50 tons de Verdade
5 4 - Talk?
Notas iniciais
Christian afagava calmamente os cabelos de Sophie, que olhava atentamente para o desenho do Mickey Mouse que passava na televisão gigantesca da sala de vídeo. A loirinha estava com a cabeça apoiada nas coxas do Grey, que olhava para o rostinho corado da pequena com atenção. Apesar dela não ser parecida fisicamente com Phoebe – “maldito Wiegraft!” – ela tinha o jeito da morena. Olhando para Sophie, era possível ver Phoebe.
—Pluto! – disse Sophie, olhando para a televisão com os olhos brilhando.
— Gosta de cachorrinhos, pequena? – perguntou Christian, vendo Sophie fitá-lo com aqueles intensos e ingênuos olhos azul-esverdeados. A pequena assentiu levemente, sentando-se no colo de Christian, apoiando sua cabeça no tronco.
Olhando para a porta, Christian viu a sua Anastasia os encarando com um sorriso nos lábios. Ele a chamou com uma das mãos, e Ana veio rapidamente, sentando-se ao lado do marido. Sophie exibiu um sorriso brilhante para a avó que o retribuiu de igual forma.
— Ela é perfeita. – murmurou Ana assim que percebeu que Sophie estava prestando atenção novamente no desenho. — Não consigo ficar chateada com Phoebe olhando para Sophie.
Christian assentiu, mesmo relutando um pouco. Ele conseguia sim ficar chateado com Phoebe, mas a sua chateação se esvaía no momento em que Sophie o observava com aqueles olhos brilhantes e inocentes.
— Hora de ir para a cama, Sophie! – disse Ana, desligando a televisão no momento em que o desenho terminou.
Sophie cruzou os braços, fazendo um bico enorme. Apesar de estar cansada, não queria dar o braço a torcer. Ana segurou o riso ao ver as expressões de Sophie: era muito similar à de Christian.
— Não! – disse Sophie, empinando o nariz.
Christian franziu o cenho, arqueando uma sobrancelha para a loirinha, que estava olhando para Anastasia ainda emburrada.
— Sophie, você vai dormir e vai dormir agora. – disse Christian de forma autoritária. Sophie se encolheu, fazendo um bico triste, e seus olhinhos se encheram de lágrimas. Phoebe não costumava falar de forma dura com Sophie, apenas quando era necessário, e ser repreendida a deixava envergonhada. — Que tal dormimos juntos? – perguntou Christian para a pequena que apesar das lágrimas inundando seus olhos, sorriu de forma aberta, assentindo.
Christian a pegou no colo, carregando-a para o seu quarto. Ana os seguiu, afagando os cabelos loiros de Sophie. A loirinha já estava com os olhos pesados.
— Christian, quer que eu coloque o pijama na Sophie ou você o faz? – perguntou Ana, olhando atentamente para o marido.
— Eu posso fazer. – decretou.
Tranquilamente, Christian Grey agachou-se – ficando na mesma altura de Sophie – e retirou o casaquinho bege que Sophie vestia, logo em seguida o seu vestido amarelo. Caminhou até a bolsa que Ana carregada para o quarto do casal e tirou uma roupa mais confortável – uma camisolinha – e vestiu a pequena. Ela agarrou novamente o pescoço de Christian, apoiando sua cabeça no ombro do homem.
—Sono. – murmurou a pequenina, sendo erguida por Christian, depositando-a cuidadosamente sobre a cama de casal. Ana saiu do banheiro trajando uma camisola preta curtíssima, que aumentou a libido do Grey consideravelmente. Respirou fundo algumas vezes controlando-se. Olhou para a sua neta, vendo-a piscar lentamente para si.
Christian caminhou até o closet, pegando uma simples calça de moletom e caminhando para o banheiro, a fim de se vestir. Deixou seu dorso nu, caminhando para fora do quarto já vendo as luzes apagadas. Ana estava deitada ao lado de Sophie, acariciando os cabelos loiros. Sophie parecia mais desperta, e assim que viu o avô, sorriu abertamente.
