50 tons de Verdade
6 5 - Problems?
Notas iniciais
A brisa fresca balançava os cabelos de Sophie, que corria pelo parquinho com a sua casquinha de sorvete pingando em suas mãos. O sorriso brilhante estava estampado no rosto da pequenina, que apesar de brincar sozinha, olhava para trás, vendo Phoebe e Ethan andarem de mãos dadas pelo caminho de pedra, que algumas pessoas utilizavam para correr e passear com seus cachorros.
— Sophie, espere! – falou Phoebe, quando viu a sua pequena afastar-se mais.
A loirinha parou, esperando pacientemente que seus pais – apesar de não saber que Ethan era o seu pai – se achegassem. Ethan segurou a pequena mãozinha de Sophie, melada de sorvete e fez uma careta, arrancando um riso divertido da pequenina.
— ‘Sujô!’ – disse Sophie, olhando para a mãe, que sorriu para a pequena, parando de caminhar para conseguir limpar as mãos da loirinha.
— É Sophie, você me sujou. – Ethan disse, fazendo uma carranca, o que fez Sophie olhá-lo, tentando interpretar suas feições.
Ethan abriu um sorriso, tranquilizando a filha, que esticou suas mãos – agora limpas pelo lenço de papel que Phoebe tirara de sua bolsa – para cima, pedindo colo para o loiro, que prontamente a pegou, beijando o rosto corado da filha.
Phoebe olhava para o homem com atenção. Ele estava diferente, e ela já havia percebido isso, porém não sabia ao certo o que ele havia mudado. Corou levemente quando percebeu que Ethan a observava, e havia flagrado seu olhar.
— Se quiser uma foto, Phoebe, é só avisar. – disse o loiro, arrumando seu cabelo, o qual Sophie insistia em bagunçar. — Sophie! – falou firme, porém ao invés de Sophie parar, como era o desejo do loiro, ela bagunçou ainda mais o cabelo dele, e quando ficou satisfeita com o resultado, parou, cruzando os braços e empinando o nariz. — Mas o que... Esta menina é teimosa demais! Merece umas palmadas. – ele retrucou, fazendo Phoebe rir.
— Ela puxou o pai neste aspecto. – explicou Phoebe.
— E a mãe também. – Phoebe bufou, fazendo um sorriso fraco cruzar os lábios de Ethan.
— Ela puxou o avô. E eu não sou teimosa.
Ethan gargalhou, assustando Sophie, que estava com sua cabeça encostada no ombro do loiro. Ele fingiu enxugar algumas lágrimas do riso, olhando para Phoebe, que passou a caminhar mais rápido, entendendo a ironia do loiro.
— Phoebe, qual é! Até parece que você não sabe que é teimosa.
A morena parou, girando os calcanhares e fitando Ethan, que fechou a cara. Sophie observou o loiro por alguns segundo e olhou para a mãe, imitando as feições do homem, fazendo a mulher arregalar ligeiramente os olhos, resmungando alguma coisa enquanto Ethan aproximava-se dela. Os lábios do loiro tocaram os de Phoebe brevemente, assustando a morena.
— Ethan!
— O que?
Phoebe gesticulou para Sophie, porém a loirinha estava interessada no “totó malhado” que estava atrás do casal.
— Ela vai sobreviver. – Ethan disse, dando de ombros, beijando suavemente os lábios de Phoebe, que mordiscou levemente o lábio inferior do loiro, que rosnou baixo, aprovando a atitude da morena.
— Totó! – Sophie falou mais alto, chamando a atenção do casal, que rompeu o beijo, voltando a caminhar.
— Vou levá-las para a minha casa. Já está ficando tarde. – disse o loiro, ouvindo a loira resmungar algo. — Disse alguma coisa?
— Eu disse que não dá.
— E por que não? – quis saber Ethan, apertando Sophie contra si.
— Por que eu estou hospedada na casa do Jeremy, e amanhã terei que buscar Clöe no aeroporto.
— Clöe?
— Clöe Moreau, uma amiga minha canadense. E não quero atrapalhá-lo. – ela mordeu o lábio inferior, colocando a franja de seus cabelos curtos atrás da orelha.
