500 Days of (Fa)Berry
1 Prólogo
Notas iniciais
Esta é a história da garota que conhece a garota.
A garota, Lucy Quinn Fabray, que passou à ter preferência em atender por seu segundo nome desde que o peso exacerbado da infância ficou para trás, assim como os óculos espalhafatosos e o cabelo rebelde que moldava seu rosto roliço. À sombra da família perfeita no lado bem visto da pacata Lima, no estado de Ohio, a pequena Quinn cresceu acreditando que só estaria realmente completa quando encontrasse aquele. Aquele que amasse seu gosto por bacon no café da manhã ou em qualquer outra refeição. Que amasse sua mãe chorosa e as milhares fotos tiradas em todo santo baile que o colégio organizasse. Que amasse bem mais à ela, que Frannie, sua irmã-mais-velha-perfeita-e-que-todos-idolatravam. Que amasse seu gosto musical alternativo, e que não duvidasse sobre o quanto “The Smiths” tinha seu grau de profundidade. Que amasse até mesmo as pontuais idas dominicais com a família à catedral no centro. Lucy Quinn Fabray só estaria completa quando encontrasse seu verdadeiro amor. Essa crença vem da exposição precoce aos filmes da Disney — cá entre nós, ela sempre preferiu “The Lion King” — nos domingos de manhã da infância, ao álbum de casamento perfeito e bem conservado que o Sr e a Srª Fabray faziam questão em exibir sempre que tinham oportunidades favoráveis, e as músicas melancólicas e incompreendidas que conseguia escutar do quarto da irmã, quando a mesma desligava o telefone e o rapaz com quem saia não aparecia nos dias seguintes.
A outra, Rachel Barbra Berry, não via da mesma forma. Desde que seus dois pais haviam se separado, e viverem juntos ficou totalmente fora de cogitação por falta de"compatibilidade", deixar New York foi inevitável, e a ida à Lima foi um recomeço. Um recomeço nem tão agradável para uma pequena Berry com pouco mais de oito anos que via a cidade anterior como palco de todos os sonhos formados após a várias idas à Broadway e até a sub-Broadway. A cidade interiorana só a fez desenvolver ainda mais duas paixões: a primeira, os musicais que perderam o esplendor de não serem assistidos ao vivo e que passaram para a televisão média do seu quarto. A segunda, New York. A garota acredita estar predestinada à voltar para lá, mesmo que só após o termino do colegial, e que tudo aquilo não passava de um momento de tensão, perfeito para abrilhantar ainda mais seu triunfo final. Outra paixão, não com tamanha proporção como as anteriores, era a combinação de suéteres e meias ¾. E era assim que a primogênita dos não tão felizes e juntos Berry as enumerava. Ainda assim, havia algo que nem “West Side Story” influenciara, verdadeiros relacionamentos. Afinal, quem gostaria de queimar a cabeça com esse tipo de coisa logo agora? Não Rachel.
Quinn viu Rachel pela primeira vez em 19 de maio, durante a terceira troca de horários do dia, e quase que imediatamente, ela soube que havia algo. Se estivesse novamente na sua infância, seria o momento ideal em que animais falantes surgiriam e cantariam ao seu redor. Ou que a foto do lançamento do buquê, no casamento dos pais, estamparia as paredes. E ela até poderia jurar que alguém escutava alguma das músicas antigas de Frannie, ao fundo. Talvez, só talvez, aquele que sempre esperou, na verdade, seria aquela na multidão.
Esta é a história da garota que conhece a garota. Mas você deve saber antecipadamente, esta não é uma história de amor.
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