50 Tons De Sombras
3 Grey
Notas iniciais
-Grey – resmungo ao telefone.
-Sr. Grey, aqui é do Hospital de Seattle. A sua esposa, Anastásia Grey, acabou de dar entrada.
Meu mundo parou. Faz tanto tempo que eu não escuto seu nome, e agora alguém do Hospital me liga, minha Ana e meu filho não estão bem. Estou tremendo inteiro, não consigo me controlar.
-Senhor – a atendente chama – Senhor, tudo bem?
-Sim – murmuro. – O que aconteceu?
-Sua mulher sofreu um acidente de carro, e está em estado grave.
-Estou indo. – desligo.
Tremulo, ando até o closet e pego a primeira roupa que aparece na minha frente, sei que estou me trocando, mas minha visão está fora de foco, minha mente está nublada. É tudo culpa minha, só minha, eu a abandonei quando ela mais precisava. Sou um monstro. Tayler já esta pronto para me levar, sem hesitar entro no Charlie Tango e deixo Tayler me conduzir para minha cova. Não vou suportar se algo acontecer a Ana ou ao meu filho, não posso conviver comigo mesmo sabendo que fui o responsável pela morte das pessoas que mais amo. Os soluços escapam pela minha garganta, e eu me abraço desesperado.
Graças a Deus, o piloto estava disponível, e em algumas horas chegamos. Pulei para fora do helicóptero e corri feito um louco para o Audi R8 que estava me esperando. Meu coração acelerava cada vez que nos aproximávamos mais do hospital. Entrei porta adentro, sem me importar com quem estava na porta.
-Anastásia Grey – informei assim que cheguei à recepção.
-Está em observação, quarto 389. – Ela me avalia – Grau de parentesco.
-Marido – murmuro enquanto corro para o elevador.
Meu coração para. Ela esta dormindo, pálida e lívida, parece estar… morta. As lagrimas escorrem sem permissão, e eu caio de joelhos ao seu lado.
-Não me deixe Ana, por favor – meu corpo inteiro treme e eu choro alto, a ponto de comover a enfermeira.
Meus pais chegam algumas horas depois, Mia esta distante, muito distraída, olha para Ana como se a culpa fosse dela. Grace me abraça e fala algo para mim, mas minha mente está entorpecida, não consigo processar as palavras dela. Meu pai senta ao lado de Ana e murmura agradecimentos em seu ouvido. A culpa me atinge. Eu nunca consegui agradece-la por salvar minha irmã, por salvar a minha vida. Espero meus pais saírem para ficar a sós com a minha mulher, não consigo ficar longe dela, dói muito.
-Ted – alguém murmura.
Rapidamente levanto a cabeça e ela esta ali, os olhos entrando em foco, ela geme alto, e seus olhos pousam em mim.
-Ana – sussurro baixinho, para não assusta-la. – Estou aqui meu amor.
Tem o efeito ao contrario, ela chora e começa a gritar, a enfermeira entra e pede que eu saia.
-Não posso – murmuro.
-Sr. Grey, o Sr. Está assustando a paciente.
-Por favor – imploro, ajoelhando-me – Deixe-me ficar.
-Sinto muito senhor – ela balança a cabeça, determinada – Ordens médicas.
Meu coração quebra em um milhão de partes. Os gritos vão diminuindo até cessarem, meus olhos estão inchados, doloridos, mas não me importo de ir lavar, não vou sair de perto do quarto, Ana pode estar brava comigo, mas eu preciso dela, eu preciso. Já cansado, adormeço ligeiramente.
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- Sr. Grey – uma voz suave me chama.
Levo um susto assim que abro meus olhos. Elizabeth, parada a minha frente com um buque de flores. A raiva perfura meu peito, O que ela esta fazendo aqui?
-V.O.C.Ê! – Sibilo ameaçadoramente enquanto me levanto.
-Eu vim ver a Ana, pedir desculpa – ela baixa os olhos, envergonhada – Eu não vi mais ela, queria agradecer e pedir desculpa.
- PEDIR DESCULPA? – rio amargamente – VOCÊ SABE QUE É EM PARTE CULPADA POR ISSO, NÃO É? – aponto para o quarto, onde Ana está adormecida – SE VOCÊ NÃO TIVESSE CONCORDADO COM AQUELE PLANO IMBECIL DO HYDE, ANA AINDA ESTARIA COMIGO, E ISSO NUNCA TERIA ACONTECIDO.
-Eu..Eu sinto muito – ela chora – Eu não tive escolha Sr. Grey, ele estava me ameaçando. Eu contei tudo a policia! Eu sinto muito. – ela cai aos meus pés.
-L.E.V.A.N.T.E.S.SE – rosno – E VÁ EMBORA!
-Senhores, isso não é comportamento para hospitais – a enfermeira nos repreende – Se isso se repetir, vou pedir que se retirem.
-Senhora – Elizabeth chama a enfermeira – Poderia entregar isso a Anastasia? – ela aponta para o quarto.
-Essas flores não vão entrar – rosno.
-Não é você quem decide – uma quarta voz surge.
