7 Pecados Capitais

30 Coral - parte I


Notas iniciais
Não formatei, só quis atualizar correndo. Ainda hoje arrumo tudinho! BOA LEITURA. ;)

A corrida pela mata seca se tornou mais lenta em menos de dois minutos. A Arata não conseguia parar de pensar no rosto de Neji e como devia estar decepcionado com ela, pronto para esquecê-la. Parou por um instante e olhou pro céu, rogando o perdão do rapaz e que fosse feliz. Tenten, então, sentiu o mundo girar ao seu redor, e de repente viu o chão. A força com que bateu a cabeça a fez soltar a mão que segurava a pulseira que furtou de Hyuuga Neji, e ela precisou fechar os olhos antes de raciocinar mais uma vez. Apesar disso, ainda podia sentir o fio de ouro em seus dedos, preso como se tatuado. Ela jamais daria aquela peça para ninguém, nem por abrigo, nem por comida.

— Onde você ia assim? — Uma voz irritada e familiar soou perto de seu rosto, e mesmo com as dificuldades que sentia para se concentrar, abriu os olhos. Não tentou levantar, sua cabeça doía. Suspirou aliviada por não ser um ladrão, mas ainda não estava tranquila. Era o homem dos seus olhos.

— Sai de cima de mim, Neji. — Murmurou com o tom de voz afetado, porém não se mexeu. O conforto dos braços dele não permitia que ela pensasse em fugir.

— Onde você pensou que estava indo, diabos?! Está frio, você terá que passar pelo país da neve e está cheia de trapos… — Ele começou a enumerar, mas preferiu não ir por aquele caminho. — Por que estava fugindo? Aqui não é o suficiente pra você?

Ela piscou os olhos algumas vezes ao reconhecer um quê de tristeza na voz dele. Talvez aquele lampejo no olhar também fosse coisa da sua imaginação. Vendo que ela não ia respondê-lo tão cedo, o rapaz seguiu os braços dela com a mão, até alcançar a mão dela. Pousou a palma em cima da pulseira que era dele e apertou seus dedos femininos, reconhecendo a joia e se sentindo um pouco emocionado por ela ter pego um pertence dele.

— Era do meu pai. Esse símbolo significa humildade. Quero que fique com você. — Ele a olhou nos olhos, esperando que ela se encolhesse e fugisse mais uma vez.

Ela não fez. Ergueu a cabeça devagar, sentindo uma pontada forte. Pescou os lábios dele enquanto ainda o olhava, colocando as mãos na cintura firme do rapaz pra puxá-lo para baixo, para cima do corpo dela ainda mais. Neji tinha assuntos urgentes, mas naquele segundo aquele conseguiu ser mais importante para ele, porque não se tratava só de um beijo e de suas pélvis juntas e alvoroçadas.

Queria muito que ela ficasse. Na verdade, era de suma importância que ela ficasse.

Usou a língua para lamber os lábios superiores dela, fechando os olhos a tempo de vê-la deitando na grama e relaxando, estavam metros a frente dos portões de seu castelo.

Se importava se alguém os pegasse, mas não queria parar.

— Fica? — Sussurrou enquanto a beijava, e a moça apertou a pele de suas costas, assentindo de olhos bem fechados.



Ino saiu de madrugada, mas faltava pouco menos de meia hora para amanhecer. Contemplou o jardim com um sorrisinho por pelo menos dez minutos, até alguém tapar a bela visão que tinha do céu. Era um soldado, um que ela nunca viu antes.

— A senhorita não devia estar aqui. — Foi só o que ele disse. Um pouco rude, um pouco desconfiado. — Vou acompanhá-la aos seus aposentos.

Ele deixou implícito que ela não podia recusá-lo, então Ino franziu o cenho.

— Me viram sair e…

— Nós precisamos subir agora, senhorita.

Quando ela levantou e tentou desamassar o vestido fino e amarelo, um som familiar ecoou de dentro do castelo. O semblante animado da moça foi imediato, assim como a reação temerosa do soldado.

— Está tendo música hoje? — Perguntou iluminada, mas ao perceber a cara do homem, ficou muito confusa. — Você não gosta de música?

— Tenho que te esconder urgente. Eles vão benzer o castelo. — O homem parecia alvoroçado. Pegou nos pulsos finos da moça e a puxou na direção do portão, fazendo sinal para um dos homens prepararem uma carroça. — Vamos pra cidade. Não vai ter jeito de entrar.

— Mas… — Ino tentou pará-lo, tentou fincar os pés no chão.

A resposta dele foi um olhar assassino.



Hinata parou no reino do fogo primeiro. Não foi difícil achar Sasuke, mas foi difícil acreditar no que viu. Ele estava vestido como um camponês, recolhendo uvas com um pouco de dificuldade.

Estava calor.

E ver Sasuke no sol, tranquilo, era esquisito. Ele tinha uma cara fechada, de frio e neve. Mas era uma cena bonita.

— Sasuke! — Fez uma reverência curta quando ele a viu. — Trago notícias. — Falou em seguida quando ele se aproximou. — Minato morreu, e Naruto gostaria que você fosse ao enterro.

