7 Dias
10 Sexto Dia - Novas recordações parte II
.:Milo:.
Eu ainda estava um tanto hesitante no que fazer naquele momento. Teria de ir com calma com Camus, mas não sei como fazer isso exatamente. A verdade é que raramente minhas conquistas negam o primeiro contato, na verdade ninguém nunca negou, mas não quero trata-lo como uma pessoa qualquer... Ele é o Camus. O meu Camus.
Via o quanto ainda se surpreende com a decoração do apartamento e sorrio ao perceber isso, mas o caso do ciúme do Mu... Tem toda a razão em sentir. Mu e eu somos unidos e eu também sentirei ciúmes do meu aquariano se descobrir que ele tem alguém assim.
Deixei que ficasse confortável no quarto, enquanto eu, no banheiro, tirava um pouco aquela camisa. Não gosto de andar muito vestido na minha própria casa, é um fato. Tanto que até mesmo fui repreendido por meu amigo tibetano quando esteve aqui e tive de vestir as roupas.
Respirei fundo e sentei na beira da banheira, que na verdade é combinada com uma ducha quase olímpica. Olhei-me no espelho e vi que parte da tatuagem de escorpião que tenho na virilha estava à mostra, apenas a ponta da cauda.
Prendi os cabelos momentaneamente, apenas para refrescar um pouco, mas a verdade é que quero me livrar logo de toda a roupa e andar como vim ao mundo. Olhei para o lado e percebi o olhar tímido dele... Abri um sorriso e soltei os cabelos e virando-me para encara-lo melhor.
— Pode vir aqui se quiser. – comentei e apenas depois de alguns segundos, tive uma resposta.
— Você... Realmente não se dá bem com roupas, não é? – comentou.
— Gosto delas, quando não estou em casa, é claro. Gosto de me vestir bem, tenho meu estilo, mas em casa sou bem natural.
— Natural ou nudista? – o tom dele era calmo, ainda me observava e não me importo com isso, na verdade até gosto que olhe bem pra mim.
— Um pouco dos dois. – aproximei-me e segurei sua cintura. – Se quiser visto a camisa, não tem problema.
— Está ótimo assim, sem reclamações. – tocou-me os ombros, descendo para os braços. – Desse jeito terei vergonha de tirar a roupa.
— Eu não acho que precise ter. Mesmo perto da piscina você se manteve tão vestido, mas seu corpo é bonito. – aproximei-me um pouco mais, deixando-o a poucos centímetros de mim. Em minha respiração, nossas barrigas se encostam.
— Como sabe se nunca viu? – o tom era calmo, e um pouco falho.
— Eu imagino como seja. – sussurrei bem rente ao ouvido e o vi respirar fundo, contendo bem as reações.
— Não precisa tanto. – afastou-se um pouco e para a minha surpresa, tirou a camisa expondo aquela pele alva e uniforme. Pelos deuses! Que corpo bem definido. – É como imaginou?
— Na verdade é bem melhor. – tentei olhar para seus olhos, conter a vontade de toca-lo e ir com mais calma, mas quando se aproximou de mim, ficando naquela mesma distância... – Ah! Pelos deuses, Camus!
— Eu sei que está se contendo. Agradeço muito. – subiu as mãos por minha barriga, até os ombros. – Mas eu não consigo. Seu corpo está me chamando. – sussurrou.
Aquelas mãos um tanto mornas, quase frias, causaram-me um arrepio tão violento, que minha respiração se alterou quase que de imediato. Levei alguns segundos para reagir diante daquilo, mas não deixei por menos. Toquei seus ombros e desci até a barriga, brincando um pouco com o umbigo, mas logo rodeando sua cintura e puxando-o completamente para perto.
Tomei seus lábios em um misto de desejo e urgência, sendo prontamente correspondido. Céus! Não terei mais forças para conseguir parar.
Sem desconectar dele, apoiei seu corpo na bancada perto da pia e envolvi suas costas com um de meus braços. Seus dedos arranhavam lentamente meus ombros enquanto a minha mão livre agarrava o mármore para nos deixar naquela posição.
Desci os beijos até o queixo e de lá, até o pescoço, deixando algumas macas ali, enquanto ele acariciava-me as costas, arranhando. Resmungava algumas coisas em francês enquanto eu roçava meu corpo ao dele.
— Milo... – sussurrou em um arfar. – Não... Aqui não...
— Onde você quer? – beijei seu pescoço, bem perto da orelha.
— Cama, será melhor lá. – sussurrou de volta.
— Está certo de que quer fazer isso?
