Notas iniciais
Boa leitura!Me desculpem se demorei. Hehe

Sasuke estava inquieto com a demora de seu pai. Para se distrair, tentava aperfeiçoar o chuveiro ao lado de seu quarto, mas os avanços não haviam sido significativos. Apanhou as ferramentas improvisadas e voltou para seu aposento, atento demais para alguém que não faria nada suspeito. Desceu as escadas calmamente logo depois.

No caminho até a lavanderia, passou pela cozinha e encontrou Sasori jantando rapidamente. Olhou para a governanta, voltando os olhos escuros e perigosos para o ruivo.

– Fez o que eu pedi?

– Fiz.

– Muito bem. Assim que você terminar de comer... – Deixou a frase morrer, paranoico com a possibilidade de alguém ouvir seus pensamentos. – Não se apresse para vir. — E percebeu que o seu destino nunca fora a lavanderia.

Deu meia volta, subindo as escadas rapidamente. Antes de tudo, era melhor que averiguasse a vivacidade da mulher do pai. O Uchiha tinha a ligeira impressão de que não podia deixá-la sozinha perto de qualquer objeto perigoso.

Decidindo que o orgulho não era um bom aliado no momento, abriu a porta de supetão. Ficou aliviado por um instante. O rosto, entretanto, não ganhou sequer uma linha de expressão.

A visão era graciosa. Sakura estava de camisola, sentada na penteadeira. Os braços finos mexiam-se num ritmo harmonioso enquanto penteava os cabelos que cresciam cada vez mais desde a primeira vez que a viu. Olhou-o do espelho, sabendo o motivo de sua vinda.

– Eu estou bem. – Garantiu. Pousou a escova na madeira da penteadeira, vendo o corpo maior que o seu se aproximar com uma aura negra o seguindo.

– Continue assim. – Falou atrás dela, observando-a pelo espelho. – Levante-se daí.

Notou o nervosismo dar sinal através de gestos do corpo dela.

– Levante. – Outra vez, e a ordem não foi amigável.

Ela o fez envergonhada, enquanto ouviam o som de um metal caindo no chão. Sasuke aproximou o rosto do topo da cabeça dela, que permaneceu de pé e de costas, sem tirar os olhos do espelho. Não quebraram o contato visual uma vez sequer.

– Covarde. – Ele assoprou simplesmente. Sua voz era arrebatadora.

Abaixou-se, afastando a cadeira pelos pés e esticando o braço no vão onde se encaixava a cadeira na penteadeira. Pegou a faca que caiu do colo dela e deu as costas para Sakura, que pela primeira vez, sentiu-se profundamente triste pela forma que ela e Sasuke se relacionavam.

Desceu as escadas aos pulos, largando a faca numa superfície qualquer.



– Vamos, Sasori. Quero voltar ainda hoje.



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Neji acordou pela noite. Ele não dormiu o dia inteiro a toa. Desmaiou quando caiu do cavalo, e o que chamou a atenção das pessoas foi o relincho irado de Ron. Minutos depois, acordou sendo carregado por Naruto para seu quarto, enquanto era avisado por Hinata que o médico da cidade viria. O médico enfaixou seus machucados no braço direito, mão esquerda e perna direita, dando ainda um comprimido calmante devido a recusa do Hyuuga de ficar deitado. Embora quisesse subir a torre sul até o último quarto, parou de discutir e deixou que o remédio fizesse efeito. O resultado fora este: Dormir até que escurecesse.

Neji sabia de suas limitações, mas não as respeitava. Trabalhava todos os horários que podia, estudando e sanando as necessidades de seu povo. Dava ordens pelo castelo inteiro, organizava e se inteirava do treinamento do exército, separava instantes da manhã para tomar café, cavalgar e se higienizar, separava dois dias da semana para visitar a cidade, gostava de cozinhar para visitas... Era um nobre e tanto, sem tempo para descansos. Hinata o ajudava com estratégias, mas ainda sobrava muito para um líder. E ele fazia muito sem reclamar.

Levantou-se da cama devagar, dando atenção especial à perna machucada. Não ligou para o fato de que vestia agora pijamas. Mancando, andou até a ala sul sem encontrar ninguém pelo caminho. Foi encontrar Razhg, o guarda que cuidava da torre sul, na ponta das escadas para os quartos.

– Suba comigo. – Ordenou. Tinha a ligeira impressão de que uma ordem fora ignorada. Outra vez. Aquilo o irritava muito.

O homem não fez questão de ajudar seu líder. O Hyuuga também não pediu ajuda.

Depois de muito tempo devido aos ferimentos e muitos lances de escadas até o último corredor, o moreno seguiu para o último quarto à direita. Deu passagem para Rahzg, que retirou um enorme molho de chaves e, com uma adaga nas mãos, abriu a porta.

As velas acesas só deixavam ver uma silhueta largada na cama. Cabelos longos escapavam do colchão, pairando no ar graciosamente. Neji soube imediatamente que sua desconfiança tinha fundamentos.

– Vão permitir que eu vá embora? – A voz feminina e baixa soou preocupante para o nobre moreno.

Mas Neji não pode respondê-la. Uma crescente raiva sobrepôs-se à sua calmaria.

– Por que ela está aqui, Razhg? A ordem que dei ao seu irmão foi de deixá-la confortável. – Razhg pareceu surpreso. – Ela é a invasora? – Perguntou, apenas para ter certeza do julgamento que faria. O guarda assentiu. – É a segunda vez, Razhg. Com uma segunda mulher. – Respirou fundo. – Você trouxe ao menos as refeições para ela?

– Senhor, eu não trouxe. Me desculpe. Confiei no meu irmão quando me disse que era para deixá-la trancada.

