7 Pecados Capitais

10 Guilhotinas ineficazes Pt. 1


Notas iniciais
Aí está. E bem, acho que já perceberam que o clima está dando uma esquentadinha. Quando tiver hentai, eu avisarei aqui nas notas, certo? Se eu não avisar, o capítulo pode conter insinuações e essas coisas... Ah, NÃO VOU ABANDONAR 7 PECADOS E NEM CRUEL ANJO. Fiquem tranks! É que Cruel anjo eu estou tendo um pequeno bloqueio. Mas estou me esforçando.

Ino colocou o primeiro pé para fora do quarto. Estava sorridente.

Em sua cabeça, estava experimentando a liberdade. Deu cinco passos feliz da vida, quando trombou com Gaara da Areia num corredor estreito. Ela queria abraçá-lo para agradecer, mas ele não parecia receptivo. Seu sorriso morreu. Na verdade, o rosto cheio de linhas de expressões do homem parecia tenso. Ele parecia tenso. Estava rígido, ereto, e com uma aura pesada. Cansado.

– Eu poderia resolver o seu mal humor. – Ela disse quando ele a olhou nos olhos. Algo sobre o brilho nefasto no olhar daquele guerreiro a agradava imensamente. Algo escondido no piscar lento, na rapidez de movimento, na arrogância... – Uma massagem cairia bem. – Falou baixinho, e em sua voz ligeiramente macia não havia nada de malícia. – Mas eu preciso conhecer tudo aqui. Podemos deixar para mais tarde?

Gaara não gostava da maneira como ela perguntava e respondia as coisas. Falava pelos cotovelos. Ele não pediu massagem nenhuma. Que diabos ela tinha de oferecer? E por que ele pensou em aceitar imediatamente?

Revirou os olhos.

Maldito momento em que autorizou a saída da bruxa.

– Tome cuidado com os soldados. Eles saberão quem você é assim que colocarem as vistas em você. E quererão previsões. – O ruivo passou os dedos da mão direita nos cantos da boca. O gesto, ela soube assim que viu, era “involuntário”. – Eu disse para você deixar o guarda do seu quarto te acompanhar, bruxa.

– Eu prefiro ir só. Não quero ser vigiada.

– Eu não posso acompanhá-la. Tenho que sair. – Deu as costas repentinamente. – Não vá ao campo de treinamento.

Queria livrar-se dela um pouco. O acontecimento da noite passada ainda o assolava, de certa maneira. E ele queria vingança, é claro. Fugaku Uchiha nunca lidou com Gaara da Areia irritado.

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Enquanto analisava o avental muito concentradamente, Neji chegou à amarga conclusão de que a chegada de Tenten e aqueles acontecimentos eram muito estranhos.

Decidiu que a perguntaria “como quem nada deseja” quando estivessem melhor entretidos, já que ela estava ao seu lado olhando também aquela sujeira.

Se a perguntasse agora, ela provavelmente se sentiria ofendida com a desconfiança dele. E no caso dela ser a assassina, ficaria mais alerta.

– Uma peripécia e tanto. – Comentou o moreno, procurando desvincular aquela visão bizarra da atmosfera tensa que se instalou. Olhou para a Arata como se pedisse uma opinião.

– Você acha que isso é para assustá-lo? — Tenten tinha a voz baixa e cuidadosa. Muito mais séria do que Neji pensou que poderia soar dela.

– Eu tenho certeza. – Respondeu sem hesitar.

– Eu não tenho tanta. – A morena percebeu que aguçou a curiosidade dele. – Podemos nos encaminhar praquele seu esconderijo de trabalho?

Neji olhou-a longamente, tentando encontrar na expressão séria alguma intenção. E se ela quisesse matá-lo em segredo? Tudo bem, todos descobririam depois que o rei estava morto. Mas e se ela quisesse matá-lo longe dos olhos das pessoas? Suspirou.

