50 tons de Luxúria
15 Chapter 14
Notas iniciais

POV's Phoebe Grey
Depois que saí daquele quarto, senti a plena necessidade de não encarar Ethan. Eu não sabia o quão difícil era encarar o homem por quem você está apaixonada depois de uma foda, e não poder agarrá-lo.
A música daquela banda ridícula e sem futuro ainda tocava animadamente. Sinceramente, não sei o que Joshua Kowalski viu naqueles garotos. Três idiotas tocando, cantando e pulando no palco como se fossem cangurus.
— Eles não são perfeitos? — Ashley disse, surgindo do nada ao meu lado.
— Incríveis.
Fiz questão de demonstrar o meu desgosto, e isso fez com que Ash risse de forma animada.
Quando finalmente aqueles garotos punheteiros saíram do palco, Joshua subiu, dando seu discurso, o que fez meu tédio triplicar. Sento-me em uma das mesas sentindo-me levemente tonta. Droga de corpo frágil ao álcool.
Sem mais paciência para aquela festa, aviso Ashley que preciso voltar para casa. Ela, que está animada demais com a situação de Jared estar olhando diretamente para si, me abraça de forma apertada e se despede. Olho para Ethan, que está acompanhando meus passos e abro um pequeno sorriso antes de sair pelo tapete vermelho, sentindo minha visão ficar branca com tantos flashes de câmeras.
— Merda. — murmuro. Esqueci completamente que vim e limousine com Ashley. Voltar de táxi está fora de cogitação.
— Vamos? — alguém segura meu braço levemente. Esta voz tão conhecida, tão sexy...
— Claro, sr. Wiegraft. — respondo de forma educada, evitando ao máximo não olhá-lo nos olhos, para não enrubescer.
Se já havia flashes antes, imagine agora, entrando em uma limousine com Ethan Wiegraft.
Papai irá me matar...
— Como sabia que eu estava sem como ir para casa? — pergunto curiosa para o loiro ao meu lado, que já desatava a gravata. Ele parecia um pouco pensativo quando finalmente me olhou.
— Eu vi vocês chegando juntas. — diz, voltando seus olhos para a janela. Ele bateu no vidro do chofer, que desceu o mesmo nos encarando.
— Pois não, sr. Wiegraft?
— Passe na residência dos Grey's, Tom. — ele disse, fazendo um sinal para que o homem subisse o vidro novamente.
Minha casa ficava a pelo menos vinte minutos dali, sem trânsito, mas havia muitos carros na rua, e eu sabia que o percurso de apenas vinte minutos, dobraria.
— Ethan... — falei baixo, ouvindo um gemido em resposta. — Por que você está assim? Está pensando em que?
O loiro virou-se em minha direção com um sorriso fraco nos lábios. Algo estava diferente nele.
— Só estava pensando em David.
David? Quem é David?
— Quem é David? — pergunto, me aproximando de seu corpo, encostando minha cabeça em seu peito. Sinto seus braços fortes me envolverem carinhosamente, e não consigo esconder o sorriso.
— David é o nome do meu pai, Phoebe.
— Oh!
Eu não sei o que dizer. Não sei se devo perguntar a ele o que quero perguntar ou se devo deixar para lá. Mas ao ouvir o nome do pai de Ethan, sinto-me perturbada.
— Eu sei que você quer fazer perguntas. Faça-as. — ele diz, voltando a olhar para a janela. Acho que não andamos nem 300 metros.
— Ele foi quem causos essas cicatrizes nas suas costas? — falo de forma tão baixa que chego a suspeitar que talvez ele não tenha ouvido, mas sinto seus músculos ficarem rijos. — Desculpe-me se estou me intrometendo...
— Você está. — sua voz soa mais dura. Ele suspira. — Mas não, não foi ele quem as causou. Meu pai foi um santo. — ele dá uma risadinha. Não sei se ele está sendo sincero ou se está sendo irônico, sarcástico.
— Entendo.
Quero fazer mais perguntas, mas tenho medo que ele se irrite demais. Ergo uma das mãos até o rosto do loiro e afago a sua barba por fazer. Ele fecha os olhos, pousando sua mão sobre a minha.
— Que tipo de feitiço é esse? — ele sussurra, e eu não entendo. Entrelaço meus dedos em suas mãos, e ele faz o mesmo.
Ethan sempre consegue me surpreender, e cada dia que passa ele me surpreende mais.
— Phoebe, precisamos conversar. Preciso lhe contar quem eu sou de verdade.
Aquilo me deixa desconcertada, e me afasto dele, porém não solto minha mão da sua.
— Fale, estou ouvindo.
— Sou um homem muito misterioso em relação a minha vida pessoal, mas quero que você faça parte dela de uma forma que bem, pode ser estranha para você. — franzo o cenho, mas meneio a cabeça, permitindo que ele continue. — Eu sou um dominador, Phoebe.
Ah não. Pisco algumas vezes.
— Dominador em que sentido? — sou obrigada a sanar minhas dúvidas.
— Em relação a sexo, Phoebe. Gosto de estar no controle, e admito, quero você como minha submissa.
Algo dentro de mim faz um 'clic'. Já ouvi histórias sobre dominador e submissa. Mulheres que se submetem a praticamente tudo — se não for tudo — para alegrar e fazer a vontade de seu dominador. Desde brinquedos eróticos a coisas mais violentas, como asfixia erótica.
Sinto o interior das minhas pernas queimar de vontade de provar este mundo, mas meu cérebro grita para que eu me afaste deste homem para sempre.
— O que? — deixo um riso baixo escapar, e isso deixa o semblante de Ethan mais sério. — Ethan, você já deve ter percebido que eu sou um pouco — muito- teimosa.
