7 Pecados Capitais
14 Madrugada de paz
Notas iniciais
Neji irrompeu pela porta, sendo iluminado pela luz da lua. Os movimentos que aconteceram no quarto, Ino já tinha previsto, portanto, ela nem pensou muito. Levantou Sakura do chão e esperou o grito de Gaara.
Que não ecoou.
Tudo começou a acontecer em câmera lenta aos olhos da loira profetiza. Neji a puxou pelo braço como se ela não pudesse sair do lugar sozinha. Tenten foi a primeira a sair, seguida de Sakura, Hinata e ela mesma.
Desceram as escadas aos pulos. Tenten percebeu as leves caretas do rei Hyuuga, e algo a dizia que o problema era o pé dele o incomodando num momento inoportuno. Não deixou de fitá-lo em nenhum instante, mas ele estava distante demais para perceber.
Itachi e Sasuke Uchiha esperavam todos já fora do castelo, montados em seus cavalos e com dois cavalos sem guia, quando de repente uma enorme tocha de fogo foi arremessada perto deles. Em seguida, várias caíram dentro do perímetro do castelo do rei Uchiha.
O fogo imediatamente começou a engolir a propriedade, e naquele momento não era só a lua que iluminava a região.
Tenten tomou as rédeas do cavalo de Neji, irritada. O moreno subiu logo atrás, bufando alto. Não tinham tempo para pensar, mas a ousadia dela o irritava muito!
Sakura subiu no outro cavalo sem guia, seguida de Hinata. Ino acompanhou Sasuke.
Itachi foi à frente, sozinho. Um guerreiro solitário. E ilusionista.
– Conheço um atalho! – Gritou. Já haviam pego velocidade.
|||
Fugaku tinha um sorriso no rosto, mas era impossível vê-lo. Estava coberto por uma máscara escura. Posudo demais para alguém que tem muitos inimigos, mal notou os filhos saindo pelos fundos de sua propriedade. Continuou a liderar o ataque não muito bem planejado.
Ele andou enviando cartinhas para assustar os reis. Ele ordenou que Sasori assassinasse alguém de dentro do castelo Hyuuga, afinal, ele sempre soube que seu filho era um traídor. Já tinha conhecimento das reuniões de mexirico¹ que Sasuke ia fazer com os outros reizinhos metidos a benfeitores.
Fora ele mesmo quem ordenou a seus soldados reais que saíssem do castelo na hora do ataque. Não permitiria que aquele filho bastardo se defendesse com uma equipe de guerra que não treinou.
Se pudesse, trocaria seu próprio filho por Sasori. Silencioso, ambicioso e eficiente. Esperto! Pediu Sakura em troca da morte no castelo do Hyuuga. Fugaku cedeu, mas apenas porque o mataria assim que ele não fosse mais útil.
Sasori, à sua esquerda, continuava ereto acima do cavalo como um fiel guerreiro. Fugaku aumentou ainda mais o sorriso, pegando a espada com cautela. Quando arrancou a cabeça de seu servo favorito, sequer lamentou. Fez aquele simples movimento com precisão, passando a espada num local calculado, já que a máscara negra protegia uma pequena parte do pescoço.
A cabeça de Sasori rolou pela colina, mas ninguém percebeu. Estavam todos entretidos colocando o castelo de Fugaku Uchiha abaixo.
|||
Tenten seguia Itachi de perto. Neji estava indeciso entre tocá-la ou equilibrar-se no cavalo, segurando em... Lugares inseguros. Notava vez ou outra os barulhos ofegantes da moça e a pele morena molhada de suor. Que belo momento para ficar excitado! Não seria nada seguro encostá-la.
– Coloque as mãos em minha cintura, Hyuuga! – Ela mandou, irritada com a indecisão boba dele. – Você pode se machucar. – Sussurrou.
Ele apenas fez, e ela fingiu que aquelas palmas quentes e grandes em seu corpo não representavam perigo. Neji tinha algo de másculo e irreal. Aquelas mãos gostosas simplesmente eram demais para ela.
