Pov Anastásia

Só sinto dor. Minha cabeça dói... Meu peito dói... Uma dor alucinante dói em todas as partes do meu corpo. Mas não tenho ideia de onde estou, apenas sinto um vento gelado entrando em meu nariz, Tento me mexer, mas não consigo, meu corpo não obedece aos meus comandos.

De longe, ouço várias vozes, algumas delas, consigo distinguir, já as outras não.

Eu tento abrir os olhos, mas não consigo. Tento me focar em uma voz, mas não consigo, logo sou levada para a escuridão.

— ela sofreu uma contusão nas costelas Sr. Grey, além de uma fratura no crânio, que é fina como um fio de cabelo, por isso ela precisa de cuidados. Mas seus sinais vitais são fortes e estáveis, não há com o que se preocupar.

— então porque ela continua inconsciente?

— como já expliquei. A Sra Grey sofreu um grave trauma na cabeça. Mas mesmo assim, sua atividade cerebral está normal, e não há indício de edemas. Quando ela estiver pronta, seu corpo descansado ela irá despertar.

Christian parece angustiado, tento fazer sinal que estou bem, mas não consigo, não mexo uma fibra de meu corpo.

......

Parece que estou pesando uma tonelada, pois meus membros, minha cabeça, as pálpebras, tudo parado, sem um único movimento.

Mas graças a Deus que estou saindo da escuridão e assim consigo me concentrar nas vozes que estão ao meu lado.

— não adianta, porque não vou sair daqui- essa voz rouca só pode ser do Christian, ele ainda está aqui.

— pelo amor de Deus Christian. Você precisa descansar.

— não pai. Eu quero está aqui quando ela acordar, quero ser a primeira pessoa que ela vai vê.

— eu posso ficar aqui com ela. É o mínimo que eu posso fazer depois que ela passou por tudo isso e salvou a vida da Mia.

Mia! Cadê ela?

Ouço eles conversarem mais um pouco.

— todo mundo Achava que o Hyde estava fora do caminho, e a minha esposa que é louca... Aí que raiva, porque ela não me contou? A voz do Christian é uma angústia que só, me parte o coração.

— fica calmo meu filho. Ela foi de uma coragem surpreendente.

— corajosa, cabeça dura de uma teimosia ímpar.

Eles conversam mais um pouco, só que mais uma vez, sou levada pela escuridão.

O tempo passa, e não tenho noção de nada. Mas sinto uma necessidade enorme de fazer xixi. Então abro os os meus olhos, percebo que estou em um ambiente limpo e estéril em um quarto hospitalar.

Tento mexer meu braço, e quando o olho bem, percebo que o soro está preso na parte interna, viro a cabeça e meu coração gela com a imagem que vejo em minha frente.

Christian está dormindo ao meu lado, sentado na cadeira e debruçado na cama. Passo a mão em seu cabelo, delicadamente para não acorda-lo. Mas nem isso é suficiente pois ele acorda assustado.

— oi- falo timidamente.

— ah Ana. Sua voz e contida e transparecendo um grande alívio. Seguida, ele pega minha e a aperta delicadamente.

Dou uma rápida olhada em meu corpo, e vejo que minha mão está enfaixada, tento não me assustar. Quando a vontade de fazer xixi volta com tudo.

— preciso ir ao banheiro Christian.

Eu falo e vejo Christian revirar os olhos, que cretino, eu não posso mas ele pode.

— tudo bem- por ele fala e eu tento me sentar sozinha, coisa que não foi uma boa ideia, já que eu sinto uma dor excruciante.

— Ana, fica ai deitada que eu vou chamar uma enfermeira.

E assim ele faz, e em alguns minutos uma senhora na faixa dos 50 entra em meu quarto.

E mais uma vez, tento me sentar sozinha e lá está presente a dor.

— será que ao menos uma vez em sua vida pode fazer o que eu peço?- sua voz expressa uma raiva contida.

— Sra. Grey que bom vê-la, vou avisar a Dra. Bartley que a senhora está acordada- vejo ela se aproximando de mim- me chamo Nora, sabe onde está?

—sim em um hospital, e preciso muito fazer xixi.

— a senhora está usando um cateter.

Isso é nojento demais. Olho para Christian e em seguida para a enfermeira Nora em busca de socorro.