— Há algo que negue? – referia-se ao corpo. É um fato. Nossos corpos não negam o desejo um pelo outro. – Vamos.
— Sim. – puxei-lhe para o quarto e o vi sentar na cama, olhando diretamente pra mim. – Não me olha com essa carinha inocente, Camus.
— Eu não sou inocente, você é um pervertido. – abriu um pouco as pernas e quase o despi apenas com o olhar. – O que faremos agora?
— Não sabe? – desabotoei a calça e quando a tirei, joguei pra longe, ficando apenas com uma peça, que não escondia tanta coisa por ser branca. – Quer uma ajuda?
— Não, mas você precisa de uma... – levantou-se e puxou-me pelo cós da última peça, iniciando novamente um beijo mais excitante que os anteriores. Um misto de calor e frio por meu corpo e apenas os deuses podem saber agora o que sinto.
Desci as mãos por suas costas até estarem em um lugar ótimo e volumoso, suas nádegas, onde apertei bem. Nossos lábios se preocupavam em se envolver naquela constante, e por mim, interminável luta por submissão.
Meus dedos, bem atrevidos, admito, foram para a parte da frente de seu corpo, desabotoando as calças e arranhando um tanto seu baixo ventre. Ao separarmo-nos um pouco, pude ver seu rosto, muitas vezes inexpressivo, tomar uma cor mais que rosada, assim como seus lábios finos ficarem bem rubros.
— Eu venci... – sussurrei e soltei sua calça, que como era um tanto larga, caiu aos seus pés, deixando-o apenas com uma única peça, uma única que ainda me separava do meu desejo.
— Só termina quando eu disser, Milo. – sussurrou bem rente a meus lábios, o que novamente me fez puxa-lo pra mim em um beijo intenso. Uma de suas mãos em meu pescoço, outra em meu braço... Ambas me causando arrepios intensos enquanto uma de minhas pernas entre as dele, provocando uma de minhas mãos em sua cintura e outra em suas nádegas.
Ele estava errado. Não terminaria quando ele dissesse... Terminará quando eu quiser larga-lo.
...
.:Camus:.
Eu já não tenho mais o controle sobre meu corpo. Admito, deixei-me levar pelo momento e agora estou em chamas com os toques e beijos do Milo. Deitou-me na cama e retirou-me a cueca em um movimento rápido.
Oh! Sim! Aqueles lábios quentes em minha virilha e subiam para a barriga. Olhei diretamente em seus olhos e aquele azul escurecido brilhava como o mar em ressaca, acelerando mais ainda meu coração para aquele momento tão ansiado.
Suas mãos brincam com minha pele, sinto um a um seus dedos em minhas coxas e os meus... Bom, não resisti a toca-lo. Sua pele queimada de sol me faz ter curiosidade em ter cada canto em minha memória.
Inocente? Não, não sou. Já li muitos livros eróticos e até pervertidos, mas isso é fora dos limites das páginas... E dentro dos limites do corpo daquele escorpiano.
— Não toque aí... – gemi em um momento de distração.
— Mas ele está clamando por atenção, meu querido. – sussurrou bem rente a meu pescoço.
— Ah! Mas você... É... Ah! Não! – gemia ao sentir mais e mais aquelas mãos tão quentes envolverem meu membro, uma área tão sensível naquele momento.
— Eu sou o que? – beijou-me a mandíbula e não consegui falar mais nada diante daquilo, apenas me entreguei a sensação de ter meu corpo tocado em uma área tão íntima e jamais explorada por ninguém além de mim. – Responda...
— Ah! Impiedoso... – respondi quase em um rosnado delirante.
— Isso não... – sentia seu corpo roçar em minha coxa e joelho. Flexionei um pouco e o vi gemer em gosto.
— Mon’amour... Que sensação... Ah! – não conseguia controlar o que dizia, apenas soube que puxar seus cabelos o fazia estremecer e roçar mais rápido em mim, deixando meu corpo mais quente que o de costume.
Mordi o lábio inferior com força e deixei que os sons saíssem abafados, incluindo aquele que entregou meu orgasmo e deixou-me torpe por curtos segundos.
Ergueu-se um pouco me deixando exposto... E seus olhos queimavam o azul em um misto de urgência com extremo desejo. Seus dedos ainda brincam em meu membro de um jeito que me despertaria assim que o torpor passasse, mas não era bem para aquilo que o estava fazendo.
Logo seus dígitos deslizavam para meu orifício, melando-o com meu próprio sêmen. Um rubor tomou conta de meu rosto e flexionei um pouco as pernas para que o fizesse melhor. Seu sorriso pervertido não podia ser mais encantador.