Fez um gesto para que ela fosse na frente dele, e quando passaram pela sala, gesticulou novamente. Desta vez foi para seu guarda pessoal, Kittei. Tenten sequer reparou. Quando ele abriu a porta para ela e ela entrou, Neji bateu na parede, para fora do ambiente, para que o guarda ficasse ali.

Fechou a porta.

– Então...? – Começou, dando a volta na mesa discretamente.

– Eu prestei atenção na sua conversa com os outros príncipes e reis naquele dia. Sei que vocês correm alguns riscos com invasões. – Neji parou para pensar no quão irônica a conversa era, já que Tenten fora uma invasora também. – Você não acha que talvez seja uma distração? Quero dizer... Matar um empregado para te atingir?

– Eu me preocupo com o meu povo. Todos sabem que me atingiriam se atingissem à eles. – Rude, o moreno sentou na cadeira enquanto a via de pé. – Tenho certeza que querem me assustar.

– Com uma distração.

Tentando soar mais amigável, Neji fez algum rodeio para convidá-la a sentar. Pediu que ela segredasse a ele sua tese, mas não prestou atenção em nada. Em algum espaço de tempo em que ficaram em silêncio porque ele mal sabia do que ela estava falando para continuar a conversa, soltou:

– Quem era o líder da sua região?

– O que isso tem a ver? – Receosa, a morena se mexeu na cadeira devagar. E o movimento não fugiu dos analíticos olhos perfeitos do homem.

– Bem... Eu estou curioso. – Como se pudesse colocar alguma pressão e intimidar Tenten, Neji levantou da cadeira com um ar definitivamente superior. Fosse o que fosse, aquele assunto a incomodava. Mas a superioridade não era maior que a gargalhada que explodiu no som da voz alterada dela.

Repentinamente ele se sentiu muito idiota.

Parou com o corpo na frente da bela mulher, encostado na mesa. Cruzou os braços.

– Não acredito.

– É que... – Entregue ao divertimento, Tenten não conseguiu parar tão cedo. E até que reparou de relance na pose repleta de sensualidade do Hyuuga, mas não conseguiu dar o máximo da sua atenção para isso. Estava dividida entre risos. – Ah, Deuses! Foi tão engraçado quando você levantou. Estava todo sério, querendo me intimidar, e daí começou a andar mancando...

Inclinou-se para ela um pouco, sem se aproximar demais, mas já sentindo o repuxar nas costas. Já previa mais tempo na cama. A dor se espalharia por um maldito movimento, e a culpa era, mais uma vez, daquela maldita mulher risonha.

– Isso não pode ser tão engraçado. Você não deveria rir de um rei. – Buscando em si dignidade o suficiente, forçou as costas o máximo que pode. Cerrou os olhos como se a repreendesse pela expressão dura.

– Você é um homem engraçado. – Levantou-se devagar, e ele forçou novamente as costas para que ficassem eretas. O leve incômodo refletiu em sua expressão rude. Diabos...! Engraçado era a última palavra que pensou que o definiria.

A aproximação foi seu segundo incômodo imediato. Será que Tenten não conseguia se tocar de sua ousadia? Cara a cara ficaram.

– Você é uma mulher inconveniente. – Resmungou, olhando-a nos olhos.

Como veio, o riso se foi. E até os sorrisos. Tudo que Tenten conseguia ver era o rosto dele. Generoso, bonito, másculo, forte por dentro e por fora. Neji tinha a pose de rei. Tinha o comportamento maduro. Lábios finos e cercados pela pele branquinha...

Ele percebeu que ela estava perdida com os olhos nele. Achou engraçado o olhar inocente que ela dirigia a ele, como se estivesse mesmo distante do mundo em que estavam. Não quis demonstrar que a achou encantadora.

Como podia imaginar um olhar assassino naqueles castanhos tão sentimentais?

Estava caindo naquele jogo.