— por favor enfermeira, preciso ir ao banheiro.

— Sra. Grey...

— por favor- repito

— Ana= Christian fala serio

Como eles não me ajudam tento mais uma vez me sentar sozinha.

— está bem. Irei retirar o cateter, e Sr. Grey em um momento como este, acho que sua esposa irá querer privacidade.

— não irei sair daqui- ele fala incisivo

— por favor, Christian- peço a ele

— está bem, mais você tem dois minutos para tirar este catete- fala e dá um beijo em minha testa e em seguida sai, e ai a enfermeira Nora começa a retirar o cateter e em dois minutos exatos Christian entra no quarto, e quando vê Nora me ajudando a sair da cama.

— pode deixar que eu levo a minha esposa- ele fala e antes mesmo que ela possa falar alguma coisa, ele me pega no colo e com cuidado me leva para o banheiro, e só consigo vê a expressão de descontente da enfermeira nora.

— Sr. Grey eu posso fazer isso.

— não! Ela é a minha esposa, portanto eu a levo — fala e continua andando, e a enfermeira atrás, protestando mais Christian ignorando e ele ainda me repreende por eu está mais magra. Como se eu tivesse vontade comer ultimamente, ele me coloca no chão e eu me sento no vaso, enquanto ele fica me encarando.

— pode sair Christian.

— não! Eu vou ficar.

— sai Christian.

— faz logo Ana.

— eu não consigo com você me olhando assim- falo, é constrangedor fazer xixi com alguém te olhando, não é porque fizemos de tudo na nossa intimidade que ele pode me olhar enquanto faço xixi, por Deus, esse homem não sabe o que significa privacidade.

— Ana, você está fraca e pode cair e se machucar.

— por favor, a minha bexiga está pra explodir- falo em um sussurro.

— está bem, ficarei no lado de fora, e a porta aberta.

— porta encostada por favor Christian. Você não sabe como é constrangedor isso?- falo e ele revira os olhos e sai, deixando a porta um pouco encostada, e ai sim, começo a sentir um enorme alivio. Já de bexiga vazia e com cuidado e apoiando na pia eu me levanto com cuidado e me viro para o pequeno espelho, e a minha aparência me assusta. Estou toda roxa, os hematomas estão bem feios.

Dá até um arrepio me vê assim, meu corpo está todo dolorido, com cuidado lavo a minha mão que não está enfaixada, no caso, à esquerda, que foi menos atingida que a direita.

— terminei- falo e Christian entra no banheiro, e como da primeira vez me pega no colo e volta para o quarto, e com cuidado me coloca na cama.

— agora que o senhor fez seu trabalho eu posso fazer o meu?- a enfermeira Nora pergunta severamente a Christian.

— ela é sua- fala ele, e é nítido que ela não gosta do meu marido, ao que vejo ela é a única mulher que resiste ao charme de Christian Grey, menos mal, afinal eu não queria uma enfermeira que ficasse babando em cima dele.

— como se sente?- pergunta tentando manter a calma.

— estou com muita dor e muita sede.

— vou buscar um pouco de agua e em seguida irei verificar seus sinais vitais, e em seguida a Dra. Bartley irá examina-la- fala e vai buscar um copo com agua, e minha mão vai ao meu ventre e é ai que me lembro do meu pontinho. Será que ele está bem? Por Deus, que ele esteja bem.

— enfermeira Nora?- eu a chamo e ela se vira pra mim.

— meu bebê. Ele está bem?- minha voz sai em um sussurro, e então pela primeira vez ela e Christian se olham e ficam mudos e perdem a cor, isso não é bom.

— Ana- Christian fala.

— eu quero saber se está tudo bem com meu pontinho.

— é melhor a Dra. Conversar com a senhora.

— não! A senhora sabe o que está acontecendo, e eu quero saber o que é- começo a me exaltar.

— a senhora não pode ficar nervosa.

— então me fala, meu bebê está bem não está?- pergunto já com lagrimas nos olhos.

— sinto muito querida mais... Fala e meu coração se quebra, não. Meu pontinho não, eu não acredito.

— não, não, você tá mentindo. Meu bebê está aqui- falo e levo minhas mãos ao meu ventre.

— sinto muito, você chegou aqui em um estado muito grave, quando você deu entrada aqui já tinha sofrido o... Aborto.