Sakura vinha atrás de Tenten, cavalgando como uma verdadeira lady. Coisa que o Uchiha admirava de trás. Ela quicava maravilhosamente bem, e surpreendentemente, não perdia a postura elegante. Ainda que estivesse vestida em farrapos velhos. Sakura tem expressões nobres demais.
Hinata estava com os olhos parados, perdida em algo que parecia distante demais para fazê-la voltar. Sequer se manifestou.
Ino estava pensando em sua visão. Será que algo podia mudar o destino das coisas? Por que o que ela previu não aconteceu?
Sasuke, entretanto, escutou um barulho a mais. Um barulho que confrontava o ritmo do galope do pequeno grupo em que estavam. Como estava de noite, a iluminação da lua era barrada pelas enormes árvores da floresta. O escuro não permitia que Sasuke identificasse qualquer coisa. Conforme ganhavam a mata, o moreno notou que aquele barulho queria se manifestar. Antes que pudesse avisar que estavam sendo seguidos, o cavalo de Gaara surgiu à frente de Itachi, fazendo com que todos parassem.
– Como está a situação? — Ofegante, o ruivo deixou os ombros cairem levemente. Emendou: — Desculpe pelo susto. Não queria gritar aqui. Este seu atalho é cheio de armadilhas, Itachi.
Itachi pensou por um momento antes de responder. Gaara sabia que ele estava vivo? Como isso poderia ser possível? Ele nunca fora descuidado a ponto de deixar sua identidade exposta. Nunca! Itachi não imaginaria que a moça loira era a resposta de sua pergunta.
Olhou bem o ruivo antes de puxar as rédeas de seu cavalo com mais força.
– O castelo está em chamas.
– É. Aquela fumaça negra com certeza era muito mais que um simples sinal de fumaça. — O ruivo botou os olhos em Ino por instantes, vendo-a agarrada à Sasuke, mas olhando diretamente pros olhos dele. Virou o cavalo levemente, pronto para acompanhá-los.
– Eu sei como não esbarrar em armadilhas. — Itachi suspirou, fazendo seu cavalo andar. — É só me seguir.
|||
O reino de Naruto era o mais perto, e talvez o mais protegido de todos. O grupo de jovens nobres resolveu parar. Primeiro para que pudessem ter notícias sobre o loiro e segundo para que pudessem descansar por breves minutos.
Foram recebidos por soldados reais, e como de praxe, carregados até o jardim. Quem checaria a identidade deles e permitiria a entrada seria provavelmente Naruto. Hinata mal podia esperar.
Ao invés do Uzumaki sorridente cruzar o portal de entrada, quem fez foram os pais dele. Autorizaram imediatamente os jovens a entrar e desfrutar do luxo da casa, e nada podia ser mais acolhedor do que Dona Kushina e Seu Minato.
As perguntas acerca da existência de Itachi iniciaram a conversa.
– Então... Naruto disse que pretendia encontrá-los. Saiu daqui cedo, até. Já está tarde da noite. — Minato parecia preocupado. Algo típico dos Uzumaki. — Meu filho não é dos mais atentos do mundo.
Hinata encostou no aconchegante sofá duma vez. Tenten apenas a olhava de esguelha.
Ino, assim que desceu do cavalo, correu segurar o braço forte e suado de Gaara. Como se fossem alguma coisa. A simples manifestação de intimidade entre os dois o fez retroceder, soltando-a discretamente. No sofá ele não teve tanta sorte, pois ela novamente se postou ao lado dele.
– Ele provavelmente está voltando. Ou indo para algum dos castelos. — Neji interviu seriamente. Uma das pernas do Hyuuga, Sasuke percebeu, estava numa posição um pouquinho esticada.
– Provavelmente do Gaara. É o mais perto do fogo. Isso se ele fez o outro caminho. Se fez este que nós fizemos, está vindo para cá mesmo. — Itachi quis passar alguma confiança. Naruto não deveria voltar pelo caminho mais rápido, ou seja, o que levava até a Areia. Embora chamasse o caminho alternativo que fizeram de "atalho", ele era mais longo. Mas as chances de trombar com um soldado de seu pai eram imensamente menores.
