50 Tons de Uma Cor Vibrante
11 Capítulo 11 - Um novo conceito sobre formaturas
Notas iniciais
Eu tenho um terno que nunca usei, foi dado por meu pai na esperança de que eu o acompanhasse numa reunião de trabalho. Nunca fui, e o terno ficou guardado, o que para minha surpresa continua a caber em mim. Levando em conta que havia depositado toda a quantia arrecadada com o talk show, para a conta do hospital, comprar um terno novo era um luxo que eu não podia me dar, a menos que recorresse à minha família. Isso nunca ia acontecer. Durante o dia tenho a oportunidade de visitar Penny no hospital e ajudar em algumas atividades mais práticas.
Robert não me atormentou desde o encontro em frente ao hospital, o que me leva a crer que talvez ele esteja entendendo o recado. Estando ainda liberado por conta da formatura, penso seriamente quando o trabalho intensivo da produção começar de verdade. Nunca estive nesse meio e sei que há muito a conhecer e acostumar ainda. Enquanto coloco alguns brinquedos na prateleira do quarto, Penny fica sentada em sua cama. Teve uma crise respiratória durante a madrugada e estava sob repouso. Escrevia o discurso da formatura quando a Doutora Rose me ligara aflita, dizia que Penny chamava por mim. E sai do instituto às 04:00 da madrugada. Fiquei com ela desde então e tentei terminar o discurso enquanto a observava dormir. Tudo estabilizou-se depois.
– Eu gostei dessa casinha nova, vou brincar com ela depois. – Ela comenta mexendo nos cabelos de Katy.
– Pode brincar com o que quiser, Penny. Só escolher. – Dirijo um sorriso par aela.
– Já ensaiou para o seu discurso? Isso é importante. – Penny recosta na cama e põe Katy sentada no colo, desta vez.
– Eu estou pronto, acredite. E eu trouxe algo para você. – Sai da estante ao pôr o último carrinho e me dirigi para um pequeno espaço onde deixava minha mochila.
Tiro da mochila um pequeno embrulho em estampa colorida, dentro o formato era de uma caixa. Seguro debaixo do braço e já posso notar o olhar curioso de Penny. Sentando em sua cama, puxo a embalagem e ponho no meu colo. Enquanto encaro seu rosto de expressão curiosa, vincula em minha mente o pensamento do que ela disse sobre ser feia. Isso não era justo, não era certo.
– Hoje é minha formatura, mas eu gostaria de dar um presente para você. – Passo minha mão direita em cima do embrulho.
– Presente para mim? Sério – Surpreendida, Penny fica de joelhos na cama.
– Bem, tenho muito para agradecer a você por hoje, Penny. Acho que se não tivesse conhecido você, provavelmente iria apenas existir, ou nem isso. Eu te trouxe isso. – Estendo a embalagem e observo seu rosto feliz.
O processo no qual Penny desembrulha o presente, faz crescer certa expectativa em mim. O que será que acharia daquilo? Cruzo os braços em frente ao peito e com curiosidade semelhante, vejo-a abrir a caixa e seu sorriso se transforma em quase lágrimas:
– Isso é mesmo para mim? – Tapa a boca com uma mão, com outra pega o conteúdo da caixa. A peruca loira com suaves cachos.
– É sim, espero que goste. Pensei em te fazer ruiva, porém, acho que uma anjinha é como eu te vejo. Essa foi a melhor.
– Significa que vou ser bonita de novo? – Ela exprime certa tristeza.
– Não! – Corto rápido. – Significa que vai ter cabelos lindos, para te deixar perfeita. Quer que eu ponha em você? – Indico a peruca em suas mãos.
– Sim, agora mesmo. Por favor. – O entusiasmo em seus olhos desperta algo bom em mim.
Adianto-me e pego o objeto de suas mãos. Com certo cuidado, vou pondo a peruca em sua cabeça.
– Feche os olhos, okay?
– Tudo bem, estrela. – E sei que ela o faz.
Quando termino minha ação, me afasto um pouco de Penny e digo:
– Não abra ainda. – Designo e pego-a nos braços com olhos fechados.
Caminho até um espelho grande que fica na parte próxima às mesinhas. Chegando ali, ponho-a no chão e virada de frente para o espelho:
– Abra!
Os olhos da menina abrem rapidamente e sua cara ao olhar o espelho é indecifrável. Penny passa um bom tempo olhando-se, até exprimir uma reação:
– Obrigado. – Diz fracamente.