– Você é muito bonito. – Ela proferiu com a voz baixa, tirando-o dos pensamentos que também o faziam olhar para ela. Quando notou a real situação, era tarde demais. As mãos dela apalpavam seu rosto macio, acariciando tão gostoso quanto sua mãe um dia fez. Os olhos cheios de brilho invadiam sua mente. Os lábios pouco cheios estavam próximos, mas ainda longe. Teve de descruzar os braços quando o corpo dela finalmente roçou no dele. Estava surpreso com a lentidão dos movimentos e com a real ousadia dela, mas a surpresa não parecia acabar naquele momento surreal. Tenten o puxou pela nuca com tanta força, que os pensamentos dele se apagaram da mente.

O último pensamento era algo sobre ela decapitando-o.

Sua cabeça paranoica foi enganada de maneira muito oportuna. A boca imensamente apetitosa da morena enroscou-se à sua, e ele quis parar nos primeiros segundos para repreendê-la uma segunda vez. Mas então sorriu enquanto ela lambia sua boca sensualmente.

Percebeu que o beijo era apressado e mal aproveitado. Impulsivo. Como ela.

Afastou-a minimamente, demorando a soltar os lábios dos dela. Abriu os olhos, vendo-a enrubescer. E continuar de olhos fechados. Tomou os lábios de Tenten devagar, ensinando-a a ser intensa. Cobriu o corpo dela com seus braços e mãos fortes, passando as duas palmas pelas costas dela. Notou que tinha curvas, e que a do bumbum era a maior delas. Mesmo assim, não se aventurou para novas descobertas. Era um homem respeitoso, afinal.

Na cabeça de Tenten, as coisas finalmente pareciam arejadas. A urgência que imprimiu no ato de tocá-lo não foi planejada. Nenhum movimento foi. Ela apenas fez o que sentiu vontade. Uma vontade grande demais para ser ignorada.

Na cabeça dele, o Neji sensato berrava. Por que estava sendo tão imprudente? Ele era o rei mais recatado que conhecia. O mais correto, o mais estrategista, o mais... Diabos! Mal conseguia formar um pensamento coerente. Um! A vida toda pensava no próximo passo. Por que não planejou cuidadosamente? Por que não percebeu a atração que sentia?

Se ela fosse mesmo a assassina...

– Ei. – Resmungou contrariado. Suspirou enquanto deixava os lábios nos dela algumas vezes. Não estava tão disposto assim a parar. – Tenten. – Falou, finalmente abrindo os olhos. Descolou a boca da dela quando percebeu que ela também reagiria. Empurrou-a pelos ombros devagar, mas com efeito. – É o seu jeito de fugir das minhas perguntas?

Aquilo provavelmente não deveria ter sido dito.

– O nome dele é Orochimaru, tá? – Ela parecia enfezada. Mas os olhos amenizavam a agressividade no tom de voz. – Só apareça de novo se for pra me chamar para jantar!

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Ino estava cansada. Saltitar foi legal na primeira hora. Agora, praticamente se arrastava. E mesmo assim faltavam cômodos para visitar.

Gaara lhe avisou sobre guardas, e eles realmente a olhavam estranho. Mas nenhum cortou seu caminho. Até então.

– Profetiza. – O homem a abordou com a voz baixa, curvando o corpo de modo respeitoso. – Posso pedir que cuide meu futuro?

– Me desculpe, senhor...?

– Áthila.

– É um nome muito... Diferente. – Ruborizada, Ino colocou as mãos nos ombros dele como se pedisse menos cordialidade. Logo retirou as palmas macias da roupagem áspera de Áthila, tomando o cuidado de não ser grosseira. – Mas não é assim que funciona. As visões é que chegam até mim. Eu não posso buscá-las.

– Mas você consegue buscá-las?

– Bem, eu nunca tentei, mas...

