50 tons de submissão
13 Capítulo Treze - I love you long after you're gone
Notas iniciais
O telefone de Henri toca, ainda é madrugada.
‘’Alô?’’ – ele diz com voz de sono. Kaya pensa em desligar, mas Julietta ainda está ali. No táxi, se contorcendo de dor. Julietta grita. – ‘’Quem está falando?’’ – Henri pergunta, levantando definidamente da cama.
‘’Henri’’ – é a voz dela, ele reconhece. Poderia reconhecê-la mesmo ouvindo-a do espaço.
‘’Kaya o que está acontecendo?’’ – ele liga a luz do abajur clareando o quarto.
‘’Não encontramos hospital para Julietta’’ – esclarece Kaya – ‘’Ela ainda está com oito meses, Henri. Suas contrações estão ficando mais fortes’’ – Henri pega o telefone móvel e já disca um número.
‘’Vocês estão em casa?’’ – pergunta ele, esperando a resposta da garota para tomar as próximas ações.
‘’Não. Estamos em um táxi, próximo ao hospital público central’’ – do outro lado da linha Henri ouve outro grito de Julietta, ela grita e aperta o braço de Kaya.
‘’Tudo bem, chego aí em dez minutos’’ – ele desliga antes que ela possa argumentar.
O carro dele não demora, chega antes dos dez minutos previstos. Já é tarde e está tudo parado, menos o hospital central, esse está completamente lotado. As maternidades públicas também. Quando Henri chega já há uma ambulância que encaminha Julietta, há médicos obstetras a conduzindo.
‘’Kaya’’ – diz ele, ao ver a jovem. Ela ruboriza.
‘’Obrigada, Henri’’ – diz o abraçando – ‘’Muito, muito obrigada’’ – ele a aperta em seus braços. Adora aquela sensação, o abraço dela.
‘’Disponha’’ – os braços dele rondam a cintura da garota – ‘’Ela ficara bem, você gostaria de vim comigo? Eu posso te levar para casa’’ – Kaya acha a proposta tentadora, está exausta. Seu dia fora longo com toda a preparação e apresentação... olha de relance para Julietta e ela está completamente dopada. Uma médica aproximasse de Henri e Kaya, eles se afastam.
‘’Ela está bem’’ – diz a médica – ‘’Faremos uma cessaria, ela não tem dilatação suficiente para um parto normal’’ – ao dizer isso, toda a esperança de Kaya de descansar vai por água abaixo. Decide ir para a maternidade particular, a mais cara (Henri oferecesse para pagar)
Estão no carro dele.
‘’Parece cansada’’ – comenta ele. – ‘’Esteve muito ocupada esses dias?’’ – continua.
‘’Sim’’ – responde ela – ‘’Tive uma apresentação hoje, fui convocada para ingressar em uma escola de ballet na Itália’’ – a afirmação dela o atinge em cheio, ele sente uma trombada em seu inconsciente, consegue-se ver preso nas ferrugens. Mas finge felicidade.
‘’Parabéns’’ – exclama, em um tom animado.
‘’Obrigada’’ – sorri discretamente –‘’E você? O que tem feito?’’
‘’Trabalhado’’
‘’Apenas?’’
‘’Apenas’’
Eles se entreolham. Henri estende a mão e acaricia o rosto dela.
Kaya não aguentava mais com tamanha demora, até que a médica chega à sala dos familiares. O hospital é tão luxuoso que há uma sala apenas para os familiares dos pacientes.
‘’É uma menina linda’’ – diz ela, os dentes perfeitamente alvos. Henri e Kaya foram juntos até a incubadora, não puderam entrar no quarto onde Julietta amamentava a garota. –‘’ Não se preocupem. Contaremos que vocês ficaram aqui todo esse tempo para ela. Mas, vocês parecem cansados. Por que não vão descansar?’’ – a médica sai os deixando sozinhos.
‘’A garota é linda’’ – diz Kaya, estão no carro. O sinal está vermelho.
‘’Sim’’ – é tudo que ele diz.
‘’Você não pensa em filhos?’’ – Henri a olha por um instante, a pergunta é interessante.
‘’As revistas de fofocas respondem isso’’ – brinca ele.
‘’Digo sério, Henri’’ – ela diz, mas também está sorrindo. Seus olhos estão pesados.
‘’Não, não penso’’ – diz ele e continua – ‘’E a senhorita?’’
‘’Também não’’
‘’Bailarinas precisam manter a forma’’ – diz ele
‘’Não é apenas isso. Eu adoro crianças, mas’’ – ela tenta encontrar as palavras certas – ‘’As pessoas não pedem para nascerem, elas simplesmente veem. Isso me incomoda um pouco’’
‘’Ninguém pediria para nascer, senhorita Kaya’’ – estaciona próximo ao prédio da jovem. Kaya tira o cinto e pega sua bolsa. Pensa alguns segundos, talvez não fosse uma boa ideia...
‘’Sobe comigo?’’ – as palavras pularam de sua boca – ‘’Apenas dormir, não precisamos transar ’’
‘’Uma pena’’ – diz ele – ‘’Não sei se é uma boa ideia. Eu posso não me segurar’’
‘’Então não se segure’’ – esclarece ela
‘’Kaya’’ – ele começa a dizer, mas ela o cala com um beijo. O beijo é puro e intenso, ele acaricia o rosto dela. Eles roçam os narizes.
‘’Eu estou cansada’’ – suspira ela, perto de sua boca – ‘’Apenas durma comigo’’
‘’Eu não durmo com ninguém, Kaya’’ – esclarece, pesaroso. Ela está mexendo no cabelo dele. Ele não resiste ao cafuné dela. – ‘’Isso é errado, você conhece os meus pontos fracos. ’’
Eles sobem juntos. Henri tira a roupa e a dobra perfeitamente, colocando-as sobre o criado mudo. O quarto de Kaya é pequeno e sua cama é de solteiro, eles dormem de conchinha. Henri detestava dormir assim. O cabelo dela pinicava em seu rosto, seu braço ficava dormente e ele ficava excitado só de ficar perto daquela bunda. Mas pra ficar perto daquela bunda. Ah, ele faz qualquer sacrifício. Kaya dorme primeiro, ele sente o sono pesar-lhe os olhos. E, escuridão.
Ele abre os olhos. O sol entra forte pela janela que está com as cortinas aberta, nenhum sinal de Kaya. Ele vai até o toalete e escova os dentes usando a escova dela. Espero que ela não se importe com isso. Quando abre a porta do quarto, Henri escuta a música. Já ouvirá em alguns rádios, mas não é a versão original que escuta. Ele se apoia na parede alaranjada e fica observando Kaya, a garota cozinha, canta e dança. Tudo ao mesmo tempo. É engraçado de vê. A música em questão é Gone, Gone, Gone do Phillip Phillips.
''For you, for you'' — Kaya canta completamente afinado.
''Baby I'm not moving on'' — Henri completa, com sua voz rouca.
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