— NÃOOOOOO... Isso é mentira, não acredito.

— Ana- Christian tenta vir até mim, mas eu o afasto.

— SAI DAQUI CHRISTIAN, SAI, SAI- grito e ele fica assustado, assim como a enfermeira.

— Ana, me escuta- ele insiste.

— SAI DAQUI, SAI DAQUI- repito e a enfermeira aperta um botão enquanto Christian tenta se aproximar.

— SAI, NÃO QUERO TE VÊ, você não queria nosso bebê, você não o amava.

— senhora se acalme, por favor.

— eu quero meu bebê, só ele. Não quero me acalmar.

Neste momento entra outra enfermeira empurrando um carrinho.

— prepara um calmante- Nora fala.

— NÃO QUERO CALMANTE- grito.

— não é justo, meu bebezinho não- digo enquanto choro descontroladamente, Deus não pode ser tão injusto, eu amava e queria meu pontinho. Agora não o tenho mais, Christian deve está feliz, afinal ele não o queria, me chamou de golpista. O fruto do golpe se foi como ele queria. Nora e a outra enfermeira tentam me aplicar à injeção mais não deixo, até que Christian se aproxima e me segura, fico o encarando com raiva, ele venceu.

Até que sinto uma picada em meu braço e aos pouco vou apagando e só uma coisa em minha cabeça. Pontinho... Meu pontinho.

....

Acordo e não sei por quanto tempo fiquei dormindo, vejo que Christian ainda está aqui.

Será que ele não sabe que não quero vê ele aqui? Não depois que descobri que perdi meu bebê.

— Ana podemos conversar?

— agora não Christian, outro dia.

— não! Nós vamos conversar agora Ana.

— eu não estou em condições de conversar, muito menos agora- olho pra ele, que está com uma aparência cansada, e para minha sorte uma mulher de jaleco acompanhada da enfermeira Nora entra no quarto.

— boa noite Sra. Grey, sou a Dra. Bartley, vim para vê como está?

Não falo nada, apenas deixo que ela me examine, ela afasta o lençol e o deixa no pé da minha barriga e em seguida levanta a camisola e começa a examinar meus inúmeros ferimentos anotar algumas coisas, depois ela começa a apertar as minhas costelas que estão doendo muito, muito mesmo que eu fecho os olhos.

— a senhora tem três costelas fraturadas, o que significa terá que fazer muito repouso, até que elas estejam saradas.

— claro.

— está sentindo mais alguma coisa?

— minha cabeça dói muito- falo em um tom baixo.

— claro. A enfermeira Nora irá lhe dá um remédio e é importante a senhora não fique de jeito nenhum nervosa- fala e eu então olha para Christian, que não tem nenhuma expressão.

Eu apenas concordo e então a enfermeira me dá um remédio, eu o bebo, elas saem e dizem que qualquer coisa é só chamar, ao ficar sozinha com Christian eu sinto a tensão no ar, tão forte que seria possível corta-la com minhas unhas.

Sua expressão está seria e fechada, e agora o olhando vejo que sua barba está por fazer, roupa amassada, enfim, ele está todo desgrenhado, mas ainda assim, muito lindo, resolvo falar alguma coisa.

— e a Mia estava mesmo com eles?- pergunto e sua expressão fica mais dura ainda.

— sim.

— como eles a pegaram?

— foi a Elizabeth Morgan- minha boca faz um perfeito O, como ela pode fazer isso.

Por um lado fico feliz que Mia esteja bem, já por outro, estou destroçada, como se tivesse sido atropelada por um trator.

— como? Ainda não entendo?

— ela a abordou na saída da academia- olho ainda sem o entender.

— não é hora pra isso Ana, você disse que está com dor, descansa= fala e dá um beijo em minha testa.

— eu preciso saber.

— o que importa é que Mia está sã e salva, graças a você — olho pra ele, sem me contentar com isso, eu mereço mais que isso- ela foi drogada, ainda sob o efeito das drogas, mas está bem. Você quem não está bem.

— eu não sabia o que fazer.

— deveria me contado, a Taylor, ou a Sawyer, todos estão putos de raiva com você- fala.

— você não estava falando comigo lembra?- ao ouvir isso sua expressão muda, fica sem vida, ele fica posso até dizer, triste- e ele disse que a mataria se eu contasse a alguém, eu não ia correr o risco disso acontecer.

