- Sim? – Savannah responde imediatamente.

- Savannah, quero Dean aqui. Agora – ordeno – Ligue para a juíza da cidade e traga-a aqui.

-Mas Sra. Grey – protesta assustada – Devem ter uns cinquenta juízes na cidade.

-Chame todos – desligo. Droga, não posso ser tão inútil assim.

Dean chega a minha sala exatamente dois minutos depois, segurando inúmeras folhas de papel. Estou estressada, nervosa e cansada. Deve ter algo que eu possa fazer por Christian, não é possível.

- Mudou de ideia? – Dean se senta a minha frente – Sobre o divorcio?

-Sim – fecho bruscamente meu laptop – Não vou mais me separar de Christian, estamos bem.

-Então no que posso ser útil?

-Não quero explicar duas vezes, então vamos esperar nossos convidados chegarem – sento-me e espero.

Savannah consegue entrar em contato com treze juízes. Caramba, nem sabia que tínhamos tantos juízes na cidade. Ela me garantiu que poucos ficaram de fora e que foi preciso pagar uma nota pela presença deles. Pelo menos era por uma boa causa. Todos fazem exigências, águas, refrigerantes, comidas e mais um monte de baboseiras que mando Savannah providenciar. Dean me olha curioso, sem entender o motivo da presença dessas pessoas. Assim que todos estão confortáveis em suas cadeiras, dou inicio a reunião.

-Senhores – chamo atenção – Vou ser breve, preciso da ajuda de vocês.

-Ana – Dean se pronuncia – Precisa mesmo de todas essas pessoas?

-Eu não sei em qual departamento vocês trabalham – olho para todos, mas me concentro em Dean – Ou seja lá como chamam. Haverá um processo envolvendo meu nome.

-Sra. Grey – uma juíza loira e baixinha se levanta – Pode esclarecer melhor.

-Certo – respiro fundo – Sei que vocês assinaram um termo de confidencialidade, então se isso sair daqui, estarão mortos.

-Tem nossa palavra – ela responde.

-Uma garota assinou um termo de confidencialidade e agora quer lançar um livro sobre aquilo que ela jurou segredo.

-Onde entramos? – um homem que provavelmente tenta imitar Christian nas vestes pergunta.

-Ela era uma submissa do meu marido – rosno – Esse livro jamais será lançado! Quero uma audiência e não sei qual de vocês irá pegar o caso, mas independente disso, todo o dinheiro que ela me pagar será de vocês!

-Como é? – um dos juízes se afoga em sua água.

-Exatamente o que você ouviu – reviro os olhos – Isso seria o que? Danos morais? Quebra de sigilo? Eu não sei, mas sei que ela terá que pagar uma indenização, e meu advogado irá cuidar disso – olho para Dean e sorrio – Todo o dinheiro que ela terá que pagar será do juiz que pegar o caso, eu não quero nada.

-Podemos ajudar – uma morena sorri e todos concordam.

-Tenho certeza que sim – forço um sorriso e saio da sala.

Eu nunca estive numa sala com tantas pessoas interesseiras e falsas, argh! Vou até a sala de espera e me sirvo um chá, relaxando ao sentir o gosto docinho em minha boca. Talvez Christian queira saber disso, ou talvez ele fique furioso a ponto de me levar ao quarto vermelho da dor, ah, até que não é uma má ideia. Sorrio só de pensar em voltar lá, vai ser divertido. Droga, droga, droga! Hoje é a consulta com a Dra. Greene, merda! Vou atrás de Dean, preciso que esse processo seja rápido.

-Já encaminhei os papeis – diz orgulhoso.

-Quando?

-Enquanto você falava – ele aponta para seu laptop.

-Certo, preciso sair, cuide da empresa – quicando de felicidade, beijo sua bochecha, hora de encarar minha ginecologista furiosa comigo.

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-Anastásia – me repreende – Eu recebi ordens expressas do Sr. Grey que a partir das ultimas semanas era para fazer seus exames, como pode esquecer?

-Christian fez isso? – pergunto chocada.

-É claro que sim – responde carrancuda – Agora venha, vamos ver como está nosso Theodore.

Ela me manda ao banheiro para vestir a roupa de exames, que na verdade é um pedacinho de pano, nossa, se Christian visse, ficaria louco da vida comigo e com ela. A Dra. Greene já está me esperando com o aparelho ligado, fico nervosa. Ela passa um gel gelado em minha barriga e começa a massageá-la com um aparelho. A foto do meu filho aparece no visor da pequena TV. Não consigo conter as lágrimas, ele é tão lindo, tão pequeno. A Dra. Greene imprimi duas fotos, para garantir que eu não perca, me avisando para vir às consultas regularmente, sem atrasos, até onde ela me falou, Ted está meio serelepe. Lembro-me do sonho que tive, Christian chorando desesperado com nosso filho no colo, e eu na sala de cirurgia, morta. Vou andando até a empresa de Christian, já prevendo sua reação ao saber disso. A empresa de Christian continua tão linda quanto antes, só um pouco mais movimentada talvez. Andrea parece estar prestes a entrar em parafusos quando me vê.

