Notas iniciais
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( ; ♥

Bjs Lexie :*

Capítulo 6

Eu me lembro do frio, e de como a garoa começava a cair fina molhando meu rosto trazendo com ela uma sensação de paz. De contra partida, levava todos os resquícios de uma noite... Hm... Memorável? Tudo está tão escuro e frio, eu já andei uns bons quilômetros até aqui.

“Aqui você esta segura ninguém pode te ver.” ·.

Eu me lembro de repetir a mim mesma, as mesmas palavras que costumavam me acalmar quando as noites ficavam difíceis em casa,e eu andava alguns metros para longe de todo aquele inferno. A chuva acalmava a minha raiva, curava minhas feridas... Eu me sentia parte dela, sem ninguém para me criticar ou gritar comigo por algo que eu, uma criança, nem ao menos sabia o que era certo ou não fazer.

Não havia nada.

Nada...

Só eu, a chuva e alguns pensamentos destrutivos. Mas longe de tudo e de todos eu sempre encontrava a calma. Sentia-me parte da natureza, parte dessa chuva que mesmo caindo sem parar tinha ainda, forças para continuar a cair.

Talvez eu fosse assim...

Como a chuva...

Sempre caindo e levantando.

“Isso é muito bom! Você deveria se orgulhar da sua força” ·.

Na maioria das vezes eu pensava ao contrário, desejava continuar no útero de mamãe e nunca ter que cair. Nunca ter que ser forte, nunca ter que fugir de uma pessoa que não faz mais parte da minha vida, mas insiste em assombrar meus temidos pesadelos.

Eu me lembro de apertar o meu cardigan contra o corpo.

Lembro-me de pensar em mamãe, que naquela época sempre me encontrava e me levava de volta para casa, ou melhor, o nosso pequeno inferno. Ela me trazia aquecida e confiante. De volta para minha bolha, de volta para as minhas máscaras e incertezas que todas as garotas têm, somado a problemas que somente adultos costumam ter.

Não me lembro de como cheguei em casa, só me lembro de acordar e seguir minha rotina. Eu estava anestesiada podemos dizer assim.

Situações de stress extremo me levam a rever meus velhos fantasmas, sentimentos que a muito não me visitavam, mas que ainda machucam e se mesclam com os novos que vivencio hoje.

Deixando-me em stand by.

Ou às vezes me levando a surtar, crises de raiva, ataques de pânico, a degradação de si mesma... Eu prefiro ignora-los. Como uma pedra no sapato. Até o final do dia você já descobriu um jeito de andar que faça com que a pedra não te incomode tanto.

Ela está lá.

Ainda dói.

Mas nada que alguns sorrisos não disfarcem. Afinal Ninguém vai saber. Está dentro do seu sapato.

Ninguém vai saber! Está dentro de você.

— Bom dia, Srt. Steele.

A voz que interrompe meus devaneios só não me faz gelar dos pés à cabeça, porque estou segurando em minhas mãos um bendito café fervendo. Giro lentamente e confirmo as minhas suspeitas. Dando de cara logo com a pessoa que eu menos queria ver na vida.

Pelo menos hoje.

E lá estava ele, o Senhor Café. Em seu terno caríssimo, envolto em sua nuvem de garoto mimado no corpo de um grande empresário. Que esporadicamente vem até a Starbucks, para fazer seus próprios pedidos, poupando sua pobre secretária de andar ate aqui com suas longas pernas em um salto de matar, ou até mesmo de quebrar uma unha enquanto disca alguns números para efetuar seus pedidos. Como ele é bom. Traz energia, nós mantém acordadas a noite toda. Uma paixão mundial.

— Anastácia!? Você parece meio perdida. Esta tudo bem?