— e o que aconteceu valeu a pena?- Não, claro que não respondo em pensamento.

— Ana, eu morri mil vezes desde aquele maldito dia que jamais será esquecido por mim- ele fecha os olhos, deixando que seus sentimentos transpareçam.

— que dia é hoje?

— segunda feira, você ficou inconsciente por quatro dias Ana.

Caramba quatro dias desacordada, quatro dias que eu perdi meu filho, quatro dias que, minha vida mudou drasticamente.

— Ana, eu sei que as coisas...

— não Christian, eu não quero mais falar disso. Não tem motivos para falarmos.

— meu amor- ele fala e em seguida me dá um beijo na testa.

—não faz isso Christian. Ainda está doendo, até quatro dias atrás tinha uma vida crescendo dentro de mim, e agora me sinto oca e sem vida, então por favor vamos esquecer isso e enterrar tudo, não alimente mais a minha dor.

— eu sinto muito pelo o que aconteceu- ele fala e eu não falo nada, apenas o encaro, e ficamos assim nos encarando e o clima é tenso e palpável que se pode cortar.

Até que em alguns minutos mais tarde eu falo.

— Christian, porque você não vai pra casa tomar um banho e descansar um pouco? Porque você está um trapo.

— porque eu não vou te deixar aqui e sozinha Ana.

— eu não vou fugir, e do jeito que estou, daqui a pouco a enfermeira nora vem me entupir de remédios para dor, vá para o Escala e tome um banho, faz essa barba, descansa um pouco.

— Ana eu não...- tenta falar algo, mas eu não deixo.

— Christian, eu estou bem, vá para o Escala e tenta descansar e mais tarde você volta, eu não irei sair daqui, depois de alguns minutos ele acaba concordando.

— eu irei, mas qualquer coisa chama a minha mãe, ela está de plantão hoje,.

— está bem, pode ir tranquilo que eu ficarei bem- ele se levanta um pouco e em seguida dá um beijo em minha testa.

— não irei demorar- fala e pega seu terno e sai, quando me vejo sozinha, as lagrimas rapidamente descem e choro tudo o que segurei de chorar na presença de Christian, como eu disse a ele, me sinto oca, sem vida e com um enorme vazio em meu coração.

Choro pela dor de perder meu bebê, por jamais saber se era uma menininha, um menininho, se teria os olhos azuis ou cinza, se seria parecido comigo ou com o Christian, como seria ouvir ele (a) me chamando de mamãe, não irei vê seus primeiros passinhos, seu primeiro dentinho nascer, minha barriga crescer.

Choro por saber que não irei saber como é ser mãe, por não realizar meu maior sonho, que é o de ser mãe, e principalmente por imaginar que Christian esteja feliz com o que aconteceu. Deixo as lagrimas descerem, e não faço nenhum esforço para detê-las, pelo contrario, quero limpar minha alma, tirar todo meu sofrimento, colocar para fora tudo o que não consigo por em palavras, as lagrimas estão aliviando minha dor.

Choro não sei por quanto tempo, até que alguém bate na porta, rapidamente eu limpo meu rosto e peço para a pessoa entrar e vejo ser a ultima pessoa que imaginaria ali em meu quarto. Carrick Grey.

— posso entrar?

— claro- digo enquanto limpo as ultimas lagrimas.

Timidamente ele entra no quarto e se aproxima da cama, seus imensos olhos azuis me analisam e não precisa ser um gênio para saber que meus olhos estão bem vermelhos e inchados, e pelos trajes deduzo que está no meio de seu expediente, rapidamente olho para o relógio ao meu lado e vejo que são 15h15min.

E sou surpreendida quando ele se aproxima de mim, e me dá um beijo em minha testa, isso foi totalmente estranho e surpreendente.

— posso me sentar?- não falo, apenas faço um gesto consentindo, e ele se senta na beirada da cama pegando em minha mão.

— Ana, menina maluca, não sei como agradecer o que você fez pela minha filha, serei eternamente grato a você. Ainda mais pelo que aconteceu com você — Deus, ele sabe do bebê? E eu não consigo decifrar sua voz.

Mas não sei o que dizer a ele, porque só a menção do pontinho faz com que eu tenha vontade de chorar, mas tenho que ser forte.