— Realmente, só tem cara de inocente, Camus. – sussurrou e inclinou-se para um beijo rápido, porém intenso. – Eu ganhei...
— Ganhou... – devolvi o sussurro. – Pegue seu prêmio... Mas com calma. – toquei-lhe o peito e arranhei cuidadosamente, passando as unhas em seus mamilos rijos.
— Não parece que gosta de calma... – sugou-me o queixo.
— Acredite, eu quero muita calma... – rocei um dos pés em sua coxa. – Porque você vai ser o primeiro a me invadir desse jeito... Então...
Não pude terminar de falar, pois novamente fui tomado por um beijo intenso e possessivo. Uma de suas mãos desceu para minha perna e em seguida senti minha entrada ser acariciada novamente, mas por algo bem maior e pulsante.
Um arfar e um gemido longo de dor e desespero, apenas isso tomou o ambiente, ecoando bem fundo nas paredes daquele quarto e em minha cabeça também.
Mesmo que eu quisesse muito, não conseguia tirar aquela sensação de ter fogo puro enterrando-se cada vez mais em mim. Era algo que não esqueceria tão rápido... Mesmo com aqueles olhos sugando-me para seu universo desejoso.
Meus lábios foram tomados novamente por ele e naquele momento pude relaxar completamente e me entregar àquela nova experiência.
...
Quase sete da noite e Milo e eu estávamos deitados, exaustos na cama, ao menos eu estava exausto. Nós nos amamos, não uma ou duas vezes, mas sim, muitas vezes. Nos toques, carícias íntimas no sexo em si.
Meus cabelos formam um manto verde sobre nossos corpos e aquelas mãos, antes atrevidas, agora me cobrem de carinho. Seus olhos voltaram ao normal, mas ainda mantêm um brilho tão bonito, quase hipnotizante.
— Deveria me preocupar com seu silêncio? – perguntei.
— Não. – sorriu. – Só que foi indescritível.
— Eu quem deveria dizer isso, não? – acariciei seu peito.
— É sério. Foi incrível... Só posso dizer isso. – deu-me um selinho. – Foi com quem amo, é completamente diferente do que... Olha, foi incrível.
— Coitado de mim se você for insaciável sempre. – ergui-me um pouco para sentar ao seu lado e senti o incômodo começar.
— Calma. – ajeitou-se, sentando e me deixando em uma posição melhor. – O torpor passa e as dores chegam. – sorriu e beijou-me novamente. – Vamos ao banho e depois comer algo, o que acha?
— Ótimo... Mas não aguento sair mais. – sentei-me e levantei.
— Não pensei em sair, mas sim, cozinhar algo pra nós dois. – levantou-se e estendeu a mão para mim.
Ah! Como pensar era simples demais. Pensar que a exaustão o pararia de tentar algo de novo e o pior de tudo, conseguir. Levou-me ao delírio novamente ao banho e só depois pude relaxar, mas de uma maneira que eu não pensava em querer. Sem ele por perto.
Enquanto eu estava ainda no banheiro, penteando os cabelos, ele trocava a roupa de cama. Suspirei ao ver as marcas por meu corpo e toquei cada uma delas, memorizando o lugar onde estavam. Aquele espelho enorme era de grande ajuda.
— Hunm... Marcou bem o território. – resmunguei ao ver as marcas de dentes nas minhas costas, nádegas, barriga, pescoço e queixo. Toquei a que estava em minha virilha e percebi que queimava um pouco. Fechei os olhos.
Corei ao lembrar como ganhei aquela marca e sorri. Eu nunca tinha sentido como me senti hoje, nem mesmo sonhava que poderia. A dor foi grande? Foi... Mas o prazer também, sem contar os toques que recebi.
Senti aquele corpo quente encostar-se ao meu e o arrepio surgiu novamente. Aquelas mãos em minha cintura e os lábios em meu pescoço. Relutei em abrir os olhos, mas admito, quando abri as sensações só aumentaram.
— O que você está fazendo? – a voz dele me deixou mais arrepiado, mas sentir seu peito nu deixou-me completamente torpe. – Camus...
— Olhando as marcas que alguém deixou. – simplesmente sussurrei.
— Esse alguém se desculpa por tantas. – beijou-me a bochecha.
— Não devia se desculpar. – toquei-lhe o peito. – Não reclamo. Na verdade ficaram bonitas quando vermelhas, o problema será quando ficarem roxas.
— Entendo. – soltou-me um pouco. – Desculpa, não sou de deixar essas marcas, mas...
