Notas iniciais
"O amor não é e jamais será vulgar, por isso chama-se fazer amor. É quando dois corpos se unem por um objetivo em comum. É a comunhão entre corpo e a alma. É a certeza de pertencimento entre as partes envolidas." A.P.S

Os primeiros raios de sol começavam a atravessar a fina cortina branca de Karina. A ofusca claridade tocava-lhe a face de forma terna, fazendo com que fios louros de seu cabelo bagunçado meio que brilhassem.

Karina estava deitada em posição fetal, com as mãos juntas- como se faz para rezar- embaixo de seu travesseiro, e eu estava deitado da mesma forma, virado para ela, observando enquanto seu peito subia e descia tranquilamente e escutava seu ressonar suave.

Sério, eu poderia ficar contemplando-a por horas a fio e não conseguiria deixar de acha-la linda. Cada traço de seu rosto era harmonioso, como se tivesse sido desenhado a mão.

E eu estava terrivelmente apaixonado. Suspirei de leve e senti meus lábios formando um sorriso quando a lembrança da noite anterior me veio à mente.

Passamos a tarde inteira conversando, nos beijando -eu não conseguia deixar de beija-la- e decidimos protelar sobre o assunto Pai Tirano e Noivo Maldito..., deixar para depois, quando não tivessemos outra alternativa a não ser bater de frente com qualquer obstáculo que, por ventura, pudesse querer nos afastar.

Teve um momento em que quase passamos para a próxima fase- se é que me entente. Eu estava tão absorto em tê-la literalmente para mim, sentir seu corpo inteiro em contato com o meu, que não havia percebido seu desconforto de imediato, apesar de seus mares (olhos) estarem brilhando de excitação naquela hora. Ela tocou-me delicadamente o rosto, a face corada e um sorriso tímido apareceram em sua expressão receosa, então falou: "Pedro, tudo entre a gente foi tão rápido, talvez dessa vez...tipo -desviou o olhar para baixo- poderiamos ir mais devagar. Pode te parecer meio careta, mas esse é um passo importante pra mim", concluiu meio envergonhada e cabisbaixa, provavelmente achando que eu a deixaria por conta disso.

E não poderia estar mais enganada!

Eu esperaria por ela o tempo que fosse necessário. A desejava tanto que às vezes não cabia dentro de mim, mas nunca faria nada que pudesse a deixar magoada. Quando a gente ama, a gente abre quantas exceções forem preciso. E eu amo a Karina, e sabia disso porquê cada pensamento meu tinha como destino final ela.

Ela, ela, ela e só ela.

Se remexeu um pouco na cama, e seu sorriso abriu-se antes dos olhos.

_Bom dia, namorado_murmurou com a voz rouca ainda mais rouca.

_Bom dia, namorada_falei, sorrindo. Simplesmente adorava ouvi-la falar, em especial, quando dizia "namorado".

Rá.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, e fiquei feliz em constatar de que o clima não ficara estranho. É um silêncio gostoso, de intimidade, quando ambas as partes não se sentem desconfortaveis e impelidas em quebra-lo com alguma superficialidade.

Quando finalmente falou de novo, Karina aconchegou-se mais para perto de mim. Repousei meu braço na lateral de sua cintura.

_Dormiu bem?_Indagou-me, fitando-me ansiosa e atentamente.

Fingi pensar por um instante e ela revirou os olhos.

_Melhor impossível_respondi sinceramente, observando enquanto seu rosto se iluminava.

_E você?_Quis saber, curioso.

_É, não foi das melhores, mas deu pro gasto_disse ela.

Fechei a cara. A esquentadinha riu de leve se posicionou em cima de mim, prendendo meu quadril entre suas pernas bem torneadas.

_Ah, seu idiota!_Exclamou, sorridente, me fitando fixamente nos olhos._Há tempos não dormia tão bem assim!_Contou.

_Sei.

Karina bufou e se inclinou para baixo, apenas pra poder me arrepiar com seus lábios no meu pescoço, lóbulo da orelha, clavícula. E me provocar com um quase beijo. Arqueei as sobrancelhas.

_Tá, e aí?_Perguntei.

_E aí o quê?_Retrucou divertida, os lábios comprimidos numa linha que, claramente, queria transformar-se no seu habitual sorriso de canto.

_Vai ficar se fazendo mesmo?_ Questionei-a em tom ameaçador.