Ethan analisou sua atitude, arqueando uma sobrancelha.
— O que exatamente você não está me contando? – perguntou o homem, que já estava próximo do Maserati, abrindo a porta do carro e colocando Sophie deitada no banco traseiro, já que a pequena pegara no sono durante o caminho de volta para o carro.
— Eu?! – a voz da morena saiu uma oitava acima do normal, fazendo-a pigarrear para normalizar sua voz enquanto sentava-se no banco do carona. — Não estou escondendo nada.
— Eu irei descobrir o que você não está me contando, Phoebe. – ameaçou o homem, sentando-se no banco de couro, colocando a chave no contato. — Então é bom que você me conte agora o que você está me escondendo.
Phoebe trincou o maxilar, irritada.
Quando tinha dezessete anos não se importava com as ordem que Ethan dava para si, e quase sempre tinha medo do que ele poderia fazer, porém não admitia isso para si, porém, agora, a situação era completamente diferente, mesmo assim, o seu consciente sabia que deveria contar a Ethan o que a incomodava.
— ÉcapazdeHenrytambémvir. – falou rápido.
— Phoebe, fale devagar. Não consegui compreendê-la.
— É capaz de Henry também vir.
Ethan franziu o cenho, ligando o carro e direcionando-o para a avenida principal de Seattle.
— E por que isso deveria ser um problema?
— É que... Digamos que eu e ele já nos... Bem... Ele já me beijou algumas vezes. – ela falou, sentindo o nervosismo dominar seu corpo.
Phoebe viu claramente os nós dos dedos do loiro perder a cor quando este apertou o volante com força. Ele respirou fundo, parando no farol vermelho e fitando Phoebe com os olhos azul-esverdeados tempestuosos.
— O que? — ele perguntou, rangendo os dentes.
— Mas eu sempre o cortei! – esclareceu a morena. — E nunca passou de alguns beijos apesar dele ser bem tentad... – ela tossiu quando percebeu o que iria falar, vendo os olhos de Ethan assumir um brilho perigoso.
— Vocês duas irão para a minha casa. E não me contradiga. Você, depois deste comentário infeliz, não está em posição de contradizer nada.
Ethan acelerou o carro, fazendo os pneus cantarem no asfalto. Phoebe sentiu sua garganta fechar, de forma que engoliu em seco, olhando pelo retrovisor, fitando sua pequena filha, que erguera sua cabeça loira, fitando o ambiente um tanto quanto confusa.
— Não é como se tivéssemos um relacionamento. – ela retrucou.
— O que? – o loiro franziu ligeiramente o cenho.
— Ethan, eu não sou sua namorada, esposa ou qualquer coisa do gênero. Você não pode mandar em mim como se tivesse algum direito.
Phoebe viu o loiro engolir com dificuldade, respirando de forma pesada. Ela mordeu o lábio inferior, ponderando suas palavras.
Será que havia falado demais?
— Mamãe? – perguntou a pequenina, esfregando os olhos.
— Oi, querida. – respondeu Phoebe, acordando de seus devaneios.
— Pra casa? – quis saber.
Phoebe suspirou.
— Ainda não vamos para casa, meu amor.
Sophie fez bico, mas logo deitou sua cabeça novamente no banco, dormindo. Phoebe olhou de relance para Ethan, vendo-o fitar a pequena pelo retrovisor também. Os olhos azul-esverdeados estavam mais brandos, perdendo o brilho raivoso que adquirira quando Phoebe mencionou o nome de Henry.
— Ethan?
Ethan deixou um som rouco escapar de seus lábios, denunciando que estava ouvindo.
— Eu amo você. – as palavras fugiram de seus lábios, porém a morena não estava arrependida, afinal, ele sabia que ela o amava. — E eu não deveria tê-lo deixado. – as palavras pareciam ter virado um bolo massudo em sua garganta. — E-eu... Eu deveria ter desconfiado daquela vaca. Eu deveria ter acreditado em você, mas eu estava machucada, e acabei privando-o de muitas situações, na qual olhando para você, tenho certeza que teria adorado participar. – Phoebe olhou de relance para Sophie, e viu o loiro fazer o mesmo.