O Grey deitou-se em sua cama, deixando Sophie no meio. A pequena se enroscou em Christian, segurando uma das mãos de Ana. A outra mão da pequenina estava em sua boca, já que Sophie adquirira o habito de chupar o polegar para dormir.
—Fizemos um bom trabalho com a nossa filha, Christian. – começou Anastasia. — Eu consigo ver claramente que fizemos um bom trabalho com Phoebe olhando para Sophie.
Christian encarou Sophie, que olhava para os dois tentando entender o assunto. Ela bocejou, chupando com mais afinco o dedo. Christian afagou levemente uma das bochechas rosadas da pequena, e rapidamente Sophie pegou no sono.
— Fizemos um bom trabalho, Ana. – o Grey falou, fitando os olhos azuis da esposa, que sorriu, entrelaçando uma de suas mãos na do marido.
Aos poucos, o sono foi levando Ana. Christian demorou um pouco mais para dormir. Ele olhou para a mulher de sua vida, e logo depois para Sophie. Beijou a testa da pequena docemente.
— Boa noite, Sophie. – sussurrou, sendo levado pelo sono.
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Já era de manhã, e Phoebe estava sobre o peito de Ethan, descansando. Seus dedos traçavam desenhos imaginários no tórax do loiro, que respirava lentamente, tentando normalizar a sua respiração depois de mais um round de sexo.
— Como ela é? – perguntou, olhando para Phoebe, que apoiou seu queixo no peito de Ethan, a fim de vê-lo melhor. — Como Sophie é?
— Sophie é perfeita, Ethan. – esta era a única palavra que Phoebe poderia utilizar para descrever a filha. — Ela é a sua cara, como percebeu. É bem arrogante também, o que me faz lembrar você.
Ethan franziu o cenho, afagando os cabelos castanhos de Phoebe.
— Então você acha que eu sou arrogante?
Phoebe apoiou-se em um dos cotovelos, enquanto alisava a face um pouco áspera – graças a barba rala – de Ethan.
— Eu não acho isso. – decretou. — Eu tenho certeza!
— Retire o que disse. – resmungou o loiro com um sorriso divertido estampado nos lábios.
— Não! – falou, rindo, rolando para fora da cama e se enrolando no edredom.
Ethan a fitou por alguns instantes, definindo que a cena de sua Phoebe nua, com apenas um edredom enrolado no corpo, os cabelos castanhos um tanto revoltos graças às carícias do loiro e os movimentos mais vigorosos durante o sexo e os lábios levemente avermelhados como uma das cenas mais sensuais que já vira. E ela nem estava se esforçando para isso.
— O que tanto me olha? – perguntou a morena com um sorriso brilhante nos lábios.
— Você é linda.
Phoebe sentiu suas bochechas ficarem rubras, o que arrancou um riso do loiro. Ele havia se esquecido de como ela ficava envergonhada com facilidade. Phoebe deitou-se ao lado do loiro novamente, empertigando-se em seus braços. Parecia que nada havia mudado entre eles durante os anos que passaram afastados, porém Phoebe podia perceber claramente que o loiro parecia muito mais carinhoso com ela. Possivelmente, era um reflexo do tempo em que passaram afastados.
— Você é lindo. – murmurou, sentindo seus olhos um pouco mais pesados. — Quer almoçar na casa dos meus pais hoje?
Ethan arregalou os olhos, piscando-os algumas vezes, repassando esta frase em sua mente, para ter plena certeza de que havia ouvido-a corretamente. Ela realmente acabara de pedir para ele almoçar na casa dos Grey’s?
— Você enlouqueceu? – apesar do tom de acusação, havia ainda um resquício de divertimento. — Seu pai nem sabe sobre nós...
— Ele sabe.
Por um momento, o ambiente ficou em silencio. Ethan empurrou levemente o corpo de Phoebe, a fim de facilitar a visão do rosto de Phoebe, de forma que a morena continuasse em seus braços.
— Como ele sabe? – perguntou em um tom de voz incisivo.
— Eu nem precisei falar, Ethan, eu juro! – explicou-se rapidamente. — Ele me confrontou, e disse que alguém de seu convívio havia falado sobre nós. Eu só confessei.