— como você está?- ele me pergunta.

— bem- falo e ele me olha com uma das sobrancelhas arqueadas- com dor- falo por fim.

— te deram algum remédio pra dor?

— Hidro... alguma coisa.

— ótimo, mas e o Christian?

— com muito custo mandei ele ir pro Escala, tomar banho e descansar um pouco.

— eu até que tentei fazer ele ir para descansar um pouco, mas ele não foi, não adiantou nada do que eu falei, ele não saio deste hospital desde quinta feira.

— ele me falou isso.

— e ele também está muito bravo com você, assim como todos nós.

— ele está sempre bravo comigo- falo e ele apenas sorri.

— como a Mia está?

— está melhor, mas com raiva do mundo, talvez isso até seja uma reação natural para tudo o que ela passou.

— ela ainda está internada?

— não. Já recebeu alta, está em casa com o Ethan, Grace está de olho nela, 24h, assim como você também está precisando.

Ele fica por mais uns 10 minutos, mas vai embora, pois precisa voltar para o escritório, mas antes de sair, mas antes de sair, mais uma vez ele beija minha testa.

Passei mais uma semana no hospital, Christian só saia quando eu praticamente o expulsava do quarto, nossa relação não é mais a mesma, ele de todas as formas tenta me agradar, mas isso não está surtindo efeito, pelo contrario, estou sempre me afastando dele.

Alias, não só dele, ultimamente não quero vê ninguém, sai do hospital e passo a maior parte do tempo trancada em meu quarto ou na biblioteca, lendo algum manuscrito. Já que estou afastada do trabalho, mais quatro semanas de repouso e isso está sendo o pior de tudo, eu preciso trabalhar para não acabar surtando de vez.

Depois que eu sai de casa, descobrimos o porque da raiva de Jack Hyde contra Christian. Ele culpa Christian por não ter sido adotado pelos Grey, e sua raiva por mim, é porque eu não quis nada com ele, além de me culpar por ter perdido seu emprego, convenci Christian a procurar seus pais para que eles pudessem ajuda-lo e assim ele fez, o que no final foi bom.

Mas fora isso, nada mudou em nossa relação, cada vez me afasto mais dele, estou parecendo um zumbi, não falo praticamente nada, não sorrio, não sou mais aquela Ana, e evito sair de casa, os paparazzi ainda estão loucos por uma foto minha, e não quero isso, então fico presa em casa. Quando Christian chega eu já estou dormindo, graças a um remédio que o medico receitou, então todas as noites eu o tomo, mas não tem ajudado muito, já que sempre acordo aos gritos devido aos pesadelos que tenho, ou melhor, ao pesadelo, sempre é a mesma coisa. Jack pega uma faca e abre a minha barriga, depois mata meu bebê, enquanto Elizabeth me segura, me forçando a vê ele matando meu bebê, mas eu não consigo vê seu rosto e nem o sexo, só vejo Jack o matando, então eu acordando gritando, Christian nesses momentos tenta me confortar, mas eu não quero, prefiro sofrer sozinha.

Agora estou aqui, no meu antigo quarto, sentada na cama, olhando para três peças de roupinhas de bebê e um par de sapatinhos vermelho que eu comprei. Eu tinha imaginado que Christian fosse ficar feliz com a surpresa, mas quem teve uma surpresa foi eu. Ele reagiu da pior maneira possível, eu sei que parece deprimente ficar vendo as roupinhas do bebê, sendo que não tem mais um bebê, para usá-las.

Mas eu sinto está necessidade, tenho que ficar pegando, cheirando e até imaginando bebezinho usando essas peças. Mas também, cada vez que eu pego essas pessoas meus olhos se transformam em cascatas, choro tudo, de tristeza, raiva, medo, é tudo tão agridoce.

Quando estou aqui olhando essas peças delicadas, perco a noção do tempo.

Mais preciso disso, talvez seja uma forma que eu encontrei para não surtar tanto, eu preciso me encostar cada pedaço que eu tenho, ou eu acabo me afogando.

—eu queria tanto que você tivesse aqui, eu iria ser a melhor mãe que você poderia ter. Você faz falta, muita falta, sem você aqui, é como se tivessem aberto um buraco enorme em meu peito, e este buraco não fecha de jeito nenhum. Porque você teve que me deixar pontinho? Iríamos ser tão felizes juntos, com ou sem seu pai, jamais abriria mão de você- seco minhas lágrimas bem na hora que Gail entra no quarto.