Ele deixou um suspiro escapar.
— A onde quer chegar, Phoebe?
— Quero que me perdoe, Ethan. Por tudo. Incluindo o que eu disse sobre não ter nenhum relacionamento com você, por que tínhamos um contrato...
Phoebe calou-se. O silêncio dominou o carro luxuoso do loiro. Phoebe esperou por uma resposta, porém Ethan parecia estar imerso em seus pensamentos. A morena desviou seu olhar para a rua, identificando-a como a rua do apartamento do loiro. Ele direcionou o carro na garagem, guiando-o para uma das várias vagas que comprara. Desceu do carro assim que o desligou, abrindo a porta traseira e pegando Sophie no colo.
Phoebe demorou alguns segundos para sair do carro, se sentindo culpada. A morena seguiu Ethan, entrando no elevador, vendo-o apertar o penúltimo andar, visto que o andar de cima também pertencia ao loiro. Quando o elevador finalmente parou, ele caminhou a passos rápidos para dentro, deixando Phoebe encarregada de trancar a porta.
Ele subiu as escadas para o apartamento de cima – onde havia apenas as suítes e seu escritório – colocando Sophie sob uma das camas de casal do quarto de hóspedes. Cobriu-a com cuidado de beijou-lhe a testa, sentindo a temperatura quentinha de sua filha.
Ethan suspirou quando viu pelo canto de seu olho direito a morena parada à porta, observando atentamente não somente a filha como também ele.
— Eu sei que você quer uma resposta, mas não irei conseguir perdoá-la tão facilmente.
— O que eu preciso fazer para eu conseguir o seu perdão? – a pergunta da morena saiu em um tom de súplica.
— Reconquiste a minha confiança. – ele disse, parando em frente a morena, que abaixou a cabeça, deixando as lágrimas escorrerem de seus olhos castanhos. — E mudando de assunto drasticamente, eu irei levá-la ao aeroporto amanha.
Phoebe enxugou as lágrimas, abrindo a boca para protestar, porém Ethan a tapou com uma das mãos.
— Não adianta retrucar. Eu irei levá-la e você não pode fazer absolutamente nada para mudar isso. E se achar ruim, irei dar uma bela de uma surra nessa sua bunda branquinha com muito prazer.
Phoebe sentiu um calafrio percorrer seu corpo dos pés à cabeça. A mulher havia esquecido – momentaneamente – que Ethan tinha um gosto peculiar no sexo. Não que ela não gostasse, por que na verdade, ela adorava. Adorava a forma violenta que ele a penetrava, os tapas dolorosos e prazerosos que ele dava e os beijos urgentes quando necessitavam.
— Estou achando ruim. – murmurou, sentindo suas bochechas corarem violentamente. Os olhos do loiro encontraram os seus, brilhando de malícia.
— Fale mais alto, não consegui te ouvir.
— Estou achando ruim. – falou um pouco mais alto, fazendo um sorriso extremamente malicioso surgir nos lábios de Ethan, que a puxou pela cintura, beijando avidamente seus lábios carnudos.
As mãos de Phoebe voaram para os cabelos loiros, massageando os fios curtos da nuca, puxando-os levemente, ouvindo Ethan resmungar contra seus lábios. O loiro partiu o beijo, arrastando Phoebe pelos corredores, agora escuros, para um quarto que Phoebe conhecia, mas não tão bem quanto gostaria.
O Quarto Escuro.
Sem muita delicadeza, Ethan empurrou a morena contra o chão, apenas para que ela ficasse de joelhos. O vestido creme, justo, rendado e extremamente delicado foi aberto com tanta rapidez que o zíper estourou, fazendo Phoebe resmungar, contrariada.
— Eu gostava deste vestido.
—Você o comprou hoje, posso comprar um idêntico a ele amanhã.