– Gostou? – Pergunto, abaixando-me ao seu nível e olhando para ela de trás. Puxo o celular do bolso e antes que ela responda, indico minha bochecha para um beijo. Penny ergue seu risinho brincalhão e dá um beijinho. Tiro uma selfie.
– Estou me sentindo bonita, Teddy. Eu não sei como dizer obrigado, mas obrigado. – Ela vira-se e passa os braços por meus ombros. — Ninguém nunca fez tanto por mim na vida. Obrigado por não ir embora.
Prendo a vontade de chorar, passo as mãos por suas costas pequenas.
– Não, Penny. Você fez mais por mim do que tudo isso. Eu estou indo acaba algo que achei não ser possível. Hoje uma fase fica para trás, graças à você tive forças. Obrigado. – Desfaço o abraço e fico a mexer e ajeitar a sua peruca. Os olhos claros em contraste com o loiro da peruca, deram a ela a imagem que ela sempre vai ter em minha mente. Nada mais, nada menos que um anjo.
(...)
Ainda devo ter passado umas duas horas com Penny, antes que pudesse seguir para o St. Church. Deixei a roupa em cima da cama, juntamente com a beca do lado. O discurso estava pronto numa folha posto no bolso do paletó. Não podia esquecer nada. Já basta não ter sua família lá, não preciso também envergonhar os meus colegas. Diante do espelho do quarto, passo o pente e ajeito meu cabelo. Toda sorte de bagunça assola meu quarto, menos a cama, a qual eu deixara arrumada antes de ir visitar Penny. Passo o pente umas cinco vezes a mais, antes que me dê por satisfeito. A camisa está em parte aberta e o paletó ainda não havia sido posto.
Vou fechando os botões da camisa e tudo que faço, eis que contemplo minha cópia fiel reproduzir diante de mim. Quando ponho o paletó por cima a sensação de dever semi cumprido, apodera-se de mim. O último detalhe que ponho na roupa, certamente, é a gravata fina que a acompanhava. Esta é semelhante à gravata favorita do meu pai. É moldada em tons cinza, diferenciando-se por ser mais fina que a original. Apertando-a no pescoço, levanto da cadeira. A beca ainda me espera na cama, sendo esta o movimento seguinte que meu corpo faz para alcançar. De cor azul e detalhes prateados, a beca do St. Church é até bonitinha. Visto-a a o tecido recai por todo meu corpo. Resolvo não por logo o capelo. Ao terminar de me vestir, eis que estou novamente de fronte ao espelho.
Refletido no orgulho de trajar toda aquela roupa, também estão as memórias, e não é preciso de muito para saber quase prevalecem. Quando se conquista algo, é difícil não pensar no que foi posto no seu caminho, do quanto fizeram você parecer menor. Ainda tenho a sensação de tristeza, do vazio, todavia é algo que parece parcialmente neutralizado agora. Passo as mãos pela superfície da roupa e olho o relógio acima da parede. Faltava quinze para às nove da noite. Melhor eu ir, assim penso. Meus passos são interrompidos pelo bip do meu celular, está em cima da mesa e estranho a ligação em tal hora, sobretudo quando vejo uma numeração que não reconheço.
Será que é algo sobre o musical? Ou algo sobre Penny? Ao cogitar a segunda hipótese, pego o aparelho e aperto o botão de atender:
– Alô!? – Digo apreensivo.
– Teddy? – A voz diz com felicidade, mas sinto certa apreensão também. – É você mesmo?
Ai não. – Logo reconheço a voz da minha avó.
– Vovó Grace? – Pergunto com o coração iniciando ritmadas palpitações.
– É, sou eu. – Ela respira fundo. Estava chorando? – Hoje é a sua formatura? Fiquei sabendo há pouco.
– É sim, vovó. – Continuo a falar sem saber o que esperar.
– Eu estou com tantas saudades de você. Eu gostaria de poder ver isso. – Ela diz.
Não sei como prosseguir a conversa, não sei muito as cosias que devo dizer. A única cosia que sei é que meu coração está saltando pela boca. A voz ainda é a mesma, a doçura costumeira com a qual sempre me foi agradável. Eu sei que a amo do mesmo jeito.
– Gostaria que pudesse ver também, vovó. Eu sou orador da turma.
– Eu ficaria mais orgulhosa ainda de ver isso. – Ela está tentando não chorar, noto. – Seu avô mandou muito abraçados quentinhos.