Os dois franziram o cenho. Quem do convívio de Christian Grey saberia sobre o relacionamento deles? Provavelmente, esta pessoa também estava no convívio com Ethan. Phoebe revistou sua mente, à procura de alguém, mas ninguém apareceu.
— Entendo. – disse Ethan, tentando dissipar o silêncio incômodo entre eles. — E a sua brilhante ideia é que eu vá almoçar com seus pais, como uma família grande e feliz. É isso?
Phoebe o fitou seriamente. Odiava quando Ethan jogava ironias e sarcasmos quando falava com ela, mesmo assim, não demonstrou irritação. Respirou fundo, enrolando um de seus dedos nas pontas levemente cacheadas de seu cabelo.
— Ethan, já que meu pai sabe, não tem o porquê esconder. Eles iriam acabar sabendo de algum jeito. E seria muito melhor se você mostrasse para eles que está disposto por alguma coisa, seja por mim ou por Sophie. – Phoebe conteve o sorriso quando o viu fazer uma leve careta de irritação. O loiro sabia que ela estava certa. — Por favor?
Ethan bufou, e Phoebe enlaçou seu pescoço, distribuindo beijos por toda sua face. Arrancando um riso baixo do loiro.
— Eu ainda não disse nada! – falou Ethan, vendo uma careta surgir no rosto corado de Phoebe.
— Não precisou Ethan, sua atitude já disse que você vai.
— Não me surpreenderia se eu levasse um soco do seu pai.
Um riso divertido esvaiu dos lábios carnudos de Phoebe, chamando mais a atenção de Ethan para si. Será que ela não sabia o quão sexy era naturalmente?
— Ele não vai fazer isso, Ethan. – disse Phoebe. — Bem, eu espero que ele não faça isso. – sorriu. — Que horas são?
— Nove e meia. Tem algum compromisso marcado? – perguntou o loiro, arqueando uma sobrancelha.
— Tenho um compromisso com a nossa filha. – esclareceu a morena. — Ela acorda cedo, deve estar se perguntando onde estou.
— Ela vai ficar bem, Phoebe. Ela não está com seus pais? Por que não chegamos um pouco mais tarde para o almoço? Enquanto isso, podemos aproveitar a banheira, o que acha?
Phoebe sorriu maliciosamente, vendo o seu sorriso ser retribuído de igual forma por Ethan. O loiro levantou-se, chamando a atenção dos olhos de Phoebe para o seu corpo ainda nu. Ele não se dera nem o trabalho de vestir alguma coisa. Ele estendeu a mão para Phoebe assim que deu a volta na cama. A morena a pegou, deixando o edredom cair pelo seu corpo. Não se sentiu envergonhada por seu corpo – afinal de contas, seu corpo era espetacular – como costumava sentir. O olhar de Ethan sobre si a relaxou enquanto o loiro a puxava para o banheiro.
Ele ligou a torneira, vendo a água encher a banheira gradativamente. Sentou-se, puxando Phoebe para o seu colo assim que a água alcançou a metade.
Para Phoebe, a água estava na temperatura certa. Nem muito quente, nem muito fria, porém não estava morna. Estava quentinha, gostosa, ainda mais ali, sentada sobre o colo do loiro, que desligou a torneira para não inundar a peça de mármore revestida com fibra de vidro. Phoebe estremeceu ao sentir um beijo casto em seu ombro esquerdo. Encostou sua cabeça no peito do loiro, respirando fundo.
— Devo admitir que não faço ideia do que estou fazendo? – começou Ethan, chamando a atenção de Phoebe. — Quero dizer, não sei o que vou falar para o seu pai, ou algo do tipo...
— Ethan Wiegraft, está com medo de Christian Grey? – Phoebe perguntou aos risos, e olhando de rabo de olho, viu o loiro exibir uma carranca.
— Phoebe Grey, não zombe de mim! O que vou dizer para ele? – perguntou de forma retórica. — “Ah, olá senhor Grey. Olha, eu sei que você deve estar puto da vida comigo, já que Phoebe era minha submissa e por que eu sou a principal causa da partida dela. Fora o fato de que deixei uma filha para Phoebe. Mas como anda os negócios?”
