50 tons de Verdade
2 1 - What I've done?
Notas iniciais
Dois anos e meio depois
— Mamãe, mamãe!
Phoebe virou-se ao ouvir a voz melodiosa, porém embargada, de sua pequena Sophie. Os cabelos loiros e levemente ondulados estavam na altura de seu ombro, e mexiam-se graciosamente. Seus olhos eram uma mistura que Phoebe jamais vira. Tinha tons de azul e verde, que hipnotizava qualquer um que a olhasse, e naquele momento, estavam com um tom avermelhado, graças ao choro recente.
— O que aconteceu, meu amor? – a morena perguntou, agachando-se para ficar na mesma altura que Sophie.
— Dodói. – disse a pequena, apontando para o joelho ralado. Phoebe fez um leve bico, logo a pegando no colo.
— Calma, meu amor, eu vou colocar o remédio mágico, tudo bem? – disse a mulher, carregando a filha para o banheiro. Colocando-a sentada no vaso sanitário. Abriu o armarinho do banheiro e tirou o mertiolate dali, agachando-se novamente para poder cuidar do raladinho do joelho de sua Sophie.
Sophie Grey nasceu em uma tarde chuvosa de Quebec, pesando seus três quilos e setecentos gramas. Modéstia parte, Sophie era o bebezinho mais bonito que Phoebe já havia visto. Nasceu com ralos cabos loiros, e com grandes olhos mesclados em verde e azul. Todos os esforços de Phoebe para esquecer Ethan iam por água abaixo toda vez que olhava para a sua Sophie.
Após aplicar o remédio, Phoebe a colocou no chão, e a loirinha observou a mãe por alguns segundos, antes de abraçá-la pelas pernas
—Mamãe, tinhamu!
A felicidade que Phoebe sentia era indescritível. Sua pequena estava cada vez mais saudável e crescia como qualquer criança comum. Parecia ontem que Phoebe chegara a sua casa com um pequeno embrulho cor-de-rosa nos braços, acompanhada de Clöe e Henry.
FLASH BACK
Phoebe caminhou para fora do carro com um pouco de dificuldade. Não havia feito cesárea, mas mesmo assim, sentia uma dorzinha incômoda em sua intimidade. Em seu colo, estava o ser mais encantador que Phoebe poderia conhecer. Sua filha, sua pequena Sophie.
—Tem certeza de que está tudo bem? Eu posso ficar aqui alguns dias, Phoe, penso que Henry não vai se importar. – falou Clöe, ajudando Phoebe com a carregar sua mala e a bolsa de Sophie. — Não é, Henry?
— De forma alguma. – falou o homem com a sua costumeira voz grave.
Phoebe apenas sorriu, assentindo, mas logo o sorriso sumiu de seus lábios. Era para a sua mãe estar ali, com ela, ajudando-a, mas isso não era possível. Ela não poderia simplesmente ligar para a sua casa e pedir para que a mãe a ajudasse com seu pequeno presente divino.
Sophie começou a resmungar no colo de Phoebe, chamando a atenção imediata da morena para o pequeno rostinho redondo e rosado da sua pequena.
—Shh. – disse a morena, embalando suavemente Sophie, que rapidamente parou os seus resmungos e voltou a dormir.
Pela primeira vez desde que chegara ao apartamento, Phoebe usara o elevador para subir ao primeiro andar. Entregou as chaves da porta a Henry que a abriu, rapidamente, ajudando Clöe a carregar o que Phoebe levara para o hospital.
A passos lentos e calmos, Phoebe andou até o pequeno quarto de Sophie. Um berço simples, forrado com lençóis coloridos e bichinhos e pelúcia encontrava-se na parede do fundo. Havia prateleiras com mais bichinhos e fraldas – muitas, por sinal – além da babá eletrônica que ganhara de Henry e Clöe.
Depositou Sophie sobre o berço com todo o cuidado que tinha, vendo os lábios de sua pequena entreabertos em um sono profundo e calmo.
—Ela é linda. – Phoebe assustou-se com a voz de Henry logo atrás de si, olhando para ela atentamente. —Com certeza puxou a mãe na beleza.
— Acredite ou não, ela é a cópia perfeita do pai.