– Mande outros. Por favor. – Após isso, não consigo conter a pergunta. – De que celular está me ligando?
– Eu provavelmente sabia que não iria atender um número que conhecesse. Eu comprei esse apenas para tentar falar com você. E me desculpe se incomodei.
Vovó esperta, sempre foi. Como não pude raciocinar sobre isso logo?
– Não incomodou, vovó. Eu quem peço desculpas por algo, na verdade, por tudo que aconteceu até hoje. – As lágrimas teimam em surgir e as empurro para longe.
– Teddy, você não tem nada a se desculpar com ninguém. Mas pessoas tem a desculpar-se com você, e isso é com o tempo. – Ouço e sei aquém se refere. – Eu te liguei para tentar pedir algo.
– O quê?
– Queria que pudesse vir ao meu aniversário no fim de semana. – Ela diz esperançosa.
Rever todos? Tão subitamente? Rever meu pai e tentar parecer que tudo é normal ou simplesmente ser ignorado? Não, não mesmo.
– Vovó, olha... Eu não acho uma boa ideia. – Digo para baixo.
– Sei que é por causa do Christian. – Ela se repreende e para automaticamente após dizer o nome dele. Acho que eu me incomodaria, na certa. – Seus pais não vão estar aqui, eles viajarão para Aspen na Sexta. E como sabe, não voltam até passar o fim de semana. E sábado é natal, passaria o natal comigo.
Aspen, minha última vez lá foi há dois anos. A época do natal era a melhor de todas, usar as roupas de frio e fazer anjos de neve eram as melhores coisas. Respiro sentindo a gelidez de Aspen em meus pensamentos, mas sem não sem processar o convite e a situação.
– Sabe que estou perto da Broadway agora, não é, vovó?
– Sim, sei. E meu Deus, eu preciso que cante só para mim. Mas para isso, preciso de você do meu lado primeiro. – Ela diz tentando me convencer.
– Eu não sei se terei compromissos da produção sábado. Não sei vovó, se poderei ir. Queria me desculpar antes, porém dizer que estou me sentindo feliz de falar com a senhora. É bom ver que alguém lembra de mim por aí. – Além daminha mãe, que me liga e eu nunca atendo, pois não estou preparado para isso ainda.
– Todo mundo lembra de você, Teddy. Se espantaria em saber, mas o Christian lembra de você todas as vezes que a família se reúne para festejar na sala. Aquelas reuniões de ocasião. Acho que ele se arrepende das cosias, todavia é daquele jeito dele. Não tenho dúvidas do quanto seus pais amam você. Seria querer demais que você pensasse o mesmo, não sei como é, no entanto, consigo imaginar a forma com a qual se sente. – Não, vovó. Ninguém imaginaria como me sinto. Vai além de ser deixado, beira a culpa.
– Acho difícil pensar em arrependimento quando se trata dele, mas obrigado por isso vovó.
– Acho que fiz o que podia, agora tem de ir para o seu ápice. – Ela aparece com a voz embargada novamente. – Formaturas são únicas, marcam cada momento. Aproveite-a, Theodore. Eu te amo, você sabe? – E ela chora.
Eu sabia que ela ia conseguir, e tenho certeza quando uma lágrima discreta escorre pelo meu olho direito.
– Eu também te amo, vovó. Eu te amo da mesma forma de seis meses atrás, talvez até mais. – Mande um beijo para minha mãe e para a Phoebe. Obscureço essa parte da ligação. – Devo ir mesmo agora. Me deseje sorte.
– Vai lá, meu Little Grey. – Estremeço ao ouvir o apelido. – Você ainda tem uma família, não esqueça disso.
– Obrigado. – Após dizer num tom baixinho, desligo o aparelho e ponho em cima do peito ao olhar-me no espelho.
É difícil prosseguir com tudo normal após aquele telefonema, no entanto, busco forças desconhecidas dentro de mim.
O campus do internato está perfeitamente produzido. É possível avistar grandes lamparinas decoradas ao adentrar na grande quadra, que no lugar do piso, agora tinha várias cadeiras enfileiradas e outras mesas na parte de trás. Cadeiras para os formandos durante a cerimônia, mesas para os familiares assistirem. Percebo que grande parte das pessoas já chegaram, visto que, parte dos assentos já está tomado por seus respectivos donos. Alfredo McMilliam, Catarina Strauss, Patricia Houston, vou passando pelos lugares ainda desocupados. Por meu nome ser com a letra inicial “T”, encontro meu lugar na penúltima fileira. A diretora Thredson conversa algo com o coordenador, lá do palco. Me vê chegar e com um aceno, dá-me das boas vindas. Correspondo o gesto e me sento.
