50 Tons de Vida
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Capítulo 05
Como diria Ed Sheeran em uma de minhas músicas preferidas “The worst things in life come free to us” (“As piores coisas na vida vem de graça para nós”).
Eu sou a prova viva disso.
Essa frase não poderia me representar melhor. Então quando alguma coisa consideravelmente boa acontece comigo eu desconfio. Eu pensava enquanto olhava para o perfil do homem ao meu lado que conduzia o carro.Ele estava muito estranho, tudo isso estava muito estranho.
Tudo que vem fácil vai fácil.
Agora você deve estar pensando que sou a “rainha dos clichês”. Eu sou mesmo!Pelo simples fato de que a maioria os clichês se aplicam em alguma parte da minha vida. E se são clichês, é porque algo se repete tão frequentemente que se torna totalmente previsível dentro de um determinado contexto. Eu me sinto menos mal por pensar assim, faz com que eu me sinta mais normal no meio desse mar de esperanças vazias.
O que mais me intriga em Christian é isso. Ele não é nada previsível, a palavra clichê com certeza não se aplica em nada na vida dele. Ele exala raridade. Boa ou ruim? Ainda não descobri. O mesmo aconteceu quando eu fiquei doente, nunca imaginei ter que entrar no “mundo dos clichês” das pessoas que tem câncer. Quimioterapia, morte, depressão, desilusão, desespero.... São algum dos “clichês” que andam de mãos dadas e que eu nunca pensei em vivenciar na minha vida.
Agora você deve estar pensando “alem de tudo é contraditória”. Eu sou mesmo! Como uma pessoa pode se auto denominar de “rainha dos clichês” e depois dizer que nada do que ela esperava aconteceu com ela? Bom eu tinha planos, nem sempre as coisas correm como esperamos (clichê). As coisas ruins vêm de graça, a gente tenta aprender com elas. Vivenciamos novos clichês, os clichês da nossa nova realidade e não os que planejamos.
Christian claramente não era feito de clichês, mas tem um que ele não tem como escapar: nada que vem fácil é fácil, nos temos um preço a pagar mais cedo ou mais tarde. Eu sabia disso, eu só não sabia que o preço a pagar seria tão grande e que ele mudaria todos os meus clichês.
O Metropolitan Grill, o restaurante mais tradicional da cidade, realmente, era tudo aquilo que eu já tinha ouvido falar: Amplo, requintado e muito, muito aconchegante. Nada clichê, apesar de ser bem requintado não me parecia um lugar frequentado por um CEO. Esperava algo mais contemporâneo, nada aconchegante e simpático. Nunca tinha vindo aqui antes, pois a minha condição financeira não permite. Mas Christian, pelo visto, era bastante conhecido já que os garçons o tratavam como se ele frequentasse bastante aquele lugar. Fazer o que? A situação dele permitia isso e muito mais. Acho que ele poderia comprar esse restaurante a hora que quisesse.
Reparei também que ele era viciado em carne. Se liga, sua bobinha, você está no lugar onde é servido o melhor filé da cidade!Minha Deusa interior zombou de minha cara.
Já estávamos pra lá da metade do jantar e ele já tinha ingerido carne para, basicamente, uma semana. Ele não disse uma palavra desde que chegamos, apenas desviava sua atenção da comida para... Verificar se eu estava comendo? Eu preferia acreditar que era para verificar o decote da minha blusa.
“Aproveite em quanto pode querido, em breve a visão não será tão bonita quanto agora.”— O comentário negro de minha deusa interior me fez engolir seco. O que esta acontecendo com ela? Acho que também deve estar desconfiada.
Será por isso que aqueles belos e apetitosos músculos existiam? Ou será que…
Esqueci o que estava pensando quando ele me flagrou na minha análise, um tanto quanto exagerada do seu corpo. Com certeza, a essa altura da noite eu estava corada até o último fio de cabelo. Só não sabia se foi pelo seu flagra ou se pelo modo que ele mastigava a carne, com os olhos fixos em mim. Não sei por que, mas eu sentia como se ele fosse me devorar a qualquer momento. Talvez fosse por isso que eu não conseguia nem tocar na comida. Ou talvez fosse por causa do seu silêncio desde que saímos da minha casa.
