Notas iniciais
"Às vezes pensamos tanto antes de agir, que deixamos a vida e as oportunidades de ser feliz passarem diante dos nossos olhos sem ver, sem perceber." A.P.S

_Nossa, cara!_Exclamou João depois que lhe contara sobre Karina. Seus olhos verdes estavam fixos em mim e sua expressão me lembrava um animal que acabara de ser assassinado.

Exagerado como somente meu melhor amigo poderia ser.

_Pois é, cara_murmurei e suspirei. Passei a noite inteira pensando em com roubar Karina para mim e não devolve-la jamais.

Talvez eu pudesse forjar um assalto, do qual supostamente Karina seria induzida a passar sua vida inteira com um bandido (eu) em troca de sua sobrevivência e a dos seus entes queridos.

Sabe, quando se tem uma mente criativa, qualquer ideia impossível torna-se uma possibilidade.

Ou tipo isso.

_Mas você tá apaixonado de verdade, Pedro?_Indagou ele, seu semblante franzido, os olhos incrédulos.

Ponderei sobre sua pergunta por alguns instantes.

_Bom, desde o dia em que a vi pela a primeira vez não consigo mais tira-la da cabeça. Quando olho pro céu, eu lembro dela. Quando eu olho pro mar, eu lembro dela._Falei exasperado, repousando meus cotovelos na mesa velha e marrom de mamãe._Até quando olho pra você eu lembro dela!_Brinquei.

João imediatamente arregalou os olhos e afastu-se de mim num rompante.

_Sai fora, rapaz!_Disse. A essa altura eu já ria até não poder mais. Ele franziu o cenho por um tempinho, mas depois começou a rir também, porém tão rápido quanto sua risada veio, suas feições ficaram séria novamente. Pousou suas mãos magras e calejada de tanto jogar vídeo-game nas minhas costas, dando dois tapinha ali.

_Pô, Pê_começou com a voz suave — o que definitivamente não lhe era comum._Sinto muito.

Ele falou aquilo como se realmente achasse que se apaixonar era tipo ser convocado a lutar na terceira guerra mundial, e continuou:

_Como você se sente quando está perto dela?

_Bobo e com o coração na mão.

Fixou seus olhos em algum ponto distante e um sorriso maroto apareceu em seu rosto.

_E tipo, ela é gostosa pelo menos?_ Quis saber; sua habitual curiosidade sobre detalhes intímos (tipo quando contei que nos beijamos e ele perguntou em quais direções exatamente Karina movia sua língua) estampando-lhe a face.

Sorri indescentemente.

_Irresístivel.

_Então taca-le pau, Pedro véio!_ A ambiguidade de suas palavras nos fizeram ficar pensativos.

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POV Karina

Bianca- minha querida irmã mais velha- movimentava-se apressadamente pela sua pequena cozinha, servindo o café, lavando a louça, secando a louça, guardando a louça, passando a vassoura no chão. Havia me oferecido para ajudá-la minutos antes, mas minha solicitação fora recusada gentilmente.

_E o que ele disse depois que você contou que era noiva?_Questionou-me novamente. Provavelmente estava tentando ler as intenções reais de Pedro para comigo através de meus relatos.

_Nofs Beijafmos_ falei com a boca cheia de pão enquanto o mastigava vagarosamente.

Bianca assentiu e se dirigiu até o espelho do corredor que contectava a cozinha e a sala. Eu a segui, observando enquando ela passava a escova em seus cabelos castanhos. Dei uma olhada no relógio de parede acima do grande sofá de estofado vermelho.

Eram exatamente 7:43.

_Você está atrasada_murmurei apesar de ter certeza de que ela já estava ciente disso.

_Eu sei!_Passou por mim quase correndo e pegou sua bolsa azul e exageradamente grande, parando na minha frente. Seus olhos castanhos esverdeados lembravam tanto o de mamãe, quanto a forma terna com que me olhava agora. Bi aproximou-se de mim com os olhos marejados. Sensível como sempre. Naquele momento me senti surpreendentemente com vontade de chorar também, mas não chorei._Se quiser eu posso ficar com você. Posso marcar de ir viajar depois com o Duca, não tem problema. Prometi a nossa mãe que cuidaria de você_murmurou toda chorosa, puxando-me num abraço apertado.

Por mais que Bianca quisse ajudar, não teria nada que ela pudesse fazer para fazê-lo de fato. Nós duas não erámos pareo ao nosso pai. Suspirei pesado em seu cangote.

_Não precisa, você e Duca estavam planejando essa viajem há séculos_disse afastando-me um pouco para fita-la. Sorri franquinho, mas a julgar pela sua expressão não sorri de forma convincente o suficiente._Vou ficar magoada com você se não for!_Comuniquei, por fim tendo que utilizar de chantagem emocional- apesar de odiar quando faziam isso comigo.

_Mas eu..._tentou argumentar mas a cortei, posicionando meu dedo indicador em seus lábios.

_Não quero saber!_Falei, agora empurrando-a em direção a enorme porta de carvalho.

