Notas iniciais
Bloqueio criativo é mesmo uma bosta. Escrevi no celular pq não tenho mais PC. ME PERDOEM. BOA LEITURA!

Chegara o dia marcado para a visita do papa. Gaara supervisionou pessoalmente a arrumação dos cômodos da casa, tratando de deixar todos os ambientes da casa mais leves e claros. O almoço fora preparado conforme suas ordens, e os três quartos foram limpos com o máximo de cautela para abrigar tanto o papa quanto seus empregados e seguidores que o acompanhavam. A viagem era longa e ele precisaria de diversos ajudantes, guardas, tradutores...

O problema era um pouco maior, porém. Os quartos de hóspedes do térreo do castelo não eram como Gaara gostaria que fosse, eram mais simples e escuros, então planejou abrigar seus convidados na mesma torre que ele dormia. E que Ino dormia. Aquilo, no entanto, lhe parecia mais com um tiro no próprio pé. Se descobrissem sobre Ino, sobre o fato de ser uma profetiza — ou bruxa, como preferiam chamá-la, ele perderia tudo. Absolutamente tudo. Tudo o que construiu.

Mas então a lembrança do passado o rodeava, como se quisesse cercá-lo de culpa; ele então se perguntava que direito tinha de manter aquilo para si, sendo que foi seu de maneira suja e desonrosa.

Mesmo assim, ainda havia a sentença dela. Ele não seria o único a pagar. A inocente serva do diabo queimaria nas chamas ardentes para ser purificada. Ninguém entenderia o quão pura ela já era.

Ino surgiu no momento certo, pois seus pensamentos ganhavam uma linha depressiva e desgastante. Ele estava no quarto dela, na verdade, então ela inevitavelmente surgiria em algum momento. Foi recebida com desatenção, coisa que não era o usual do rei – por mais que fosse fechado e tímido. A ideia de falar com ela também lhe parecia a pior de todas, mas ainda preferia sacrificar ao relacionamento que tinham do que sacrificá-la.

— Você precisa do quê? – Ela parou em frente ao corpo dele, quase entre suas pernas. Gaara permaneceu sentado e com as mãos no rosto.

— Pedir um favor.

— Massagem? Podemos voltar a fazer? – Ela ficou instantaneamente animada. Ele levantou a cabeça e mostrou olhos cabisbaixos para a loira.

— Ainda não, ainda dói. É sobre outra coisa.

Ela então avançou para o corpo dele, adentrando seu espaço pessoal. Abraçou a cabeça do Sabaku com apreço, sentindo-o esbarrar em seus seios. Ele foi rápido em enlaçá-la na cintura, atento à respiração dela, que fraquejou um pouco.

— Quero que você fique no meu quarto por cinco dias. Trancada.



Sasuke gostou da experiência de plantar e colher. Sakura cozinhava, e de noite aprendia a ler e escrever com seu rei. A aceitação do Uchiha, por incrível que pareça, era maior do que qualquer outro candidato a rei que tentasse se estabelecer por ali. Ele não sabia se havia algum, mas 70% da população acreditava no novo governo regido por ele, e duvidava que aquele percentual fosse mudar. Haviam muitas coisas a seu favor. Neji, o rei mais querido de todos os reinos, apoiava sua permanência na coroa. Gaara, o guerreiro que enfrentou Fugaku Uchiha e que tinha as histórias de vitórias mais sangrentas para contar, também o apoiava. Naruto, o príncipe mais bonito dos príncipes e filho do revolucionário Minato, também o apoiava. Tanto o pai quanto o filho. Essas alianças eram simplesmente o que garantiam tudo. O povo dos outros reinos acreditavam nele, espalhavam que ele seria um rei que seu pai jamais conseguiu ser; que ninguém que passou pelo reino do fogo conseguiu.

Depois do sistema de banho instalado em seu novo quarto, tomou um banho para se livrar do suor e calor e foi deitar ao lado de sua rainha. A moça havia tomado banho de cumbuca, mas cheirava a flores.