— A sua preocupação comigo é algo admirável Sr. Grey. Estou ótima como pode ver, se me der licença tenho currículos a entregar e um caf...– Faço uma pausa e olho diretamente para o copo com o líquido preto em minhas mãos. Balanço a cabeça em negação tentando entender porque ainda insisto em me forçar a gostar disso. – Esse negocio que vocês gostam, para terminar. – Ergo o copo para mostrar que me referia ao café.

O canto de sua boca se entortou em um sorriso com a minha resposta.

— Ora, pensei que depois de ontem à noite, nos trataríamos com mais... intimidade?!

Arqueei uma sobrancelha e peguei o meu café e levei ate aos lábios fazendo uma careta quando o liquido amargo encontrou-se com a minha língua.

— Se bem me lembro, foi uma péssima noite na sua presença. Nossa isso ta horrível! E como eu não quero que estrague também a minha manhã... – Tentei adicionar mais açúcar a mistura. -Com licença, Café.

E assim eu lhe dei as costas e segui para a mesa mais longe que havia naquela Starbucks.

Quando achei que estava livre por hoje de todo drama adolescente que me cerca... Eu o vejo se aproximar rapidamente, esbarrando em um cara totalmente distraído com seu iphone de ultima geração. Homes e seus brinquedos... Ele ostentava sorriso cômico em seu rosto, o deixando ainda mais bonito.

— Você me chamou do que mesmo... Ana?

Vendo que ignoro sua pergunta na cara dura, o mesmo apenas puxa uma cadeira e senta-se na minha frente.

‘’ Ops. Anastásia! Mantenha a linha dura, mulher! ‘’

Minha consciência gritou comigo. Ok, ela estava mais que certa. Vamos fazer o Senhor Café pagar pela a noite humilhante de ontem.

— Que bom ver que está empenhada em arrumar um emprego, Srta.

Continuo olhando para baixo, como se minhas unhas fossem mais interessantes que a esse belíssimo espécime de homem a minha frente.

— Sabe o que é engraçado? – Falo tendo sua total atenção. – Eu odeio café! – falo levantando e seguindo para saída, entregando o meu café a um morador de rua que se encontrava ao lado da porta.

— No entanto, eu continuo insistindo que eu devo gostar. – Continuo a falar com a certeza de que o mesmo me seguiu até aqui fora.

— Já que é comum garotas da minha idade, preencherem suas tardes vazias com uma grande xícara de café e livros, dos quais elas não entendem nem uma linha do que é dito. E tem que reler o mesmo parágrafo várias e várias vezes ate que aquilo, de alguma forma, preencha o vazio de suas mentes e comece a fazer algum sentido para elas.

Ele me olha com os olhos arregalados, como se não entendesse aonde eu queria chegar.

‘’ É parece que o efeito surpresa você sempre consegue com ele. ‘’

Começo a andar rápido entrando no clima de Nova York vendo o mesmo em meu encalço.

— Já eu tenho a mente cheia. Você nem imagina. – Começo a rir com a minha piada negra sobre o que minha mente esta cheia. – Eu só preciso ler uma vez cada parágrafo para entender a história. No entanto, minha mente atribulada e cheia, parece não aceitar o fato de eu, Anastácia Steele, não gosta de uma das bebidas mais amadas do mundo. O mesmo acontece com você. Por isso que te chamei de café.

Eu me viro para ele e continuo:

— Eu consigo ler cada parágrafo de menino mimado, que tem o que quer na hora que quer... Mas mesmo assim eu insisto em permitir que o Sr. continue a me envenenar com o amargo, que a tantos fascinam, mas a mim gera repulsa. E me faz mais uma vez pensar que talvez eu seja aquela garota que tenha que ler o parágrafo mais algumas vezes, já que eu continuo fazendo sempre o que o Sr. quer que eu faça.

— Tá, eu não faço ideia do que você está falando. – Ele diz, e seu rosto não nega sua confusão. – Mas, antes que você saia correndo, como a dama indefesa ou até mesmo a Cinderela à meia-noite, saiba que seu carro ainda está comigo. Ocupando uma vaguinha no meu vasto estacionamento. Então... Se não for nenhum incômodo, será que você poderia pegá-lo de volta?