Ainda estava na minha memória o quanto eu estava sem graça naquele carro,
Enquanto vez ou outra ele me observava. Tentei puxar assunto algumas vezes, mas vi que ele não estava muito a fim de conversa e então me calei. Sinceramente, Christian era um cara de muitas facetas. Isso era uma das coisas que eu tinha anotado no meu bloquinho mental, esta noite. De dia me tratou como se eu fosse uma bactéria infectuosa, esculachando todas as minhas aptidões profissionais e agora cá está ele, jantando em minha presença, em um restaurante super simpático e aconchegante, não combinando nada com ele. Vai entender...
— Não precisa ter vergonha, Anastásia. — Ele disse, de repente e meu coração sobressaltou dentro do peito. Não esperava ouvir a sua voz tão cedo. — Pode comer o quanto quiser, baby. — Acrescentou, olhando para o meu prato quase intocado.
Sorri um pouco sem graça pelo “baby” que ele insistia em me chamar e desviei o olhar quando o seu ficou pesado demais.
— Não estou com muita fome, senhor Grey.
— Mas precisa se alimentar.
Levantei o rosto para ele de novo.
— É sério? Vai começar com essa ladainha de “coma isso, coma aquilo Anastásia?” — Perguntei atrevida.
Achei que fosse voltar ao brutamonte de mais cedo, entretanto, Christian abriu um sorriso torto, depois que limpou a boca com o guardanapo e o jogou em cima da
mesa. Apoiou os cotovelos na mesma, contrariando todas as regras de boa maneira e me encarou. E como encarou, eu quero dizer encarou mesmo, daquele jeito descarado que em algumas ocasiões ele se permitia ser. Caramba, fiquei nervosa. Eu não sabia o que ele estava pensando e, muito menos, o que viria seguir.
Okay, vida! Essa noite não estava sendo nada fácil e previsível. Pode parar com suas surpresinhas desagradáveis, acho que já estou “presenteada” até o próximo século.
— A senhorita tem uma boca bem… Atrevida. — Disse com a voz um pouco rouca. “Me arrepiei inteira” É, acho que minha deusa engraçadinha voltou.— Assim como a sua personalidade…
— Eu não sou atrevida. — Interrompi-o, sem querer. Não sei por que, mas eu me senti ofendida com isso. — Eu só…
— Em algumas ocasiões. — Ele disse, completando o que iria dizer, eu acho. Quer dizer, eu tenho a certeza, pois o olhar de repreensão que me lançou deixou isso claro.
— Desculpe. Eu não quis interrompê-lo. — Eu pedi com um encolher de ombros.
Christian ignorou o meu pedido com um abano de mão em desdém.
— Por isso, estou pensando em voltar atrás no que eu disse antes. — Disse. — E olha que não sou muito disso.
Agora ele me deixou confusa. Do que ele estava falando.
— D-desculpe, mas eu não faço ideia do que o senhor está falando, senhor Grey. -Christian sorriu e assentiu de cabeça.
— Estou falando de quando eu disse que você não tinha o perfil ideal para a minha empresa. — Disse. — Hoje mais cedo. Está lembrada agora, senhorita Steele? — Assenti, levemente, de cabeça.
— Foi por isso que lhe convidei para jantar. Sua atitude um tanto quanto… — Ele parecia procurar as palavras certas. — Explosiva. Isso mesmo. Explosiva é a palavra certa. Como eu estava dizendo, sua atitude explosiva de mais cedo em meu apartamento me fez duvidar se você realmente é essa pessoa frágil que aparenta ser. — Ele inclinou-se para frente.
— E conclui que realmente a Srta não tem o “perfil” que eu procuro para o meu pessoal... — Ah, então era por isso que ele me convidou para jantar, para me humilhar de novo? Puxa, nunca soube qual o nível máximo de frustrações que eu poderia atingir na minha vida, mas hoje eu tive a resposta. – Mas não significa que não o tenha para as outras áreas da minha vida, que são digamos mais atrevidas.
— E o que o senhor pretende com isso, senhor Grey?