Dizer a notícia se tornava cada vez mais fácil, mas engoli-la era difícil, parecia uma bolha gigante de ar. Minato e ela eram mais próximos que ela e Kushina, mas o verdadeiro motivo por trás de sua contínua tristeza era Naruto. Vê-lo em prantos, assim como a mãe, era muito comovente. Tanto que às vezes se permitia chorar com eles.

A primeira reação de Sasuke foi abrir a boca surpreso. Logo depois, ele tirou o chapéu de palha e pousou na altura do peito.

— Não pode ser. — Murmurou.

Sakura vinha saltitante ao fundo, sorrindo ainda mais ao ver a figura conhecida da Hyuuga. Saía de avental de pano e limpava as mãos nele, mas logo parou com os gestos espalhafatosos ao notar que ninguém sorria.

— Foi a doença do coração.



Ino nunca tinha caminhado tanto tempo pelo centro — e nem conhecido aquela parte do reino. Estava vestida com uma roupa escura e longa, que não deixava nada de fora. Nem mesmo seu rosto. A touca grande até a impedia de enxergar. Segundo Kitou — ela ouviu o cocheiro chamá-lo assim, aquele traje era essencial para quem saía do castelo, mas ela sabia que havia algo errado. Não questionou.

A realidade é que o traje era para prisioneiros. Kitou não podia correr o risco de deixá-la ser vista, foram ordens expressas do rei.



— Ela foi bem? — Gaara interrogava o cocheiro que acabara de entrar pela porta dos fundos da cozinha, como se nunca tivesse saído durante o benzimento. O rei estava claramente nervoso, e não parecia disposto a esperar uma resposta. Durante os três dias de benção, ninguém pode sequer sair. É o protocolo.

— Só fez perguntas no começo, senhor. Mas quando expliquei que vossa majestade quem pediu que ela fosse, ela se aquietou.

Gaara suspirou. Passou a mão na testa, elevando os fios de cabelos molhados perto do rosto.

— Ok.

Aéreo, o rei caminhou para dentro novamente, sem saber exatamente onde é que ia se enfiar dessa vez. Tentava não atrapalhar o trabalho do papa ou dar quaisquer pistas de que tinha uma bruxa dentro da sua moradia. Enquanto cruzava o salão principal, cruzou com o papa descendo as escadas e segurando um acessório que o fez suar.

Um batom.

Ele sorria.

— Na sua gaveta, eu achei. — O sorriso não era exatamente pervertido. — Eu me perguntava quando você ia trazer uma mulher a este palácio. Está já preparando um herdeiro?

Engolindo o seco, o ruivo assentiu mecanicamente. Era péssimo com mentiras, era bom que não abrisse a boca. Sua habilidade de fingir e mentir ficara no passado, enterrada com o único pedaço do corpo de seu irmão que enterrou: a cabeça.

— Tentando… — Falou baixo. Não conseguiu ir além.

— Benzi o batom. A graça divina intercederá por você.

O único pensamento na cabeça de Gaara era que Ino não podia usar aquilo nunca mais. E ela tinha adoração por aquela coisa, passava para dormir…

A conversa fora interrompida por um guarda, que anunciou a chegada do rei Uchiha. Ele e Sakura estavam vestidos com túnicas luxuosas e claras, adornadas entre branco, prata e azul acinzentado. Eram as roupas de Neji. Talvez tivessem emprestado para deixar uma melhor impressão no novo reino deles. A dizimação lá exigia mesmo uma figura amada, e não temida.

— Uchiha! — O papa tomou a frente do Sabaku. Sasuke beijou a mão do representante de Deus e Sakura o imitou. — Por que é que vieram visitar o rei da areia?

Gaara estranhou. Só aceitou a intromissão porque não queria mais débitos a pagar no juízo final.

— Viemos informar que o rei Minato Namikaze Uzumaki faleceu, e o enterro será esta noite. — O papa franziu o cenho ao ouvir Sakura falar. O rei a deixava falar no lugar dele?

— Precisamos estar lá para o nosso… aliado. — Sasuke completou. Não confiava no papa e não era surpresa para ninguém, então preferiu ocultar a amizade que tinham.

— Triste notícia. — Lamentou, sem parecer sincero no que dizia. — Gostaria de estar lá e rezar pela alma do antigo rei. É possível que agendemos o nosso compromisso para outra data, Sabaku?

Gaara assentiu, mas seus pensamentos foram até Ino. Teria de deixá-la sozinha, e aquela opção o assolava. Ficar sem ela parecia um maldito martírio, e levá-la estava fora de cogitação.

— Estou partindo dentro de uma hora. — Se curvou aos dois amigos de maneira curta, deixando a figura papal confusa. Eles se curvavam uns aos outros?



Após jogar o batom na fogueira e ver o papa e todos os seus auxiliares partindo, preparou sua manta e seu cavalo e exigiu rugindo que o cocheiro fosse atrás de Ino e Kitou. Deixou ordens expressas para que ela ficasse presa no quarto, mexendo em todos os pertences que ele colocou lá para que ela visse.

Não havia maneira mais íntima de trazê-la para o seu domínio.

Após esperar até o último minuto da hora que prometeu, convenceu-se de que não conseguiria vê-la antes de partir. Com a tira da cintura dela enrolada no pulso como se fosse pulseira, montou no cavalo e decidiu enfrentar as 6 horas de viagem sem o sopro dela em sua nuca.

Esperava que ela fosse gostar da sua nova coleção de batons.