50 tons de Verdade
4 3 - Reconciliation?
Notas iniciais
— Phoebe, eu serei bem direto com você: quem é o pai da Sophie?
Phoebe engoliu em seco, sentindo seu coração pulsar mais rápido contra o peito. Olhou de relance para o jardim e desejou profundamente que Sophie estivesse em seus braços. Precisava de algum tipo de conforte, e com certeza não o estava tendo com Christian.
— Pai, foi um caso de uma vez, nem se quer lembro o nome do rapaz. – mentiu Phoebe, olhando para as mãos, claramente nervosa.
— Eu não acredito em você. – silabou Christian, colérico. — Não me faça de idiota! – bradou ligeiramente alterado. — Eu sei que você saía com alguém há dois anos trás. E por pura “coincidência” era no mesmo prédio de Ethan Wiegraft.
Aquilo pegou Phoebe de surpresa. Então ele sabia que ela andava vendo Ethan? O sangue da moça gelou em suas veias.
— E não tentou me impedir?
— Eu só descobri isso depois de você ter partido, quando uma conhecida minha apareceu e informou-me que a vira sair algumas vezes do prédio. – o olhar raivoso de Christian não abandonou sua face por um segundo se quer. — JUSTO ELE, PHOEBE? TANTOS PARA VOCÊ PODER NAMORAR E VOCÊ FOI AO PIOR DELES?!
— DESCULPA, MAS EU NÃO ESCOLHI ME APAIXONAR POR ELE! – gritou Phoebe irritada. Ela olhou de relance para o jardim e viu Sophie olha-la de forma chorosa. — Vamos conversar em seu escritório, Christian.
Subitamente os dois se levantaram e caminharam para o segundo andar, indo para o escritório que Phoebe tanto conhecia, afinal de contas, era ali que seu pai costumava chamá-la para “conversar”.
—Você admiti que estava vendo Ethan Wiegraft? – perguntou Christian, andando pela sala como um felino enraivecido.
— Chega de mentiras. – decretou Phoebe, dizendo para si mesma. — Eu o estava vendo sim, por que me apaixonei por ele.
— VOCÊ NÃO O CONHECE DE VERDADE! – gritou Christian, bagunçando seus cabelos acobreados quando suas mãos passaram por ele.
— E VOCÊ O CONHECE COMO? — Phoebe amaldiçoou-se por estar gritando. Era a última coisa que queria fazer: gritar. Respirou fundo, sentando-se em uma poltrona, encarando seu pai que estava de pé à sua frente. — Olha, eu posso dizer que o conheço melhor do que imagina. – suspirou, balançando levemente sua cabeça. — Devo admitir que o que eu fiz foi errado. – a garota ouviu Christian bufar.
— Errado? – ele parecia se controlar muito para não gritar. — Você praticamente me apunhalou pelas costas!
Phoebe abaixou a cabeça, olhando para os seus pés. Apesar de achar seu pai um pouco teatral demais, sabia que ele estava certo: estar com Ethan era apunhalá-lo pelas costas. A morena ergueu seu olhar novamente para Christian, mas desta vez, seus olhos estavam banhados por um mar de lágrimas salgadas.
— Tem razão. – disse baixo, pegando Christian de surpresa. Ele esperava que Phoebe gritasse ou falasse tudo àquilo que, em sua concepção, estava errado. — Eu não deveria ter saído com Ethan desde o começo. – decretou. — Mas o coração não escolhe quem amar, não é? – ela fungou, limpando as lágrimas. — Ele simplesmente ama mesmo a pessoa tendo vários defeitos.
Por um momento, a sala ficou em silencio. Phoebe abaixou novamente sua fronte, vendo Christian se aproximar ainda mais dela. Ele se agachou, olhando diretamente para os olhos castanhos da filha.
— Você me feriu, Phoebe. – ele disse com a voz carregada de amargura. — Feriu-me de uma forma que eu jamais esperaria de você. – ele falou baixo, conseguindo abrandar sua voz. — Você ter nos deixado foi extremamente apavorante. – disse, sentindo uma súbita vontade de enxugar as lágrimas que escorriam pelos cantos dos olhos de sua filha. — Ficamos no escuro, não sabendo onde caralhos você havia se metido.
