50 tons de submissão
11 Capítulo Onze - Correndo a solta
Notas iniciais
Ele suspirou, o suspiro mais longo que já havia dado em toda vida.
‘’Vá embora, Kaya’’ – disse ele, ácido. A garota o olhava sem reação – ‘’Vá embora antes de descobrir meu caos. ’’
‘’Eu quero o seu caos’’ – disse ela, seus olhos castanhos marejavam com as lágrimas.
‘’Eu não quero mais você’’ – ele já havia parado de tocar, então encarou a garota. Doia vê-la assim, ela parecia desnorteada.
‘’Qual o seu problema?!’’ – perguntou, levantando-se. Henri não a respondeu, tirou alguns euros da carteira, bem mais que um táxi custaria até sua casa. — ‘’Eu não sou uma prostituta, Henri’’
‘’Eu sei que não, apenas vá’’ – ela não pegou o dinheiro. Voltou pro quarto e ainda chorando tirou as roupas que usava dele, jogou tudo pra cima, bagunçou completamente o quarto dele. O abajur estava quebrado, no chão. Henri ouvia tudo, calado. Ainda estava no sótão. De lá não saiu até ouvir a porta bater e vê-la descer pelo elevador. Será melhor assim. Pensa ele. Será melhor.
Kaya pega o primeiro táxi que passa. Chora desesperadamente no carro, Henri é realmente um cara fodidamente louco. Só agora Kaya vê as duas mensagens de Julietta.
A escola de dança da Itália ligou. Marcou a entrevista para amanhã à tarde. Acredita? Parabéééééééééns! Eu ainda não contei a ninguém, gostaria que fosse a primeira, a saber. Tinha certeza que conseguiria.
A segunda mensagem era ainda sobre a noite passagem, Kaya achou melhor não abri-la. Havia chegado a um momento pleno, ela estava sendo convocada para uma das escolas de dança mais renomeada da Itália, um país que sempre a admirou. Estaria mesmo disposta a largar a faculdade e Julietta, agora, sozinha? A atenção de Kaya é totalmente tirada com a música que toca no rádio.
‘’Pode aumentar, por favor?’’ – pergunta ela para o taxista. Ele sorri e aumenta
‘’Beirut, uma das melhores’’ – o taxista diz, ainda sorrindo. E começa a cantar o trecho exato. – ‘’Well it's been a long time, long time now’’
Kaya vê-se sorrindo com a voz desafinada e o péssimo inglês do taxista. A música em questão é ‘’Nantes’’. A garota descobre mais tarde, ouve-a por toda a noite. Enquanto as lágrimas e os soluços tomam conta de si.
Julietta acorda cedo, não viu Kaya chegar à noite passada, abre as cortinas do quarto da jovem.
‘’Bom diaaaa’’ – ela diz, assim que Kaya abre os olhos, relutante.
‘’Ah, olá’’ – diz, bocechando.
‘’Vamos, preguicinha’’ – Julietta dá tapinhas no pé de Kaya, a jovem dá-lhe o devido espaço – ‘’Conte-me então, como foi tudo?’’
‘’Não quero falar sobre isso’’ – diz Kaya, levantando da cama.
‘’Vamos, Kaya. Você sabe absolutamente tudo sobre mim’’ – a voz de Julietta era de tristeza – ‘’Acho que tenho ao menos esse direito’’
‘’Não vamos nos ver novamente, Juli. O Henri... eu não sei, ele tem problemas. Não é o que eu quero para mim’’ – Kaya vai ligando o som – ‘’E, se me dá licença, eu preciso ensaiar. Tenho que entrar em uma escola de dança hoje à tarde’’
Julietta observa Kaya por uns instantes, ela parece mais relaxada, mas seu rosto ainda tá enxado, com certeza, ela andou chorando.
‘’Tudo bem, preciso trabalhar. ’’ – Julietta diz, saindo do quarto dela. Kaya passa toda a manhã ensaiando. Precisava escolher uma música, revisar os passos, ver o penteado, roupa. Tudo. Antes das doze já estava completamente pronta. Havia ensaiado uma última vez. Pegaria o metrô até a praça central assim que terminasse o almoço. Oliver chega ao exato instante que ela sai. Encontram-se no elevador.
‘’Ora, ora. Se não vejo a desaparecida’’ – brinca ele, olhando curioso para Kaya. Ela está vestida como uma bailarina, as curvas do corpo dela são perfeitas. O cabelo combina com a roupa que combina com a maquiagem que combina com os sapatos. – ‘’Pra onde está indo?’’
‘’Para a praça central’’ – responde ela, com um sorriso perfeito. Seus dentes são tão alvos e o sorriso tão singelo. Ela poderia conquistar tudo sorrindo daquele modo, curaria epidemias, exterminaria guerras.
‘’Você dança?’’ – ele pergunta, só agora notando a sapatilha da garota em uma de suas mãos. Ela afirma com a cabeça. Chegam ao térreo. – ‘’Eu não sabia’’
Ela sai do elevador.
‘’Você sabe pouco sobre mim, Oliver’’ – diz ela, com uma das mãos sob a porta do elevador. Impedindo assim que ele se fechasse – ‘’Deseje-me boa sorte’’
‘’Boa sorte’’ – diz Oliver, ainda com a cara de bobo.
‘’Merci’’ – ela faz uma reverência e sai correndo a solta portaria a fora. O mundo está em suas mãos, ela pode conquistar tudo.
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