50 tons de Verdade
1 Foreword
Notas iniciais
Já se fazia três meses desde que Phoebe chegara a Quebec. Sua barriguinha estava mais saliente, e agora ela já sabia o sexo de seu pequeno pontinho. Logo após sua chegada, com o dinheiro economizado mais o seu salário como secretária de uma empresa de advocacia, Phoebe conseguira comprar o pequeno apartamento em que vivia. Era apenas dois quartos, sala e cozinha, com 45m². Grande parte de seu salário iria para enxoval do quarto de sua filha – era uma menininha! – que crescia saudável.
Não se passava um dia em que Phoebe não pensava em sua família e nele. Como será que seu pai e mãe estavam? E Teddy? Queria tanto ligar para eles e dizer o quanto sentia a falta deles, de como queria apenas um abraço. E Ethan? Provavelmente estava comendo a Elena, já que ela estava, para todos os efeitos, desaparecida.
Sentiu seu bebê mexer-se em sua barriga, alegremente. Era bem agitada, e sempre se mexia quando Phoebe começava a falar ou cantarolar alguma música, o que no caso, era o que ela estava fazendo no momento. A música que cantarolava era Maps, do Maroon 5, uma de suas bandas favoritas. A letra era tão parecida com o seu passado recente que era assustador.
Ouviu o telefone tocar e rapidamente correu para atendê-lo.
— Phoebe, você já ouviu falar em ‘pontualidade’? Tenho certeza que você esqueceu-se do nosso brunch. – Clöe Moreau, a secretária que trabalhava junto consigo e sua mais recente amiga disse, um pouco irritada. — Além disso, tenho uma roupinha para a minha afilhada.
Phoebe deixou uma risada nasal escapar de forma baixa.
— Eu realmente esqueci Chöe, mas esta é a sorte de morarmos a uma quadra de distância da outra. Já estou saindo de casa, tudo bem? E você vai mesmo mimar a minha filha, não é? – Phoebe disse, revirando os olhos.
— Eu quase posso ver você revirando seus olhos. – Phoebe riu — E sim, vou mimar a minha filleule (afilhada).
—Ok, Clöe, já estou chegando aí.
— Acho bom mesmo, a comida está esfriando.
Dito isso, Phoebe desligou o telefone, pegando um casaco e saindo de seu apartamento, descendo as escadas de incêndio. Como morava no primeiro andar, subir e descer aqueles dois lances de escada não era fatídico para a morena. Caminhou pelas ruas, encolhendo seus ombros quando sentiu uma rajada de vento frio passar por sua nuca, eriçando seus pelos. Após cinco minutos de caminhada, já se encontrava no portão do prédio de Clöe. Tocou o interfone, ouvindo um ‘sim?’ do porteiro rabugento do prédio da Moreau.
— S'il vous plaît (Por favor), Clöe Moreau. – o homem resmungou alguma coisa, abrindo o portão. Calmamente Phoebe aguardou o elevador – já que Clöe morava no décimo segundo andar – e assim que chegou à porta da casa da amiga, tocou a campainha.
— Que demora! – disse Clöe, arrastando-a para dentro.
— Eu estava distraída, desculpa.
— Félicitations! (Parabéns!) – Phoebe pulou de susto ao ver gente surgir gritando de trás do sofá, da bancada e até mesmo de trás da porta do banheiro. Todos de seu trabalho que lhe eram mais chegados – umas doze pessoas, mais ou menos? – que estavam presentes. — Joyeux anniversaire, joyeux anniversaire, joyeux anniversairePhoebe, joyeux anniversaire! (Feliz aniversário, feliz aniversário, feliz aniversário Phoebe, feliz aniversário!)
Phoebe ficou rubra de vergonha.
— Você lembrou-se do meu aniversário? – perguntou Phoebe calmamente para Clöe, que batia palmas animadamente.
— Claro! Como eu iria esquecer? Na verdade, quem falou para fazermos isso foi o Henry Moreau, seu chefe.
Henry, o irmão mais velho de Clöe, era a grande definição da palavra gostoso. Era lindo, com grandes olhos azuis e um cabelo castanho escuro completamente macio – pelo menos era assim que Phoebe o imaginava – com leves ondas. Dificilmente estava sorrindo, o que era uma pena, visto que Phoebe adorava o seu sorriso, mas não conseguia gostar dele.
Henry tentara beijá-la algumas vezes, mas Phoebe recusou, e sabia o motivo disso: Ethan Wiegraft. As palavras dele ainda a assombravam. Será que ele realmente não tinha culpa de nada e a vaca da Elena havia simplesmente feito aquilo quando ela chegara?
— Parabéns, Phoebe. – disse Henry bem próximo de Phoebe, que sorriu envergonhada. — Não é sempre que se faz 18 anos, certo?
— Certo. – murmurou.
— Phoebe, eu comprei bastante Stella Artois, mas não acho que você possa beber cerveja, não é? – Clöe disse, coçando a nuca de forma culpada. — Mas acho que tenho um engradado de latinhas de coca-cola, aceita?
— Uma coca-cola está ótima, Clöe, obrigada.
A vantagem de Phoebe estar morando em Quebec era que ainda estava em um país de língua inglesa, apesar da língua oficial de Quebec era o francês. Acabava por treinar as duas línguas nas quais já era fluente antes mesmo de decidir ir para o Canadá.
Clöe rapidamente saiu, voltando com uma latinha de coca, a qual Phoebe sorveu rapidamente. Não se lembrava da última vez em que bebera aquele líquido doce.
—Calma aí, Phoe! Olha a minha afilhada! – Phoebe sorriu, sentindo sua pequena movimentar-se em seu ventre.
— Clöe, ela adora a sua voz, sabia? Ela está até se mexendo.
Rapidamente as mãos de Clöe voaram para a barriga de Phoebe, sentindo os chutes que sua filha dava conta sua barriga.
— Ela me ama! Mas quem não me ama? – perguntou a Moreau, vendo o irmão e Phoebe revirarem os olhos.
— Com licença Phoebe, irei falar com Carl e Cosset. – disse Henry, afagando os cabelos de Phoebe carinhosamente antes de ir falar com o casal.
— Já decidiu o nome da sua/nossa pequena? – perguntou Clöe, curiosa.
— Já sim, mas não acho que quero contar para você agora.
A cara de afetada da Moreau foi impagável. Era impossível não ter vontade de rir, e foi isso o que Phoebe fez. A morena gargalhou, vendo Clöe colocar as mãos na cintura e bater o pé freneticamente contra o assoalho.
— Está achando isso engraçado? Não tem graça! – falou a moça. — Vai desembucha o nome.
— Sophie. – Clöe bateu palmas, dando leves pulinhos, o que chamou a atenção dos convidados.
— O nome da filha de Phoebe vai ser Sophie!
Todos sorriram com a notícia. A pequena Sophie mexeu-se dentro da barriga da mãe.
—Vai ser muito amada. – murmurou Phoebe, afagando a barriga calmamente.
Notas finais
Beijos da -B
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