Phoebe não pode deixar de surpreender-se com o palavreado de seu pai, mas nada disse, olhando atentamente para aqueles olhos cinzentos que tanto amava.
— Depois que esta conhecida avisou-me sobre as suas saídas para encontrar com certo homem, eu comecei a investigar, e de fato, você estava saindo com Ethan Wiegraft. – ele falou, respirando fundo. — Uma parte estúpida do meu cérebro não queria acreditar. Meu maior concorrente saindo com a minha filha de dezessete anos? Eu queria matá-lo. – falou, travando o maxilar de raiva. — Mas não pude confrontá-lo. Ele parecia perdido também.
— Eu não tenho mais dezessete anos! – falou alterada, levantando-se do sofá. — Eu tenho vinte anos!
— E daí? –perguntou o Grey, olhando severamente para Phoebe. Odiava quando Phoebe alterava seu tom de voz com ele. — Você tinha apenas dezessete anos na época. Sabe como isso seria ruim para a imagem dos Grey’s?
Phoebe não aguentou e gargalhou de forma sarcástica.
— FODA-SE A IMAGEM DOS GREY’S! – bradou. — ODEIO VIVER SOBRE A SOMBRA DESTE SOBRENOME, FAZER TUDO CERTINHO POR CAUSA DESTE SOBRENOME. EU NÃO DESEJEI ESTA VIDA!
— Que tipo de vida você desejou? – perguntou Christian, surpreendendo Phoebe por não gritar com a morena. — Engravidar na adolescência? Por que se foi isso, parabéns, seu desejo de vida foi realizado.
Phoebe não acreditava nas palavras que estava ouvindo. Começou a caminhar em direção a porta do escritório, porém Christian segurou seu braço, fitando os olhos de sua filha.
— Eu tentei te dar tudo do melhor, Phoebe. – ele começou. — Desde que você era pequena, eu te dei tudo! – ele afrouxou o toque firme no braço de Phoebe, guiando sua mão para o ombro da garota. — E... É difícil para eu ver que a minha garotinha, agora, não é mais aquela garotinha. Ela cresceu, e se tornou uma mulher linda.
Phoebe fitava Christian, intrigada para saber aonde ele chegaria com aquela conversa. Não podia negar: estava feliz por ouvir aquilo da boca de seu pai.
— Mas o que me deixa puto é o fato de que ela não confiou em mim para confidenciar seus segredos. Phoebe, você achou que renegaríamos você? – ele perguntou, olhando intrigado para a morena. — Lógico, discutiríamos, mas jamais desampararíamos você.
Phoebe sentiu seu corpo vibrar de culpa, e soluços chorosos começaram a sair de sua garganta. Em um movimento rápido, Christian a puxou para seus braços, a abraçando firmemente.
— Eu jamais deixaria de cuidar daqueles que amo.
Christian afagou os cabelos de Phoebe enquanto a morena encharcava sua camisa social – obviamente de grife – com suas lágrimas. Aos poucos, naturalmente, o choro foi cessando, e Phoebe apenas ficou abraçada ao seu pai. Sentia falta daquele perfume amadeirado que ele possuía, e sentia falta da forma única na qual ele a tratava.
— Papai... – começou Phoebe, observando o semblante do pai. — Não fale nada disso com ninguém, tudo bem? Eu preciso falar com Ethan antes.
Christian fez uma careta, desviando seus olhos dos da morena.
—Tudo bem – falou, derrotado –, mas eu ainda quero conversar com ele.
Phoebe gemeu baixo. Pior do que seu pai conversar com ela é seu pai conversar com Ethan. Ele, com toda certeza do mundo, não seria muito amistoso.
— Deixe-me falar com ele antes. – pediu a castanha de forma baixa.
A maçaneta da porta girou, mas sem conseguir abri-la, já que a porta estava trancada. Um choro agudo se ouviu, e Phoebe caminhou a passos rápidos para a porta, abrindo-a logo após destrancá-la e pegando Sophie em seu colo. Assim como a morena, Sophie ficava com a ponta de seu nariz vermelho quando chorava.
— Shh.O que foi, princesa? – perguntou Phoebe, afagando os cabelos loiros de Sophie. — Está tudo bem, meu amor, a mamãe está aqui.