Ethan ajoelhou-se atrás de Phoebe, distribuindo beijos molhados pelo pescoço da moça, direcionando-os para a clavícula, mordendo-a com um pouco de força, ouvindo a morena resmungar de dor e prazer. Ethan empurrou as mangas do vestido pelo braço da jovem, fazendo-o deslizar e parar em suas coxas.
As mãos do loiro abraçaram a cintura de Phoebe, puxando-a para mais perto. Os dedos longos do homem, inquietos, exploravam cada parte exposta da moça, sentindo a textura aveludada da pele de porcelana da morena como se fosse à primeira vez. Ele lambeu o pescoço de Phoebe até a sua orelha, onde a mordiscou avidamente.
— Ethan. – o nome do loiro saiu dos lábios de Phoebe igual a um gemido afrodisíaco, o que aumentou a libido de Ethan.
As mãos do loiro apalparam os seios fartos de Phoebe, fazendo-a arfar. Ele a segurou, girando-a para que a morena ficasse de frente para si. O vestido – ou o que restou dele – escorregou pela pele de Phoebe, acumulando o tecido nos pés da moça. As mãos de Ethan apertaram as coxas de Phoebe, erguendo-a.
Phoebe envolveu as torneadas pernas em volta do quadril de Ethan. Ele caminhou até a cama do quarto, deitando-a sobre o colchão macio. As mãos do loiro tatearam debaixo dos travesseiros até encontrar o que procurava. Ele afastou-se o suficiente para ver o corpo de Phoebe. A morena encarou o pedaço de tecido negro nas mãos. Ele os dobrou três vezes, vendando os olhos da moça em seguida.
— Não pode olhar. – as curtas unhas do loiro percorreram pela barriga de Phoebe, fazendo-a se arrepiar. — E espero que Sophie tenha sono pesado. Acho que não seria muito legal se ela acordasse com seus gritos de prazer.
Phoebe deixou um gemido antecipado sair de sua garganta quando Ethan brincou com o elástico de sua calcinha rendada. As mãos subiram, desatando o sutiã sem dificuldades. O loiro tirou o tecido que o impedia de poder admirar o corpo da moça. Seus lábios salivaram, de forma que logo sugou um dos mamilos, já intumescidos. Ele rodeou a auréola assoprando-a em seguida, fazendo o corpo da morena arquear-se, afundando sua cabeça nos travesseiros macios. Enquanto Ethan brincava com um dos seios, uma de suas mãos massageava o outro, de forma que Phoebe era apenas suspiros de prazer.
Cansado dos seios, Ethan acariciou a intimidade da morena por cima da calcinha, fazendo-a gemer sofregamente. Os dedos longos invadiram a calcinha da morena, tocando-lhe o ponto de prazer. Phoebe balançou seus quadris, tentando causar mais atrito, porém Ethan parou de tocá-la.
— Pare de mexer seus quadris. – mandou. — Vire-se e fique de quatro.
Phoebe rapidamente o fez, fazendo o sorrir maliciosamente. Adorava o jeito teimoso de Phoebe, mas adorava ainda mais quando ela era submissa a ele quando estavam na cama. Ethan roçou seu membro duro contra a bunda de Phoebe, que suspirou.
— Eu lembro-me de ter prometido que um dia eu iria foder seu rabinho. – sussurrou Ethan ao pé da orelha esquerda de Phoebe. — Talvez mais tarde, quem sabe?
Phoebe ouviu a mão de Ethan estalar contra a sua bunda, ainda coberta pela fina calcinha e mordeu o lábio para não deixar um grito de susto escapar. Sentiu as mãos de Ethan alisar a região que acabara de bater e novamente, veio mais um tapa. A morena deixou um rouco gemido esvair.
— Geme meu nome. – mandou Ethan.
Ele desferiu outro tapa em sua bunda.
— Ethan! – gemeu, sentindo a ardência em seu traseiro.
A ponta dos dedos de Ethan acariciaram a bunda avermelhada de Phoebe. Ele a apertou, ouvindo um resmungo doloroso.