— Tentando ler? – Ele perguntou divertido, vendo-a fechar o livro que segurava e se afundar nos lençóis.

— Sem muito sucesso. – Reclamou com um bico.

— Você aprende rápido. Tente sempre. Hoje estou um pouco cansado para te ensinar qualquer coisa. Você se importa?

Ela negou com a cabeça.

— Ótimo. – Desligou a lamparina ao seu lado, afundando também na coberta e procurando o corpo feminino para abraçar. Sakura largou o livro no chão num baque seco, trazendo a mão dele para debaixo da camisola, mais precisamente em seu ventre. – Sem a roupa. Já disse pra você vestir, ou nunca vai... – Sentiu-a descendo sua palma, chegando numa área que não deveria mesmo estar nua. Os pêlos ásperos ficaram ao alcance de seus dedos, e Sasuke os acariciou. -... Se acostumar.

— Está mesmo cansado? – Ela perguntou num fio de voz.

— De ensinar. Não de vê-la me mostrar o que já sabe.



Tenten poderia calcular que estava ali presa há pelo menos dez minutos. Desceu as escadas em total velocidade, surpreendendo os dois guardas que estavam de costas para ela e guardavam a porta de seu quarto.

Quando alcançou a enorme porta que dava acesso ao interior do castelo do Hyuuga, viu ele e Orochimaru juntos. Seus pés andaram sem que pensasse em mais nada. Sequer parecia que andar até eles fosse um comando do cérebro. Marchou. Os guardas corriam atrás dela, e quando Orochimaru e Neji viram a moça, parecia que os guardas podiam correr quanto quisessem. Jamais a alcançariam — ainda a morena estivesse andando.

O brilho no olhar virava uma chama, que virava um incêndio descontrolado. Quando parou perto de Neji, o empurrou bruscamente para o lado. O rapaz ignorou a dor no peito e no pé e se equilibrou, porque a menina parecia ter a força de mil mulheres naquele momento.

— O que você está fazendo? — Perguntou furiosa, mas ele percebeu que estava magoada. — Me negociando? Vai me vender?

Eles se olharam. A presença de Orochimaru foi absolutamente ignorada. Tenten viu a urgência do rei em negar, os olhos dele demonstravam suas puras intenções. Neji então se endireitou.

— Eu jamais faria isso. E você sabe disso. — Foi duro. — Estou na verdade oferecendo…

— Dinheiro por você.

Ela olhou para Orochimaru, irritadíssima pela intromissão indevida do velho. Os olhos em chamas.

— Eu estava falando com você? Ele não vai te dar nada, energúmeno. Eu não vou com você e pronto.

Orochimaru ergueu a sobrancelha, parecendo desacreditado do comportamento da moça. Ousou dar um passo na direção dela, que o golpeou com um soco certeiro no nariz.

Neji piscou quatro vezes seguidas.

— Tirem ele daqui. — Gritou aos guardas como se mandasse em algo. Como uma rainha. — Joguem esse imundo portão afora.



— No seu quarto? — Ela focou naquilo, aparentemente. Um sorrisinho que ele classificou como safado nasceu nos lábios dela. Ino provavelmente não sabia que sabia fazer aquele tipo de coisa maliciosa.

— Sem sair ou dar sinal de vida.

— Vou dormir na sua cama?

Ele suspirou cansado, imaginando que tipos de cruz ele teria que carregar quando morresse. Deus jamais o aceitaria em seus braços misericordiosos. Ele estava prendendo a moça novamente, e ela claramente não se importava, só queria ficar com ele.

— Vai.

Ino riu graciosamente enquanto pulava sentada em seu colo, apanhando o rosto dele para beijá-lo. Seus dedos longos e macios seguraram em seus cabelos ruivos e orelhas, e em seguida ela colocou a língua morna na boca do guerreiro, exigindo paixão de seus movimentos famintos e molhados. Ele se contentou com os braços quentes e afáveis dela.

Por ora.