Sophie aninhou-se no colo da mãe, olhando para Christian com aqueles grandes olhos azul-esverdeados. O Grey não conseguiu conter um sorriso quando viu sua pequena netinha sorrindo para ele de forma inocente e gentil.
— Phoebe, onde você passou todo este tempo? – perguntou Christian, achegando-se para perto da filha, alisando os cabelos loiros de sua neta. — Eu gastei uma pequena fortuna com detetives particulares na Europa.
— Eu estava em Quebec, Canadá.
— Então minha neta já é bilíngue? – perguntou, vendo Phoebe assentir levemente. Com apenas dois aninhos, Sophie já conseguia entender o francês – graças à escolinha na qual frequentava – e o inglês, graças a sua mãe. — Salut, Sophie (Oi, Sophie).
— Salut, grand-père. (Oi, vovô) – respondeu a pequena timidamente.
Phoebe olhou para a porta, vendo Anastasia encostada no batente, olhando atentamente para a cena que presenciava. Certamente não imaginava que veria seu marido tão dado a uma pessoa tão rápido. Está certo que era sua neta, mas imaginou que seriam necessários mais esforços da pequena Sophie para conseguir o amor de Christian.
— Elliot e Kate chegaram com os gêmeos e Ava. – Phoebe olhou para a mãe com um sorriso largo. Sentia falta de seus primos.
Entregou Sophie para o pai e saiu correndo para o andar de baixo. Assim que chegou ao último degrau, viu os olhos arregalados de seus tios e primos para a garota, que só conseguia sorrir. O primeiro a conseguir se mover foi Charlie Kavanagh Grey, um dos gêmeos. Ele caminhou até a morena, abraçando-a fortemente.
— Por onde você se meteu? – perguntou em um sussurro, porém mais duas pessoas abraçaram Phoebe e Charlie.
Phoebe não pode deixar de alargar o sorriso quando sentiu o cheiro de amora, um perfume que apenas Allison, sua prima, irmã gêmea de Charlie utilizava. A segunda não foi difícil de descobrir quem era, já que a chamou de Phobs. Só Ava Kavanagh Grey a chamava assim.
Quando finalmente conseguiu desvencilhar-se do abraço, correu para seus tios, os abraçando forte, sentindo-se novamente com dezessete anos, quando sorria sempre e estava rodeada por sua família.
— Phoebe, você está tão crescida! – disse Elliot com os olhos marejados. Assim como os outros, Elliot pensava que jamais veria sua sobrinha novamente.
— É uma verdadeira mulher. – disse Kate, limpando discretamente uma lágrima, fazendo a morena revirar os olhos.
— Até parece que eu ressurgi dos mortos. – murmurou.
— Mas você realmente ressurgiu dos mortos, garota. – disse Allison, olhando para a prima apenas um mês mais nova.
— Chegaram cedo! – disse Anastasia ao pé da escada, acompanhada de Christian, que carregava Sophie. A pequenina ressonava em seus braços.
Todos franziram o cenho para a criança no colo de Christian, esperando que alguém se pronunciasse à respeito da criança. Christian mandou um olhar calmo para Phoebe, que suspirou, olhando para seus familiares.
— Aquela criança é minha filha. – disse Phoebe, vendo os olhos de seus familiares se arregalarem com a confissão. A morena apenas deu de ombros, pegando sua pequena dos braços de seu pai, vendo Sophie entrelaçar suas mãozinhas em seu pescoço.
— Você tem uma filha? – perguntou Charlie, serrando os punhos. Assim como Teddy e Jeremy, Charlie sempre foi muito ciumento. Muito mais ciumento que os outros dois citados acima, e possivelmente a menção de uma criança como filha de Phoebe o deixara irritado. Charlie não gostava da ideia de que um homem a tivesse engravidado.
— Sim, Charlie, eu tenho. – ela se aproximou, exibindo para os familiares o rostinho de Sophie, que estava emoldurado por seus cabelos loiros, ondulados. — Ela não é linda? – perguntou.
— Não se parece com você. – resmungou Charlie, levando um tapa na nuca dado por Allison. — Ai! – gemeu. — Ela é linda. – resmungou, massageando a nuca, olhando sério para Allison, que sorria abertamente.