A cerimônia atrasa por volta do tempo de uma hora, todos já estão impacientes quando a Diretora inicia a solenidade. Um ufa coletivo é ouvido, gerando posteriores risadas nas mesas dos respectivos familiares. De relance, algumas vezes olho para minha mesa lá no final e vejo-a intocada. Está nova em folha, pois não existe ninguém para sentar nela. Viro para a frente e assisto o discurso do coordenador, que fala sobre o quanto nossa turma havia crescido em todos os anos letivos. Eu não podia concordar e nem discordar, não sabia nada além dos seis meses em que aqui fiquei. Aplaudimos ao findar de suas palavras e a cerimônia decorre. Um nervosismo se instala em mim, minhas mãos começam a suar e passo uma na outra.
– E agora, com a palavra, teremos o orador da turma, o senhor Theodore Steele Trevelyan Grey. – Estou de pé antes que ela termine o nome, acho que é consequência do nervosismo crescente.
Uma onda de palmas interrompe o lugar enquanto vou e subo no púlpito. Olhando para tantas pessoas, consigo apenas pensar em como a Broadway vai ser pior, e mais do que isso, eu preciso encarar. Não tenho amigos, os conheço apenas de vista, porém é como se precisasse ser como se nos conhecêssemos há anos.
– Boa noite, colegas, pais de colegas e convidados de colegas. – Isso causa uma onda de risadas no lugar. – é uma pena que eu só tenha chegado seis meses atrás e não possa explanar o tanto quanto gostaria e deveria. Bem, acabamos uma parte da vida hoje. Bem aqui, deixamos as marcas dos nossos primeiros passos maiores. Acabar o ensino médio é como um sonho depois do maior pesadelo e antes do segundo maior pesadelo. – Mais risadas. – E nós deixamos um pesadelo a menos para trás. Estar aqui nesse palco e representando esta turma, significa muito para mim como pessoa, além de significar como estudante. Hoje, eu, Theodore, tenho sérios problemas para acreditar naquilo que posso fazer e se sou capaz, e tem sido uma honra imensurável ter sido escolhido para isso. Tenho a sensação de que daqui em diante será um teste da durabilidade dos laços e do que conquistamos aqui. Felizmente, alguns conseguirão levar para sempre as amizades, os amores. – Olho e vejo Patrícia abraçar James, seu namorado. Ela chora. – Mas outros, a gente sabe que nada dura para sempre. Só que tenho certeza de que levam daqui os bons momentos, e muitas vezes isso vale mais do que várias coisas palpáveis. Pense pelo lado bom, ninguém pode roubar seu coração. A menos que seja como a Patrícia e o James. – dou um sorriso meigo. – Victor Hugo pregava a realidade de uma sociedade hipócrita, uma França totalmente diferente do que se exibia, hoje não é muito diferente. Somos julgados por como somos, por quem somos, pelo que fazemos, pelo que dizemos. Seremos eternamente pessoas sujeitas ao que pensam de nós, e isso aqui, não só para mim, mas para muitos de vocês, tenho certeza que é um “eu posso fazer isso”. –Vejo algumas cabeças acenarem positivamente. – Houve um tempo em que eu não achava que eu estaria aqui, que na verdade, eu nem sabia o que faria com a minha vida. E vejam, eu estou aqui lendo isso, muito nervoso, diga-se de passagem. O que eu queria dizer para vocês, o mais importante de tudo, é como ouvi uma vez num programa de TV. Não são os sonhos não alcançados que nos derrubam, mas sim, aqueles que não ousamos sonhar. Tenho certeza de que vamos sentir falta dos lugares que conquistamos, das ilhas que desbravamos ou dos bailes que fomos esquecer o nosso sapatinho de cristal, ou nesse caso, o uniforme rigoroso do St. Church. – Uma última risada corre por todos. – Então é isso, pessoal. Eu só tenho a desejar para vocês o mesmo que para mim, se superem quando achar que as asas foram cortadas. A borboleta possui apenas 24 horas de vida, vivam como uma borboleta, mas perpetuem os seus dias com cores tão memoráveis quanto as das suas asas. Obrigado.