– Eu quem devo desculpas agora, Razhg. Não confio no seu irmão para continuar a trabalhar aqui. Da próxima vez, me consulte.

A mulher, ignorada, sentou-se na cama.

– Vão me deixar ir? – Bateu as mãos no colchão fortemente, mas não foi por isso que chamou a atenção dos dois homens. Foi pelo tom de voz.

Neji virou os olhos lentamente, intrigado com a ousadia. Encarou a roupa suja e os contornos instigantes da moça. As velas não iluminavam muito mais do que isso, mas nada mentia para seus olhos. Assentiu depois de alguns segundos, estendendo a mão para a intrusa pegá-la, como o nobre que era.

Não percebeu o rubor no rosto dela, que levantou, parando ao lado dele. Não segurou sua mão.

– Não o conheço. – Declarou, como se pedisse desculpa por não aceitar a gentileza.

Ele entendeu. Ela não era do reino dele. Era alguma viajante.

– Faço questão de me redimir. – Falou para ela referindo-se à “prisão”. Começou a andar devagar, aos mancos, parando por um momento. – Razhg, peça para que amanhã seu irmão venha direto à mim. – Olhou para ela, agora ao seu lado. Saíram do quarto, e Neji pode vê-la um pouco melhor. Olhos escuros. – Me desculpe por isso. Não foi um bom modo de recebê-la.

Ela assentiu em concordância, num gesto simplório e humilde.

– Um banho e um bom jantar. É assim que vai ter meu perdão. – Viu-o sorrir de canto. – Ah. E uma ótima explicação.

Sem mais sorrisos ou palavras, desceram as escadas de braços juntos. Neji ofereceu-o quando viu os degraus, mas não era exatamente a educação dele que o forçou a isso. E ela notou.

A verdade é que tinha visto tudo o que aconteceu com ele da janela, mas fechou a portinhola de madeira muito assustada. Fora ela quem tirou a atenção dele. Tinha medo do que pudessem fazer. Foi instinto.



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Matsuri estava sentada em cima do rei, acarinhando as laterais de seu corpo forte enquanto sorria. Ela estava de roupa, ele apenas sem camisa. Estava também largado na cama, cansado de alguma coisa que não sabia.

– Gaara! – Chamou. – Em que mundo você está?

– Num onde você não fala. Só faz o que tem de fazer.

Um bico inevitável surgiu nos lábios molhados da moça. Mexeu-se em cima dele insinuando um movimento perigoso.

– Se você não fosse quem é... – Ela riu, mordendo os lábios enquanto debruçava o corpo para beijá-lo.

A frase o deixou pensativo. Não bastava sua vida amargurada, tinha ainda que ouvir que as mulheres davam para ele por ele ser quem era. Ou seja: O rei.

– Adoro estas sardas. – Ela comentou, descendo os lábios carnudos até o mamilo dele. Gaara a empurrou, fazendo-a cair na cama. Levantou-se ele em seguida.

– Saia.

– Mas...

– Mandei sair.

Arrastada e rouca. Gaara estava calmo, mas sua voz nunca passava de uma ordem suprema. Brava, Matsuri saiu, mas não cometeu o erro de bater a porta. O ruivo vestiu-se imediatamente, lembrando-se do compromisso inadiável que tinha.

Enquanto rumava para fora, decidia se deveria antes consultar-se com a bruxa. Teve uma ideia ainda melhor.

– Você. – Chamou um dos guardas de entrada. – Suba até a bruxa e traga-a aqui em vinte minutos. Exija que ela vista uma roupa elegante.

Com elegante, Gaara quis dizer decente.

De repente, a ideia de levar a loira parecia a pior que já teve.



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– A banheira estava muito gostosa. Meu nome é Tenten. – Neji quis sair do quarto quando a viu enxugando os pés, mas ela fez questão que ele ficasse. Estava sentada na cama, com roupas de dormir que ela emprestou. – Eu vou aceitar passar a noite. Além de não ter para onde ir, preciso de uma boa noite de sono. Aquela cama...

– Não queria tê-la feito passar por isso. – O Hyuuga sentou na beirada da cama. Percebeu que Tenten encarava os machucados em seus braços.

– Eu realmente fiquei assustada naquela noite. Choraminguei um tempão. Hoje, quando recebi café da manhã de uma senhora, fiquei mais calma. Não que eu goste de ser prisioneira, mas é que percebi que estavam tendo algum cuidado comigo, e que talvez eu não fosse tão descartável assim. Mas aí não comi mais nada...

Neji sorriu de lado outra vez.

– Boa observação. De onde você veio?

Ela ficou chateada por ele não convidá-la para comer imediatamente. Suspirou.

– Fugi do meu país. Eu era jornalista e criticava o governo, então começaram a me caçar.

– Família?

– Sabem de tudo, exceto para onde vim.

– E sabe mesmo onde está? Sabe quem eu sou?

– Deveria?

Ele riu desta vez.

– Você deveria. Eu sou o rei daqui.

A primeira reação dela foi imediata. Um morder de lábios nada sexy. Estava apreensiva. Em seguida, as bochechas ganharam duas bolotas rosadas belíssimas, que deixavam seu rosto ainda mais bonito. Por último, uma aproximação que Neji não costumava ter. Ajoelhou na cama, ainda perto dele.

– Você...? – Ela faria uma pergunta.

– Acho melhor que esqueçamos tudo que se passou. – Ele se levantou. Estava sério, agora. – Estou esperando visitas, mas o jantar sairá logo. E não se acanhe de descer de pijama. Eu vou.

Notas finais
É, parece que tem toda uma "tramação" acontecendo. Sasuke, Gaara...