— É linda, Phoebe! Pelo menos, agora, eu não sou a única loira da família! – disse Kate, afagando gentilmente uma das bochechas rosadas de Sophie.
— Vou colocá-la na cama. – avisou, subindo as escadas e caminhando para o seu antigo quarto.
Abriu-o com cuidado, assustando-se com o que encontrara. Seu cômodo estava exatamente igual, quando o deixara há mais de dois anos. O vestido de formatura continuava pendurado, e sua colcha desarrumada. Estava intocado.
Colocou Sophie no meio do colchão, colocando alguns travesseiros nas laterais, impedindo que a pequena rolasse e acabasse caindo da cama. Beijou o topo de sua cabeça, deixando a porta aberta, caso Sophie acordasse e chamasse por seu nome.
Desceu alguns degraus, ouvindo murmúrios baixos da família.
—... Phoebe é nova demais para ser mãe, não acha? – Phoebe parou, escutando a voz de Grace. Provavelmente, ela acabara de chegar e alguém já estava lhe contando as boas novas.
— O que pretende fazer? – perguntou Carrick, olhando para Christian, que por sua vez, respirava fundo.
— Não sei. Não cabe a eu decidir o que fazer. – Phoebe sorriu de lado. — Ela criou a filha por dois anos sozinha. Não vou interferir em absolutamente nada.
Phoebe saiu de seu esconderijo com um sorriso genuíno nos lábios. Olhou para o pai com os olhos transbordantes de agradecimento, e Christian apenas piscou rapidamente com o olho esquerdo para a morena.
— Obrigada, papai. – disse Phoebe. — Eu sei cuidar da minha pequena Sophie. – Phoebe olhou para cada rosto com seriedade. — E eu sou nova demais para ser mãe, mas isso não me impede de cuidar da minha filha, não acha Grace? – perguntou a morena fitando longamente os olhos de sua avó, que estava constrangida com a situação.
— Desculpe-me, querida. – pediu. — Apenas me importo com você.
— Eu sei Grace. – ela suspirou, sorrindo levemente. — Olá, Carrick.
— Ora, minha neta, me chame de “vovô”! – pediu Carrick. — Mesmo achando que você chamando-me de Carrick faz-me sentir mais novo...
Phoebe riu, vendo o clima um tanto tenso que pairava sobre eles dissipar-se.
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— E então, Phoebe? O Canadá é bom de morar? – perguntou Charlie, bebericando a sua taça de vinho enquanto Sophie brincava com as chaves de seu carro no colo do rapaz.
Assim que a loirinha acordou, chamando pela mãe, recebeu toda a atenção do mundo. Era a primeira neta de Christian e Ana, o que já fazia os dois – mesmo que a conhecendo por pouco tempo – ficarem mimando-a. Além disso, era a primeira bisneta. Carrick não queria soltá-la por um segundo, e foi com muita dificuldade que finalmente Charlie conseguira segurá-la.
— Ah, eu não tenho o que reclamar. Trabalho como secretária de um escritório de advocacia. O dono e a irmã do mesmo são meus melhores amigos, e quando Sophie chegou, eles apoiaram-me muito. – falou sorrindo de forma saudosa, lembrando-se deles.
Seus olhos arregalaram-se ligeiramente ao lembrar de que Clöe provavelmente estava colocando a polícia atrás dela, já que nem se quer ligara avisando de sua chegada. Correu para o andar de cima, pegando seu telefona, gemendo de frustração ao ver as quinze mensagens de texto e as vinte chamadas perdidas. A maioria das mensagens eram perguntas de onde ela havia se enfiado, ameaças de morte e xingamentos da parte de Clöe Moreau.
“Eu não morri, estou bem. Voltei para Seattle por alguns dias, por favor, avise Henry para mim, Clöe. –P”.
Enviou a mensagem, jogando o telefone em cima da cama, descendo novamente para o andar de baixo, vendo Charlie olhar de forma emburrada para Allison e Ava, que brincavam com Sophie. A loirinha ria de forma animava, contagiando aqueles que prestavam atenção na pequena.
— Sophie, vem com a mamãe! – chamou Phoebe, agachando-se a alguns poucos metros de distância da pequenina, que ao ouvir o chamado da mãe, correu desengonçadamente para os braços de Phoebe. A morena a encheu de beijos na bochecha, carregando-a em seu colo.