Foi aí que ele desferiu vários tapas seguidos, até arrancar um grito arrastado e longo de Phoebe. A morena apertou os olhos, sentindo as lágrimas correrem por sua bochecha. Ela fungou, chamando a atenção de Ethan, que virou-a e limpou delicadamente as lágrimas da morena com leves beijos por sua bochecha. Ele retirou a venda, vendo os olhos castanhos brilharem de forma diferente.
— Você está bem? – perguntou o homem.
— Só não estou acostumada com surras. – explicou com um sorriso mínimo. — Mas eu não me importo. Foi até que divertido. Estou bem molhada.
Ethan avançou em seus lábios, beijando-os de forma bruta, porém Phoebe correspondeu à altura. As mãos do loiro foram para a costura da calcinha da morena, rasgando-a. O tecido – agora completamente inútil – caiu na cama. Ethan abriu as pernas de Phoebe, beijando o interior das coxas, fazendo-as tremer.
O hálito quente do loiro chocou-se com a parte sensível de Phoebe, que fitava Ethan com expectativa. O homem a fitou, beijando-lhe brevemente em seu ponto de prazer, arrancando um suspiro da morena. A língua do loiro percorreu toda a sua extensão, arrancando gemidos sôfregos e longos da moça.
Ela estava tão molhada e receptiva para ele! Ethan enfiou um dedo, sentindo seu interior se contrair levemente, recepcionando-o. Os gemidos de Phoebe inundavam o ambiente. Era a canção favorita de Ethan, ele tinha certeza. Nenhum som era mais belo do que a jovem gemendo seu nome enquanto ele lhe dava prazer.
— Ethan, eu não irei aguentar por muito tempo. – falou fracamente, vendo Ethan afastar-se.
Apesar de um pouco frustrada por ele não ter ‘terminado o serviço’, acabou sendo recompensada. Ethan retirou sua roupa, olhando sempre nos olhos castanhos de Phoebe. Quando finalmente estava nu, aproximou seu quadril ao de Phoebe, ouvindo-a suspirar.
— O que você quer? – ele perguntou, esfregando lentamente seu membro sobre o clitóris levemente inchado de Phoebe.
— Ethan, por fav-vor. – gaguejou a morena, respirando pesadamente.
— O que você quer? – Ethan posicionou seu membro em sua entrada, roçando-o ali.
— Quero você, Ethan. Foda-me com força.
Ethan sorriu travesso, enfiando seu membro de uma vez na cavidade molhada de Phoebe. Os dois gemeram longamente. Ethan movimentou seu quadril, chocando-o contra o de Phoebe, criando um atrito delicioso, que ecoava pelo ambiente assim como os gemidos do casal. Phoebe cravou suas unhas nos ombros de Ethan, sentindo a plena necessidade de descer suas mãos pelas costas do loiro.
E foi o que ela fez.
Sentiu as cicatrizes em relevo na pele quente do loiro. E sentiu quando Ethan parou de movimentar-se olhando nos olhos de Phoebe. Era um brilho diferente que a morena via ali. Um brilho que ela não sabia identificar o que era.
— Tire as suas mãos daí. – ele mandou, porém a morena insistiu, descendo as mãos até a cintura do loiro, subindo novamente. — Eu não fui claro? – ele apertou seu corpo contra do de Phoebe, fazendo-a arfar. Tire. As. Suas. Mãos. Daí. – falou pausadamente.
— Ethan, e-eu... – antes que ela pudesse continuar, Ethan voltou com seus movimentos rápidos, fazendo-a gemer. As mãos do loiro foram para o pescoço da morena, apartando-o, vendo os olhos da castanha se arregalar ligeiramente. — Ethan... Não... Consigo... Respirar! – ela balbuciou, mas não surtiu muito efeito com o loiro.
Ele chegou ao clímax, derramando-se dentro da morena. O loiro normalizou sua respiração olhando para o rosto de Phoebe. As lágrimas inundavam as bochechas coradas da morena. Ele a fitou tirando rapidamente as mãos do pescoço alvo da moça, vendo na penumbra que estava o quarto, marcas arroxeadas da ponta de seus dedos. Ela tossiu, recobrando o ar.
— Phoebe, me perdoe. – ele pediu.