Antes de entrar em seu carro, Bianca lançou-me um olhar preocupado em um 'tchauzinho' com as mãos. Assim que perdi seu atomóvel de vista, me postei novamente pra dentro de casa. Me joguei no sofá, liguei a TV e tentei me concentrar no programa que estava passando. Não queria pensar nos meus problemas, e isso incluía Pedro.

Mas não adiantava, a imagem do seu rosto e corpo surgia a cada segundo na minha cabeça. Seus olhos dóceis, as palavras gentis, a enorme capacidade de expor seus sentimentos sem pudor algum (coisa que eu invejava, já que me considero um tanto travada nesse quesito), e o seu beijo gostoso. O melhor beijo da minha vida, sem duvida alguma.

E, como se para me arrancar tragicamente de meus devaneios, meu celular começou a tocar. Minhas bochechas coraram e meu coração parecia dançar dentro do peito. Peguei o aparelho telefonico rapidamente no segundo toque- quase terceiro.

Afobada, nem olhei no identificador de chamadas. A voz no outro lado da linha, definitivamente, não era a voz que eu gostaria de escutar.

_Oi, pai_disse sem conseguir esconder o desapontamento.

Ouvi o som de galinhas ao fundo.

_Esperava que fosse outra pessoa, K.?

Meus músculos do rosto endureceram. Quando finalmente falei minha voz soou fria e distante.

_De modo algum.

_Você ainda está chateada comigo?

É sério isso?

_Por que estaria?_Comecei, a indignação tomando conta, levantando-me do sofá, caminhei com uma mão na cintura de um lado para o outro enquanto continuava a falar. As palavras saíam num ritmo frenético:_Só porque vou me casar semana que vem com um cara que eu mal conheço? Ou porque meu próprio pai praticamente está me jogando de mala e cuia pros braços de um desconhecido só porque ele é todo cheio da grana???

Sabe as lágrimas que tentei reprimir outrora? Pois então, agora elas praticamente jorravam descontroladamente através dos meus dutos lacrimais.

Papai suspirou de um jeito triste.

_Filha, vocês se conhecem desde os cinco anos de idade e...

_Não venha com essa, pai! Eu mal me lembro dele! Nunca mais o vi, faz tipo...uns quatorze anos que eu não troco uma palavra sequer com ele!_Eu tentava não gritar. Tentativa fracassada essa.

_Eu sou muito amigo do pai dele e...

_Não. Estamos. No. Século. Passado!_Cortei-o de novo._Só no mundo de vocês ainda existe casamento arranjado em pleno século vinte e um!

Funguei constrangedoramente, secando as lágrimas com com a barra da camiseta que usava.

_Você sabe o motivo_murmurou secamente.

Houve um momento de silêncio.

_Karina?_Chamou.

_Tô aqui.

_Você é a nossa última solução. A fazenda é o único patrimonio que temos...sua mãe que deixou pra você. Pra você e pra Bi.

Já fazia algum tempo que a fazenda estava em crise. Os clientes de papai de repente não estavam mais satisfeitos, e o pior é que não tínhamos dinheiro para retira-la do buraco em que se encontrava. Cobra (apelido bizarro esse) era a nossa última salvação, mas o seu caratér era duvidoso- apesar de papai colocar sua mão no fogo por ele.

Qual o homem de verdade iria se propôr a ajudar alguém em troca de um casamento arranjado?

Como não respondi nada, meu pai continuou:

_Eu estou contando com você. Karina, você é a única que pode fazer isso.

_Tá.

_Eu te amo, filha.

_Tá.

Ele suspirou novamente. E eu sei que aquilo acabava com ele também mas era a minha vida que ele negociava agora, não uma de suas cabeças de gado.

_Ok..., até breve então_falou.

_Tá_ e desliguei o telefone. Naquele momento eu já me encontrava completamente exausta e só queria me encolher na minha cama e ficar ali até a próxima segunda, quando teria que casar sem amor.

E falando em amor, me veio o Pedro novamente na mente. Teria que terminar com ele.

Tipo, não que estivessemos namorado ou algo do gênero, mas definitivamente a gente tinha alguma coisa a mais.

Sua voz dizendo repentinamente que estava apaixonado por mim soava repetidas vezes em minhas lembranças.

E eu meio que estava apaixonada por ele também- não que eu fosse verbalizar isso em voz alta-, mas eu tava.

E teria que acabar com algo que mal começara, mas já tinha data prevista para o término.

Enquando eu me lamentava armagamente, meu celular vibrou. Abri a mensagem de texto imediatamente.

"Karina, quero te ver urgentemente!"

.

Fiquei lendo aquelas palavras repetidas vezes, tentando fazer com que o sorriso bobo desaparecesse do meu rosto.

"E o que é tão urgente?"
.

"Quero ver você, preciso te ver, sério."
.

Você consegue ouvir um coração acelerado daí? Pois é, é o meu.

.

"Tô meio cansada, queria ficar em casa hoje..."

.

Minhas palavras foram claramente um fora, porque eu não podia mais vê-lo, não queria (será) mais contato. Mas no fundo eu torcia para que ele insistisse. Recebi mais um sms, mas dessa vez protelei um pouco antes de abrir.
.