— Por que fez isso, Phoebe? – perguntou Ava, franzindo o cenho.
— Estávamos brincando com ela! – retrucou Allison, afagando os cabelos loiros de Sophie.
— Minha vez de ficar com a minha filha no colo. – falou Phoebe sorrindo abertamente para as duas, que resmungaram mais um pouco por não estarem brincando com a pequena.
Poucos minutos depois, Christian apareceu ao lado da filha, pegando sua neta no colo. Ou melhor, Sophie praticamente se jogou no colo do avô, enquanto Phoebe resmungava algo como ‘traidora’, mas não conteve o sorriso ao ver a pequena aninhada aos braços do pai. Aquela cena, mesmo que inconscientemente, lembrava-a de si mesma.
Flash Back
— O que aconteceu aqui? – a voz de Christian Grey reverberou pelos ouvidos de Phoebe e Teddy de forma grave e potente, porém Phoebe estava ocupada demais chorando.
— Ela caiu da escada, papai. – avisou Teddy, abaixando a cabeça e olhando para os seus pés, que batiam freneticamente no chão.
— E como ela caiu? – quis saber o Grey, mas Teddy apenas deu de ombros, subindo as escadas rapidamente e Christian teve quase certeza de que o garotinho tinha feito alguma coisa.
Ele bufou, vendo o joelho e o cotovelo esquerdos da pequena ralados. Ele agachou-se, ficando na mesma altura que Phoebe, afagando calmamente seus cabelos castanhos, pegando-a no colo.
Rapidamente a morena ajeitou-se no colo do pai, enquanto o mesmo caminhava para o banheiro de seu quarto, apoiando-a na jacuzzi. Os soluços da pequena, agora, eram baixos. Christian usou um pano umedecido para limpar os machucados, e logo em seguida colocou um curativo.
Phoebe olhava para o pai com algumas lagrimas correndo de seus pequenos olhinhos castanhos. O Grey limpou-as com os polegares, pegando-a no colo e carregando-a até o quarto da pequena. Deitou-se com a pequena sobre seu peito.
— Shhh. Já passou. – sussurrou, vendo Phoebe aninhar-se em seu colo, sentindo o afago em seus cabelos, ressonando poucos minutos depois.
Flash Back Off
— Phoebe, você está me escutando? – perguntou Ana, franzindo o cenho para a filha.
— Ah, me desculpe, mamãe. Estava pensando. – disse, sorrindo envergonhada. — Estou cansada, mamãe. Acho que irei voltar para a casa do Jeremy.
Ana sorriu de forma triste. Não queria a sua filha longe de casa. Desejava que ela passasse mais tempo consigo.
— Não se preocupe, irei voltar amanhã. Acho que irei deixar Sophie aqui...
— Ótima ideia! – disse Ana.
— Ah, ok... Irei buscar a bolsa dela no carro. – disse, saindo da casa e caminhando até o carro de Jeremy, lembrando-se mentalmente de comprar uma cadeirinha para Sophie. Pegou a bolsa, caminhando para dentro da casa novamente, depositando-a sobre o sofá. — Sophie? – chamou Phoebe, vendo a pequena – que continuava no colo de Christian – olhá-la. — A mamãe irá deixar você dormir aqui que nem você dormia na casa da tia Clöe, tudo bem? – a pequena assentiu, abraçando a mãe brevemente, e logo se ajeitando no colo do avô novamente. — Tchau família! – disse de forma alta, sorrindo para todos. Beijou a bochecha de Sophie e saiu de casa.
Amaldiçoou-se por ter mentido novamente para a sua mãe. Ela não iria para a casa de Jeremy. Seu destino? Encontrar Ethan Wiegraft, mesmo ele não sabendo disso.
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Chegando ao prédio de luxo, sorriu ao constatar que o porteiro continuava o mesmo de anos atrás. Rick não reconheceu a garota logo de cara, mas assim que ela sorriu para o rapaz, ele sorriu de volta.
— Senhorita Phoebe? – perguntou.
— Você ainda lembra o meu nome? – Phoebe olhou para o rapaz atentamente, vendo-o ficar encabulado.
— Er... Sim.