– Áthila! – Uma voz grossa preencheu o corredor, assustando aos dois. O homem tão ruivo quanto Gaara se recompôs, batendo os cílios na direção dela como se pedisse licença. Não esperou que os dois guardas — que estavam estranhamente mais equipados que os de dentro da casa saíssem. Partiu primeiro. E felizmente o corredor em que estava dava na cozinha.

Aquilo poderia ser a melhor parte do passeio. Roubaria coisinhas de comer, “conversaria” com Amikire e, contente, contaria a novidade sobre poder andar pelo reino.

Akimire é uma das senhoras que lhe leva almoço. Em geral, de todas as cozinheiras, Akimire é a mais jovem e a que menos sorri. Mas conversava com Ino, de alguma maneira.

É muda.

Mas uma boa ouvinte.

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Sasuke estava alimentando o Ekitteu. Ekkiteu é o cachorro esfomeado que Sasuke encontrava todos os dias ao redor da propriedade. De nada adiantava jogar uma bacia de carnes, pois ele sempre voltava. E não é porque ali lhe davam comida. Sasuke experimentou até uma casa de madeira no meio da floresta, com direito a forro na madeira e coberta.

Ekkiteu novamente no portão no dia seguinte. E nos outros, abaixo do sol ou da chuva.

Com o passar dos dias, Sasuke ficou comovido com a fidelidade, talvez, do animalzinho. Que na verdade era enorme. Num destes dias, não o mais feliz deles, viu seu pai chutar o bicho. Os olhos de Sasuke ficaram tão escuros, que sua mente parou por alguns segundos numa análise fria de sua realidade.

Era um gesto menos ofensivo, mas... Seu pai não possui a mesma humanidade das pessoas que vivem ao redor dele. Bastava ver nas condutas simples. – Ou mesmo nas aterrorizantes, como maltratar a esposa. Será que Fugaku tem alguma humanidade? Sabe o que é humanidade?

Intercedeu distraindo o velho e afugentando Ekkiteu apenas bloqueando o caminho do pai até o cachorro. Fugaku partiu com Sasori para suas viagens rotineiras. Desde então, Ekkiteu é o novo morador da mansão e protetor da casa. Mas até quando veria o animal vivo?

– Que bonito...! – Sakura falou. A voz estava baixa e um pouquinho rouca.

– Você deveria estar na cama. – Rude.

– Eu melhorei muito. – Argumentou emburrada. – Andar faz bem.

– Você está debaixo do sol. Nos fundos da propriedade. – Sasuke suspirou quando viu Ekkiteu cheirar as pernas dela. – Já andou o suficiente.

– Eu confesso que estou um pouco tonta. – Abaixou-se, acariciando a enorme cabeça do cão acinzentado. – Mas eu estou bem. – Olhou para o animal. – Como é seu nome, amigo?

Sasuke fazia grandes esforços todos os dias.

Naquele momento, por exemplo, ignorava os péssimos modos de Sakura, agachada na frente de um homem com as pernas à mostra. Como se não fosse o suficiente, ela ajoelhou no chão colocando os pés apoiados no bumbum. O vestido subiu um pouco, e o branco da pele dela realmente o agradava. Realmente.

– Acha mesmo que ele vai te responder? Céus, o que é que tem nessa sua cabecinha de pardal?

Ekkiteu deitou no chão, colocando – Inteligentemente, Sasuke tinha de admitir, a cabeça nas pernas da moça. Viu-a corar quando o cachorro subiu o nariz.

– Parece que há algo interessante por aí...

– Ridículo! – Ela murmurou, fazendo uma careta mal humorada. – Cachorrinho, não faça isso. – Suplicou, afastando o rosto do animal. Que rosnou.

– Você só arranja problemas. – Sasuke, que estava sentado no chão, olhou para o céu enquanto puxava o cachorro ligeiramente alerta. – É melhor que entremos. Vai chover.

O Uchiha preferia não olhá-la por muito tempo. Estava inclinado a tocá-la, mas não entendia porque sentia tanta necessidade. Nem chamava mais de vontade. Qualquer espaço nu de pele dela, ele tinha vontade cobrir. Com as mãos.