FLASH BACK OFF
— Também amo você, meu amor. – disse a jovem mãe, pegando-a no colo e a enchendo de beijos carinhosos pela face.
— Para, mamãe! – exclamou a pequenina, que gargalhava.
— Tudo bem, a mamãe não faz mais! – disse a colocando no chão. Sophie saiu caminhando calmamente para a sala, onde o desenho da Galinha Pintadinha passava no DVD.
Ao contrário das outras crianças de sua idade, Sophie era bem quietinha e sempre sabia se comportar. Carregava um ar de autoridade que muitas vezes arrancava risos de sua mãe, mas ela sabia muito bem de quem ela havia puxado esta característica: de Ethan e Christian. Pensar neles ainda doía, mas não tanto quanto antes.
Sophie chegara na hora certa, já que a morena precisava da companhia de alguém de sua família, visto que a saudade era avassaladora. Sophie veio para tapar aquele buraco de saudade e vazio, mas para a infelicidade da morena, ela não conseguia tapá-lo completamente.
Ligou a pequena televisão que comprara para deixar na cozinha enquanto preparava o almoço. Sophie insistira para que a mãe fizesse “lanhãnha”. Colocou a lasanha no forno, sentando-se em uma cadeira, olhando distraidamente para a televisão.
Estava no telejornal, e parecia passar apenas desgraça atrás de desgraça. Raras vezes Phoebe escutara alguma coisa sobre o CEO Grey, mas nada que bombástico. Comprara todas as revistas em que seu pai aparecera nestes últimos dois anos e meio que passara fora de Seattle.
Dois anos e meio! Phoebe não acreditava que seus pais não a haviam encontrado. Parte de si sabia que eles a procurariam até no inferno se necessário, mas não conseguia entender como seus pais não a haviam encontrado. Será que estava tão bem escondida assim?
— Fome, mamãe. – a pequena Sophie apareceu no batente da porta da cozinha, colocando suas pequenas mãozinhas sobre sua barriga.
— Eu sei amor, eu já coloquei a lasanha no forno, ok? Mas você precisa esperar um pouquinho, ela vai ficar pronta em alguns minutinhos, tudo bem?
Sophie apenas assentiu e voltou para frente da televisão.
Phoebe resolveu lavar a locinha que havia deixado. Ensaboou os copos, pratos e talheres que utilizara de forma distraída, até ser despertada pelo time do forno. Enxugou as mãos, tirando a lasanha do forno com auxílio de luvas térmicas. Colocou-a sobre a bancada, e cortou dois pequenos pedaços.
— Sophie, vem comer! – chamou pela menina, que veio carregando seu patinho de pelúcia nos braços.
A menina demorou um pouco para sentar-se na cadeira, já que ela era um pouco alta, mas não pediu ajuda para a mãe. Phoebe colocou o prato sobre a mesa e pegou Sophie, colocando-a em seu colo. Cortou um pedaço da lasanha, levando-o à pequena boquinha da loirinha, que mastigou a comida calmamente.
Logo após alimentá-la, Phoebe a levou para a creche, deixando-a aos cuidados das professoras que Sophie tanto gostava.
Por sorte, a creche ficava a metros de distância do escritório de advocacia donde Phoebe trabalhava. Caminhou a passos rápidos, olhando para o seu relógio de pulso. Chegou exatamente às 14h, esbarrando em alguém.
— Desculpa! – pediu, erguendo os olhos e fitando o mar azul dos orbes de Henry.
— Tudo bem, Phoebe. – ele disse, sem muita expressão em sua voz, mas ele não precisava. Phoebe conseguia ver em seus olhos os reais sentimentos de Henry. Ele se importava com a morena.
— Vai sair? – perguntou curiosa.
—Ah, sim. Tenho que encontrar uma pessoa, mas volto assim que puder. – rapidamente ele plantou um beijo casto na testa de Phoebe, saindo do escritório.
— Meu irmão gosta de você, sabia? – Clöe disse, surgindo ao lado de Phoebe, que se assustou.
— Você sempre brota dos infernos perto de mim! – exclamou Phoebe, arrancando uma risada da Moreau. — E ele gosta sim, tem consideração por mim assim como eu tenho por ele.