Phoebe explodiu em uma gargalhada. Ethan fizera uma voz mais grave e comportada para falar, o que a fez se dobrar de tanto rir. Ethan riu baixo, puxando a cintura da morena contra o seu corpo, enquanto Phoebe lutava para conseguir normalizar a sua respiração.
— Não diga que eu era a sua submissa! – pediu Phoebe. — Ele não sabe disso.
— Finalmente uma notícia boa. – resmungou Ethan, sentindo Phoebe tocar suas coxas com as mãos. — Phoebe...
— Ok, me desculpe! – pediu. — Mesmo se eu quisesse, eu não poderia. Estou dolorida demais para isso. Fazia muito tempo que eu não fazia sexo.
— Você não sabe o quão feliz eu fico com esta notícia. – retrucou, sentindo as mãos de Phoebe brincar com suas mãos. — Tinha amigos lá?
Phoebe assentiu.
— Henry e Clöe Moreau eram os meus melhores amigos. Tanto, que são padrinhos da Sophie. – explicou. — Henry é meu chefe no escritório de advocacia que lhe pertence. Clöe cursa advocacia também, mas trabalha como secretária, assim como eu.
— Hm.
Durante o restante do tempo, o casal permaneceu em silêncio. Ethan teve seus cabelos lavados cuidadosamente pela morena, que logo em seguida sentiu seus cabelos serem massageados com as mãos de Ethan cheias de xampu. Ficaram apenas aproveitando a sensação prazerosa da proximidade. Saíram da banheira assim que terminaram, e por incrível que pareça, não tiveram nada realmente quente dentro da peça de mármore.
Phoebe vestiu o mesmo vestido do dia anterior, praguejando. Não poderia ir almoçar com seus pais com o mesmo vestido. O que eles pensariam? Iriam saber que Phoebe mentira para eles novamente para fazer alguma coisa. Atitude nada madura da morena.
— Ethan, eu preciso comprar algumas roupas. – murmurou Phoebe, observando o loiro que estava apenas com o dorso nu. Visão tentadora. — Minhas roupas estão na casa de Jeremy, e não posso passar lá agora. Poderia me levar a qualquer loja de roupas femininas?
O loiro apenas assentiu, lembrando-se de quem era Jeremy. O melhor amigo íntimo da sua Phoebe.
— Obrigada. – agradeceu a morena, beijando os lábios finos de Ethan.
Saíram de casa sem tomarem café. Mesmo com a insistência de Ethan, Phoebe alegou não estar com fome, e que em poucos minutos, estariam na casa de seus pais, e poderiam comer. Como pedido, Ethan parou em alguma loja de vestidos.
— Pegue. – disse Ethan, entregando um cartão de crédito antes de Phoebe sair do carro.
— Não preciso disso, Ethan. – disse Phoebe, fitando seus olhos. Não sabia definir o que Ethan transmitia através deles.
— Phoebe, eu não quero ficar mais nervoso do que já estou. Apenas aceite. – Phoebe bufou, pegando o cartão das mãos do loiro. — E não adianta me enganar, eu recebo uma mensagem sempre que alguém o utiliza! – gritou um pouco mais alto para que Phoebe, que acabara de sair do carro, ouvisse.
Phoebe não demorou mais do que cinco minutos. Ethan recebeu a tal mensagem e Phoebe logo saiu com duas sacolas de roupa nas mãos.
— Irei me trocar no banco de trás, ok? – disse a morena, entrando pela porta de trás. — Não olhe!
— Não é como se eu nunca tivesse visto você sem roupas, não é ma belle?
Phoebe ficou estática por alguns segundos. Seu corpo inteiro tremeu ao ouvir o apelido carinhoso. Sorriu largamente, fazendo o cenho de Ethan se franzir com tal atitude da morena.
— O que foi? – quis saber o loiro.
— Nada, eu só gosto deste apelido. Fazia tempo que eu não o escutava. – explicou, tirando o vestido. Por sorte, os vidros do mais novo Maserati de Ethan, tinham uma película escura, portanto ninguém conseguia ver o que se passava ali dentro.