Meu carro! Como pude esquecer!?

Minha boca ficou fechada por alguns instantes. Eu estava indo tão bem ao colocá-lo no seu devido lugar e ele me vem com essa agora de carro? E agora? Como respondê-lo a altura do que ele merece? Bem, para não perder o embalo das respostas que este ser merecia ouvir fazia tempo, eu ergo o meu rosto para ele e com a maior naturalidade, respondo:

— Tudo bem. Peça para o seu motorista entregá-lo na minha casa.

Eu me viro para continuar meu caminho, mas fico estagnada no lugar com sua mão que envolve o meu braço.

— Você já me perturbou um bocado por causa desse carro. Faço questão de eu mesmo devolvê-lo, Srta.

— Então, é o seguinte. Hoje eu não estou com vontade de insistir no erro, tava pensando em suco de laranja. Quem sabe na próxima? Seu motorista sabe onde me encontrar.

Puxo meu braço, livrando-o de suas mãos e começo a me afastar antes mesmo que ele o enlace novamente. Mas... É inútil. Ele continua me seguindo. Ah, Senhor... Tão sistemático. Mas não darei meu braço a torcer.

Não mesmo!

Literalmente!

— Anastásia, tenha um pouquinho mais de educação e não me deixa falando sozinho! – Ele praticamente berra.

— Desculpe Senhor Café. Outra hora, quem sabe.

Viro a esquina e logo percebo que essa foi a pior besteira que fiz, pois sinto minhas costas serem pressionadas contra a parede de tijolos de um prédio histórico da cidade.

— É o seguinte, mocinha. Vamos parar com esse joguinho de você me falar meia dúzia de palavras esquisitas que só você entende e eu fingir que estou com saco para isso.

Meu queixo quase se junta aos meus seios de tão indignada eu fico com suas palavras idiotas.

-Ah é? E você vai me obrigar a responder bem do jeitinho que você quer? – Pergunto. Cruzo meus braços na altura do peito e o encaro de maneira... Mortal. – Vai querer me transformar na sua garota fantoche e aceitar as baboseiras que você fala e faz? – Ele franze a testa. – Caso não saiba, Leila é o nome da garota fantoche.

Christian recua um passo para trás e ajeitando o seu "terninho de ouro" em seu corpo escultural.

— Uau. Não sabia que estava tão chateada por causa de ontem. – Disse, sem o egocentrismo de sempre. – Foi só um jantar que fracassou Anastásia. Não é o fim do mundo. – Continuo encarando-o com minha pose de mulher determinada a exterminas todo o Café do mundo. – E também, não foi culpa minha. Eu não sabia que Leila ia aparecer no jantar, caramba!

Ok, talvez eu estivesse sendo durona demais, porém já estava cansada de ser feita de tapete pela mulherzinha vulgar que ele carregava a tira colo e ele mesmo não fazer nada.

Eu continuo com a minha pose, ignorando o seu olhar sincero de arrependimento, que no momento, começava a ferver de raiva. Espero sua respostinha afiada, mas ao invés disso, ele faz uma coisa que eu não esperava. O Senhor esquentadinho me faz derreter em seus braços, com um beijo. Seus lábios, ao contrário da pessoa que os carrega,são macios. E diferente do sabor amargo do seu humor diário, é doce, envolvente...

Lentamente, vai tirando-me da nuvem poderosa de amor próprio que eu criei entorno de mim e me envolvendo na sua de poder. Mas esse poder que ele carrega consigo, vai se transformando em algo mais... Brando. Sinto em sua língua o magnetismo que construímos quando estamos juntos.

Ah, sim... Eu me lembro!

Está aí o porquê eu insisto em pedir Café todos os dias.
NOTAS FINAIS

Notas finais
Nao deixem de comentar (: bjssss