— Só... Deixe-me sair. – pediu a morena com a voz embargada.
Ethan saiu de cima da morena, vendo-a catar suas roupas – ou o que restou delas – pelo quarto. Ele rapidamente se levantou, segurando o braço da garota.
Assustada, Phoebe fitou os olhos de Ethan, mas nada a assustou mais do que encontrou nos orbes azul-esverdeados: lágrimas. Lágrimas. Elas pareciam contidas, porém algumas escapavam pelos cantos dos olhos, escorrendo lentamente pelas bochechas.
— Ethan...?
Ele a abraçou. Abraçou fortemente, fazendo a morena largar as roupas que segurava para lhe devolver o abraço.
— E-eu me descontrolei. – os soluços faziam o corpo do loiro, vibrar. — Perdoe-me, Phoebe, por favor, não vá embora. Não posso suportar você partindo mais uma vez, e-eu... Eu a amo tanto, Phoebe. – ele dizia de forma embargada contra os cabelos curtos e castanhos de Phoebe. — Eu me sacrificaria por você, faria tudo por você, mas não me deixe de novo, eu não suportaria ficar sem você.
Phoebe alisava os cabelos úmidos de Ethan, sentindo o corpo dele ainda vibrar por conta do choro recente.
— Você é tudo o que eu tenho.
— Shh... Está tudo bem. – ela disse roucamente, sentindo os efeitos do apertão que Ethan dera em seu pescoço. — Só... Só não chore, está bem? Eu não consigo vê-lo assim.
Ela puxou-o para a cama, deitando-se ao lado dele. O loiro abraçou sua cintura, puxando-a para mais perto de si, deixando seu rosto repousar em meio aos fios curtos do cabelo da amada. As mãos de Phoebe alisaram os ombros do loiro, sentindo-o relaxar com seu toque.
— Ethan?
— Sim, ma belle.
— Lembra-se da palestra que você deu no meu colégio?
Ele emitiu um som rouco. Phoebe continuou:
— Você havia dito que sua mãe havia morrido na sua adolescência.
— É mais fácil dizer isso do que falar que a sua mãe se matou após retalhar suas costas. – a garota encolheu-se. — Phoebe? Irá me perdoar? – perguntou o loiro, afastando-se para poder ver os olhos castanhos da moça.
— Apenas irei perdoá-lo se você me perdoar. E quero saber o que o fez descontrolar-se assim.
— Phoebe, eu a perdoo, mas, por favor, não estou pronto para falar sobre isso que você quer saber. Apenas me dê mais tempo, tudo bem?
Phoebe apenas assentiu, fechando seus olhos, tentando acalmar as batidas aceleradas de seu coração. Demorou para dormir, e sabia que Ethan também demorou. A respiração do loiro estava alterada, ainda.
— Eu a amo, Phoebe. – ele sussurrou, beijando os cabelos da morena.
— Eu também. – respondeu a castanha depois de algum tempo, caindo na inconsciência.
*
— Mamãe, mamãe! – Phoebe acordou com Sophie pulando em cima da cama.
A morena esfregou os olhos, tentando compreender onde estava. Olhou para o seu lado da cama vendo-o vazio. Apesar de tudo o que acontecera na noite anterior, sentiu-se frustrada. Queria ter acordado com o loiro ao seu lado.
A morena arregalou os olhos quando o entendimento cruzou seu olhar.
Ainda estava no Quarto Escuro.
Sophie estava no Quarto escuro.
Uma de suas pequenas mãozinhas segurou uma das algemas presas à cama com curiosidade.
— Pulseira? – perguntou.
— É, querida. Mas não mexa nisso. Ela pegou a filha no colo, carregando-a para fora do quarto.
— Dodói?
— A onde, querida?
— Aqui.
Phoebe sentiu os delicados dedinhos apertarem o seu pescoço e fez uma careta. Não queria nem ver como deveria estar seu pescoço. Ou melhor, não deixaria ninguém ver.
— Sophie, você viu o Ethan? – perguntou, olhando para o seu corpo, percebendo somente agora que o loiro a vestira com uma camisa sua.
