiro levantou. – Ela seria uma rainha perfeita.

– Para governar o nosso reino ou... Seu coração? – Ela, ansiosa pelas emoções tão aparentes do filho, foi incisiva.

– Não sei. Acho que o reino.

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Sasuke vinha na frente, guiando a carruagem de prata do papa. Como o meio de transporte do representante de Deus era mais pesado, iam um pouco mais devagar.

Sasuke não sabia que não tinha tempo, mas sentia. Seu pai é esperto. Sempre encontra uma maneira de escapar dos problemas. Tanto que vem enganando seu reino através de roubo e falso conforto fazem anos. Mais de quarenta.

Enquanto ficava entediado, começava a pensar nas provas que juntou contra o pai. É claro que tinha outras provas além daquele plano patético dele de queimar o próprio castelo. Tinha testemunhas, também.

A viagem duraria prováveis e longos três dias, mas ele estava tranquilo. Estava confiante.

Pensou se Sakura estava sendo bem cuidada no castelo.

E de fato estava. Sakura andava lendo muitos livros da biblioteca pessoal de Gaara. Ele não sabia, e nunca aparecia ninguém lá. Mas ela não era tão descuidada. Pegava os livros pela madrugada, os lia em seu quarto e depois os levava de volta.

Sakura sabe ler muito bem.

Lembrava-se que Fugaku odiava o fato dela saber ler.

Aproveitando que Áthila, seu guarda, estava a um longo tempo sem bater na porta, continuou a ler o livro. Ia dormir já na hora do café, de tão compenetrada que ficava. Depois não acordava mais.

Ossos do ofício.

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Extra.

E propostas formais.

A mulher estava verdadeiramente encantada. Gaara estava cheiroso, tranquilo e bonito. Não que ele fosse fedido, bravo e feio, mas às vezes ele aparecia suado, e ela já sabia que era por causa das roupas que ele odeia usar. Mas precisa. Ele é o rei, afinal. Não pode ir ao comércio, por exemplo, de trapos. Também por causa de sua rotina. Ele vive treinando. Ainda assim, ele sempre parece sem jeito quando ela se aproxima demais. A afasta. Talvez não quisesse fazê-la sentir seu odor.

Ino sinceramente não se importa. A pele dele é reluzente, sardenta e macia. Seus braços são fortes e escorregadios. Uma pele lisa como a dela. Os pelos no rosto são adoráveis, todos curtos e alinhados. O pequeno bigode tão charmoso... Os olhos grandes, mas sempre estreitos. Atentos. Agora fechados. O peitoral cheio de linhas tentadoras, mas não tão evidentes. Os cabelos lisos todos esparramados na testa, e o nariz levemente empinado. A boca, uma linha graciosa e avermelhada.

Repentinamente, estragando a análise de Ino, Gaara virou do lado contrário. Ela ficaria decepcionada, mas as costas enormes e cheias de sardas foram o alvo do olhar faminto da loira. O lençol cobria a cintura dele, mas a pele exposta era simplesmente maravilhosa. Aprumou-se. Nervosa com alguma coisa, passou as mãos nos ombros dele, colocando a cabeça no mesmo travesseiro que ele usava. Sentiu-o inquieto, mas apenas ficou ali. Sem mexer-se mais.

A mão direita de Gaara, enorme e lisa, apanhou a mão dela em seu ombro esquerdo.

– Que há? – Ele perguntou, afagando-a por alguns segundos. A voz estava falha.

– Nada. – Murmurou de volta. O afago a deu a liberdade de colocar os braços em volta do corpo dele, enquanto sua cabeça pousou na nuca com algumas sardinhas. Se ela pudesse recolhê-las com a língua, adoraria. Aquelas pequenas bolinhas vermelhinhas atiçavam alguma coisa que parecia estar tranquila.

Gaara virou o corpo devagar, com os olhos pouco abertos. Ino não se mexeu, de maneira que seu braço esquerdo continuou a pesar sobre ele. O ruivo apenas a olhou nos olhos, mas quem tomou a iniciativa de beijá-lo fora ela. Sentiu-se engolida por algodões, tamanha maciez que experimentou quando misturou-se ao corpo dele.

Embolaram-se num beijo preguiçoso e lento. Gaara passou os dedos pela barriga de Ino, levantando a camisola sem hesitar um segundo. Ino sentiu o frio do anel de ouro dele, sempre no dedo indicador, marcá-la na pele. Ele a ergueu.

As bocas descolaram-se por um instante, apenas para que ela se firmasse no quadril dele e pudesse olhá-lo nos olhos.

Ele os fechou.

– Por que é que você se arrepende? – A pergunta tão simples referia-se a tudo, num significado inexplicavelmente inocente.

– É hora de vestir minha capa. – Informou. Mas continuou abaixo dela, analisando o semblante magoado. Ela o queria também, ainda que não soubesse o que ele estava a propor para os dois.