Notas iniciais
Espero que gostem.

.:Milo:.

Afrodite havia planejado aquilo tudo. A mansão onde mora está completamente decorada com flores, na verdade rodas vermelhas, azuis, brancas e aquelas mistas. Paredes completamente bem decoradas com quadros históricos de sua família, antepassados e etc. A festa possuía o tema victoriano perfeito. O clima de amizade, companheirismo, junto ao glamour.

—Afrodite... – falei com Mu e Aioria, que me acompanhavam.

—Realmente. – Mu sorriu com aquele fato e confirmou com a cabeça.

Eu, vestido com um smoking preto e uma capa cheia de babados, bota com salto bem discreto, junto daqueles detalhes dourados e prateados. Aioria ria e dizia que com a minha pose, parecia um vampiro. Infelizmente.

Aquela música clássica era no mínimo agradável, mas o anfitrião estava mais preocupado em fiscalizar as “fantasias” dos convidados do que com a belíssima dança ou ao próprio acompanhante.

Era realmente incrível como aquele homem chamava atenção e não se importava com isso. Não digo apenas em beleza, ele também é inteligente. Tutor do azulado era realmente um homem admirável e um amigo fiel.

—Então... O Camus te interessa, Milo? – ouvi a voz do anfitrião da festa e aquilo era incômodo. Admito, não era uma intensão ser discreto, ainda mais com quem eu quero.

—É tão óbvio?

—Sim, você tem sempre vindo aqui para qualquer coisa, no horário das minhas aulas. – riu minimamente, convencido. Segura uma rosa vermelha e a estende a mim. – Não será fácil chegar nele. Já tentei.

—Não faz seu tipo, Afrodite. – ri. – Você é do tipo que gosta de caras que te esfreguem na parede e dizem o quanto você é insignificante. Camus é o tipo que você não conseguiria entender.

—E você consegue, Milo? – provocou. – Afinal, você me chamou de bonequinha de louça no último encontro que tivemos, não é?

—Você é bonito, admito. – segurei a rosa e o encarei, aproximando-me. – Uma bela flor, que se abre sempre que alguém o aperta... – sussurrei.

—Admito... – comentou envergonhado. – Mas meu erro não justifica.

—É uma falha de caráter sua, querido. – despetalei a rosa e assoprei em sua direção.

Era difícil perder aquele homem no meio da multidão. Sua beleza me encanta e aqueles olhos azuis combinariam perfeitamente com os meus verdes. Caminhei em meio ao pessoal e peguei uma taça com água.

Cheguei devagar perto do mesmo e não o vi desviar o olhar daquelas páginas. Romeu e Julieta, um clássico de William Shakespeare, um dos meus preferidos após Rei Lear. Sorri ao ver aquilo e logo tracei sua personalidade mentalmente.

É um romântico apesar da aparência e pose fria. Gosta de pessoas ao seu redor, mas não conversa com elas, provavelmente por ser tímido. É um ótimo tutor e passa a paixão quando começa a falar do que gosta.

— “Se minha mão profana o relicário, aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.”... – citei ao ver que lia exatamente a cena cinco do primeiro ato. Olhou pra mim com um olhar surpreso. – Não tivemos a honra de uma apresentação decente.

—Alguém de sua idade que cita Shakespeare. – fechou o livro. – “Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos Santos, pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.” – Terminou a citação e estendeu a mão. Meus lábios encostaram-se às costas das mesmas e antes disso, ajoelhei-me, sem perder o contato visual. – A quem devo esse prazer?

—Meu nome é Milo. – sorri, levantando-me. – Já nos encontramos várias vezes na mansão.

—Hunm... É um dos amigos do Afrodite, certo? – falou em um tom sarcástico, erguendo levemente as sobrancelhas.

—Isso é um problema pra você? – perguntei encostando-me a parede e bebericando a água.

—Não, mas Afrodite tem uma fama que não me agrada. Sou primo dele, mas não sou como ele.

—É perceptível. – sorri. – Seu nome é...?

—Camus. – encarou-me, agora de uma maneira distante. – Mas acho que meu priminho já me apresentou, não?

—Sim, mas gosto de perguntar pessoalmente as coisas. “Disseram-me” não é algo que me interessa. – peguei uma rosa vermelha e entreguei a ele, que segurou ainda um tanto suspeito, tentando entender minhas intenções, que admito, não são nada inocentes.

—Interessante... – devolveu-me a flor. – Mas não faz meu tipo, senhor Milo. Sem querer ser grosso, gostaria de continuar minha leitura.

Realmente uma tarefa difícil. Queria simplesmente dar de ombros e ignorar o fora como sempre fazia em minhas saídas, mas aquilo era um fora digno de dias de depressão. Permaneci quieto por alguns segundos e o encarei.

—Lamento por atrapalhar sua leitura, apenas achei que você gostaria de conversar com alguém com o mesmo interesse que você. – sorri. – Ao menos fique com a rosa, pode usa-la para marcar a página. – entreguei-lhe.

—Não, eu lamento... Só vim a essa festa por morar aqui por um tempo. – sorriu. – Espero que não tenha perdido seu tempo vindo conversar comigo, Milo.

—Conheci alguém que gosta de um de meus livros favoritos. Não foi perda de tempo conhecer alguém como você. – novamente, segurei sua mão e a beijei educadamente. — Foi um prazer, Camus.

Seu rosto se tornou rubro e então me retirei. Aproximei-me do local onde estava antes e vi os risos de Aioria e Mu, junto de Afrodite. Encarei bem os três e ainda sorri sarcástico, tentando entender a graça.

—Se o Milo não conseguiu, senhores, melhor nem tentar. – o azulado simplesmente disse com um tom sarcástico.

—Isso tomou um ar enciumado, Afrodite? – perguntei.

—Não, apenas espanto pelo sedutor não conseguir fazer alguém cair aos pés.

—Milo, seu charme está falhando. – Aioria simplesmente disse com um sorriso no rosto.

—Pelo menos eu tenho algum. – comentei. – Não é como se você entendesse, não é, Aioria?! Afinal, até mesmo o Afrodite te deu um fora e ele se deita com todo mundo. – olhei para o azulado, dando a entender que a conversa ganhava um tom sério.

Vi seu sorriso implicitamente assassino e então fez a bendita proposta que parecia suicida para minha reputação, mas ao menos seria algo que me distrairia e daria uma chance. Na verdade sete chances.

—Milo, o que você acha de uma aposta?

—Uma aposta?

—Sim. – riu. Ele sabia como pensava e sabia muito bem o que aconteceria se eu perdesse, mas mesmo assim decidiu propor.

—Diga sua proposta.

—Ok. – sorriu. – Eu te dou sete dias pra conquistar o Camus. – falou em um tom sério.

—Sete dias? – levei a mão ao queixo. – O que acontece se houver a menor possibilidade de não conseguir?

—Você sai comigo de novo como meu namorado.

—Se eu conseguir?

—Fica com ele se quiser. Não sei.

—Mas ele não pode saber da aposta. – encarei tanto o azulado quanto o ariano e o leonino. – Afrodite, eu só aceito apostas que vou ganhar.

—Acha que vai ganhar? – riu.

—Claro que sim. – sorri torto. – Quando eu não ganho uma conquista?

—Não sei... É do Camus que estamos falando. – riu.

E então, aceitei aquela aposta. Sabia que era errado, sabia que não poderia voltar atrás e que Camus poderia sair ferido, traumatizado e não confiando mais nas pessoas. Provavelmente ele seria a conquista mais difícil, mas não impossível.

Que os sete dias comecem!

Notas finais
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