7 Pecados Capitais
12 Amantes do caos
Notas iniciais
Itachi ganhara a atenção de Sakura e Sasuke como se ele fosse um espetáculo perfeitamente arquitetado. Conseguiu convencê-los de cada palavra, conseguiu demonstrar cada sentimento...
– Sou um ilusionista. – Repetiu.
– Eu entendi tudo o que você disse. Eu vejo o sentido. – Sasuke balançou a cabeça negativamente bem devagar. – Mas não é certo arriscar Sakura. Ela sofreu aqui dentro, e eu nem quero saber o que acontece se o pai desconfiar dela.
– O pai está ocupado lá fora. – Itachi balançou a cabeça, sorrindo. – Você é teimoso, mas muito tolo. Incapaz de fazer mal. O nosso pai é incapaz de fazer o bem. Você entende o perigo? Eu, você, ela, este cachorro andando por aí, os empregados... Todos que estão ao redor do nosso pai estão correndo perigo. E tem mais uma coisa. – Itachi soltou o ar. Sakura nem percebeu que ele segurava. – Eu preciso levá-la daqui para um local seguro. Se você nunca enfrentou nada de ruim antes, prepare-se hoje, Sasuke. Tem uma avalanche de morte chegando.
– Que diabos está falando?! – Sasuke levantou, indignado com aquele final de conversa. – Levá-la? Me preparar? Avalanche de morte? Itachi...
– Estão vindo para cá nos atacar.
Um alvoroço começou do lado de fora. Itachi levantou assim que ouviu a barulheira, e seguiu Sasuke para fora da casa. Sakura correu para a janela.
– Neji?
– Seu pai. Onde ele está? – O Hyuuga não foi paciente ou educado. Além de peitar os seguranças, avançou para cima dos irmãos Uchiha. Só depois percebeu que aquele era Itachi. – Você...?
–Não. Estou vivo, como pode perceber. – Cortou. Neji deixou a sobrancelha erguida, mas resolveu voltar ao assunto de urgência.
– Gaara da Areia ameaçou meu reinado. Ele quem assassinou meu empregado. – Sasuke olhou do Hyuuga para Itachi. Fechou os olhos.
– Não é possível. – Irritado, o Uchiha mais novo praguejou. – Somos amigos. Gaara é um bom rei, tem poucos inimigos e você não é um deles... Por que atacaria um amigo e aliado?
– Veja você. – Entregou o papiro amassado na mão de Sasuke, mas Itachi o pegou primeiro.
– Espanhol e inglês. Que mistura abominável! – Itachi sorriu. – Primeiro, Gaara é alfabetizado. Quem escreveu isso não foi alfabetizado direito. Segundo, a família de Gaara é marroquina, mas ele é daqui. Escreve perfeitamente. Terceiro, esta areia seca na carta pode ser de um outro lugar. Há um outro reino do outro lado da fronteira. O comandante é Deidara. Deidara é espanhol. – Pausou. – Como pode ter certeza de que seu amigo matou um empregado seu sem provas melhores?
Sasuke bufou. Estava mal humorado repentinamente, e não havia um motivo.
Quando entrou na casa, Sakura logo quis fazer uma pergunta. Mal se aproximou dele e ele a repeliu.
– Pra cima. Fique lá. Eu ainda não sei o que está acontecendo. – Ordenou.
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– Bem, de qualquer maneira, isso foi entregue a uma pessoa que estava comigo. – Neji contou e o olhou, percebendo finalmente que culpar Gaara não fazia sentido. Ele era uma das pessoas que não saiu da sala no dia em que se reuniram. – De uma maneira esquisita. Num momento ruim. Em público, Uchiha.
Itachi assentiu.