– Eu até planejava fazer o ensopado que ele mais gosta... – Kushina parecia profundamente chateada com alguma coisa. Alguma coisa relacionada a Naruto, mas não apenas a saída dele naquele mesmo dia.
Hinata levantou discretamente, sendo observada por Neji. Ela colou a testa no vidro enorme da janela principal da casa. Alguns instantes ficou parada, até abrir apressadamente as duas enormes portas de madeira e correr pelo gramado.
– Acho que ele chegou. – Tenten comentou sorrindo, fazendo Kushina sorrir também.
Naruto desceu do cavalo assim que parou o animal dentro do jardim de sua propriedade. Bateu a roupa pesada que usava levemente, até que ouviu os passos rápidos pela grama. Reconheceu Hinata de imediato, e os olhos dele brilharam para ela. Como se fosse a imagem perfeita do que ele queria muito ver.
– Eu estava preocupada. – Mumurou nos braços dele, aceitando de bom grado o suor quente que o banhava. – Tinha um mal pressentimento envolvendo você. Que bom que voltou para casa.
Quando Naruto ia beijar a testa da moça carinhosamente, Kushina saiu da casa batendo palmas como se comemorasse a chegada do menino. Infelizmente a ruiva não tinha noção do momento que interrompeu, pois sua preocupação era muito maior.
– Meu filhinho! – Recepcionou, correndo para os braços do herdeiro do trono. – Mãe ficou preocupadíssima.
– Eu já sei, mãe. – Naruto sorriu, abraçando a mulher. – Mas eu não corri nenhum perigo. Na realidade eu mal cheguei perto de perigo.
– A mãe sabe que você é cuidadoso, mas...
– Não minta, amor. – Minato quem falou enquanto se aproximava, e todos os outros vinham logo atrás. – Naruto nunca foi cuidadoso.
Sakura vinha tímidamente atrás de Sasuke. Ela não conhecia ninguém. Tenten e Neji sequer se olhavam. A tensão os engolia por algum motivo estúpido que nenhum dos dois sabia enumerar. Ino vinha acompanhada de Gaara. Um braço entrelaçado no dele, que se esqueceu da pose pomposa.
Itachi...
– Itachi? – Naruto parou a análise no Uchiha mais velho.
Mais uma vez a explicação sobre Itachi Uchiha estar vivo.
Enquanto os homens conversavam no escritório de Naruto, o outro grupo parecia ter uma ideia melhor. Kushina, Minato e as mulheres preparavam o jantar. Eram ensinadas por Kushina sobre como cozinhar.
Por mais que o contexto geral fosse ameaçador, o clima dentro do reino Uzumaki era aconchegante e enlouquecedor. – As pessoas geralmente se esqueciam de suas vidas para viver naquele lar doce lar tão surreal.
– Então todos os planos traçados não aconteceram? – Gaara perguntou após ouvir o breve resumo das desconfianças de Itachi e Neji.
– Não. Pensávamos mesmo que meu pai começaria por você. – Itachi suspirou. – O que ele fez não tem muito sentido pra mim. Eliminou a própria propriedade. Um rei sem sua propriedade principal não é nada. De onde ele comandará tudo? Onde os soldados treinarão? Quem e como farão a sua segurança?
– Ele me ofereceu uma aliança. – Gaara começou. – Mas eu não quis ouvir.
– Nada faz sentido. – Naruto interviu quando todos ficaram em silêncio. – Eu não acho que ele tenha um plano.
– Será? – Neji questionou. Não conseguia acreditava naquela hipótese.
– Nunca saberemos o que ele deseja.
– Ele deseja caos, Gaara. E acho que essa é nossa resposta. – Sasuke parecia, às vezes, inteligente demais para o “filho mais novo”.
|||
O jantar fora ótimo. As garotas aprenderam a fazer diversos pratos diferentes, que vez era ensinado por Minato, outra vez por Kushina. O breve momento de sorrisos durou bastante, até. Mas no final, elas lembravam-se de suas situações atuais.