-Andrea – cumprimento-a – Onde está Christian?

-E…Ele está em re…eunião – gagueja – Digo, reunião Sra. Grey.

-Ótimo, você tem algum envelope por ai? – pergunto docemente.

-Claro Sra. – ela me entrega um envelope de carta branca. Dentro coloco uma das fotos e escrevo uma breve mensagem.

“ Papai, estaremos esperando no seu escritório.”

-Andrea, você acha que a reunião vai terminar logo?

-Sim Sra. Grey – ela se levanta – Vou chamar o Sr. Grey.

-Não precisa – puxo seu braço – Assim que faltar cinco minutos para a reunião terminar você entrega isso a ele?

-Sra. Grey – murmura envergonhada – A reunião já terminou, eles estão apenas conversando.

-Tudo bem – solto seu braço – Entregue isso a ele.

Vou até o escritório de Christian e me sento no sofá. Ele já demonstrou querer nosso filho, mas será que ele vai ficar feliz com a foto? Talvez ele ache que eu estou pressionando de mais, eu deveria ir embora. Você já mandou a mensagem! Meu subconsciente briga comigo. Minha bexiga se enche, ah, ótima hora! Corro até o banheiro, aliviada. Antes que eu termine, ouço a porta do escritório bater. Christian.

-Ana? – grita desesperado.

-Banheiro – respondo.

Assim que saio do banheiro, sou surpreendida por Christian, ele me segura num abraço apertado. Ah, como é bom sentir minha família completa! Ficamos assim por um bom tempo, abraçados, sozinhos em nossa própria bolha.

-Obrigado – sussurra com a voz embargada.

-Do que? – me afasto e percebo que seus olhos estão molhados.

-Por você – beijo seu rosto e seco as lágrimas, não quero que meu Christian chore – Por nosso filho, por nossa família.

-Eu é que agradeço Christian – beijo sua mão, onde está o símbolo da nossa união.

-Ele é lindo – ri.

-Acho que ele vai ter seus olhos – comento.

-Preferia que fosse parecido com você

-Christian, a criança não tem culpa – rio – É melhor ele ser lindo como o pai, não desastrado e feio como a mãe.

-Se a mãe dizer isso de novo – murmura ameaçadoramente – Vou coloca-la sobre meu joelho e dar umas boas palmadas.

-Você não se atreveria! – corro, mas Christian me pega – Não vale!

-Sra. Grey, não corra – adverte.

-Cansei – levanto as mãos em sinal de derrota – Você tem que trabalhar, é melhor eu voltar.

-Você pode trabalhar aqui – sugere – Vou pedi ao Taylor para trazer suas coisas.

-Acho melhor não – olho sugestivamente para o sofá – Não acho que conseguiremos trabalhar juntos!

-Ah Sra. Grey – ele morde minha orelha, oh, isso tem ligação direta com a minha virilha – Você fica!

-Sim Sr. – ofego.

Taylor é rápido. Meu laptop e a papelada de livros já estão na mesa de Christian, mas assim como eu previ, nenhum dos dois trabalhou. Ficamos no sofá, conversando e comendo. Lembro do verdadeiro motivo de estar aqui, o processo. Me aconchego mais em Christian, e agora ou nunca.

-Christian – aperto sua mão.

-O que foi baby? – ele descansa a cabeça em meu pescoço.

-Entrei com uma ação judicial contra Susannah.

-Por quê? — oh merda, ele não gostou.

-Porque ela assinou um contrato de confidencialidade, não pode quebrar.

-Ana, isso vai vazar.

-Eu já cuidei disso também – digo orgulhosa.

-O que você aprontou – sei que ele está revirando os olhos.

-Chamei todos os juízes de Seattle no meu escritório, e ofereci a eles todo o dinheiro que eu ganhar nessa causa.

-Tenho certeza que concordaram imediatamente – ele ri.

-É claro que sim!

-Certo Sra. Grey – ele força um sorriso.

-Hey, o que foi? – pulo em seu colo.

-Eu quero cuidar de você, não ao contrario – confessa.

-Grey, você já cuida de mim – beijo o canto da sua boca – Você é tudo para mim Christian.