– Eu não esperava esta mudança. – O moreno afastou a franja, visivelmente preocupado. – Sasuke é impulsivo. Espero que você não seja impulsivo outra vez, como acabou de ser. – Suspirou e olhou nos olhos de Neji. – Eu observo a todos. Faz tempo que fui declarado morto, mas tive que voltar a Sasuke dar um aviso. Desde que sigo nosso pai, flagro-o encontrando-se com pessoas... Diferentes. Elas não têm identificação de reino ou coisa parecida. Alguns, eu vejo, traem o próprio reino. Mas é difícil saber exatamente de onde são e quem são. Eu não posso entrar, só os vejo chegar. Não posso correr o risco de ser reconhecido agora. Enfim... O plano deles eu sabia. Não podia entrar, mas dei meu jeito. Papai queria atacar o próprio reino esta noite. É uma ótima ideia, não nego. Ele veio provocando Gaara de muitas maneiras crueis. Ele mandou que Sasori matasse seu empregado. – Pausou. – Não me interrompa ainda. – Neji assentiu. – Vocês pensariam que o reino do fogo estaria vulnerável. Viriam atacá-lo. Você não sei, mas Gaara faria isso. Gaara faria uma enorme besteira. Meu pai tem um exército de soldados que, pelo que posso ver, vieram até de Deidara.
– Então Fugaku não atacará mais o próprio reino. – Neji calculou. – Ele pode atacar a qualquer um de nós hoje, mas eu acho que aqui é o local mais seguro. Tendo em vista tudo o que você disse, se ele me mandou este recado e desistiu, é porque não é uma boa ideia destruir sua fortaleza. Ele deve estar desesperado para executar estratégias cuidadosamente.
– Você tem um ponto. – Itachi disse.
– Tenho outro. Você disse que ele vinha provocando Gaara... – Neji bufou, fechando o raciocínio. – Ele me fez pensar que o papel vinha do Reino da Areia. Ele queria que eu atacasse primeiro!
– Assim... Vocês dois atacariam juntos. – Itachi balançou a cabeça como se entendesse finalmente. – Mesmo que você mandasse teus soldados recuarem, com certeza um grande estrago já teria sido feito na Areia.
– Eu preciso ir até Gaara agora. E preciso trazer algumas pessoas para cá, onde estarão seguras. – O rei Hyuuga correu ao seu cavalo. – Agradeço!
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Ino acordou com dificuldade. Havia uma jarra de água em sua penteadeira que ela viu de primeira. Sentia muita sede. Também não podia esquecer do que acabou de ver, e pretendia dizer para Gaara.
Tinha que alertá-lo para que não saísse do castelo, mas ele não estava mais lá junto dela.
Tomou da água diversas vezes, limpou a boca com as mãos e calçou as chinelas de pano. Saiu do quarto sem lembrar que aquelas roupas eram absolutamente inapropriadas para um passeio.
Desceu as escadas como se soubesse de todo o caminho. A verdade é que procurava por todos os lados o ruivo. Estava indo para qualquer lugar. Ouviu a voz dele ao longe, e como uma besta desenfreada, pôs-se a correr. Quando virou o primeiro corredor, deu de cara numa coisa dura e áspera. Caiu sentada no piso frio. Suas vestes já finas levantaram-se para lados perigosos, revelando pedaços de carne que ela nem percebia estar mostrando.
A verdade é que não via ela mesma caída no chão, desengonçada e descoberta, mas os outros quatro homens no corredor viam.
– Bruxa... – Gaara rosnou, desgostoso com a situação.
– Senhorita. – Áthila disse assim que se recuperou da visão magnífica do corpo da loira. Ofereceu sua mão para que ela levantasse. Ela aceitou, mas só podia olhar para Gaara. Todos os outros soldados pareciam borrões.
– Gaara, tenho que te contar uma coisa. – Ela falou. Parecia aflita.
– Estou no meio de uma conversa. Suba. – Ordenou. Respirou fundo, sabendo que estava sendo muito rude. Ela podia ao menos chamá-lo de Sua majestade na frente dos outros, não podia? – Em menos de um minuto estarei lá.
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Neji estava exausto, e não tinha cavalgado nem metade do dia. Estava ficando velho, sem uma esposa ou filho que pudesse servir para cuidar de seu reino. Aquilo não era sua preocupação no momento, mas foi uma das coisas que pensou.
Faltava pouco para chegar à Gaara. Não tinha outro meio para avisá-lo. E tinha de pegar do castelo o que era importante para o ruivo. Tinha de haver alguém ou algo que ele quisesse proteger.
Seu pé recém machucado, que estava melhorando, latejou.