— Ouça-me, senhorita Steele. — E então, ele tomou a posição daquele grande negociador que os jornais de economia falavam aos quatro cantos da América, ate que alguém chegou e nos interrompeu:
— Ora, ora — Leila, a namorada dele, apareceu de repente fazendo com que Christian ficasse visivelmente rígido e apertasse os lábios em uma fina linha. – Se não é a vadiazinha sem sal maluca. – Ela disse dando um meio sorriso com seus lábios perfeitamente pintados de vermelho.
— Leila, o que faz aqui? Nós só iríamos nós ver amanhã. – Disse Christian levantando e puxando seu braço, me deixando sentada assistindo mais uma vez todo seu espetáculo.
Ela apenas ignorou o aperto em seu braço e lhe deu um selinho finalizando com uma mordida no lábio inferior, manchando um pouco a boca de vermelho do homem visivelmente estressado a sua frente. Pegou a taça de vinho que Christian bebia e deu um gole continuando com seu showzinho.
— Então, querida. Diga-me como é ser rejeitada novamente? – disse chegando perto de mim, me fazendo encolher na cadeira com suas ofensas e sarcasmo. – Eu não sei se ficou claro para você, ou se você se faz de estúpida e iludida e acha que vai ter alguma chance com o meu namorado. Nem na empresa dele você teve essa chance, ele não te deu o emprego nem de faxineira. Você acha mesmo que teria alguma chance na vida dele? Você já olhou bem pra ele e pra mim? Ou melhor... – Ela disse se abaixando ficando na altura do meu rosto – Você já se olhou?
Olhei para Christian em busca de algo que nem eu mesma sei, ele estava ditando ordens em seu celular e quando seu olhar encontrou com o meu eu achei o que procurava.
O que eu estou fazendo aqui?
Por que estou me expondo a esse tipo de gente que não tem nada a ver comigo. Ela tinha razão. Ela combinava tanto com ele, era tão bonita e tinha um corpo maravilhoso. Como eu pude fantasiar que ele seria meu príncipe encantado? Que seria ele a me salvar dessas ondas em que eu me afogava cada dia mais? Eu tinha certeza que ele o faria, mas se eu não era o que ele queria nem para sua empresa porque eu seria para ele?
Então tudo aconteceu muito rápido. Um dos funcionários de Christian, que tinha visto quando estive em seu apartamento, puxa delicadamente o braço da mulher loira que continua me encarando.
— Vamos Srta. Leila.
— Eu ainda não acabei aqui Taylor, eu...
— Ah sim Leila, você já acabou. Você não tinha que nem ter começado. – Christian diz se aproximando de mim me ajudando a levantar da cadeira e colocando as mãos em meu rosto para que nossos olhos se encontrassem. – Você esta bem, baby? Esta um pouco pálida e gelada olha não é nada...
Antes que ele pudesse terminar eu sinto meu peito molhar e Christian olhar furioso em direção a Leila, que tinha acabo de despejar todo o conteúdo do seu copo em cima de mim me fazendo explodir. Eu retiro as mãos de Christian bruscamente do meu rosto como se seu toque me queimasse, fazendo com que o mesmo me olhasse surpreso e ficasse bravo logo em seguida. Eu ignorei seu olhar e fui em direção à mesa pegando minha bolsa e indo em direção à saída.
— Eu ainda não terminei com você Anastácia. Onde pensa que está indo? Você tem que parar com essa mania de sair andando antes que eu permita. Se você fosse minha você seria...
Olho em sua direção com uma expressão cansada e o interrompo.– Mas EU já terminei Christian. Sua namorada tem razão nós somos diferentes não daríamos certo como chefe e empregado. – direciono meu olhar a mulher ao seu lado que nem tenta esconder o seu sorriso de vitoria.
— E Leila, eu não vou lhe responder da mesma forma, pois sou educa, mas fique sabendo que se eu conseguisse o cargo de faxineira ficaria muito orgulhosa, pois assim como todo emprego é um trabalho digno. Não preciso ser sustentada por um namorado rico. Isso para mim tem outro nome, muito semelhante ao que você me chamou quando chegou só que um pouco mais chulo se é que isso é possível. – A cara que ela fez quando terminei fez essa noite desastrosa valer a pena.
— Adeus Christian. – O olhar de desesperado que ele direcionou a mim vez meu coração apertar.
Então esse era o meu preço a pagar?
notas finais
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