— Fazendo papá. – a loirinha bateu palmas, animada. Phoebe olhou para as roupas de Sophie com interesse. Sophie não tinha essas roupas. Era um vestidinho azul bebê que realçava seus olhos. Os cabelos loiros e levemente ondulados estavam com uma fita azul da mesma corta que o vestido.
— Quem arrumou você, Sophie? – quis saber a morena.
— Desirée.
Desirée, a empregada francesa que trabalhava ilegalmente no país para Ethan. Seria bonita, se em metade de seu rosto, não tivesse várias cicatrizes. Phoebe franziu o cenho ao olhar para a filha. O perfume que geralmente era característico de sua pequena era diferente. Mais cítrico do que doce.
A morena desceu as escadas, caminhando para a cozinha, sentindo cheiro de ovos, panqueca e alguma coisa queimando...
— Merda! – bradou Ethan, batendo o pano que deixara perto demais do fogo.
— O que é ‘merde’, mamãe? – quis saber Sophie.
— Não é nada, querida. Nem reproduza isso, ok? – Sophie apenas assentiu.
Ethan, ao ouvir Sophie, olhou para a porta, mais rapidamente desviou seu olhar do da morena. Phoebe franziu o cenho. O loiro a estava ignorando? Era isso? Ele não estava em posição nenhuma de ignorá-la, afinal de contas ela havia saído ferida ontem.
Literalmente.
— Bom dia. – disse Phoebe, analisando o loiro, colocando Sophie no chão, que saiu correndo para fora da cozinha.
— Bom dia. – o tom de Ethan era neutro, inexpressível.
— Está tudo bem com você? – a morena perguntou, ouvindo um riso baixo do homem.
— Não era eu que deveria fazer esta pergunta?
Phoebe franziu o cenho novamente.
— Eu me importo com você. – explicou. — Mesmo que você tenha feito algo de errado.
— Eu sei, ma belle. – disse simplesmente, retirando as panelas usadas do fogão e passando seus conteúdos para travessas de vidro. — É quase uma da tarde. Sophie já comeu, e dispensei Desirée depois dela ter arrumado Sophie. Caso queira saber, saí com ela hoje de manhã para comprar essa roupa. E não sei se você vai gostar, mas estamos na primeira página de cada jornal e revista de fofoca.
Phoebe, que beberica o suco que acabara de por, engasgou-se.
— O-o que?
Ethan pegou uma revista de cima da bancada de sua cozinha americana, colocando-a ao lado de Phoebe, que rapidamente a abriu, começando a ler.
“Phoebe Grey ressurgiu dos mortos ao lado de Ethan Wiegraft com uma criança?”
Ela bufou.
“O casal – combinam, não acham? – foi flagrado ontem de mãos dadas com uma pequena e fofa criança. Qualquer um que tenha olhos pode ver que a pequena é idêntica ao dono da Wiegraft Enterprises Holdings. Poderia ser que a doce e queridinha Grey tenha desaparecido do mapa para cuidar de uma criança? E se for esta a história, há quanto tempo existia um relacionamento entre eles?”
— Maravilha. – retrucou Phoebe. — E tem fotos da Sophie.
— Acho que... Eu deveria apresentá-la em uma coletiva de imprensa.
— Está maluco? Eu não quero um mundo assim para a Sophie. De jeito nenhum. Acho que eu não fui bem clara: não.
— Phoebe, ela também é minha filha. E quero que todos saibam.
— Não foi registrada em seu nome.
Os dois se encararam por um tempo. Os olhos de Ethan, que antes não se mantinham na face de Phoebe, assumiram um brilho perigoso.
— Não por muito tempo.
Phoebe engoliu em seco.
— Ah! Sua amiga, Clöe, ligou para o seu telefone, o avião dela chega hoje, às duas da tarde. Você está atrasada. Corra.
