7 Pecados Capitais
1 Através de Reinos
Notas iniciais
Uma comemoração acontecia diante de seus olhos verdes. Via a cena se repetir diversas vezes: Copos brilhantes e suados batendo uns contra outros. Os homens barbudos gritavam de alegria, fervorosos com o efeito do álcool tão conveniente naquele momento de paz. Finalmente paz!
Mas estava tudo embaçado. O rei dos guerreiros encarava sem emoção à festa que seus seguidores fieis faziam. Lembrava-se muito bem de quando era ele a estar ali, batendo copos com uma feição forçada e mal feita. Ele nunca foi feliz como aqueles homens eram, e tendo mudado de lugar, a felicidade continuava longe, abraçando aos mais ingratos indivíduos.
– E seu banquete, Gaara?
Ao seu lado estava a formosa Matsuri. De pé, a moça não cansava de interromper os pensamentos do ruivo e cobri-lo de sussurros maliciosos e profanos. Aquele era um deles. Sem se mexer um centímetro, Gaara respondeu como um líder nato:
– Estou trabalhando.
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O príncipe do Reino do Fogo dormia tranquilamente. Soubera da derrota dos soldados de seu pai para o Reino da Areia, mas não estava interessado em questões de guerra. Dormir fora fácil.
Seu pai possuía uma nova esposa. Sua mãe, A Rainha, morrera dias atrás. Ninguém sabia do quê. O enterro fora pesado e tenso, porém a rapidez com que Fugaku arranjou outra Rainha intrigou Sasuke. Teve acesso às características da moça facilmente, e não poderia estar mais desconfiado. Nova, desconhecida, Finlandesa.
A conheceu, então.
Não gostou do que viu. Delicada, peculiar e bonita. Uma mistura exótica e provocante. Estava sempre quieta e com um olhar de menina indefesa que clamava por selvageria e má educação. E ele dava isso à moça. Aos montes. Era um verdadeiro jegue.
Haruno Sakura. É o nome da bela donzela que passa todas as noites por apuros na companhia de Uchiha Fugaku. Nas vezes em que ele está insaciável, gritos doídos eram arrancados de sua delicadeza, mas quando ele era rápido, o silêncio era o único dominante nos lençóis escuros do rei. A tortura era um pedaço maldito de rotina.
O encontro com o príncipe do Fogo não poderia ser pior. Achou-o bonito de primeira, mas descobriu que era tão excêntrico quanto o pai. Por vezes tinha de deixá-lo falar só, pois como Rainha secundária, não se sentia no dever de se impor contra qualquer vontade. E aí estava seu grande erro, segundo Uchiha Fugaku. As noites de sexo tornaram-se noites de sexo e violência, e os dias tornaram-se fim de tardes ansiosas pela luz da lua.
– Você perdeu dois filhos. Seu ventre deve estar amaldiçoado. Me casei com uma mulher podre?
Sakura fechou os olhos, cobrindo o corpo nu e brilhante com o negro lençol. Provavelmente Sasuke escutava tudo de seu quarto.
– Não sou amaldiçoada.
– Pois termine de gerar a criança, mulher. Gozei dentro de você pra isso, então tente não cagar esse feto de novo.
Algumas vezes seus olhos lacrimejavam. Nunca fora tratada de forma desonrada e mal educada, mas dentro daquela casa, o número de vezes excedeu um limite mínimo que estabeleceu. O máximo que ouvira de seus pais antes de morrerem fora um tristonho resmungo "Vá se danar" quando brigavam. E eles dificilmente brigavam. Eram a bonita flor do liberalismo naquele mundo lamaceiro e inclinado para a ditadura.
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Nara Shikamaru jogara todo o armamento e as tralhas do corpo no canto de seu pequeno quarto. Separara o macacão-pijama e largou-o no colchão, andando até o sistema de água recente. Quem montara em todos os quartos fora um traidor do Reino do Fogo, que passava todas as informações do inimigo Uchiha para eles. O sistema encanado de água era uma destas preciosas informações.
