50 tons de submissão
3 Capítulo Três - Desespero
Notas iniciais
Naquela noite Kaya dormiu ouvindo os soluços de Julietta, a amiga estava tão desesperada que até esqueceu de perguntar do encontro.
A manhã não tardou a chegar, o sol já havia nascido e iluminava o pequeno quarto de Kaya. Havia ali uma estante com inúmeros livros, um guarda-roupa, uma televisão, a cama e uma mesinha. Kaya adorava aquele lugar, passaria horas no cubículo quarto. Quando Kaya acordou Julietta não estava mais na cama, nem no quarto. A porta estava fechada, a cortina aberta. Kaya espreguiçou-se a contra gosto, gostaria de continuar dormindo. As coisas são mais agradáveis nos sonhos. Mas sabia que tinha que levantar, ir para o trabalho e mais tarde ainda havia a faculdade. Continuou encarando a tintura do teto.
Na sala Julietta pode ouvir a música do Ed Sheeran, sinal que Kaya já estava acordada. E, provavelmente, no banho. Viu-se rindo quando ouviu a voz de Kaya ''she said don't you worry if I disappear''
''I told her I'm not really looking for another mistake''
Continuou preparando o café ainda sorrindo, os ''la la la la la la la'' de Kaya ficaram mais alto e próximo. A garota sabia cantar.
''until you disappeared with him to have sex of course'' — Kaya cantava na sala, ainda com o roupão e uma toalha enrolada sobre a cabeça. — ''all this time God knows I'm singing'' – disse, rindo. A música já havia acabado há muito tempo, mas ela continuava cantando Don't
''Until you disappeared with him to have sex of course'' — Julietta cantou no ritmo, ironicamente — ''Desculpa por ter estragado sua noite''
''Não seja tola'' — disse a jovem, sentando na mesa. Ainda tentou manter a compostura, esquecer à noite anterior. Mas a quem ela queria enganar? Nem em seus sonhos ela esquecerá dos olhos dele.
''E então'' — Julietta sentou com uma certa dificuldade, sua barriga estava enorme, seus pés viviam inchados.
''Pode me passar o pão?'' — pediu, fingindo-se de desentendida.
''Quando vai me contar?'' — Julietta passou a cesta com vários pães franceses.
''Não há muito o que contar, Juli'' — confessou, fatiando o pão.
''Vocês se beijaram?'' — sua voz era eufórica
''Ele foi apenas gentil'' — murmurou Kaya, estava tentando se convencer disso.
''É. Ele é'' — Kaya a olhou por um instante — ''Pelo menos é o que dizem as revistas. Educado, gentil, rico...'' — Julietta começou a listar inúmeras qualidades, adjetivos que a própria Kaya não conhecia.
''Tudo bem. Ele é tudo isso''
''Vocês vão se ver novamente? Pegou o número dele?''
''Não sei, não'' — Kaya comia olhando para o relógio. Não podia se atrassar novamente.
''Ele pegou o seu telefone?''
''Não'' — ela suspirou, levantando da mesa — ''Apenas saímos, não aconteceu nada. Ele é um homem ocupado e influente e eu...'' — ela se calou, deixou que o silêncio completasse a frase.
A loja não estava muito cheia. É quarta à tarde. O pior dia da semana para Kaya, ela limpava alguns manequins quando um jornalista veio a entrevistar.
''Estamos aqui, em uma das lojas mais influentes de toda Orleães. Ao vivo, entrevistaremos agora o novo affair do adorável empresário Henri Ampere. Senhorita'' — a garota era jovem, alta, a pele era quase tão alva que os dentes. Olhou um instante para o papel que estava em sua mão e prosseguiu — ''Kaya Montedescu'' — todas as câmeras e olhares sobre Kaya causaram-lhe um pânico de imediato. Ela sentiu o sangue sumir do rosto, olhava desesperada para todas as câmeras como se estivesse procurando uma saída — '' Como a senhorita enlaçou o cobiçado Henri?''
Fale com o autor