7 Dias

6 Quarto Dia - As verdades começam a aparecer.


Notas iniciais
Yo! Gomen a demora, estava muito ocupada com provas e trabalhos da facul e com o estágio, mas nunca abandono uma fic sem terminar. Espero que gostem.

.:Kanon:.

A manhã de hoje com toda a certeza foi muito conturbada. Saga tentava por ordem na casa enquanto eu não me importava se eles se matassem. Fui para meu quarto ver se havia algo que eu podia fazer para passar o tempo e acabei achando uma caixa cheia de fotos antigas... Fotos de quando todos eram crianças e não tínhamos muito que nos preocupar.

— É... Acho que vai ser divertido esclarecer as coisas... – ri ao lembrar que muitas picuinhas eram coisas de infância.

Levei a caixa lá para baixo e vi os rapazes conversando em um tom agressivo. O fato é que a chuva estragou nossos planos pra hoje e tudo o que eu sabia é que seria o momento certo para falarmos do passado.

— O que é isso aí, Kanon? – Milo, curioso e tagarela, logo se fez presente, chamando toda a atenção pra mim.

— Oh! Obrigado Milo, tudo o que eu queria é a atenção alheia. – brinquei em tom sarcástico e empurrei a mesinha de centro com o pé, indicando que era para tirá-la dali. Alguém muito gentil o fez. – Obrigado, Aldebaran.

— Por nada...

Era sempre ele. Sorri e deixei a caixa escorregar por minhas mãos e pousar no chão entapetado. Olhei para os lados e vi Afrodite enrolado em uma toalha. Estava sentado sozinho na poltrona, enquanto Mask e Milo ficavam sentados juntos, entre eles, Camus.

Os demais estavam ali, reclamando e comendo aquela carne que deu pra salvar antes do temporal. Saga se sentou no chão, perto do sofá e como de costume, fui para o lado dele, mas logo me ajeitei entre suas pernas e destapei a caixa.

— Bom... Eu conheço essa caixa. – ele disse em um tom calmo. – Caixa de lembranças do Kanon. – riu.

— Acho que é um bom momento para lembrarmos o passado, não? Estamos todos juntos. É raro isso. – sorri, tentando esconder certa maldade naquilo. – Talvez possamos descobrir muitas coisas, não é?

— Creio que sim. – Shaka, que sempre foi quieto, pegou um álbum antigo e abriu. – Nossa! Você tem foto de todo mundo aqui?

— Sim. – ri. – Todo mundo mesmo. – apontei para aquele álbum. – Esse aí é um dos melhores, quando todos entraram no Santuário. – Muitos ali queriam esconder o passado. É um fato, mas eu não era esse tipo de pessoa. – Lembro exatamente o dia em que cada um chegou naquele lugar.

...

Era simples demais explicar tudo. Éramos pequenos, mas já sabíamos a razão de estarmos ali.

Saga e eu fomos abandonados por nossos avós por serem muito idosos...

Aiolia e Aiolos viviam nas ruas e foram levados à força...

Mephisto foi separado dos pais por estarem metidos com a máfia italiana...

Afrodite apanhava dos tios e foi obrigado a fazer coisas que não queria fazer quando era bem novo... A chegada dele foi difícil.

Mu e Shaka são frutos do tráfico infantil, ambos asiáticos de um estereótipo raro. O primeiro, um tibetano legítimo, nascido e criado até os sete anos por monges. O segundo, um indiano albino.

Aldebaran, o brasileiro que se perdeu dos pais no aeroporto e nunca mais os achou.

Shura, que nasceu na cadeia, nem sabia exatamente como havia chegado ali, simplesmente já estava quando entrei no orfanato.

O garoto da biblioteca, que ninguém sabia quem era e não fazia muita questão de saber, afinal, era tão introvertido, que nem ao menos demonstrava interesse pelos demais.