— Ele tentou beijar você duas semanas depois de você começar a trabalhar aqui, acha mesmo que ele não gosta de você? Tenho que dizer que você é bem lerdinha para uma morena. E olha que eu estou meio loira! – ela disse, mostrando as pontas de seu cabelo, que pintara de loiro. — Por que você não dá uma chance para o Henry? Ele é apaixonado pela Sophie, aposto que não se importaria em ajudar a criá-la.
— Clöe, não força. Ele é gentil e admiro isto nele, mas eu...
— Você ainda é apaixonado pelo cafajeste que te traiu com uma idosa.
Phoebe havia contado o porquê de estar morando em Quebec para Clöe, portanto a amiga partilhava do mesmo sentimento do dela: odiava a velha Elena e o Ethan.
— Você falando assim até parece engraçado. – Phoebe deixou um riso baixo escapar. — E a resposta é sim, ainda estou apaixonada, e não consigo esquecê-lo. Além disso, toda vez que eu olho para a Sophie, eu o vejo.
— É o que dizem... – suspirou Clöe. — O primeiro amor à gente nunca esquece. – disse, abraçando Phoebe pelos ombros. — Vamos, temos muito trabalho pela frente!
*
Phoebe saiu exausta. Não se lembrava de ter levantado tantas vezes para atender Henry nos dois anos e meio que trabalhava na advocacia Moreau. Quando se levantou pela última vez às 18h, seus pés já clamavam para que a mulher retirasse aqueles saltos e os jogassem na sarjeta. Caminhou calmamente até a creche, pegando a sua pequena que dormia, calmamente no berçário.
Sua casa não ficava muito longe dali, apenas dez minutos de caminhada lenta, principalmente agora que os pés de Phoebe clamavam por um descanso. Olhou atentamente para a sua Sophie que mantinha seus lábios entre abertos de forma fofa, com os olhinhos fechados e com a respiração calma e regular.
FLASH BACK ON
Phoebe não podia acreditar que completara nove meses de gravidez, e sua pequena Sophie poderia nascer a qualquer momento. Estava em sua casa, completamente alheia, assistindo uma matéria sobre administração, na qual Georgia Hussain, a namorada de Teddy iria falar.
Estava tão feliz em poder ver a ruiva, mesmo que fosse pela TV!
— Estamos de volta, e nossa convidada da noite é Georgia Hussain, a namorada do mais novo empresário Theodore Raymond Grey, eu estou certa? – perguntou a apresentadora, vendo Georgia assentir. — Como é estar já dentro do ramo da administração?
— Devo dizer que é interessante, já que eu estudo para isso, e namorar Teddy trouxe esta oportunidade que eu, particularmente, não esperava.
— Seu relacionamento com os Grey’s é bom?
— Acho que posso dizer que sim, já que Anastasia Grey está tentando a todo custo que eu me case com ele ano que vem.
A plateia bateu palmas, animada.
— Oh! Isso é novidade! Então em breve você será a nova Grey da família?
— Acho que esta é a ideia. – ela falou, parecendo visivelmente desconfortável com o rumo da conversa.
Phoebe sentiu uma pontada forte em seu ventre, e uma dor aguda a fez gritar. Um líquido viscoso começou a escorrer por entre as suas pernas, o que a fez levantar-se rapidamente e pegar seu celular.
— Phoebe, é meia noite e meia, o que você quer? – perguntou Chöe com a voz arrastada por causa do sono.
— Clöe, minha bolsa estourou, a Sophie tá nascendo! – a morena falou, exasperada,
FLASH BACK OFF
Chegou a sua casa usando o elevador, encontrando um homem de costas para ela, olhando para a porta de seu apartamento.
— Posso ajudá-lo? – perguntou Phoebe, vendo o homem ficar mais rígido ao som de sua voz, quando ele se virou, Phoebe sentiu o ar fugir de seus pulmões.
— J-Jeremy?
(n/a: considerei muito parar o capítulo aqui, mas estou me sentindo benevolente hoje).
Ele não sorriu ou esboçou reação nenhuma. Seu olhar vagava de Phoebe para Sophie, franzindo o cenho ao olhar a pequenina em seus braços. Phoebe caminhou para mais perto do homem, mas não sabia o que fazer.