–
– Eu não acredito que você apareceu assim lá. – O rei colocou a mão no rosto, massageando-o de qualquer maneira. Um simples esfregar de dedos em sua feição severa.
– Era algo sobre o que vi! – Explicou, como se aquilo fosse o suficiente para fazê-lo entender.
– O que diabos você viu que é tão assustador?! – Ainda em pé, vendo-a sentada no colchão, descruzou os braços.
Ino não conseguia desgrudar os olhos dele. Ela sabia como ele era por baixo das vestimentas reais superiores, por isso, quando o via, imaginava as simpáticas sardas que ele tem nas costas. Gaara a trouxe a realidade.
– Ino!
– Tire estas peças pesadas. – Não era um simples pedido, mas ela fez parecer simples. Não havia rubor nenhum em suas bochechas, o que talvez significasse que ela não estava sendo maliciosa.
Ele tirou. Jogou a roupa toda no chão.
Ela quem o puxou pro colchão, arrumando-o deitado. Mas desta vez não estava de bruços. Quando Gaara olhou nos olhos dela, a única coisa que foi capaz de pensar era que realmente a moça era uma bruxa, do tipo que deve ser queimada na fogueira. Do tipo que enfeitiça, e que estava usando o maldito feitiço naquela maldita hora.
– Fique relaxado. – Mandou, acariciando os ombros dele devagar. Logo o ruivo entregou-se à massagem. – Não há um dia que não esteja tenso. – Como estava sentada no chão, engatinhou em volta do colchão até chegar na ponta dele, onde a cabeça de Gaara repousava. Fez carinhos em seu cabelo. O ruivo queria simplesmente dormir. Apagar. – Eu vi a mim com outras garotas num local desconhecido dentro de alguma propriedade dos Uchiha. – Percebeu que ele abriu os olhos na hora, e tratou de tapar as bonitas orbes verde azuladas. – Era uma guerra sangrenta, onde eu podia assistir tudo da janela. Algum lugar perto do solo. – Massageou o pescoço dele. – O rei de onde fomos aquela vez apareceu lá e nos guiou para fora. Eu e as meninas. Disse que nos levaria em segurança. Ele tentou, ao menos. Ouvi a sua voz lá embaixo, Gaara. Tive que voltar para a janela.
Gaara resmungou. Ela definiu o som como adorável.
– Haja o que houver, neste dia não pense em ficar e descobrir o que estou fazendo lá. É uma ordem de seu rei. – Gaara bocejou. – Vá embora com Neji. Confio nele para mantê-la segura.
– Neji... – Ela disse baixo, como se quisesse guardar o nome dele.
O rei da Areia abriu um pouco mais os olhos, encontrando o olhar preocupado da moça. A massagem cessou por alguns segundos, até que ela se sentisse a vontade para continuar. Ele só a olhou. Não disse mais nada.
– Esse desespero era para me alertar disso?
– Sim. – Aproximou o rosto do dele. Estavam com os rostos ao contrário. – Você não é bonito visto de ponta cabeça. – Ela sorriu.
– E eu sou bonito normalmente?
Gaara se arrependeu depois de ter dito, pois não estava pronto para entregar seu verdadeiro eu. Ino era do tipo que quando encontrava uma brecha, abusava dela ao extremo. Ele não devia dá-la liberdades.
Entretanto, esperando a resposta que aguardava ansiosamente, viu-a corar violentamente. Engoliu a seco, pensando em mil maneiras de impedir seu pênis de levantar suas calças.
Não era por ela estar vermelha. Ino passou a ficar com a respiração apressada. As mãos nos ombros dele começaram a suar. Ela abriu os olhos gradativamente, encarando-o como um estranho.
– Você é lindo! – Ela soltou de repente, num gritinho engraçado. Que quase o sobressaltou, é claro. Naquela altura, pensou que ela não responderia.
Aproximou o rosto do dele rápido demais, e os narizes colidiram fortemente, mas o roçar dos lábios dela no dele parou o resmungão que ele deixaria escapar. Quis beijá-lo para não encará-lo. Péssima ideia. Ela não sabia beijar.
– Uhmm. – Fez o som que deveria parecer de dor enquanto recebia a boca dela de surpresa.