Fecho o papel e ponho no bolso, enquanto palmas e mais palmas ecoam pelo lugar, alguns dos rapazes assoviam e as meninas dão gritinhos. Faço uma reverência de cima e me dirijo ao meu lugar. Olhei para minha mesa antes de sentar e notei algo estranho nela. A figura que me olhava de braços cruzados. Robert.
O que ele veio fazer aqui? Isso não está acontecendo. – Sento em minha cadeira e olho para trás algumas vezes, durante o restante da cerimônia que ocorre. Ele levanta aquele sorrisinho de lado e eu mantenho minha expressão confusa, talvez indiferente. Viro-me para a frente pela última vez e não ouso virar para trás até chegar na hora dos diplomas. Ouço cada aluno começar a ser chamado e espero minha vez. Mexo na cordinha prateada do capelo e fico impaciente. Esse homem não vai me deixar em paz? Eu apenas trabalho com ele. Não o dei permissão para me seguir.
– Theodore Steele trevelyan Grey. – Anuncia a voz da Diretora.
Levanto-me do meu lugar e vou caminhando, os outros alunos e pessoas me aplaudem. Ao chegar no palco, seguro meu diploma e a Diretora Thredson me dá um caloroso abraço:
– Obrigado. – Digo em seu ouvido.
Com o sorrisinho após ao braço, sei que ela agradece também. Olho para a frente e um fotógrafo bate a minha foto ao sorrir com o diploma. Ergo-o no ar e uma outra foto é batida.
Depois da cerimônia dos diplomas, o tempo que se segue são de despedidas, até que o baile é finalmente anunciado, momento par ao qual eu estou sem nenhuma vontade de ir. Quando todos começam a sair e removerem as cadeiras, chega a hora de eu me dirigir par aminha mesa, recém-habitada por Robert. Vou andando e minha beca esvoaça por conta de alguns ventiladores no local. O encontro com uma garrafa de vinho espumante e ele serve duas taças:
– O que está fazendo aqui, Sr. Conroy? – Disparo.
– Vim festejar você, eu não perderia o meu célebre astro da Broadway concluir a escola. – E me estende uma taça. Eu apego automaticamente. Já pode parar de mexer comigo.
– Ah, Marianne pediu para desejar os parabéns pela formatura. – Ele diz. Foi? Mandou uma bomba relógio também, não? – Meu eu interior diz desaforado.
– Agradeça à ela. – Sou breve e polido.
– Qual é, Theodore? Vamos brindar o sucesso, tanto o atual com o futuro. – Ele estende a taça dele.
Com certa relutância e livrando-me um pouco das feições carrancudas, bato minha taça na dele.
– Ao futuro, estrela. – E ele leva o líquido até os lábios e o bebe. A contração dos seus lábios sorvendo a bebida faz com que eu sinta algo por dentro. Ainda assim, sorrio e bebo o meu vinho espumante.
– Pois bem, estou indo embora agora. Obrigado pela sua presença, Robert. — Tiro a beca e ponho no braço direito.
– Mas não vai ficar para o baile? – Pergunta chocado.
– Não! – Sou breve.
– Isso é uma afronta, Sr. Grey. Como não vai se embriagar e dançar a noite toda? – Ela coloca a taça na mesa e me encara.
– Tenho outras pretensões, como por exemplo, decorar falas e músicas. Dança também, já que temos uma Fiona, ogra, nos orientando. – Robert dispara uma gargalhada e vejo que o homem que conheci no teatro, certamente tem um espaço brincalhão também, por mais que eu ainda o encare sério. Cedo a risada depois.
– Sou seu chefe, eu quem te boto para fora e isto está fora de cogitação. – Ele bate em meu capelo.
Nossos olhos se encontram e eu devo dizer que vou ser eternamente grato à esse homem por me dar condições de ajudar a Penny, para além de todas as cantadas, da dureza de quando se dirigiu à mim nas audições, ele é um homem bom.
– Mas é sério, vou embora. Eu já estou formado mesmo. Só precisava disso para me livrar de mais um peso.
– Pode me acompanhar até o estacionamento? Preciso pegar seu o presente, acabei deixando lá. – Ele coloca as mãos nos bolsos.
Giro os olhos e ele me olha esquisito. Já que vou embora, resolvo acompanha-lo até o estacionamento.
Fico silencioso durante o percurso e percebo olhadas para mim no caminho. Estava só com o terno, e por falar nisso, o terno de Robert era mais do que elegante. A Ferrari negra de Robert está estacionada num lugar afastado dos outros, caminhamos lado a lado até chegar lá e ele destravar a porta.