Fazia anos que não o via, e vê-lo ali, de frente para si, foi sim um choque. Seu coração parecia ter se entalado na garganta, e seu sangue congelado em suas veias. Abriu a porta de seu apartamento, caminhando para o quarto de Sophie, sendo seguida por Jeremy.
Jeremy havia mudado um pouco nos últimos dois anos. Estava com a barba rala, e seu aspecto era mais sério. Não parecia aquele Jeremy brincalhão que Phoebe conhecia.
Assim que colocou Sophie na cama, tirou seus saltos e passou reto novamente por Jeremy, fechando a porta do apartamento.
— O que faz aqui? – perguntou em um sussurro, olhando atentamente para os olhos verdes do homem, que enfiou suas mãos dentro da calça social.
— É assim que você me recebe depois de dois anos e meio desaparecida, Phoebe? Eu esperava pelo menos um abraço da sua parte. – Phoebe se permitiu sorrir quando ouviu aquela pitada de humor típico de Jeremy.
Correu até o mesmo e o abraçou forte, sentindo as lágrimas correrem por seus olhos e os soluços escaparem de sua garganta. Já Jeremy apertava o corpo da mais nova contra o seu, temendo que aquilo fosse um sonho, e que ele acordaria a qualquer momento.
— Jer, como você me encontrou? Meus pais não sabem que estou aqui, não é? – perguntou para o homem assim que se afastou, fitando seus olhos.
— Não, eu queria ter certeza que era você mesmo. – ele disse, afagando os cabelos de Phoebe. — Seus pais sofrendo bastante nos últimos dias.
— Por quê? – quis saber a mais nova, franzindo o cenho. Quando a morena percebeu que ele não iria responder agora, trocou de assunto. — E você e a Ashley? – perguntou Phoebe, um pouco cabisbaixa.
— A Ash e eu não demos certo, Bê. – ele falou, percorrendo as mãos pelos seus cabelos, bagunçando-os.
— Sinto muito, Jer.
— Eu não sinto. Sou o melhor amigo daquela baixinha agora. – falou com um sorriso brincando em seus lábios.
Phoebe alargou o sorriso, caminhando até a geladeira, tirando duas garrafas de Stella Artois, apontando com a cabeça o sofá, para que Jeremy se sentasse. Sentou-se ao lado dele, dando um longo gole da cerveja gelada, que desceu esfriando seu interior e entorpecendo levemente seu corpo.
— Mamãe! – Phoe ouviu a menina gritar com uma voz embargada e já saiu correndo para o quarto da pequena, ignorando o “mamãe?” que Jeremy perguntara. Pegou sua filha no colo, beijando-a brevemente nas bochechas rosadas, caminhando com ela para a sala.
Jeremy estava com o cenho franzido, olhando de forma acusadora para a Steele, que tentou a todo custo ignorar o olhar de Jeremy. Sophie encolheu-se em seu colo, envergonhada demais para olhar Jeremy.
— Você fugiu por que estava grávida, não é? – perguntou Jeremy, encarando Phoebe.
A morena suspirou, afagando os cabelos loiros da filha, que estava abraçada com seu patinho de pelúcia.
— Sim. – respondeu categoricamente, mesmo que este não fosse apenas o motivo de sua fuga. — Eu não podia contar a eles, Jer, eles... Eles não entenderiam. Imagine o meu pai descobrindo que eu estava grávida? Ele com toda certeza ficaria possesso. Se eu chegar lá agora, com vinte anos, com uma filha, bem provável que ele seja mais racional, visto que eu não tenho mais dezessete anos.
Jeremy respirou fundo, fechando os olhos brevemente.
— Teddy sofreu um acidente de carro, Phoebe. – ele murmurou, e Phoebe sentiu seu coração vacilar. Seus olhos encheram-se de lágrimas, que corriam livremente pela sua face. — Ele está no hospital central de Seattle, e Georgia falou que ele chorou em uma das noites, sentindo a sua falta, querendo a sua visita. – Phoebe apenas enxugou as lágrimas rapidamente, antes que Sophie visse as lágrimas da mãe e começasse a chorar também. — Ele está melhor, mas não está completamente curado. Ele quer ver você, Phoebe. Todos querem.