— Mas...? – tentei adivinhar o que diria, mas não é uma ação tão fácil quando se trata dele. Sinceramente, não consigo prever suas ações.
— Nada... – suspirou e tocou-me o queixo. – Como se sente?
— Muito melhor que antes... Mas ainda é incômodo ali atrás. – riu minimamente.
— Desculpa.
— Pare de se desculpar, homem, acabo de dizer que estou melhor.
Mesmo depois do amor que fizemos, ainda sinto vontade de estar com ele. Aquela louca vontade de estar tão próximo a ponto de nos unirmos novamente. Incrível! Essa sensação não é descrita em livros.
Tentei ao máximo parecer como nos outros dias, mas era difícil. Milo tem aquele jeito de amante profissional, nem ao menos se importou em vestir uma peça completa de roupa, apenas desfilou pelo apartamento com uma boxer azul marinho e um avental de cozinha.
Tão diferente de mim, que quase rondei seu guarda-roupa em busca de algo que me cobrisse por inteiro, mas acabei vestindo uma de suas boxers novas e uma camisa de mangas compridas, que nele com certeza fica larguinha e em mim parecendo uma camisola. Não que eu seja magro e baixinho, mas ele é quase quatro centímetros mais alto e tem mais corpo.
Demorei um tanto no quarto e peguei meu celular, vendo que já passava de oito da noite. Suspirei e vi a mensagem recebida quando ainda era cinco da tarde.
“Ligue-me quando vir a mensagem” de: Dégel.
— Ok... – suspirei novamente e liguei para ele sem muita vontade.
— Pensei que tinha morrido Camus. – O tom era, como sempre, um misto de seriedade e sarcasmo, porém educado.
— Desculpe a demora. Estava ocupado. – não falaria nada ao telefone, na verdade, não falaria nada de maneira alguma. – Algum problema com Kardia? Ele piorou ou melhorou?
— Kardia? Ele está insuportavelmente bem. – comentou. – Estive preocupado com você. Milo o levou pra onde?
— Ah! Isso. Ele me levou pra conhecer o apartamento dele, nada demais.
— Isso não é desculpa para não ter ligado quando te telefonei mais de oito vezes. – parecia mesmo preocupado e um pouco mais sério que de costume, o que indica que está irritado. – Hunf. Amanhã venha para o almoço. Kardia terá alta e pelo que conheço dele... Bom... Venha para o almoço. Você e o Milo também.
— Ok. – suspirei. – Só isso?
— É... Só isso. – deu uma pausa rápida. – Camus... Er... Depois precisamos conversar.
— Ah... Ok. – respirei fundo. – Até mais. – desliguei.
Suspirei e caminhei até a cozinha, vendo aquele grego cozinhar ao mesmo que falava ao telefone. Cruzei os braços e recostei-me à bancada, esperando que terminasse. Estava completamente compenetrado, até que se virou e olhou pra mim, abrindo um sorriso.
— Hunm... Kanon, obrigado. Ligo de volta depois, ok?! – falou calmamente e desligou. – Olha, essa camisa ficou muito bem em você.
— Obrigado. – aproximei-me e envolvi seu pescoço. – Kanon é? O que ele queria?
— Conversar um pouco. – segurou-me pela cintura. – Nada demais. Pode não parecer, realmente não parece... Porque brigamos muito, mas Kanon e eu somos amigos. Mesmo ele sendo quase igual ao Saga.
— Pelo visto não gosta do Saga.
— Respeito por ele ser bem mais velho, mas gostar mesmo... Só o Kanon. – puxou levemente meus cabelos. – Agora me deixa tirar a torta do forno.
— Hunm... – soltei-lhe e sentei-me sobre a bancada. – Vai voltar a ligar pra ele hoje?
— Mais tarde talvez... – suspirou e pegou a torta, colocando sobre a pia. – Não está com ciúme, certo? – foi até a geladeira e pegou um pote de sorvete de baunilha.
— Não estou. Ele é só seu amigo, não é?
— Exato. – riu baixo.
— O que foi?
— Nada. Só acho que você ainda vai sofrer muito com ciúme se continuar assim.
Suspirei e tentei ao menos mudar o assunto. Não vou deixar nunca de ser ciumento, é algo natural meu, ainda mais com alguém como ele e depois do que fizemos hoje. Não. Esse escorpiano é meu e nunca mais será de outra pessoa.
Desculpe, Milo... Mas se você me ama mesmo, vai entender meus sentimentos... E agora seus amigos também que me desculpem, mas se tentarem disputar sua atenção comigo, vão perder de uma maneira humilhante.
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