Ao invés de pará-la, removê-la de perto, sair ele mesmo dali ou qualquer coisa, decidiu não se mexer. Deixar ela fazer o que queria era sua ideia. Logo se arrependeu, pois ela apenas beijava o rosto dele devagar, alternando entre os cantos e o meio de sua boca.
– O que é que você está fazendo? – Perguntou. Uma nota de humor na voz de Gaara chamou a atenção dela. Ergueu a cabeça e o olhou.
– Eu não sei muito bem. – Disse.
Gaara sentou no colchão.
– Esteve preocupada comigo? Foi por isso que foi até mim lá embaixo?
– Sim. É claro!
– Sente-se aqui ao meu lado. – Mandou, batendo a enorme palma acima do colchão macio. Ino fez, muito desentendida. – Muito bem. Não se mexa.
Como ela, ele se aproximou abruptamente. Obviamente não colidiu os narizes mais uma vez, mas tratou de pousar a boca na dela com efeito, preenchendo-a de uma maneira suave, mas completa. Inclinou a cabeça suavemente, encaixando-se à Ino de uma maneira muito entregue. E era isso que temia. Uma entrega. Quando foi que fez isso com esta paciência e minúcia? Cobriu os lábios da moça, grudou-os aos seus e depois os largou devagar.
Olhou-a.
– Podemos fazer outra vez? – Ela disse, ainda de olhos fechados. Gaara sorriu. Quando foi a última vez que sorriu? Ino abriu os olhos, ficando de joelhos ao lado dele. – Só mais...
Gaara a pegou pela nuca. Depois de meter os lábios nos dela com uma vontade perturbadora, pegou-a pela cintura fina. Não foi gentil. Esqueceu-se de que deveria ser.
Abocanhou a boca de Ino, mordendo os lábios dela devagar. Nem pensou em pedir alguma passagem. Invadiu a barreira que os lábios rosadinhos da moça faziam, procurando pela língua dela avidamente. Puxou-a para suas pernas, colocando-a parcialmente em seu colo. Parecia estar degustando mel. Não era somente a doçura dela. Era a maciez. Antes que pudesse ter mais daquele gostoso gesto, algumas batidas apressadas ecoaram no quarto. Vinham da porta.
Ela pulou do colo dele. Estava ofegante, bagunçada e com os lábios vermelhos.
Mais alguns beijos, e teria arrancado a roupa dela na força. Que ótimo que nada aconteceu.
– Abra. – Mandou, com a voz rude e totalmente diferente de como falava com ela.
– Sua majestade, me desculpe. – O guarda não quis analisá-los, sinal de seu respeito. – O rei Hyuuga está lá embaixo. Disse que precisa falar urgente com o senhor.
Gaara não olhou para trás. Saiu da maneira como estava, colocando a mão a frente das calças rapidamente, apenas para ter certeza de que não estava ereto.
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Gaara escutara o máximo que pode. Tentou ser paciente, mas já espalhava ordens em seu castelo. Guardas em todas as entradas, guardas para alertar a população e ajudá-los a ir para um local que ficariam seguros, guardas para ficar em posição de ataque...
O sol se poria em algum tempo. Neji estava com um sentimento muito ruim. Mesmo tendo quase certeza que Gaara nada tinha a ver com a carta, quis analisar as reações dele.
– Me dê algumas coisas que você deseja que eu tire do castelo. – O Hyuuga também estava impaciente, Gaara percebeu.
– Você só levará a minha amante. – Falou. – Do resto eu cuido.
–
– Me desculpe pela pressa. – Neji pediu. Estavam a meio caminho do reino dele. – Tenho que levá-la para um local seguro, mas antes tenho que passar para guiar minha família.
Ino assentiu, mesmo que soubesse que Neji não veria. Não queria falar nada.
Quando chegaram, Hinata e Tenten já estavam num cavalo. Neji apenas fez sinal para que o seguissem. Estavam galopando, naquele fim de tarde, para o castelo Uchiha.
Tudo estava preparado. Haviam guardas cercando todos os reinos, apenas para se alguma improvável surpresa de Fugaku surgisse.
– Mandou o soldado ao Naruto? – Neji gritou para Hinata.
– Mandei!
– Ótimo. Eu vou à frente. – O moreno passou as duas morenas. – Tomem cuidado.
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