— Você não me respondeu como me achou. – disse a morena com a voz embargada.
— Eu contratei um detetive particular faz uns oito meses. Ele cruzou a sua foto com o banco de dados das câmeras do Canadá e achou você depois de oito meses. – respondeu Jeremy com um sorriso de canto. — Ele teve que invadir o sistema de segurança, mas pelo o que ele me disse, não deixou rastros caso alguém queira segui-lo.
Phoebe apenas assentiu.
— Eu vou voltar com você para Seattle. – decretou, vendo a cara de descrença que Jeremy fizera.
— Jura? É serio? – ele falou, alargando o sorriso.
— Sim... Querida, olha para o tio Jeremy! – pediu Phoebe, vendo Sophie mexer-se em seu colo — Ele é legal e é o melhor amigo da mamãe.
Sophie por fim retirou seu rosto da curvatura do pescoço de Phoebe encarando Jeremy, que sorriu abertamente para a pequena.
— Oi! Qual é o seu nome? – ele perguntou para a pequena, que encarou a mãe, que apenas assentiu para que ela o dissesse.
— Sophie. – ela murmurou, olhando para seu bichinho de pelúcia.
— Sophie é um lindo nome, sabia? Só pessoas bonitas têm nomes bonitos que nem o seu. – Sophie pareceu mais animada com Jeremy, e ergueu seu patinho de pelúcia para que ele o visse.
— Este é o Patinho. – ela apresentou. — Os patinhos fazem ‘quáquá’! – Phoebe prendeu o riso quando Sophie falou, e viu Jeremy olhar para a sua filha com interesse.
— Mas o nome dele é Patúncio! Eu tinha um igualzinho e o nome dele era Patúncio. – Jeremy falou, cruzando os braços, vendo Sophie franzir o cenho.
— Platúcio? – ela perguntou. — O nome do meu é Patinho, não é mamãe? – ela perguntou, olhando para a sua mãe com aqueles olhos azul-esverdeados que Phoebe tanto amava.
— É, amor, é Patinho.
— Viu? É Patinho. Você não sabe o nome certo por que é bobo. – respondeu Sophie, empinando o nariz.
— Sophie, que coisa feia! Já falei que não pode falar assim com as pessoas. – Phoebe a repreendeu, vendo-a abaixar a cabeça e murmurar um “dicupa”. — Tudo bem. Jeremy, você vai dormir aqui? Minha cama é de casal, pode dormir lá comigo.
Jer arqueou uma sobrancelha de forma maliciosa, o que arrancou uma risada de Phoebe.
— Não pense besteira, Jer!
— Eu não pensei em nada! – defendeu-se. — Mas não posso negar que vai ser divertido dormir na mesma cama que você. – ele sorriu de forma galanteadora, fazendo Phoebe gargalhar. Sophie olhava tudo em silencio, sorrindo também.
— Você não presta, Jer.
*
No dia seguinte, logo de manhã, Phoebe ligou avisando a Henry que sairia por uns dias para resolver alguns problemas, mas que logo estaria de volta. Henry pareceu preocupado, mas Phoebe não deu muitas explicações ao chefe, que apenas concordou derrotado.
O voo partia de Montreal – já que na província de Quebec não tinha aeroporto, tiveram que ir para Montreal – e tinha como destino Seattle. Era aproximadamente sete horas de viagem, a mais longa que Sophie iria fazer, portanto Phoebe tratou de encher uma mochilinha com sucos, salgadinhos, bolachas e alguns sanduíches, caso a pequena sentisse fome. O voo tinha uma escala em Dakota do Norte, no Aeroporto Regional de Aberdeen, no qual teriam que esperar duas horas antes de chegar a Seattle.
Assim que chegaram a Montreal, Phoebe sentiu como se estivesse cometendo um erro. Será que deveria mesmo levar Sophie? Parte de si respondia que sim, já que ela era a sua filha e jamais passara mais do que um dia longe da mãe, mas outra parte dizia que não. Como seria a reação de Christian Grey ao ver a sua princesa carregando uma filha de dois anos nos braços?
— Phoebe, você está bem? – perguntou Jeremy, retirando as malas do carro que alugara para chegar à província de Quebec.
— Ah, não sei, Jer. Estou nervosa.
