50 tons de submissão

10 Capítulo Dez - Au revoir


Notas iniciais
Oi =) Capítulo novo Comenteem, beijoos.

A comida está impecável. E, até mesmo Kaya (que não come muito) repetiu o prato.

‘’Gostou?’’ – ele pergunta saboreando um dos seus vinhos favoritos.

‘’Sim’’ – diz ela, terminando o prato – ‘’O que você não sabe fazer perfeitamente bem, senhor Henri?’’

Ele sorri

‘’Muitas coisas’’ – diz ele, com um tom humorista – ‘’Não sou perfeito o tempo todo. A perfeição cansa’’ – ele tem um jeito tão elegante que qualquer um acredita em suas palavras.

‘’Então nunca cansará de mim’’ – completa Kaya.

‘’Uma sorte’’ – ele continua a admirando – ‘’Conte-me de você, Kaya. Você é a única mulher que dormiu em minha cama por toda minha vida e eu nem sei a cor do seu cabelo. Ele tem mechas vermelhas por dentro, por que não me conta delas?’’

Kaya sentiu a garganta secar, algo a sufocava. Teria sido ela a primeira mulher a dormir na cama de Henri Ampere? Como isso seria possível? Ela continuava encarando os grandes olhos azuis, eles imploravam por uma resposta, uma explicação. Qualquer coisa. Ela levanta-se da longa mesa e vai até o quarto. As lágrimas inundam seu rosto antes do previsto. Sua garganta arde. Ela sente as mãos de Henri na sua cintura, ele beija a cabeça dela. A jovem se apoia na cadeira da escrivaninha e a crise de asma recomeça, os chiados no peito são mais altos dessa vez. Henri pega a bombinha e continua observando-a enquanto ela termina de inala-la. Quando termina, ela o abraça. Ela está soluçando, as lágrimas parecem nunca ter fim. Henri continua acariciando os cachos do cabelo dela. A traz consigo até a cama, chove forte lá fora, as gotas de chuva batem no vidro. Eles estão enrolados no edredom de seda que Henri comprou em sua viagem a Índia.

‘’Quando eu era menor’’ – diz Kaya, alisando o braço dele, estão tão próximos que ela consegue ouvir seus batimentos – ‘’Era um sábado e mamãe e papai estavam em casa. Eles estavam transando no quarto e fazendo o maior barulho. Eu brincava com Aurélie, minha boneca favorita. Eu sempre gostei dela porque... ’’ – ela se calou nesse instante e novas lágrimas vieram – ‘’Ela era feia, assim como eu’’ – Henri a apertou nesse instante – ‘’E meu irmão brincava de fantasmas e me deu um susto naquela manhã. Foi a minha primeira crise de asma. E enquanto eu estava naquele minúsculo quarto, ouvindo os gemidos abafados de meus pais e percebendo que havia algo errado comigo. O ar não chegava mais em meus pulmões. Os chiados aumentaram, mas não eram mais alto que os gritos do garotinho das pernas finas que balançava os braços com a toalha na cabeça e dizia ‘Kaya é feia, Kaya é feia, Kaya é feia. Como sua boneca. Kaya é feia, leve-na embora’ Eu só queria morrer naquele instante, não me importaria de ir. Nunca me importei, na verdade. Esses pensamentos às vezes me rondam, sempre quando tenho essas crises’’ – ela termina de dizer, o silêncio impera sobre o grande quarto.

‘’Sempre trazemos algo conosco’’ – Henri murmura.

‘’O que você traz consigo, Henri?’’ – os olhos de Kaya encontram o dele – ‘’O que esconde que ninguém pode saber?’’

Ele continua a encarando, pensa em contar-lhe sobre tudo. Mas sente algo em seu inconsciente, uma trombada, como se um caminhão com toneladas de cargas tivesse colidido com seu crânio.

‘’Eu gosto de ficar assim com você’’ – ele beija a testa dela. Kaya não iria insistir, gostaria que ele contasse, sem estar sendo pressionado a isso.

‘’Tenho trabalho e aula amanhã’’ – revela ela, com a voz pesarosa. Os braços dele a causam conforto e segurança, não gostaria de afastar-se disso.

‘’Não quero me afastar de você’’ – confessa ele, cheirando o úmido cabelo da jovem.

‘’Não se afaste’’ – pede ela – ‘’Fique por perto’’

‘’Ficarei’’

‘’Jura?’’ – pergunta de imediato

‘’Juro, senhorita Montedescu’’.

Kaya dormia tranquilamente. Estava frio, era mais gostoso para dormir. Não sentia mais os braços de Henri, o que a despertou de imediato. A luz fraca da vizinhança a fez virar de lado. Ela sorriu ao observar Henri dormindo. Ele parecia um anjo. Kaya franziu o cenho, passou a mão pela testa dele, estava completamente suada. O jovem sussurrava coisas sem nexo, mexia os braços impaciente. Até que um grito rouco rompeu-lhe o pesadelo. Ele acordou ofegante e assustado. Ligou o abajur desesperado, suas mãos tremiam, ele chorava. Kaya ficou sem reação a principio, ele levantou da cama.

‘’Não venha’’ – pediu ele com a voz pesada – ‘’Detesto que me vejam chorar’’

Com as palavras de Henri e a cena que acabara de presenciar, Kaya continuou deitada na cama. Tentou recapitular tudo que acabara de ouvir. Ele pediu que alguém o soltasse?

Desobedecendo completamente a ordem de Henri, Kaya levanta-se da cama e caminha até a sala. Não há ninguém lá. Até que ouvi a suave melodia, ele está mais uma vez tocando piano. É uma melodia linda. Comptine d'un autre été.

Ela caminha e senta em uma das bancadas, está de frente a ele.

‘’Mandei ficar no quarto’’ – ele diz, ainda tocando piano.

‘’Você não manda em mim’’

‘’Você está em minha casa, acho que mando sim’’

‘’Só estou preocupada com você’’ – diz ela, é possível notar a preocupação em sua voz.

‘’Não preciso de sua piedade, senhorita’’ — ele não para de tocar.

‘’Não é piedade, é apenas preocupação’’

‘’Por que está aqui, Kaya?’’ – a pergunta indigna a moça no principio, mas ela não deixa transparecer – ‘’Pelo dinheiro, pela fama ou simplesmente por prazer?’’ – ele não para de tocar, não olha para a garota. A música que toca é tão triste, parte o coração. Seus olhos azuis claros marejam com as lágrimas, estão vidrados nas teclas brancas e pretas.

‘’Por que eu amo você’’ – diz ela, sua voz se sobressai sobre a música.

‘’Acredita no que acabará de dizer?’’ – a canção já havia terminado e ele começara outra. Essa era linda, ele tocava perfeitamente. La Valse D'amelie, é o nome da canção. Mas não era aquele Henri frio que Kaya estava há poucas horas.

‘’Henri, por favor. Não me deixe ir’’ – implorou ela – ‘’Olhe para mim’’