Por fim, não menos importante, o mascote da turma. Milo. Ninguém sabia muito bem o que havia acontecido, até hoje não sabemos. Ele apenas sorria e prendia o choro.

...

E aquilo deu margem a muitos comentários. Principalmente sobe a vida de Shura. Todos queriam saber exatamente como ele se tornou um empresário, mas o principal foi quando ele contou as histórias dele com a faca da cozinha do orfanato.

“Shura corte rápido” Era isso que sempre ríamos. A verdade é que eu amava chama-lo assim... Também pudera, ele cortava tudo o que podia e o que não podia. Estiletes eram perigosos e até Afrodite sofreu com isso.

— Lembra o dia em que você cortou o cabelo do Dite? – Mask comentou com um riso abafado. – Ele ficou muito irritado. Lembra Dite?

— Gostaria de esquecer, sabia?! – o pisciano soltou o ar pesadamente e foi para a sala de jantar, onde se sentou sozinho.

Continuamos a conversar e sorri ao ver uma foto minha com meu irmão e outra com Milo. Apoiei a cabeça no peito de Saga e olhei para o escorpiano, que mostrava a foto do álbum das festas. Aquilo ainda daria problema e é essa a intenção.

...

.:Afrodite:.

Eu não queria ouvir aquilo. Já estava todo molhado da piscina, meu coração estava pisoteado e a alegria do Camus me irritava. É claro que irritava, ele podia não lembrar daquilo, mas eu lembro.

Vi o pessoal rindo na sala e logo vi também o meu querido ex namorado vir até a sala de jantar. Estava com um álbum de fotografias e olhou-me com uma expressão triste. Eu sabia o que ele queria e também sabia quais eram as intenções de Kanon.

— Veio lembrar o pé na bunda que eu te dei? – tentei ser ofensivo, mas tudo o que Milo fez foi abrir o álbum e mostrar a primeira foto. – O que é isso?

— Não lembra? – riu. – Foi o meu primeiro dia no Santuário. – comentou. Aquele orfanato passava longe de ser um santuário, mas era como chamávamos. – Você tem uma péssima memória, Dite.

— Eu queria esquecer. – comentei em um tom indiferente.

— Não pode. – apontou para a foto. – Esse foi o dia que você me fez enturmar com o pessoal e depois disso, demoramos a nos reaproximar, lembra? Você me apresentou ao Mu e ao Aioria.

— Era a minha função como o mais velho, Milo. Não era nada demais.

— Você me apresentou aos meus melhores amigos. – tocou-me a mão e senti um arrepio extremo. Passou a página e vi as fotos do cotidiano. – Nós nunca nos falávamos, lembra? Kanon era um idiota, mas um idiota que registrava tudo.

— Eu sei. – sorri com as fotos que ele tirou de mim. – Esse é o dia dos namorados. – peguei a foto. – Você me deu essa rosa... – olhei pra ele e tentei esconder a lágrima. – Droga Milo... Eu não queria aceitar isso, mas você insistiu tanto que...

— Você aceitou. – segurou firme a minha mão e senti o peito apertado. – Eu te amava, Afrodite. Eu te amei tanto que esquecia o mundo pra ficar com você e só tínhamos doze e dezesseis anos.

— Eu sei. Você era um idiota, mas falava tanto... Era tão engraçado que eu... – ri. – Não vai me fazer dizer isso, Milo. – soltei-me de sua mão e levantei. – Não vai ouvir essas palavras, não de mim.

— Só quero que me explique como chegamos ao ponto de nos tornarmos inimigos. Só isso.

— Talvez eu não seja seu inimigo... Só você não se deu conta disso. – saí da sala de jantar e fui em direção à cozinha, onde estava tudo em silêncio e eu poderia chorar em paz. Era a única coisa que eu queria fazer em muito tempo... Em sete anos... Tudo o que eu queria fazer é chorar por algo que nunca mais poderia ter.

Notas finais
Perdoem qualquer erro gramatical, não betei ainda o cap, mas o farei logo.