Karina deu de ombros. Estreitei meus olhos antes de joga-la o menos grosseiramente possível na cama, subindo rapidamente para cima de seu corpo esguio. Ela encarava-me com os olhos arregalados e um sorrisinho surpreso e gostoso no rosto.

_Ui, ui_brincou com a voz baixinha.

_Você vai ver ui_disse. Beijei seus ombros desnudos, seu pescoço cheiroso- seu perfume era tremendamente maravilhoso-, beijei o alto de sua cabeça e escorreguei lentamente meus lábios pelo o seu nariz, rumo ao meu objetivo principal.

Quando estava prestes a beijá-la, Karina pôs sua mão fina entre nossos lábios.

Franzi a testa.

_Não me quer mais?_Indaguei, e por mais que eu estivesse falando em tom de brincadeira, não pude evitar de sentir uma sensação desagradavel..., tipo pânico de que ela me desse uma reposta afirmativa.

Karina balançou a cabeça de um lado para outro.

_É claro que não! É só que..._ela corou. Ela sempre corava, era tão tímida...

E eu amava isso nela...também.

_É só que...?_Estimulei-a a continuar.

_Tipo, tô com bafo, eu acho_falou de um jeito que parecia que estava confessando algo terrivelmente incomum.

Eu ri e recebi um cenho franzido como resposta.

_Não me importo, desde que eu possa te beijar infinitamente.

Ela retirou a mão e sorriu, deixando o caminho livre para o nosso primeiro beijo daquela quinta-feira ensolarada e quente.

Ficamos deitados -com a esquentadinha deitada sobre mim- durante um bom tempo, até que algo parecido com um guincho de um animal sendo morto soou através do meu estômago.

Karina riu e ergueu a cabeça pra poder me olhar.

_Acho melhor a gente ir tomar café da manha antes que o monstro dentro de você queira sair pra poder nos devorar_ falou com a expressão séria.

...

Estavamos no lugar predileto da minha namorada, eu por minha vez estava com a minha pessoa predileta no mundo ao meu lado. Eu segurava a mão de Karina enquanto procuravamos algum ponto na areia que estivesse disponível para colocarmos nosso guarda-sol. Minutos depois encontramos um lugar razoável para nos acomodar.

Ela usava um biquíni preto discreto, e na parte inferior um short curto e manchado propositalmente.

Assim que terminou de estender o lençol que trouxemos na areia e percebeu que eu a encarava, Karina arqueou suas sobrancelhas e me encarou de volta.

_Que foi?_Indagou meio petulante, outra coisa que eu adorava nela.

_Nada_respondi casualmente e abracei-a, trazendo seu corpo pra muito perto do meu, tipo, o máximo que era possível sem inflingir aquele lance de que dois corpos não ficam no mesmo lugar ao mesmo tempo._Mas você é tão linda que eu não consigo parar de te olhar_falei, e recebi um beijo apaixonado em troca.

...

POV KARINA

O dia passava de forma agradável e leve, e eu não conseguia pensar em nada a não ser em como eu estava incrivelmente feliz por estar com o Pedro, e nas diversas sensações que ele me proporcionava. A cada beijo, a cada toque, parecia que ativavam uma corrente elétrica entre nós, do qual meu cérebro enviava ordens para liberar hormônios de prazer nos mais variados níveis.

Pedro estava mergulhando, e de tempos em tempos me dava uma espiadinha básica, mas nem precisava, já que meus olhos estavam fixados nele a todo momento- acompanhado de um sorrisinho bobo de minha parte, diga-se de passagem- e foi exatamente por este motivo que eu pude ver uma garota de cabelos longos e com luzes dando mole para o MEU namorado.

Ela ria escandalosamente e a toda hora dava um jeito de encostar em alguma parte do corpo dele. Senti uma forte onda de irritação e ciúmes. O Pedro era meu e DE MAIS NINGUÉM. Levantei-me do lençol que trouxemos e marchei o mais rápido possível para onde eles estavam.

_Oi_disse assim que me posicionei na frente de Pedro. A garota me olhou de cima a baixo e eu tive que me controlar para não partir pra violência bruta (mas não gratuita, é).

A menina sorriu amarelo.

_Oi, meu amor_respondeu ele, dando-me um selinho demorado.

_Ela é sua a namorada?_Perguntou com desdém.