Sakura andava frequentemente apavorada, e o motivo disso era a suposta invasão no quarto dela. O moreno sinceramente não acreditava antes, mas tinha algo pesando na consciência dele. Não como se tivesse feito algo errado, mas como se tivesse deixado algo passar por seus olhos sem ver de verdade.

– Sasuke... – Sakura e ele conversavam, agora. Mas nenhum deles se aproximava muito. Estavam apenas... Melhor enturmados. E tudo aconteceu pelos dias que passaram no quarto, enquanto ele a tratava. – Você se importa de...

– Me importo. – A interrompeu, já sabendo o que ela diria. – Pare com isso. Nada te machucará aqui dentro. Eu já disse.

– Mas é só até a lavanderia e... – Ela percebeu que ele estava irredutível. E cansado de servir de guarda a cada passo dela. – Está bem.

Andando devagar, Sakura sumiu no corredor que levava à cozinha e lavanderia. Queria pegar as roupas de cama que Fugaku mandou–a lavar antes que a chuva as molhasse. Notou ao passar pela cozinha, que o café da tarde estava intacto na mesa. Nenhuma cozinheira ficava ali à tarde, exceto se tivessem trabalho a fazer. Certificou-se de que ninguém olhava e pegou um pedaço de bolo marrom, afastando os insetos com as mãos.

Saboreou com gosto a iguaria, limpando os dedos na toalha de mesa. Antes de tomar um gostoso copo d’água, sentiu o cheiro da chuva pelas enormes janelas da cozinha, que eram cercadas por árvores. A cozinha, na realidade, ficava num nível um pouco mais alto que o restante da casa. A lavanderia, que ficava numa portinha de madeira no canto da cozinha, também era mais elevada. Mais elevada até que a cozinha.

Decidiu que deveria pegar logo as roupas. Ao vê-las organizadas em pregadores de madeira, sorriu. Pôs-se a soltar pregador por pregador.

– Roubando bolos? – O sussurro próximo a assustara, é claro. Seu primeiro pensamento era que Sasuke gostava muito de brincar com ela. Mas então, desestabilizando todo o seu humor, a voz de Sasuke soou ao longe:

– Que demora é essa? Que diabo você está apron... – O Uchiha mais novo travou na porta da cozinha, entendendo completamente tudo o que estava acontecendo. – Itachi?!

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– Tenten, Neji pediu que eu te chamasse para jantar.

Apreensiva, a morena abriu a porta do quarto de hóspedes. Estava envergonhada. Entendia completamente porque não podiam fazer aquilo. Era com a vida de um rei que estava mexendo!

– Estou indo. Espere só um instante. – Já de pijama, voltou à beira da cama apenas para calçar as chinelas de pano. Pantufas finas.

A porta foi, depois de Tenten sair, encostada. A visitante subiu para o aposento dos hóspedes com a desculpa que estava indisposta e queria ficar sozinha. A verdade é que pensou no que aconteceu por algumas horas, e o restante da tarde usou para dormir tranquilamente. Não estava apavorada. Apenas um pouco constrangida.

Quando chegaram à sala, Neji já comia. Hinata podia apostar que estava nervoso. Neji não era do tipo que fazia enormes pratos. O moreno pouco comia. Mas naquela noite, pelo que ela estava vendo...

Tenten não conseguiu olhá-lo muito. A lembrança do que fizeram era um borrão, de tão surreal. Não fazia sentido pelo simples fato de que... Ela não sabia dizer por que aconteceu.

Antes que as duas damas pudessem sentar, Naruto adentrou a sala de jantar fazendo uma enorme barulheira.

Sem que pudesse segurar a língua, aproveitou o momento que Hinata foi cumprimentá-lo para perguntar alto para Neji:

– Que diabos ele faz aqui esta hora?

– Ele está sempre aqui.