Ethan conduziu o carro pelas avenidas, e sempre que podia, olhava para o banco de trás pelo retrovisor. Phoebe estava sem sutiã, pegando um vestido creme de dentro das sacolas. Seus seios fartos balançavam levemente por conta do carro, e Ethan não pode evitar a ereção pujante que se formava entre suas pernas. Praguejou quando a morena conseguiu se vestir, lamentando não ter mais a bela paisagem.
Quando Ethan virou na rua da casa da morena, viu Phoebe engolir em seco.
— Oh, não. – murmurou Phoebe assim que o carro parou.
— O que foi?
— Teddy está aqui. – explicou Phoebe, apontando para o carro.
Logicamente, ele tivera alta. Phoebe desceu do carro, acompanhada de Ethan. A mão esquerda do loiro entrelaçou a mão direita de Phoebe, que caminhou lentamente até a porta. Tocou a campainha, esperando calmamente.
Quase caiu para trás quando seu pai abriu a porta, e em uma fração de segundos, deu um soco no rosto do loiro.
— Pai! – gritou Phoebe, chamando a atenção dos outros que estavam na casa. Ana apareceu com Georgia – que carregava Sophie – e Teddy, logo atrás de Christian. — Vem, eu te ajudo a levantar.
— Bom dia para o senhor também, Grey. – falou Ethan, massageando o maxilar assim que Phoebe o ajudou a se levantar.
— Phoebe, que palhaçada é essa? – bradou Christian.
— Mamãe! – Sophie gritou, esticando seus bracinhos na direção de Phoebe, que prontamente caminhou até ela e a pegou no colo.
— Pai, eu só juntei o útil ao agradável. Ethan queria conhecê-la, e vocês não o conhecem de verdade, então o convidei para o almoço. – esclareceu Phoebe.
— Espero que não esteja achando que esta parte é o agradável. – retrucou Teddy.
Phoebe entrou, sendo seguida de perto por Ethan. Christian fitava-o tão intensamente, que Ethan resmungou algo como ‘tem tesão reprimido por mim’, para apenas Phoebe escutá-lo.
Sophie, que estava no colo de Phoebe, olhava Ethan com seus olhinhos azul-esverdeados arregalados. Parecia, assim como todos, perceber as semelhanças entre eles. Os cabelos loiros, os olhos claros e a pele clara. Fora os traços finos do rosto.
— Gostou dele, Sophie? – perguntou Phoebe, recebendo como resposta um sorriso genuíno. — Por que não vai no colo dele?
Sophie jogou-se no colo de Ethan, que teve certa dificuldade para segurá-la no início, mas logo pegou o jeito, apoiando-a em um dos braços, enquanto o outro alisava suas costas gentilmente.
Um silêncio desconfortável pairou sobre eles. Phoebe recebia olhares atravessados de seu pai, que intercalava com olhares raivosos para Ethan. A maçã esquerda de seu rosto estava levemente roxa, já que fora ali que Christian o acertara com um soco.
— Você foi procurá-lo, Phoebe? – perguntou Christian, respirando pesadamente.
— Eu disse que iria conversar com ele.
E novamente o silêncio reinou. Grande parte dos olhares era direcionados a Ethan, que estava ocupado demais olhando para a pequena Sophie, que mexia nos cabelos curtos de sua nuca para revidar os olhares hostis.
—Wiegraft, eu quero conversar com você.
Phoebe virou-se em direção a voz, arregalando os olhos. Ela não era a única que estava espantada.
E não, não era Christian.
Anastasia caminhou até a porta que dava para o jardim, fitando o loiro. Ethan pareceu confuso, mas assim que entendeu, colocou Sophie no chão, seguindo Anastasia para fora da sala.
— Você também, Christian.
Christian começou a caminhar em direção a Anastasia e Ethan. Phoebe sentiu seu sangue gelar nas veias. Queria muito ser um mosquito para poder escutar a conversa de seus pais com o homem de sua vida.
— Mamãe! – falou Sophie, puxando a barra do vestido creme de Phoebe. — Colo. – pediu. Logo Phoebe se abaixou e a segurou.