Ana esta parada a porta, pálida e linda. Suspiro de alivio ao ver que está bem. Sem pensar ando até ela, pronto para lhe abraçar e encher de beijos.
-Não se atreva Grey – ela ameaça – Fique longe de mim.
-Ana – protesto.
-VAI EMBORA! – ela chora e entra no quarto, trancando a porta.
Não sei mais como reagir, eu não tenho mais um mundo, meu coração está quebrado e minha mente nublada. Não sei como reagir com tanta dor, estou morrendo, novamente e novamente. Tenho a sensação de ser levado por uma maré de tristeza, agonia. A dor me embala, arrastando-me para o fundo, o mais fundo que alguém consegue chegar.
“Ela não me quer.”
“Eu a magoei de mais”.
“Ela quer que eu vá embora”
“Não consigo, eu preciso dela, para viver”
“Anastásia”
“Fique, por favor.”
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- Sr. Chegamos.
-Taylor? Onde estou? – Acordo zonzo.
-Em casa, Sr.
-Não, não posso – resmungo sonolento – Ana.
-A Srta. Steele já está em casa. Ela e o bebe estão bem.
-Sra. Grey – Corrijo-o – Onde ela mora, quero vê-la.
-Sr. Não sabemos, ela tem bons seguranças – Taylor murmura zangado – Aproposito, sua irmã está ali para vê-lo.
-Mia? – desperto imediatamente – O que ela quer?
-Deixarei ela subir – Taylor vai até a porta e para – Senhor?
-Tudo bem Taylor – resmungo enquanto me troco – Mande-a subir.
-Imediatamente – Fecha a porta e sai.
Sem me importar, coloquei a primeira roupa que encontrei. A porta do meu quarto se abriu, Mia chegou. Assim que passo pela porta do closet congelo. Mia está com uma aparência horrível, nada típico dela, sem duvida andou chorando, a maquiagem está escorrida, os lábios inchados e o cabelo despenteado. A expressão está seria e amargurada, a postura caída e longas olheiras.
-Mia – grito em espanto – O que aconteceu?
Sem dizer nada, ela calmamente sai do seu lugar e se aproxima de mim. Estou pronto para abraça-la, conforta-la, dizer que tudo ficará bem, quando ela levanta a mão e acerta meu rosto em cheio. Em seguida da um passo para trás enquanto eu a olho horrorizado, ela chora descontroladamente.
-Monstro! – ela berra para mim
-Mia – digo espantado – Acalme-se.
-O que você fez a ela? Fale a verdade Christian!
-Você falou com a Ana? – minha curiosidade toma conta.
-É claro que sim – ela responde entre lagrimas – Não é porque ela se livrou de um imbecil como você que ela não se lembre das amizades.
-Mia, acalme-se – Levanto a mãe em sinal de rendimento – Conte-me, por favor.
-O que você fez Christian – ela soluça – Foi imperdoável. Ela nos odeia, ela nunca vai me deixar chegar perto do Theodore.
-Theodore? – franzo o cenho – Meu filho?
-Você é um monstro! – ela berra.
-Mia, me escute – agarro-a pelos ombros – Ana precisa de algo? Ela lhe disse se precisa…
-Não! – Ela me interrompe rindo – Ana é dona da IGLESIAS!
-O que? – Em choque, solto Mia. – Impossível Mia. Fazem apenas três meses ou mais que não nos vimos. Demorei anos para levantar a Grey Enterprise Holdings! E eu a teria descoberto ant…
-Ela usou o nome de outro acionista Christian! – Mia me interrompe – Pelo amor de Deus, não se faça de burro! Ela não precisa de nada. E como ela levantou tanto dinheiro rápido? Ela é capaz Christian! Você que nunca acreditou nela. Ela tem talento, sabe os bons livros, sabe negociar! Ela apostou alto num negocio e deu certo! Hoje a Ana é mais rica que você, seu imbecil!
Meu queixo caiu. Mia nunca havia me ofendido tanto antes, ela realmente estava com raiva. Apesar de tudo, não consigo esconder um sorriso. Ah Ana, sempre me surpreendendo! Eu nunca duvidei de sua capacidade, somente queria ela para mim, o tempo todo. Somente eu sei como é bom negociar com ela. Eu sinto tanto a falta dela.
-Você poderia, por favor, não contar nada aos nossos pais? – Fujo da linha de pensamento e me dirijo a Mia.
-Essa é a sua preocupação? Nossos pais? A Ana poderia ter morrido hoje Christian, você não se importa?
-É claro que eu me importo – resmungo – Só não quero a Dra. Trevelyan morta de preocupação. Eu quero a minha mulher e meu filho de volta Mia, estou disposto a tudo para isso.
-Mesmo? – ela ri amargamente – Está disposto até dormir com a mulher que molestou você durante anos! – ela grita.
-Como você sabe? – fico pasmo.
-Você não é o meu irmão – ela vai até a porta e antes de sair se vira para me encarar – Sr. Grey, quando vir Christian por ai, me avise, por favor. Preciso falar com meu irmão urgentemente. – dizendo isso sai.
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