— Ana você... Ela para de falar ao vê o que tem em cima da cama.

— tá tudo bem? — pergunto.

— vim perguntar se você quer comer alguma coisa.

— não tenho fome Gail, mas mesmo assim obrigada.

— se me permite falar uma coisa.

— pode falar Gail.

— eu sei que está doendo, que as coisas estão bem difíceis nos últimos dias, mas você não pode deixar se abater assim, tem que reagir Ana.

— dói demais Gail, é como se faltasse uma parte muito importante para a minha sobrevivência, mesmo sem conhecer, eu já amava meu bebê, e agora ele não tá mais aqui.

— você é muito jovem, ainda vai completar 22 anos, logo você vai engravidar novamente.

— o Christian não quer filhos Gail, e ele me chamou de golpista, tem noção do quanto isso doeu? Eu nunca me interessei pelo dinheiro dele, nunca.

—as pessoas falam coisas sem pensar, depois se arrependem.

— não o Christian!

— sai um pouco desse quarto, você vai acabar doente, eu vou preparar um lanche pra você.

— não quero comer, só quero ficar aqui deitada.

— isso não é saudável. Você não é assim. Todos estão preocupados com você, apesar de estarem furiosos, Taylor e Sawyer estão preocupados com você. Você não é a Ana que a gente conhece.

— não tenho vontade de fazer nada, só quero chorar, as vezes penso que Deus também poderia ter me levado, não me deixar aqui, desse jeito.

—Ana, não fala isso nem de brincadeira, todos amam você.

— eu tô cansada Gail, todo mundo só sabe me criticar, nem uma palavra de carinho, eu fiz algo impensado e estou pagando caro por isso, mas não por isso deveriam me tratar assim, eu perdi meu filho e tudo o que recebo das pessoas são palavras duras, tô ficando cansada disso tudo, cansada da minha vida, não tenho nada a perder se eu morrer.

— menina você não pode falar assim, é claro que todos te amam- fala e me abraça, choro até não poder mais.

Depois de não sei quanto tempo, paro de chorar.

— vai tomar um banho, limpa esse rosto, que eu vou descer e preparar seu lanche, e Ana, não é bom você ficar vendo essas coisas, isso só irá te deixar mais triste ainda.

Fala e sai me deixando sozinha, ela tem razão, olhar para essas pecinhas me deixa mal, mas mesmo assim eu preciso disso.

Resolvo fazer o que ela pediu e guardo as coisas e em seguida vou tomar banho.

****

Agora eu estou aqui, na cozinha comendo o delicioso lanche preparado pela Gail.

— quer mais alguma coisa?-ela me pergunta.

— não Gail, está tudo delicioso.

—, você precisa engordar Ana.

— não consigo comer, você sabe.

Depois do lanche Gail não deixou que eu voltasse para o quarto, então fiquei na sala de TV vendo algum filme de comédia, e assim foi a minha tarde.

Quando o filme acabou eu tomei meus remédios e fui para o quarto.

E acabo pegando no sono.

Acordo e vejo que já é noite e Christian está sentado na poltrona ao lado da cama, e me olhando.

— está tudo bem?

— sim! Falo.

— você tem que reagir Ana.

— pra você é fácil, mas não é pra mim, tenta entender.

— você acha que eu não te entendo? Porra, você está assim a praticamente um mês, tem pesadelos e não me deixa te consolar, você não me deixa nem te abraçar, eu estou ficando louco Ana, não sei o que fazer.

— eu estou bem do jeito que estou.

— Ana, você acha que eu gosto de te vê assim? Não porra, você é minha esposa, eu te amo mais que a mim mesmo, e estou sofrendo feito um louco por não saber como te ajudar.

— não preciso que me ajude- falo e saio do quarto e ele me segue, enquanto desço as escadas.

— na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe- ele recita seus votos.

— não me venha com isso agora Christian.

— eu só quero te ajudar, quero que me diga o que eu tenho que fazer, só isso.

— ME DEIXA EM PAZ, não precisa fingir que está triste ou com pena. Porque isso é feio.

— não venha falar sobre como eu me sinto.