As feições de Ethan eram indecifráveis. Ele estava com o cenho franzido, e algumas vezes um sorrisinho surgia em seus lábios finos. Parecia concentrado demais na conversa com Anastasia, o que deixava Phoebe extremamente curiosa. Do que eles estavam conversando? Phoebe até teria uma ideia do assunto se quem estivesse falando realmente fosse seu pai, mas sua mãe?
— O que eles tanto falam? – perguntou Teddy, olhando para o seu relógio de pulso. Eles estavam conversando a mais de dez minutos.
— Minha bola de cristal não está funcionando no momento, Theodore. – ironizou Phoebe, embalando Sophie, que começava a dormir em seus braços. — Mamãe é completamente imprevisível.
Depositou calmamente Sophie sobre o sofá assim que ouviu o seu celular tocar. Caminhou para o andar de cima, destravando o celular e atendendo-o.
— Alô? – perguntou, enquanto caminhava para o seu quarto. O número era restrito, portanto a morena não fazia ideia de quem estava ligando.
— Phoebe? – Phoebe sentiu seu peito se inflar de felicidade.
— Clöe!
— Phoebe Steele, eu irei arrancar seus cabelos! – bradou Clöe Moreau pelo telefone — Tem noção do quão preocupada eu estou? Você me enviou uma mensagem ontem, mas eu queria realmente matá-la.
— Perdoe-me, Clöe, eu estou em Seattle, na casa dos meus pais.
— Por favor, me diga que você não foi encontrar o loiro de pinto pequeno.
Phoebe engasgou com uma risada. Clöe sempre falava isso de Ethan, já que logo que a morena chegou e começou a trabalhar no escritório de Henry, contou suas mágoas para Clöe. E por pura raiva, falara que Ethan não tinha dote nenhum. Desde então, Clöe o chamava de ‘loiro de pinto pequeno’.
— Clöe, você precisa entender que...
— Eu não vou entender nada! Você dormiu com ele, não foi?
— Clöe...
— Eu sabia! Você finalmente saiu da seca, não é? Tava precisando. Não sei se Henry vai gostar disso...
— Clöe...
— Este loiro de pinto pequeno ficou com uma velha, Phoebe! Uma velha!
— Clöe! – gritou a morena. — Ele já me explicou tudo, Clöe. Foi um engano.
— E você acreditou, não é? Vou ir para Seattle. Busque-me no aeroporto.
Dito isso, Clöe desligou o telefone, sem nem ao menos se despedir. Phoebe bufou. Estava mesmo precisando de mais um problema para resolver.
— Phoe? – a morena se virou, deparando-se com Georgia, escorada no batente da porta.
— Sim?
— Como é ter um filho? – perguntou.
Phoebe franziu o cenho por um momento, encarando a ruiva. Ela estava com as mãos pousadas sobre o ventre com um sorrisinho no rosto. A morena não pode deixar de sorrir. Ela já agia como uma mãe.
— É mágico, se quer saber. – começou, caminhando para a sua cama, sentando-se nela. — É um sentimento único de dependência. Eu achava que era a minha filha que dependia de mim, mas agora eu dependo mais dela do que ela de mim. Preciso dela. É uma necessidade.
Phoebe olha pela janela que dá para os jardins, vendo as feições severas de Christian, praticamente fuzilando Ethan com os olhos. Ana está calma, e parece tentar irradiar isso para os dois, já Ethan tenta a todo custo não revidar os olhares hostis do Grey.
Ana levanta-se, caminhando para o fora dos jardins, deixando Christian e Ethan sozinhos. Phoebe arregala os olhos.
— Eles vão se matar. – sussurrou a morena, observando.
— Eles quem? – perguntou Georgia, caminhando para a janela. — Oh, eles vão se matar.
Phoebe deixou um risinho nasalado escapar, caminhando para o andar de baixo, vendo a sua mãe conversar com Theodore.
— Mãe! O que disse para ele? – perguntou a morena, olhando de relance para o sofá, vendo Sophie ainda dormindo.
— Nada, querida. Só deixei algumas coisas esclarecidas.
— Está me dizendo que eu não vou saber o que vocês conversaram com o pai da minha filha? – Ana apenas sorriu de forma gentil, fazendo a garota bufar. — Que absurdo!
— Se quiséssemos você na conversa, meu amor, teríamos chamado você. – explicou Ana.