De fato, ele parecia muito seguro das palavras. A voz firme não vacilou, e os olhos não transmitiram confusão nenhuma. Pelo visto, ele estava lidando muito bem com aquilo. Ela decidiu então que não tinha motivos para ficar envergonhada. Nada aconteceu.

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– Mudança de planos. Comecem a atacar o Reino do Fogo.

– Mas isso é...! – Um dos soldados ia argumentar. Outro, de voz muito mais calma, intercedeu:

– Uma boa ideia. Começar pelo Uzumaki nos traria alguns problemas. – Karin suspirou. – Teríamos de passar pelo Reino da Chuva e sermos facilmente notados.

– Atacar o fogo é loucura. Nós todos...

O líder do grupo mexeu-se na cadeira, fazendo a linha de raciocínio do soldado se esvair. Intimidado, o pobre homem apenas dignou-se a escutar:

– Se não vai lutar, coloque-se na guilhotina. – Com a voz carismática, o homem de cabelos acinzentados e longos voltou a falar: — Ou então honre estas calças de segunda mão, Inoichi.

– P. Extra –

Naruto gostava de ter os braços de Hinata em sua cintura. Ele preferia apenas envolvê-la pelos ombros. Embora quisesse muito desrespeitá-la num ótimo sentido, o afeto que sentia por ela não permitia que ele fosse o tipo de cara que se aproxima para enfiar os dedos em sua ceroula.

Quando famintos, eles realmente chegavam perto do desrespeito, mas ele sempre impedia de chegar lá. E tinha um bom motivo. Primeiro por respeito, é claro. Segundo porque se encontravam intimamente em sua carroça real. Transar com ela na carroça real seria um grande desrespeito.

No final convencia-se de que não era pelo espaço, e sim porque por ela, ele tem grande consideração.

Nunca falou sobre fidelidade. Ele com certeza teria de mentir se tocassem nesse assunto. Sempre que viajava para outros países – E viajava muito, procurava hospedarias-prostíbulos. Suas necessidades eram sempre sanadas.

Arrependia-se. Mas fazia outra vez. E foi assim por um longo tempo.

Há quanto ele e Hinata se entrosavam, mesmo?

Pelo tempo que ficaram juntos, várias transas teriam acontecido. Mas era uma questão de jogo de cintura que ele não tinha.

Ele era de outro reino. Vivia resolvendo assuntos e viajando. Transava por aí. Visitava-a por muito carinho. Conseguia entender que devia ser difícil a Hyuuga doar-se pela primeira vez. Nunca a perguntou diretamente se era virgem, mas tinha suas certezas. Hinata era muito doce e recatada para ter feito sexo alguma vez. E ainda viveu toda a vida com o primo.

– Está com frio? – Abraçados no fundo da carroça dentro da propriedade de Neji e estrategicamente nos fundos, os dois cobriram a frente do transporte com uma espécie de lona e assistiam às estrelas atrás. Aquilo os beneficiava quando precisavam beijar, também.

– Não. – Respondeu simplesmente. Estava sonolenta, ele imaginou. – Por que nunca transamos?

A pergunta o desarmou. Desceu o olhar um pouco desnorteado para ela, beijando-a na testa tempo depois. Limpou a garganta.

– Não tivemos boas oportunidades. – Hinata seria sempre sua moça favorita. A que o fazia sentir. E ia além dos momentos de gozo. Era um sentimento que somado ao prazer o faria rei do mundo. – Por que nunca contamos ao seu primo sobre nós?

– Não sei. Mas faremos isso urgentemente.

Naruto permitiu-se rir gostosamente, apertando-a instintivamente. Acenou em positivos empolgados, estranhando o modo aberto que ela abordava o assunto e suas necessidades.

– Imediatamente. Mal vejo a hora de te levar pra minha casa.

E era bem verdade. Se pudesse tê-la, tinha a certeza de que nenhuma mulher o satisfaria mais.

– Neste caso, estou tentada a acordá-lo agora.