— Posso entrar? – perguntou, praticamente suplicando para Rick.
— Claro! – respondeu, abrindo o portão e deixando a morena passar.
Sentiu a palma de suas mãos suarem assim que entrou no elevador. Amaldiçoou-se por isso também. Não tinha mais dezessete anos para estar agindo como uma adolescente. Era uma mulher formada, trabalhava e tinha uma filha.
Assim que o elevador parou, forçou a porta. Trancada. Tocou a campainha, mordendo levemente o lábio inferior. Ouviu passos e rapidamente a porta foi aberta.
— Quem é você? – perguntou a bela mulher que abriu a porta, olhando para Phoebe com curiosidade.
— Ahm... Meu nome é Phoebe. Ethan está? – disse, franzindo o cenho.
Quem era aquela mulher?
— Sim, mas eu não sei se quero que você o veja. – a mulher disse, olhando-a de cima à baixo, fazendo uma careta.
Phoebe semicerrou os olhos, olhando atentamente para a mulher à sua frente. Ela possuía cabelos castanhos e olhos extremamente azuis. O corpo? Esguio e cheio de curvas, que chegaram a dar inveja em Phoebe, mesmo ela tendo um corpo igualmente bonito ao da vaca à sua frente.
— Alexandra, quem está aí? – ela ouviu a voz de Ethan se aproximar, e rapidamente ele apareceu ao lado da tal Alexandra, trajando apenas uma simples calça de moletom cinza.
Ethan arregalou levemente os olhos, olhando para Phoebe, que sorria cinicamente para ele.
— Não quer nos apresentar? – perguntou a morena, sentindo as suas palavras carregadas de sarcasmo. Viu claramente o loiro à sua frente engolir em seco.
— Alexandra, você pode ir embora?
— Por que, amor? – Phoebe bufou ao ouvir a palavra amor sair de forma tão melosa dos lábios de Alexandra.
— Saia, por favor. – pediu da forma mais educada.
— Eu sou a sua namorada, quem tem que ficar aqui sou eu, e ela – disse apontando com nojo para Phoebe, que a essa hora, queria entrar no elevador e realmente ir para a casa de Jeremy. — tem que sair.
— Não seja por isso. – disse Ethan com um sorrisinho nos lábios. — Eu não quero mais você como minha namorada. Estamos terminando. Agora saia.
Phoebe quase riu das feições de Alexandra, mas sentiu um pouco de pena da moça. Ela saiu pisando duro para dentro do elevador com lágrimas nos olhos.
O clima que ficou sobre Ethan e Phoebe foi no mínimo tenso. Era perceptível que os dois tinham assuntos pendentes a tratar. Phoebe respirou fundo, adentrando no apartamento assim que o loiro deu passagem. Jogou-se no sofá, vendo Ethan sentar-se ao seu lado, olhando-a atentamente.
— Aceita um vinho? – perguntou de forma educada, tentando quebrar aquele silencio incômodo que se formara entre eles.
— Tem algo mais forte? – pediu a morena, vendo um sorriso brincar nos lábios do loiro.
— Acho que tenho vodca com limão. Serve?
— Está perfeito.
Phoebe acompanhou Ethan com os olhos, tentando a todo custo não reparar no loiro, mas foi uma tentativa completamente falha. Ethan parecia estar mais gostoso do que antes. Parecia que aqueles poucos anos que passaram distantes haviam feito bem – no quesito beleza, é claro – para o loiro. As costas estavam – o que pareciam – mais largas, e os braços com músculos mais evidentes. As cicatrizes diagonais continuavam ali. Phoebe contou-as: nove. Nove cicatrizes em um leve relevo em suas costas, mas isso não tirava a beleza de Ethan.
— Vai ficar me olhando por muito tempo? – perguntou Ethan.
Phoebe enrubesceu ao perceber um grande espelho atrás do pequeno balcão do bar, o qual Ethan o utilizava, no momento, para encarar Phoebe.
— Ethan, eu tenho uma filha.
Nem Phoebe acreditara que as palavras saíram com tanta naturalidade de sua boca. Ela viu claramente Ethan mais rijo, porém ele não estava mais a encarando pelo reflexo do espelho.