Jeremy aproximou-se da mais nova, dando um beijo em seus cabelos.
— Relaxa ok? E eu gostei do seu cabelo assim.
Phoebe cortara seus longos cabelos castanhos, e agora estavam um pouco acima do busto, dando um ar de mulher para Phoebe.
— Obrigada.
Por sorte, os três conseguiram uma fileira juntos, onde Sophie poderia ficar na janela, caso quisesse, mas a pequena parecia cansada, e assim que se sentou no banco forrado do avião, dormiu.
Demoraram cerca de três horas e meia para chegar ao Aeroporto Regional de Aberdeen. Para a sorte de Phoebe, Sophie dormia calmamente ainda, e mesmo protestando, dizendo que poderia carregá-la, Jeremy foi mais rápido, pegando a loirinha com todo o cuidado.
— Jer, o que aconteceu com Samantha? Aquele bebê era...
— Não, não era meu, graças a deus. – ele disse, sentando-se na sala de embarque do aeroporto com Sophie em seu colo. — Fiz teste de DNA, e deu negativo. Acho que nunca me senti tão feliz no mundo!
Phoebe riu, sendo acompanhada do homem. Jer sentiu seu celular tocar e o atendeu com um pouco de dificuldade, visto que Sophie encontrava-se em seu colo.
— Ah, oi Georgia! – ele falou, fazendo um sinal de silêncio para Phoebe. — Não acredito. Parabéns! – ele falou alegre. — Um mês, já? Os Greys devem estar animados. Aham. Primeiro neto. – Phoebe apenas pescou a conversa, mas entendeu completamente do que se tratava. — E vão casar? Quando?! – ele disse, olhando para Phoebe, entusiasmado. — Depois de Teddy sair do hospital e se recuperar completamente. Entendi. Onde eu estou? Eu estou viajando de volta para Seattle. Aham. Tudo bem, Ge, eu preciso desligar. Tchau!
Phoebe abriu um sorriso enorme. Seu irmão iria se casar, e Georgia estava grávida do suposto primeiro neto de Christian e Anastasia Grey.
— Primeiro neto uma ova! – disse Phoebe, fazendo bico.
— Se eles ao menos soubessem que tem uma neta, Phoebe, mas eles nem sabem que você está viva.
Phoebe sentiu-se culpada, e o remorso bateu de frente. Deixara a sua família sem mais nem menos, e eles nem sabiam o motivo. Ela realmente era uma péssima filha e amiga. Jer respirou fundo, tirando uma mecha do cabelo loiro de Sophie, que estava caído sobre o seu rosto.
*
Finalmente chegaram a Seattle.
Ao desembarcar, Phoebe olhava para todos os lados, temendo encontrar alguém conhecido que lhe bombardeasse com perguntas. Chegaram lá por volta das 17h, com uma Sophie bem desperta, agora, em seus braços. Jeremy carregou as malas – que não eram poucas – para o estacionamento, onde a sua BMW4 estava estacionada. Phoebe arqueou uma sobrancelha olhando para o veículo.
— Vejo que alguém está mais rico. – disse, colocando Sophie em seu colo no banco de trás.
— Pois é, eu não estava estudando para nada, não é? Eu estou trabalhando, mas no momento, estou de férias, e vim visitar Teddy. E bem, quando o detetive me ligou, eu peguei o primeiro voo para Montreal e corri para a província de Quebec. – explicou Jeremy, já dirigindo seu carro pelas ruas de Seattle tão conhecidas por Phoebe.
— Podemos visitar Teddy hoje? – perguntou, olhando para o retrovisor, por onde Jeremy a encarava.
— Sim, mas achei que você estaria cansada demais para isso. – ele falou, mudando o curso para o Hospital Central de Seattle.
— Não, eu estou bem. – disse, apertando Sophie contra seu corpo, abraçando-a.
O clima de Seattle estava ameno, apenas uma leve brisa soprava, mas a temperatura estava em 24 ºC. Phoebe respirou fundo, sentindo seu coração acelerado. Veria seu irmão hoje, depois de mais de dois anos sem ver o sorriso, os olhos e o rosto do mais velho.