De qualquer maneira, Hinata estava muito mais leve. Aquilo foi notado por Tenten e Minato, que já tinham desconfianças sobre o casal. Ino estava perdida no meio das novas amizades, esquecendo que ela era uma profetiza, e seu rei uma tentação. Sakura era a mais cabisbaixa, mas não a menos simpática. A menina tinha uma série de dúvidas. Como seria seu futuro? Fugaku a pegaria de volta?
Estava distraída demais perguntando-se também, por exemplo, o que era o sentimento sombrio quando olhava para Sasuke e ele a olhava de volta.
E falando nele, foi o primeiro a sair do escritório de Naruto. A cara de poucos amigos, como sempre.
Comeram enquanto conversavam animadamente. Aparentemente, pelo menos. Naruto não tirava os olhos emotivos de sua doce Hinata. Tenten e Neji estavam em lados opostos da mesa, longe. Gaara conversava com Itachi e Sasuke, mas estava ao lado de Ino. Sakura ficava quietinha.
– Você... – Naruto puxou assunto, olhando para os olhos parados de Sakura. – Como pode se casar com Fugaku? — Foi direto.
Era o que Sasuke queria saber também. Como ela foi parar nas mãos do pai? Desviou o olhar da conversa brevemente, atento a maneira incomoda que Sakura se remexeu na cadeira.
– Ele não me deu muitas escolhas.
– Com todo o respeito, a srta. é adorável. – Naruto contou, vendo-a corar levemente. – Fugaku é um porco! Ele te obrigou?
Minato fechou os olhos, admirado com a capacidade do filho de não ser perceptivo. Tinha certeza que o seu menino não fez por mal, mas só por olhar a cara da nobre Hyuuga... Bem, ela não parecia pensar como ele.
E Sakura é realmente adorável, o que fazia Sasuke sempre analisá-la discretamente. Melhor ainda quando ela não estivesse olhando.
Todos esperavam que ela começasse a falar, mas antes disso, Itachi contou como se não fosse uma grande história merecedora de atenção.
– Ele ameaçou matar as crianças do vilarejo dela. – Comendo, o Uchiha mais velho sequer olhava para os outros. Uma atitude rude e assombrosa, porque na voz dele nada denunciava compaixão. – Ela é de um local muito diferente da nossa região. – Finalmente levantou os olhos, fixando as formosas e perigosas ônix nos verdes mansos e brilhantes de Sakura. – Finlandesa. – Ele completou. – Nobre, mas morava num local não muito... Acessível. Sem pais ou família. Cuidava de crianças abandonadas como ela era. Meu pai deixou dinheiro para eles antes de levar Sakura, mas foi uma péssima escolha. Eles estão traficando e usando uma erva chamada maconha.
Sasuke fechou os olhos, sentindo que o clima de aconchego não foi abalado, mas sim arruinado. A realidade caiu nos ombros dele como uma rajada de pesos, e de repente nem queria comer mais.
Não era por ter visto Sakura suja e arrebentada. Não era por ouvi-la gemer de dor quando ia tomar banho ou quando fazia movimento brusco. Não eram pelas noites que escutava ela chorar enquanto Fugaku gritava.
Era por seu pai. Seu pai estava louco, completamente insano. Sasuke sentia que poderia matá-lo tranquilamente se cruzasse com ele. – Ainda que soubesse das habilidades do mais velho. Um verdadeiro furacão de força, manejamento de arma e rapidez. Ainda assim, Sasuke não se intimidaria tanto. Enquanto Fugaku pensava que ele era obediente e medroso, Sasuke tinha a melhor das cartas na manga. A carta de paz entregue pelo papa!
Era agora o momento certo de lançá-la, uma vez que ele nunca poderia fazê-lo sem justificativa. Qual melhor justificativa do que alegar loucura diante do rei ter destruído o próprio castelo real com fogo e afetado, certamente, moradores ao redor do reino que serviam de escravos?
Itachi observou atentamente o brilho perigoso no olhar singular de Sasuke. Seu irmão não parece tão tolo assim. Na verdade... Parece um ardiloso come quieto!
– Hora de irmos. – O Uchiha mais novo falou, afastando a cadeira levemente.
Fale com o autor