— EU. Queria o bebê, você não. Ate insinuou que eu fiz de propósito.

— eu peço desculpas mais uma vez, ou quantas você achar necessário. Eu fiquei surpreso e reagi daquela forma, e me arrependo de tudo que eu falei naquela noite. Eu...

— você não queria o pontinho, beleza, não precisa ficar assim, o fruto do golpe não existe mais, acabou, e para sua felicidade talvez não vá mais existir outros, pois não vou mais engravidar.

— Ana não fala assim meu amor.

— NÃO ME CHAMA DE MEU AMOR.

— mais você é meu amor, e só quero cuidar de você.

— agora é tarde pra isso Christian. Eu cansei disso tudo, cansei da minha vida, cansei de todos jogarem na minha cara o quão estúpida eu fui, ninguém precisa fazer isso, pois eu sei. Também sei o tamanho da minha dor. E que ninguém se importa com isso, porque se soubessem não teriam aberto ainda mais a ferida com palavras insensíveis. Estou cansada de ouvir de tudo mundo o que eu já sei. Mais vocês se esqueceram que eu perdi meu bebê, que preciso de colo, carinho, compreensão, amor, mais vocês só sabem me dá sermão. Não teve uma pessoa que chegou e falou, Sinto muito Ana, estou aqui se você precisar chorar, o que eu mais ouvi foi, foi idiota, não deveria ter feito isso, para de frescura, estou farta de tudo isso. O pontinho poderia não ser amado pela maioria de vocês, mais eu o amava e não aceito o que aconteceu. Mais porque devo me preocupar né? Afinal ele não era bem vindo nessa família, ele só serviria para comprovar que eu sou uma vadia interesseira, que estava o tempo todo de olho no seu dinheiro. Não é isso que pensam a meu respeito? — terminei de falar e vejo Christian de boca aberta.

— por Deus não...

— é isso sim, eu só sou vista como uma interesseira, então devem está radiantes em saber que o fruto do golpe não resistiu, assim você preserva sua fortuna. Era assim que seu pai me vê, se não. Ele não falado no acordo pré nupcial, como ele não fez com a Kate.

— digo em um só fôlego, quando Christian olha para a porta, e por instinto eu também me viro, para me deparar com o pai de Christian.

Por essa eu não esperava, mais o que ele está fazendo aqui?, tá certo que ele é o pai do Christian, mas eles nunca vem sem avisar antes.

— pai, o que faz aqui? — Christian pergunta indo até Carrick.

— vim conversar com você, mas pelo que vejo cheguei em uma hora errada- fala olhando diretamente pra mim.

— não! Estávamos apenas esclarecendo algumas coisas, vou deixar vocês sozinhos. Com licença- falo e deixo os dois sozinhos e volto para o antigo quarto das submissas,, me deito na cama e fico pensando em tudo o que está acontecendo.

Resolvo sair um pouco, preciso vê gente ou acabarei surtando aqui, então vou ao banheiro, faço minhas necessidades, escovo os dentes e em seguida tomo um banho, volto para o quarto e vejo algumas roupas que tenho aqui, me arrumo, pego minha bolsa e em seguida desço as escadas. Não vejo Christian nem Carrick, o que é bom. Não estou a fim de encarar os dois.

— Gail avise ao Christian que vou da uma volta.

Falo e vejo ela arregalar os olhos.

— está tudo bem? Vou avisar o sawyer.

— não precisa Gail! Eu só quero andar um pouco, vê gente, qualquer coisa.

— o senhor Grey não vai gostar desta história, ele não gosta quando você sai sem segurança.

— não é preciso incomodar o Christian com isso, ele está conversando com o pai, só avisa isso por favor.

Falo e saio, sem deixar que Gail fale alguma coisa, mais assim que chego a porta vejo Sawyer já me esperando.

— a Senhora Jones avisou que está de saída.

— sim, e eu preferia andar sozinha- falo e vou para o elevador e ele me acompanha.

— fui contratado para cuidar de sua segurança, me descuidei uma vez e deu no deu no final, não irei mais deixar isso acontecer, e Taylor irá avisar o senhor Grey.

— Sawyer, eu estou pedindo que me deixe ir sozinha- falo assim que as portas se abrem dois andares abaixo e um casal entra.

— a senhora sabe que não é possível, sua segurança em primeiro lugar.