Phoebe pulou de susto ao ouviu o barulho de vidro se quebrando, e viu claramente o sangue escorrer da mão de Ethan. O loiro apertara o copo com tanta força – por conta da raiva – que ele se quebrara.
— O que? – a voz do loiro era um rosnado. Ele virou-se na direção de Phoebe, encarando-a com ódio.
— Nós temos uma filha. – corrigiu-se, vendo o semblante de Ethan mudar de raivoso para confuso.
— Impossível. – decretou, xingando baixinho olhando para a mão cortada. O álcool da bebida fazia sua mão arder em contato com o corte.
— Ethan, sabemos que corremos riscos. Você não fazia muita questão de camisinha, e várias vezes a esqueceu, e eu esqueci completamente nas pílulas. – contratacou a morena, levantando-se e caminhando para a cozinha, voltando com um pano de prato, enrolando-o na mão do loiro, na tentativa de estancar o sangue.
— Está me dizendo que eu tenho uma filha? – perguntou Ethan.
No momento em que Phoebe assentiu, Ethan começou a gargalhar. Gargalhava alto, de forma que a morena não entendeu, e isso só a deixou irritada.
— Por que está rindo? – quis saber.
— Phoebe, Phoebe, Phoebe, o golpe da barriga não! Engravidar com qualquer um para conseguir o meu dinheiro? Seu pai está falindo?
Phoebe quis socar a cara de Ethan. Como ele se atrevia? Ele fora o primeiro – e último – homem com quem a morena se deitou. Ela bufou raivosa.
— Eu ia contar para você. – começou, vendo Ethan olha-la com um sorriso maldoso e debochado. — Ia contar naquele dia em que flagrei você com aquela Elena. – a forma como o nome saiu da boca de Phoebe era quase igual a falar de um verme. — Então eu fugi. Achava que teria apoio com aqueles que eu amava, ou seja, você – Phoebe viu o sorriso de Ethan sair lentamente de seus lábios, deixando-o sério, fitando a morena à sua frente. —, mas como eu poderia ter apoio de alguém que me trai?
— Eu não traí você naquele dia. – ele disse sério. — Eu tentei me esquivar de Elena. Juro por tudo que é mais sagrado, Phoebe, eu tentei, mas ela foi mais rápida do que eu imaginava, e você chegou bem naquele momento. Eu não tinha uma desculpa plausível, por que não tinha como explicar aquilo.
Phoebe sentiu como se tivesse levado uma pancada. Uma pancada bem forte. Olhando em seus olhos, a morena pode ver a verdade. Ele realmente estava falando a verdade.
— Ethan, me desculpe.
Ele fez um gesto com as mãos de forma displicente.
— Posso até entender, Phoebe, mas não vou conseguir perdoá-la agora. Ainda mais com você voltando com uma criança.
— Que é sua filha. – esclareceu Phoebe, vendo o loiro revirar os olhos, descrente. — Eu tenho uma foto dela aqui. – disse, pegando o celular e exibindo uma das várias fotos que Phoebe tinha da loirinha. — Com quem ela se parece, Ethan?
Ethan arregalou levemente os olhos.
— Ela é idêntica a Amanda.
— Não, Ethan. Ela é idêntica a você.
Phoebe viu as feições de Ethan se contorcerem, ficando assustadoramente raivosa.
— COMO PODE ESCONDER ISSO DE MIM? UMA FILHA, PHOEBE! – gritou Ethan, aproximando-se de Phoebe a cada passo que ela se afastava.
— EU NÃO FAZIA IDEIA DE QUE VOCÊ IRIA QUERÊ-LA, ETHAN. – a morena chocou-se na parede, vendo o homem praticamente colar-se contra o seu corpo. — Eu... Eu estava com medo de Sophie ser rejeitada. – sussurrou. — Já não bastava eu ver o homem que eu amava, e ainda amo, beijando outra mulher. Eu não suportaria.
— Phoebe, eu jamais faria isso com a nossa criança. – falou o loiro, respirando fundo.
— E por que não, Ethan?
— Eu não poderia rejeitar meu filho ou filha igual a minha mãe fez comigo. – decretou, fitando os olhos carregados de lágrimas de Phoebe. — Eu posso ser muitas coisas, Phoebe, mas não sou em nada parecido com Melissa Wiegraft.