"Me dá o seu endereço"

Respondi minutos depois.

"Pra quê?"

.

"Você disse que queria ficar em casa. HAHAHAHA :) Então eu fico em casa com você"

.

"Melhor não :("

.

"Por favor, esquentadinha. Não aguento mais ficar longe de ti, e é sério isso...por favor, por favor".

.

Enviei a mensagem com o endereço de Bianca e me arrependi imediatamente. Eu estava horrível, com olheiras profundas de uma noite mal dormida, além de inchados pelo o choro voluntorioso de agora mais cedo.

E porque eu não resistiria se ele realmente aparecesse por aqui.

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...
POV Pedro

Estacionei em frente a uma casa de cor amarela, de porpoções que variavam de média para grande e muito bonita. Adentrei o portão que estava aberto (estava tão ansioso para vê-la que não podia esperar pra ser educado-, e dei duas batidinhas na porta.

Uma Karina desanimada e triste apareceu para mim. Seus olhos mostravam-me que ela havia chorado.

Antes que ela pudesse dizer algo a puxei num abraço apertado, deslizando minhas mãos pelas suas costas de forma contínua. Beijei-lhe o alto da cabeça.

Junto com a visão de ver a minha esquentadinha triste, me veio o desejo ardente de a proteger de tudo e de todos. De fazer tudo para que nunca mais eu visse aquela expressão.

_Pedro..._sussurrou com a boca pressionando meu pescoço. Puxei-a para dentro da casa, fazendo com que se sentasse no sofá, e eu me sentei bem ao seu lado, fitando seu rosto atentamente.

_Pedro _começou novamente, fungando._A gente não pode mais se ver...quero dizer, meu pai me ligou hoje e eu não posso fugir das minhas responsabilidades e também...

A calei com um beijo. Vários beijos salgados por conta de suas lágrimas, mas intensos de sentimentos. A forma como Karina segurava minha nuca e pressionava seus lábios contra os meus me deixou claro que aquela não era a sua vontade. Que ela me queria tanto quanto eu a queria.

Tão rápido que veio esse sentimento, tão de repente, mas tão gostoso. Não podíamos nos negar de senti-lo, e eu pus na minha cabeça que ninguém a tiraria de mim. Pai, nem noivo, e nem ninguém. Nunca.

Quando nos afastamos, o amor da minha vida — eu sinto que ela é, eu sei-, ajeitou seu cabelo louro bagunçado, a boca vermelha pelo o beijo e encostou sua testa no meu ombro.

_Me faz mal te ver assim._Disse.

_Isso é estranho.

_O que?

_Me apaixonar pelo o desconhecido errado._Assim que suas palavras foram pronunciadas suas bochechas coraram, e a julgar pela sua expressão não era para ter sido dito em voz alta. Eu sorri abertamente.

_Você quis dizer_ abri parenteses com os dedos no ar_"se apaixonar pelo o cara certo"_ corrigi, conseguindo arrancar um breve revirar de olhos e um meio sorriso.

_Você sabe...vou ter que ir embora na segunda.

_Eu te sigo_respondi imediatamente.

_Não existe a possibilidade de você me seguir...

_Eu te sigo_ repeti.

Karina deu a entender que abriria um sorriso, mas ao invés disso chorou mais um pouco. Eu entendia a magoa dela com o pai, a sensação de ser responsável por algo..., e acho que ela sentia por ter que me deixar também.

Se ela soubesse que faria de tudo para tê-la comigo sempre...

_"Aqui. Agora. Eu vejo. Eu sinto. Me movo, te sigo, me sinto, te sinto. Volta e me beija. Fica e me ama. Te juro segurar tua mão, se prometeres não me amar em vão. Sorri e me ilumina, meu sol particular.

Respire a vida, respie o ar..., mas falando nisso, como você me tira o ar!

...Te manterei viva, seguindo, sentindo, me amando. Te amo, não esqueça.

Te quero, não minto. Então...quer ficar comigo? Juro ser o que você quiser, a hora que quiser, até quando quiser. Quer?"

_Você ainda lembra_falou com os olhos brilhando.

_Lembro toda vez que penso em você.

Karina suspirou e me abraçou.

_Você não existe._Comentou.

_Tanto existo que estou aqui só pra você, e por você._Pondero um pouco antes de fazer A pergunta, mas conclui que a vida passa rápido, e não dá pra deixar ela passar sem aproveitar tudo o que ela tem a oferecer. Umedeci os lábios e perguntei:_K. Quer namorar comigo?

Notas finais
Tentei postar o mais rápido possível. Sempre quando demoro pra postar, é porque não consegui terminar o capítulo, espero que quem ler isso entenda... Ah! Queria deixar registrado aqui que eu SIMPLESMENTE AMO os comentários que os leitores fazem nos capítulos. Tipo, se comentam é pq acham que foi merecido e tal, rs. Obrigada por ler mais esse capítulo, e por me fazer feliz. Sim, to sentimental hoje, fazer o quê...