Bufo em desgosto com isso, sei que deixei ele em uma situação desconfortável com o Christian, e que mais um vacilo e ele pode perder o emprego.

— tudo bem então — falo olhando pra ele, que não diz nada, alguns minutos depois o celular dele toca e vejo sua expressão mudar.

— sim Senhor- ouço ele falar e deve ser o Christian no outro lado da linha.

— sim senhor.

Eles ficam conversando por mais alguns minutos, até que chegamos a garagem, saímos do elevador e vamos para o carro de Sawyer, ele abre a porta e eu entro, em seguida ele fecha a porta e entra no lugar do motorista.

— a senhora gostaria de ir pra onde? Ele perguntou assim que ligou o carro.

— quero ir ao shopping.

Ele concorda e vai para o shopping mais perto do Escala, assim que chegamos saímos do carro e eu comeco a andar, não demora muito para aparecer inúmeros paparazzi, sawyer que até então estava a uma certa distância se aproxima e me leva para uma loja.

—, fique aqui até eu pedi reforço.

Balanço a cabeça concordando, tudo o que eu estava querendo era uma vida normal, poder viver como as garotas da minha idade, que podem ir ao shopping, cinema sem ter que enfrentar paparazzi por todos os lados, mas eu sabia desse pacote quando aceitei me casar com Christian, só não imaginava que fosse tão difícil carrega-lo.

Dez minutos aproximadamente Sawyer aparece juntamente com mais quatro seguranças do Christian e mais dois do Shopping.

— pronto, agora podemos sair- me fala.

— tudo bem- concordo e assim que saímos da loja.

— Senhora Grey é verdade que a senhora estava envolvida no sequestro de sua cunhada? Um magrelo de óculos pergunta enquanto eu continuo andando e os seguranças impedindo eles de se aproximarem.

— porque não vai cuidar da sua vida? que dá minha eu cuido.

— porque todos estão curiosos pra saber o que de fato aconteceu- sorri ironicamente.

— Sawyer, faça que todos eles saiam daqui, se não consegui chame a polícia, eu vim para me distrair, não para ser acusada de algo que não fiz — falo algo o suficiente para que todos ouçam, e continuo andando e eles me seguindo, enquanto sawyer tenta afasta-los, como não consegue ele liga para a polícia. Enquanto eu continuo andando, e sendo alvo de muitos olhares, tento não me importar com isso. Olho algumas vitrines, até que meus olhos vão para uma loja de roupas de bebê, imediatamente lembro do meu pontinho, quero chorar, mas estou em um local público. Então eu forço para não chorar, e continuo andando. — Senhora Grey como se sente ao ser apontada como cúmplice do sequestro da sua cunhada? — o magrelo grita novamente, então eu me viro para Sawyer.

— vá por favor até aquele magrelo e pergunte o nome dele é em qual jornal ele trabalha.

Peço e ele me olha com curiosidade.

— Sawyer, só faça isso por favor.

Ele então vai fazer o que eu pedi, enquanto fico aguardando com os outros seguranças, não demora muito e logo Sawyer volta, e me fala o que eu pedi.

Continuo andando, e sendo alvo dos olhares, vou a umas lojas, decido comprar algumas coisas, e por fim vou a lanchonete e compro um hambúrguer e refrigerante.

Lancho calmamente, quando vejo uma mulher entrando com uma menina de 1 ano e alguns meses, e ela está grávida. É inevitável não lembrar que até dias atrás eu tinha um bebê em meu ventre.

Depois que eu termino eu vou pagar o lanche, e falo para Sawyer, que já vamos voltar para o escala. E espero que Christian esteja mais calmo e que Carrick já tenha ido embora, não sei se consigo encara-lo, não depois do que eu disse, mesmo não sendo mentira.

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Chego na sala e para minha surpresa, Carrick não tinha ido embora, como todos da família estão ali, sentados e conversando.

— boa noite- falo e todos se viram pra me encarar.

—boa noite minha menina, como você está? — Grace pergunta vindo me abraçar.

— estou bem Grace, tenho que seguir em frente.

— Aninha, que bom que está bem- Mia fala enquanto me aperta em um abraço.

E assim todos vão vem me cumprimentar.

Mesmo não querendo, me sento com eles, e tento aparentar que estou bem, assim evito ter que dá explicações a eles.

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