— Ai. – disse Teddy, dobrando-se, com uma das mãos no estômago.
— O que foi, Teddy? – perguntou Ana, preocupada, já que Teddy acabara de sair do hospital.
— Esta patada que você deu na Phoebe doeu até em mim, mamãe. – explicou, rindo quando viu a morena revirar os olhos.
— Por que não vai lá em cima com Georgia? Talvez de tempo para vocês...
— Chega vocês dois! – disse Ana, olhando para o sofá.
Sophie estava sentadinha, com seus cabelos um pouco revoltados, olhando para a sua mãe com um sorriso lindo nos lábios. Teddy encarou a sobrinha por alguns segundos. Sophie desviou seus olhinhos azul-esverdeados brilhantes, fitando Teddy. Seu sorriso pareceu se alargar.
— Por que ela está sorrindo para mim? – perguntou Teddy, franzindo o cenho.
— Por que ela gostou de você, idiota. – explicou Phoebe, caminhando para o sofá, pegando Sophie em seus braços, carregando-a até onde Teddy estava.
Hesitante, Teddy a chamou para o seu colo, e Sophie jogou-se em direção o tio. A loirinha aninhou-se em seu colo, olhando para os jardins.
— Vovô! – chamou alto. Phoebe viu, por um segundo, Christian perder a concentração de sua conversa, olhando para Sophie, que acenava para ele. Ele apenas sorriu para a loirinha, que fez um bico.
— Vovô está conversando, querida. – explicou Phoebe, vendo a filha apoiar sua cabeça no ombro de Teddy. — Ele está tendo uma conversa bem séria com Ethan.
— Não está mais. – disse Christian, entrando pela porta de vidro dos fundos. Os olhos de todos estavam arregalados, já que Ethan estava ao seu lado, mas nenhum deles exibia um olhar matador para o outro.
— Pai, você drogou ele?- perguntou Phoebe, caminhando até Ethan, olhando para as pupilas do loiro, que sorriu fracamente.
— Não delire, Phoebe. Apenas conversamos. – esclareceu Christian, pegando Sophie do colo de Teddy, que pareceu ligeiramente contrariado.
Nesse momento, Georgia desceu as escadas, caminhando para perto do noivo, que a abraçou pela cintura, afagando gentilmente a barriga da garota.
— Ethan e Mia estarão para o jantar. Acho que Sophie vai gostar de brincar com Declan, já que ele é apenas um ano mais velho que a sua pequena, Phoebe. – disse Ana.
Ethan fez uma careta.
— Eu o quero a metros de distância da minha filha. – resmungou.
— Ethan! Ele é apenas uma criança!
— Uma criança que cresce, assim como Sophie. Não quero ele perto dela.
A campainha soou, e todos olharam para a porta. Teddy caminhou a passos rápidos até a porta, abrindo-a.
— Teddy, meu sobrinho favorito filho do Christian! – disse Mia, abraçando-o forte. Theodore reprimiu uma careta de dor, mas sorriu para a tia. — Quando teve alta, querido?
— Hoje mesmo, tia.
— Que bom! E como está a minha família...
Mia parou no momento em que seus olhos se fixaram em Phoebe. Ela piscou algumas vezes, confusa, olhando para a sobrinha. Ethan Kavanagh apenas observou a cena, com o pequeno Declan no colo. Declan fixou seus olhos em Sophie, e sorriu de forma genuína, fazendo a pequena corar – o que causou um leve riso em todos – e Ethan Wiegraft bufar.
— Phoebe Grey! – bradou Mia. — Onde raios você se meteu? Por que não me ligou? Por que foi embora?
— Tia, são muitas perguntas... – Phoebe não teve tempo de terminar sua frase, pois estava sendo asfixiada com um abraço. — Não... Consigo... Respirar...!
— Como eu senti sua falta, moreninha! Fazer compras no shopping não foi mas a mesma coisa sem jogar você para os atendentes gatos das lojas!
Sophie sentiu seu rosto esquentar assim que Mia afrouxou o abraço. Ethan a olhou de forma séria, o que a fez congelar na base.