Robert remexe em algumas coisas e depois dá a volta, vem até mim com uma caixa.
– Eu sei que agora vai voltar para Seattle, mas para sua infelicidade terá um contrato comigo que te obriga a ficar, no mínimo, três dias nessa linda cidade e com esse lindo diretor. St. Church não é mais uma opção residencial, então achei que ia gostar. Abra! – Ele ordena.
Diante do que ele diz, sinto-me apreensivo. Com certo temor seguro a caixa e a abro-a posteriormente.
– É a chave do seu novo apartamento. É uma cobertura bem na Time’s, sua nova casa. – Não consigo falar nada.
Estendo as chaves de volta.
– Não posso aceitar, Sr. Conroy. Mas obrigado.
– Ah, você pode sim. – Ele se aproxima e falar seriamente.
– Terei dinheiro mais à frente, comprarei o meu próprio.
Ele segura minha mão e a fecha com as chaves dentro. Era como se ordenasse que eu ficasse com o apartamento:
– Vai ficar com esse, Sr. Grey. Relevo muita cosia sua, mas não esta desfeita. Petulantes tem limite, até mesmo um cara gostoso.
A sua voz sexy me faz desviar o olhar e querer que aquilo passe. Ele puxa meu queixo e me força a olhar para ele:
– Tem noção do quanto consegue mexer num cara que não deixa ninguém mexer com ele? – Ele diz profundamente enterrado nos meus olhos.
Tenho, principalmente quando se trata de você. Fico calado.
– Ele apoia um braço contra o carro e a mão direita desce por minhas costelas, fazendo-me estremecer.
– Cada parte do seu corpo eu já observei, eu quero todas para mim. – Ele me puxa pelas costas rapidamente e fico imóvel. Seu rosto está barbeado, então não sinto a sensação arranhar quando ele passa seus lábios ao contornar meu pescoço. Seu movimento é rápido ao levantar meu rosto para si e atacar minha boca. Ele toma a minha chave das mãos com a mão que antes situava-se em meu quadril, jogando o objeto em cima do carro e depois segurando minha perna direita. Com outro movimento habilidoso, Robert levanta a outra perna e me faz erguer-se encostado no carro. Cobrimos a boca de ambos com o beijo um do outro. Seguro com os braços em seu pescoço e ele me prensa contra o carro.
Perco meu controle e não sei o que estou fazendo, porém sei que quero estar fazendo isso. Seguro em seus cabelos enquanto ele morde meu lábio inferior. Ele desce uma das mãos e puxa parte da minha camisa, pondo sua mão dentro da mesma e acariciando o meu abdome de uma forma excitante. Sou tentando a continuar, mas meu interior faz eu dizer:
– Chega, Robert. – Digo fazendo esforço para me soltar.
Sua boca corre voraz e beija-me o pescoço repetidamente, creio que ele deve ter notado minha sensibilidade naquela área.
– Não agora. – Consigo finalmente me esquivar de seus beijos e aterrisso no chão com a roupa toda desgrenhada.
Apesar da frustração dele, um sorriso sacana surge em seguida. Olha o estado da minha roupa.
– Isso valeu muito, mas esteja certo de que vou conseguir mais.
Resolvo pela primeira vez jogar com ele.
– Quem sabe? Afinal, estarei agora no meu apartamento de Nova York, não é? – Desencosto do carro e ponho a camisa para dentro. Passo o dedo polegar pelo contorno da barba rala. – Agora devo ir para meu alojamento, Sr. Conroy. Até mais.
– Não me provoca, garoto. Posso ser seu pior pesadelo. – Ele diz quase num rosnado.
O que está acontecendo comigo? Sinto-me excitar apenas com a ameaça, todavia estou disposto a resisti-lo por esta noite. Não é A noite.
– Não provocarei, não hoje. – Folgo a gravata do colarinho e a tiro rapidamente, colocando-a em volta do pescoço e dando uma piscadela para Robert.
Não sei de onde vem essa minha sensação de libertação, não sei se é o momento que simboliza literalmente uma liberdade, mas sei que estou gostando do aparente jogo que passa a existir cada vez mais. Robert ainda me é um enigma, porém se tornou um enigma que eu vou querer desvendar. É hora de encarar os medos. Já sou um adulto agora, e a julgar por medos. Eu já sei por qual deles eu começarei. Saio do estacionamento com a cabeça numa direção fixa. Meu computador, é hora de comprar algumas passagens.
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