Ele abriu um sorriso sacana.
— E isso torna tudo mais divertido. — ele sussurra ao pé de meu ouvido, transmitindo uma onda de calor por todo o meu corpo. — Olha... — ele se afasta, fitando-me nos olhos. — Eu não vou força-la a nada que você ache injusto. — Ele coloca a mão dentro do paletó e tira um pedaço de papel dobrado de um bolso interno. — Aqui estão as minhas condições. Meu advogado já deu seu aval para o contrato, e disse que está tudo em ordem.
Contrato? Que porra de contrato?
— Você pode rabiscá-lo o quanto quiser, e colocar o que você acha que está errado demais para você. Se você acha que isso extrapola os limites, pode riscar, mas acredite, acho que você deveria pelo menos experimentar todos antes de dizer se gostou ou não.
Ele me entrega o pedaço de papel e faço menção a abri-lo, porém ele me detém, colocando sua mão sobre o papel.
— Aqui não, pequena.
Ele olha para fora de deixa um xingamento escapar. Estamos na rua da minha casa. Como isso é possível?
— Nos vemos amanhã, quem sabe? — ele beija minha testa, mas quando ele se afasta, o puxo pela gola da camisa, beijando seus lábios. — Não faça isso, se não eu não respondo pelos meus atos.
— E quem disse que eu quero? — sussurro, abrindo a porta da limousine. — Boa noite, sr. Wiegraft.
Fecho a porta sem esperar uma resposta, caminhando para dentro de casa. Não está tarde, porém não encontro ninguém na sala.
Caminho para meu quarto, ouvindo Jeremy e Teddy conversando no quarto de meu irmão, mas não quero conversar com eles agora.
Tiro meu vestido e me jogo na cama, pegando meu celular em baixo do travesseiro, e colocando o contrato ali em baixo. Há uma mensagem não lida.
"Boa noite, srta. Grey. Espero encontrá-la em breve. -E"
Não respondo a mensagem. Coloco um pijama e desligo o despertador para amanhã — eu disse que teria reunião dos professores? — e deito novamente, sentindo meus olhos fecharem lentamente, levando-me para um sono sem sonhos.
*50TL*
— Phoebe, papai vai te matar.
Abro os olhos, fitando Teddy e Jer à minha frente, sérios. Olho para o relógio no criado-mudo e gemo. São apenas 8h36.
— Morram. Me deixem dormir. — digo, fechando os olhos.
— Papai está soltando fumaça com o jornal desta manhã, Phoebe. Você está na capa dele.
— MAS O QUÊ? — falo alto, vendo o jornal nas mãos de Teddy. O puxo e leio a notícia da capa.
— "Entre rivais: Phoebe Grey não tem medo de mostrar seu interesse por Ethan Wiegraft."
Olho para a foto de quem escreveu aquilo: Heidi Hower, ou melhor dizendo, a puta do decote cavado.
— Interesse? — digo exasperada. — Eu só falei com este cara duas vezes na vida!
— Pois é, se eu fosse você eu iria... — Teddy começou.
— Para o polo norte e me esconderia no gelo. Sério, seu pai me assustou lá em baixo. — Jer disse, olhando para Teddy, que parecia repreende-lo com o olhar.
— Phoebe. — uma voz grave invade o meu quarto, e sinto meu coração pulsar. — Quero você no meu escritório. Agora.
— Sim, papai. — respondo, me levantando.
Olho para Jer, que está fazendo o sinal da cruz repetidas vezes.
— Deus te guarde. — fui obrigada a rir.
Quando entro no escritório, vejo meu pai olhando fixamente para mim.
— O que raios você foi fazer com Wiegraft ontem? — ele praticamente cuspiu o nome 'Wiegraft'.
— Olha, papai, não é nada do que você está pensando. — apresso-me em dizer.
— Então me fale, por que neste momento, Phoebe, eu não sei o que pensar mais. — ele umedeceu os lábios, fitando-me com aqueles olhos azuis cinzentos, que no momento, pareciam bem tempestuosos.
— Eu fui para a festa com Ashley, mas ela iria ficar até o final. Eu não tinha como voltar, e táxi nunca foi uma opção, então Ethan... — meu pai arqueia uma sobrancelha ao ouvir seu primeiro nome. — Wiegraft... — falo rapidamente, para ele não acha que tenho alguma intimidade com o loiro. — ... trouxe-me até aqui, já que ele me viu perdida, sem ter como voltar para casa. Eu juro, papai, foi exatamente isso que aconteceu.
Meu pai levanta-se, caminhando até mim.
— Desculpe-me se fui grosso. Eu só não sabia o que pensar quando li aquilo. Vou processar aquela mulher.
Abro um sorriso. Queria mesmo ver aquela vadia perder um processo e pagar uma multa de valor exorbitante e perder o emprego.
— Tudo bem, papai. Eu sei que você só quer o meu bem. — meu pai beija o topo de minha cabeça, afagando meus cabelos.
— Se algo acontecesse a você, eu jamais em perdoaria. É a minha princesa.
Sinto vontade de chorar. Sei que estou escondendo coisas dele, e isso não me agrada. Meu coração pula ao lembrar do contrato que está embaixo do travesseiro.
— Eu sei papai, te amo.
— Eu também a amo, princesa. Preciso trabalhar. Sua mãe estava com o coração na mão quando leu esta notícia, por favor, a tranquilize.
— Claro! — saio correndo para o meu quarto, jogando-me sobre a cama e colocando a mão debaixo do travesseiro.
O contrato está lá.
Suspiro, aliviada e caminho até a porta, trancando-a.
— Hora da verdade. — digo, abrindo o contrato.
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