Phoebe nem terminou sua comida. Saiu correndo para o andar de cima, mas logo lembrou-se que seu vestido, agora, era trapos. Bufou. Ia sair do quarto quando de canto de olho, viu uma sacola da Dior. Sua curiosidade falou mais alto, e para a sua sorte, suas suspeitas estavam corretas. Havia um vestido preto, justo e comportado, assim como um lenço para o pescoço.
— O maldito pensou em tudo. – murmurou, vestindo a peça. Viu uma calcinha no fundo da sacola, agradecendo mentalmente ao loiro. Amarrou o lenço no pescoço e foi para o banheiro, prendendo a franja de seu cabelo com um grampo que encontrara no fundo da gaveta do banheiro.
Desceu as escadas correndo, pegando Sophie – que brincava com o Patinho – e olhando para Ethan, que já estava vestido.
— Vamos?
*
Phoebe andava de um lado para o outro, esperando Clöe desembarcar. Suas mãos estavam suadas, e frequentemente a morena as enxugava no vestido. Os sapatos que utilizava – os mesmos do dia anterior – machucavam seus pés.
— Phoebe, você vai acabar fazendo um buraco no chão. – disse o loiro, ajeitando Sophie em seu colo.
As pessoas começaram a sair, e Phoebe olhou para elas, atenta. Até que a figura de olhos azuis, cabelos negros com as pontas tingidas de loiro apareceu, arrastando uma mala vermelho sangue, combinando com o vestido.
— Clöe!
A francesa virou-se para a Phoebe, abrindo um sorriso. Ela largou a mala no meio de caminho, correndo para junto de Phoebe. A morena correu, abraçando a amiga com força, sorrindo.
— Chienne (Vadia)! – a morena a balançou, sorrindo largamente. — Você nem me respondeu quando eu telefonei! Eu ouvia a sua respiração, mas nenhuma resposta! – reclamou a morena. — Se você não tivesse vindo, eu iria acabar com você!
— Não fui eu quem atendi o... – a morena perdeu a fala quando olhou para a área de desembarque.
Henry Moreau saia puxando sua mala, usando seu usual terno e gravata. Era nítido que ele chamava a atenção das pessoas do sexo feminino presente. Os cabelos estavam curtos e bem aparados, e como sempre, a barba estava rala.
Phoebe desvencilhou-se do abraço de Clöe, abraçando Henry de forma apertada.
— Senti sua falta, chéri (querida) – murmurou Henry, embrenhando seus dedos nos cabelos de Phoebe.
Ele afastou-se, dando um beijo casto na testa da morena, sorrindo levemente. Henry direcionou seu olhar para um ponto atrás de Phoebe, franzindo o cenho.
Phoebe virou-se, dando de cara com um Ethan espumando de raiva.
“Ótimo, não podia ficar melhor”, pensou Phoebe.
— Où est le petit parrain? (Onde está a pequenina do Padrinho?) – perguntou Henry para Sophie, que estava quase dormindo no ombro de Ethan, portanto, não vira a chegada deles.
A loirinha ergueu rapidamente a cabeça, abrindo um sorriso e gargalhando alto, jogando-se na direção de Henry, que a pegou com cuidado, fazendo cócegas em seu pescoço, intensificando ainda mais as risadas da pequena.
— Sophie, ne sera pas parler à sa marraine? (Sophie, você não vai falar com a sua madrinha?) – Clöe pronunciou-se, pegando Sophie no colo. — Amiga, cadê o feioso de pinto pequeno que você gostava? – perguntou Clöe, que ainda não prestara atenção em Ethan.
Phoebe sentiu sua face esquentar muito. O olhar que Ethan mandou para Phoebe foi no mínimo assassino.
— Clöe, este é Ethan Wiegraft. – disse, apresentando-o.
Clöe o mediu de cima à baixo, boquiaberta.
— Menina! Ele não parece com nada que você disse. Um projeto de deus grego, eu diria! – Phoebe fitou a amiga, sentindo um desejo imenso de esganá-la.
—Vamos?
Os irmãos Moreau saíram na frente, carregando Sophie. Ethan segurou o braço de Phoebe, impedindo-a por um instante.
— Depois eu irei provar que o meu pinto é pequeno.
E dizendo isso, o loiro saiu.
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