Pedro estava prestes a abrir a boca para responder, mas eu o cortei:

_Somos. Nos conhecemos na minha aula de Muay Thai, sabe_falei isso enquanto observava minha mão esquerda se abrir e fechar repetidamente. Então parei e a fitei de cima, sorrindo de canto._Eu era professora dele, já que pratico muitos anos._E fechei a mão em punho.

A garota fitou-me um pouco espantada.

_Ah..._pigarreou e continuou,_ são um belo casal!_Olhou para algum ponto distante, virando-se para nós e dando um passo para trás logo depois._Preciso ir agora! Tchau!

E partiu se rebolando toda, argh.

Fuzilei Pedro com os olhos.

_Que foi?_Perguntou se rindo todo.

_Nada.

_Para, você é a mais gostosa da praia!

_Tá.

_Você é a única que eu quero_ falou, imprimindo à sua voz toda a sinceridade que tinha dentro de si.

E foi naquele instante que eu percebi que eu realmente o amava. O amava a ponto de ter medo de perdê-lo. Eu estava apaixonada, não restava duvidas disso.

E eu queria ser dele, inteiramente dele, de todas as formas possíveis.

_Mas que papo era aquele de Muay Thay?_Questionou-me.

_Fiz um tempo atrás.

_Uau, uma namorada poderosa?

_Com certeza. Te cuida bico de luz.

Pedro gargalhou e me agarrou ali, no mar.

Ficamos por lá bastante tempo, apenas desfrutando da companhia um do outro. Quando dei por mim a praia já estava praticamente vazia e o sol se punha esplendorosamente, como sempre.

_Quero te mostrar um lugar_sussurrou ao pé do meu ouvido. Meu coração reagiu imeditamente.

Ele batia bem forte aqui dentro.

Atravessamos praticamente a praia inteira, até que chegamos em um ponto onde havia um limite entre a areia branquinha e a grama verde. Na área verde continha diversas especíes de árvores, algumas retorciam seus galhos de um jeito tão perfeito, que ficaria impossível não imaginar braços ali.

Continuamos caminhando mais para dentro da pequena mata, mas eu ainda podia escutar o som dos carros da rodovia que ficava de frente para a praia.

_Lá é onde eu passei boa parte da minha infância_comunicou ao apontar para uma casinha na árvore.

Na verdade, eu não sabia se aquilo era realmente uma casinha na árvore. Assim que nos aproximamos percebi que havia um piso de madeira de porpoções medianas, e ao seu redor um punhado intenso das folhas da árvore.

Tipo parede vivas, sabe.

Subimos em silêncio a frouxa escadinha feita de cordas e em poucos segundos estavámos sentados um de frente para o outro. Não dava para ver nada ao nosso redor, apenas as folhagens esverdeadas.

Mas, em compensação, podiamos ver um mar de estrelas no céu se olhassemos para cima. Era lindo, um previlégio.

_É...tipo, incrível aqui_murmurei com o queixo caído. Quando voltei meus olhos para baixo novamente não conseguia mais vê-lo, estava escuro demais.

Finalmente a noite caira como um manto preto e acetinado.

_Você sempre traz suas namoradas aqui?_Questionei um pouco enciumada.

_Não, só você._Disse baixinho.

_Por que?_Minha voz tão baixa quanto a sua.

_Porque você é importante pra mim.

De repente o único som no recinto é de nossa respiração pesada e irregular.

_Pedro?

_Fala, esquentadinha.

Eu sorri.

_Eu quero você.

_Já me tem.

_Quero inteiro_comuniquei-o. Então tateei por seu corpo e eu literalmente senti seus músculos se tensionando e relaxando instantaneamente.

_Tem certeza? Eu não me importo de te...

_Shh_coloquei meu dedo em seus lábios._Tenho mais certeza disso do que de qualquer outra coisa nessa vida.

Suas mãos rapidamente estavam percorrendo o meu corpo, enquanto sua boca procurava pela a minha. Não pude deixar de me sentir feliz com a intensidade e prontidão com que ele reagiu às minhas palavras.

Essa não era a minha primeira vez, mas apartir dessa eu deletaria todas as outras.

Notas finais
Amigos, desculpa pela a demora, não consegui postar antes, :/ OBS: O próximo capítulo vai ser um pouco...diferente, espero que não desistam de me visitar por conta disso! Que tal deixarmos para tomar um café reforçado da tarde no capítulo final da fic?! Te espero por lá! Até.