— Tia, eu tive uma filha. – ela disse, apontando para a criança no colo de Christian. — Sophie, esta é a tia Mia. Tia, esta é Sophie, minha filha e de Ethan. – explicou.
— Ah, eu me lembro de você! – disse Mia, entusiasmada. — Você estava no almoço entre empresários na casa do meu pai a alguns poucos anos atrás, certo?
Ethan apenas assentiu.
— E eu joguei Phoebe para cima de você. Olha no que deu! Uma menininha linda! Agradeça-me, querida. – disse Mia para Phoebe, ignorando completamente o olhar raivoso de Christian.
— Bem, o que tem para comer?
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Após o almoço – que saiu um pouco mais tarde do que o de costume – todos se acomodaram na sala. Exceto por Phoebe, Ethan e Sophie, que estavam no jardim. Ethan andava ao lado de Phoebe, que observava a filha a alguns passos a frente, correndo.
— Só para constar, é assustador estar aqui. – disse Ethan, fazendo Phoebe rir.
— Ethan, você é um homem ou um frango? – perguntou a morena, vendo os olhos castanho-esverdeados de Ethan brilharem de forma perigosa.
— Repita isso apenas mais uma vez. – pediu o loiro, cerrando os olhos.
— Você é um homem ou um frango? – repetiu a morena, arqueando uma sobrancelha.
— Espere só até chegarmos ao meu apartamento. Mostrarei o homem que sou. – disse de forma séria, o que fez o corpo todo de Phoebe tremer.
— Mamãe! – chamou Sophie, com as mãozinhas fechadas em forma de concha. — Eu peguei uma borboleta! – falou, olhando para a mãe e para Ethan com um sorriso largo nos lábios.
— Querida, deixa o bichinho voar! – pediu Phoebe.
— Mas...
— Nada demais. – falou autoritária, e um bico gigante surgiu nos lábios de Sophie. — Ela ajuda a ter mais flores no jardim, sabia? Deixe-a voar, Soph.
Sophie abriu as mãozinhas, e realmente uma borboletinha amarela saiu voando. Sophie franziu o cenho, ainda chateada por ter de libertar a pobre borboleta.
— Ei, pequena. – chamou Ethan, agachando-se, ficando alguns centímetros mais alto que Sophie. — Você gostaria de ter um pai?
Phoebe quase caiu para trás com a abordagem de Ethan. Ela esperava introduzir Ethan aos poucos na vida de sua pequena, e não apresentá-lo como pai logo de cara. A morena arregalou os olhos, apertando levemente o ombro de Ethan, mas o loiro pareceu não perceber, e se percebeu, ignorou a atitude de Phoebe completamente.
— Não tenho pai. – choramingou a pequenina.
— Mas você gostaria de um? – perguntou Ethan, afagando a bochecha esquerda de Sophie.
— Sim! Uma amiguinha minha tem um papai, e diz que ele a leva para tomar ‘sovete’! – disse de forma animada. — Tio Jeremy me levou para tomar ‘sovete’.
— A é? – disse Ethan, arqueando uma sobrancelha. — Que legal!
— Mamãe disse que eu não preciso de um papai. Ela diz que ele é bobo demais.
— Ela disse? – perguntou Ethan, olhando de relance para Phoebe. — Tenho certeza que ela deve ter mudado de ideia.
— Mudou? – perguntou Sophie confusa, olhando para a mãe.
— Eu mudei, querida. – falou Phoebe, alisando os cabelos de Sophie. — Quer conhecer o seu pai? – Sophie assentiu de forma brusca, mas isso não a deixava menos fofa. — Um dia a mamãe te apresenta para ele, tudo bem? Mas saiba que ele está mais próximo do que imagina.
— É o tio Henry? – perguntou.
— Quem é o tio Henry? – quis saber Ethan, olhando para Sophie com um sorriso falso, mas logicamente, a loirinha não percebeu.
— Amigo da mamãe.
— Entendo. Soph, que tal eu levá-la para tomar sorvete em um parque? Vamos você, a mamãe e eu, que tal?
— Que nem um papai faria comigo? – perguntou Sophie com os olhos brilhando de expectativa.
— Sim, que nem um papai faria com você.
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