Eles ficaram se encarando por um bom tempo. Os rostos estavam próximos, ao ponto de Ethan estar com sua testa encostada na testa da morena. Phoebe fechou rapidamente no momento em que sentiu Ethan beijar seus lábios.
A princípio, o beijo foi doce, saudoso e prazeroso, mas com passar dos minutos, o desejo entre os dois foi crescendo, e o beijo doce passou a ser um beijo lascivo. Ethan prensou o corpo de Phoebe com mais força, ouvindo-a gemer contra seus lábios. As mãos do loiro vagaram para as coxas nuas de Phoebe – já que a morena usava um vestido –, levantando-a.
Phoebe envolveu suas pernas na cintura do loiro, que percorreu sua boca pelo pescoço branco de Phoebe. Os dentes brancos de Ethan arranhavam levemente a pele de Phoebe, que suspirava, apertando suas pernas com mais força, deixando as intimidades praticamente coladas.
Neste momento, Ethan nem se lembrara do corte em suas mãos, mas felizmente, o sangramento já havia estancado.
Ethan a carregou para o andar de cima, jogando-a contra a cama. Phoebe viu as mãos ágeis do loiro abrirem seu vestido, puxando-o para baixo. Os olhos de Phoebe fitaram a ereção pujante de Ethan contra a calça de moletom. Ethan estava com pressa, arrancando a lingerie da morena, deixando-a completamente nua.
Sua boca foi para o seio esquerdo de Phoebe, torturando-o com a língua hábil do loiro, que olhava para Phoebe, vendo-a tombar a cabeça no travesseiro, apreciando suas carícias. Ao que parecia, Ethan continuava a conhecer o corpo de Phoebe perfeitamente. Ele passou a mordiscar e morder o outro seio, enquanto uma de suas mãos correram até a intimidade molhada de Phoebe, penetrando dois dedos dentro da mulher, que gemeu roucamente.
Os dedos de Ethan eram impiedosos, estocando Phoebe com rapidez e força.
— Me diz, por favor, que você está tomando anticoncepcionais.
— E-estou. – conseguiu dizer, vendo Ethan se livrar de suas próprias roupas sem saciar a morena, o que a deixou frustrada.
Ethan abriu as pernas de Phoebe gentilmente – de uma forma que até então a morena jamais vira – posicionando-se no meio. Ele a penetrou vagarosamente, o que foi uma tortura para ambos, porém Ethan tinha um alto controle mais forte do que Phoebe. Parte da pressa da morena estava relacionada à falta de sexo, já que ela estava sem uma boa transa desde que saíra de Seattle.
— Você é tão apertada. – murmurou Ethan, movimentando-se lentamente contra Phoebe.
Os gemidos estavam em plena sincronia. Era como se os corpos de ambos fossem feitos para estarem juntos. Ligados.
As investidas de Ethan continuaram lentas, enquanto o loiro beijava o queixo, pescoço e ombros da morena. Já Phoebe limitava-se a acariciar os fios curtos da nuca de Ethan. Podia sentir os cabelos úmidos por conta do suor e do esforço exercido.
— Por favor, Ethan, mais rápido. – falou Phoebe entre gemidos baixos.
Ethan prontamente a atendeu, investindo violentamente contra o corpo pequeno de Phoebe. A morena chocava seus quadris contra os de Ethan, sentindo seu corpo entrar cada vez mais em combustão. Este era o efeito Ethan sobre ela.
Na tentativa de abafar os gemidos, Phoebe mordeu o ombro de Ethan, que rosnou baixo, aprovando a ‘carícia violenta’. Phoebe sentiu sua intimidade se contrair envolta do membro de Ethan e gemeu alto o nome do loiro. Ethan, ao sentir as contrações musculares da intimidade de Phoebe, gozou dentro da morena, alcançando o clímax junto com Phoebe.
Ethan caiu sobre o corpo da morena, porém teve cuidado para não machucá-la. Os corpos de ambos ferviam.
— Eu quero conhecê-la. – Ethan começou, olhando para os olhos de Phoebe, que parecia um tanto confusa. — Quero conhecer a minha filha.
—Nossa você quis dizer. – corrigiu Phoebe, vendo um sorriso brincar nos lábios do loiro.
— Nossa.
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