Phoebe sentiu o carro parar, e viu que estava na frente do Hospital Central de Seattle. Com Sophie em seu colo, perguntou o número do quarto em que Teddy se encontrava, apresentando-se para a recepcionista como Phoebe Steele.
— Ele está no quarto 312, senhora. – disse a moça. — Qual é o seu gral de parentesco com o paciente?
— Sou irmã dele. – disse, sorrindo e afastando-se, vendo os olhos da mulher se arregalar de leve. Será que Jeremy se esquecera de contar alguma coisa para a morena que todos sabiam, exceto a morena?
Entrou no elevador, apertando no quinto andar, e assim que a porta se abriu, caminhou para fora do corredor. Perguntou para uma enfermeira aonde poderia deixar Sophie, já que a entrada de crianças nos quartos não era permitida, e atenciosamente, a enfermeira a guiou até um berçário, onde uma adolescente se encontrava, cuidando de dois garotinhos, aproximadamente da mesma idade de Sophie.
— Sophie, a mamãe vai visitar alguém agora, mas você não pode ir comigo, ok? – Sophia apenas assentiu levemente, olhando para os garotinhos. Provavelmente, queria brincar. — Já venho pegar você, tudo bem? – disse, beijando a testa de Sophie e sorrindo para a adolescente, dando uma nota de vinte dólares, o que fez o sorriso da garota se alargar mais.
Phoebe, assim que deixou o berçário, sentiu suas mãos suarem. Não foi difícil encontrar o quarto de Teddy, já que este se encontrava na área particular. Parou em frente à porta, e sem bater, entrou.
Teddy não estava como Phoebe imaginava, mas de longe, não estava bem. Seu rosto estava com tons de roxo, e era possível ver curativos por todo o corpo, mas incrivelmente, ele não quebrara nem braços ou pernas.
Os olhos de Teddy piscaram lentamente – possivelmente, estava dormindo – em direção à porta, e focaram-se em Phoebe. Ele engoliu em seco, piscando diversas vezes.
— Ph-Phoebe? – perguntou incerto.
— Oi Teddy. – Phoebe disse, chorando.
Teddy também começou a chorar, e Phoebe correu até ele, o abraçando da forma mais delicada que conseguiu, porém Teddy parecia não se importar com alguma possível dor, já que a apertava contra o seu corpo.
— Phoebe, eu senti tanto a sua falta. – ele sussurrou roucamente contra o pescoço da irmã, que soluçava. Ela não queria soltá-lo tão cedo, mas ouviu um barulho na porta, que a fez se afastar.
— Phoebe? – perguntou Georgia com um copo grande de café em mãos.
O problema não era Georgia que estava ali, e sim Anastasia, que já estava com os olhos cheios d’água assim que abrira a porta. Ana correu até a filha, abraçando-a fortemente, e por pouco Phoebe não caiu em cima de Teddy. Ana murmurava coisas como “você está bem!”, “você está viva!”, “eu te amo tanto!”.
Phoebe já não conseguia se controlar mais, e deixou-se levar pelas emoções. Chorou, riu e chorou de novo. A ponta de seu nariz ficou mais vermelha que nunca. Após longos minutos, Ana conseguiu soltar Phoebe, e Phoebe foi abraçada por Georgia, que também demorou a soltá-la.
— A onde você estava? – falou Georgia, um pouco alterada. — Você sumiu por anos, Phoebe! Choramos e ficamos desolados com a sua partida, por que você foi embora? Disse que não era culpa da sua família, mas fez a todos nós sentirmos culpados.
— Georgia, eu tive meus motivos.
— Seus motivos foram quais? Não vejo motivo nenhum para você abandonar a todos de uma forma tão fria como você fez.
— Eu estava grávida, ok? – Phoebe disse, descontrolando-se, mas logo tapou a boca. Falara demais.
— O que?!
Todos olharam para porta, mas Phoebe limitou-se a apertar os olhos. Conhecia aquela voz profunda e grossa em qualquer lugar. Phoebe olhou para a porta, vendo as feições do homem. Ele parecia surpreso, em vê-la, isso era nítido, mas um sentimento de ódio brilhava em seus olhos.
Phoebe se viu presa em seu pesadelo: Christian Grey sabia de seu segredo, e não parecia nada feliz com isso.
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