Embora o tempo frio o deixasse incomodado, ao deitar tudo se esvaía. Enquanto tomava um banho lerdo e prazeroso, pensava nas curvas desenhadas de sua guerreira Temari. Viviam um romance perigoso debaixo dos olhos do líder da Areia, mas há tempos andavam descuidados. Já não conseguiam conter o sentimento dominador ao perceberem-se perto. Queria visitá-la para beijar-lhe a testa, mas a preguiça mexia tão seriamente com seu corpo que entendeu o mero movimento como "Fora de cogitação".
Deixando seus passos guiarem-no para o breu das memórias, onde evitava caminhar, enxugou desajeitadamente o corpo a fim de ocupar-se com algo. Nada fazia sua mente parar de pensar na fuga do Reino de Naruto por amor à Temari e à Areia, mas fazia muito tempo, e já estava na hora de parar de lamentar.
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– Hinata, trace para nós uma estratégia melhor. — Naruto pediu, bebericando do vinho com uma postura elegante.
– Você subestima minha prima, Naruto. — Neji gostava muito da companhia do loiro. Eram de reinos vizinhos e pacíficos, mas ao receberem uma ameaça de Fugaku, agilizavam uma estratégia pesada e bem pensada para barrá-los caso tentassem atacá-los. — Ela é uma grande estrategista.
– Não subestimo não, Neji. Na verdade admiro a inteligência dela. Me encaixo na parte do derramamento de sangue.
– Tem razão. Você não é dos mais pensantes.
– Soube do massacre? O Reino da Areia andou em guerra com o Fogo.
– Eu...
– Senhor, desculpe interrompê-los, mas encontramos uma indigente vagando pela sua propriedade. Não sabemos como ela conseguiu entrar, mas capturamos. O senhor deseja vê-la agora mesmo?
– Indigente? — Neji estranhou. Seu reino, o do Ar, é farto e pleno de tudo. Teria ele esquecido de alguma família? — Agora não posso. Coloque-a no quarto da torre e escolha duas pessoas para vigiá-la, depois peça para Chia levar comida. Pela manhã resolvo o problema.
– Não sei porquê declaram guerra contra você. É tão... Frouxo.
O Hyuuga sorriu afetado, guardando para si o elogio do loiro Uzumaki. Mesmo depois de tanto vinho, estratégias e conversas, nada mais poderia satisfazê-los se não uma noite tranquila de sono.
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Ino segurava as têmporas, rezando pelos Deuses uma cura para a sua dor insana de cabeça. Ou a cura, ou a previsão de uma vez. Quando estava com dores fortes, significava que dentro de minutos teria uma previsão do futuro.
Demorou.
Havia um fundo cheio de árvores. Estava tudo escuro, e pingos de água caiam de algum lugar. Um guerreiro de olhos verdes vinha em sua direção, ferido. Segurava o braço direito sem desespero, ainda que o sangue manchasse toda a sua honra. Gaara da Areia, o homem de pensamentos impuros que representava ameaça para todos ao redor.
Mostrou para Ino o machucado. Resmungou palavras numa ordem desconexa. Foi golpeado por uma figura de cabelos grisalhos e longos, no peito. Diante de seus olhos azuis, a roupa de Gaara da Areia rasgou com o movimento da faca e o sangue vinho e sujo jorrou de seu peito como se sempre tivesse esperado para sair do casulo porco em que residia. O ruivo babou, descrente.
– Permanecerei vivo. — Gritou.
Fugaku Uchiha já estava longe, com a espada manchada de glória. Antes de sair da miragem de Ino, porém, foi golpeado no coração pelo príncipe do Fogo. Um impulsivo bastardo.
A porta de seu templo fora aberta devagar, revelando um homem que nunca fora visitá-la antes. Dizia para o mundo que não cria em bruxas, mas lá estava o repugnante Gaara da Areia em carne e osso, encostando a porta sem fazer ruídos e com uma feição endurecida pela vida.
Dormente e sonolenta pela previsão longa, a Yamanaka apenas sussurrou um amistoso: "Paciência".
E o ruivo esperou paciente. Por longas horas.
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