Notas iniciais
gente eu realmente sinto muito pela demora, mas é que eu estava quase reprovando na escola e tive q me concentrar pakas nesse trimestre q fiquei fora, mas enfim um cap bem esperado q é a reação do Dam com o bebe.. não está tão grande, mas também não está tão ruim, espero q gostem e não me abandonem!

10 anos antes...

Encostei a cabeça no encosto do sofá. Ele era bege e levemente felpudo muito confortável ao contrário do que jazia em minha antiga casa. Enrolei-me com mais força no meu cobertor observando minha nova mãe trazer várias e várias caixas do quarto para a sala.

– Dam, meu amor, você quer ajudar a mamãe a arrumar a árvore? – Minha nova mãe pergunta carinhosa. Ela tinha cabelos cor de mel, olhos cinzentos e um sorriso angelical. Não conhecera minha mãe verdadeira, mas se ela tivesse metade da beleza e carinho que minha nova mãe tem, ficaria feliz em passar minha infância a seu lado.

Ao invés de responder, fiz um leve aceno positivo com a cabeça.

– Você pode colocar os laços enquanto penduro as bolas, certo? – Concordo novamente.

Eu realmente não era muito bom com palavras. Não gostava muito de falar. Para mim era difícil o fato de estar em uma família perfeita quando você não é perfeito. Então era mais reservado em meu canto, apesar de às vezes rir e brincar um pouco com minha irmã Caroline.

Ela, aparentemente, era a única pessoa da face da Terra, que tinha a força sobrenatural de me fazer agir como um garoto normal de 14 anos de idade, e não um corrompido cheio de merdas e fardos passados.

O que me faz lembrar de antes... Muito antes. Mais precisamente, o meu primeiro natal de verdade. Com quatro anos de vida, meu pai, meu irmão e eu, festejávamos o natal, coisa que não fizemos no ano anterior por conta da morte de minha mãe. É uma lembrança triste, mas ao mesmo tempo única.

– Feliz natal! – Saldou Carrick ao hall de entrada tirando-me de meus devaneios. – Onde está a minha família perfeita? – Em suas costas, jazia um grande saco vermelho, que supus estar cheio de presentes. Alegrei-me em saber que possivelmente um ou mais deles seriam para mim.

– Estamos na árvore, meu amor. – Quando chegou até nós, Carrick depositou um beijo nos lábios de minha mãe para depois me beijar na bochecha. Recuei assustado. Ainda não estava acostumado com a presença de meu “novo pai” já que um sentimento de culpa e saudade se encontrava em mim pelo meu pai biológico. Carrick sorriu sem graça. Encolhi-me mais ainda diante do olhar repreendido de minha mãe Grace.

– Vamos jantar. – Sussurrou Carrick. Encaminhamos-nos até a mesa repleta de comida. Klaus já estava sentando aparentando impaciência, enquanto Caroline devia estar ainda se arrumando junto á babá.

– Onde está a Caroline, mamãe? – Klaus bufou impaciente. – Ela não vai para uma festa, então me lembre o motivo de tanta demora em por um simples vestido.

– Paciência é uma virtude, Niklaus. – Disse minha mãe pacífica, lembrando-me do motivo de eu tanto amá-la.

– Estou aqui, qual o motivo de tanta algazarra, Nik? – Minha irmã desceu mais magnífica do que imaginara que ela podia ser. Seu sorriso era contagiante e o contraste de seu vestido carmim com sua pele levemente bronzeada a fazia aparentar um anjo. Meu anjo...

– Vamos comer logo. – Rolando os olhos, pela apatia de Klaus, sentamos e começamos a comer.

– Está uma delícia não acha, Dam? – Car sorriu de boca cheia para mim. Assenti rindo levemente.

– Amo aspargos, Car. – Disse antes de por mais uma garfada com o alimento na boca.

– Por isso mandei fazer. – Sorriu amorosa pegando em minha mão. – Quero tudo do bom e do melhor para meu novo irmãozinho.

– Não se esqueçam de mim. – Klaus apontou para si mesmo. – Sei que sou chato às vezes, mas amo nossa família.

– Então pegue na mão do seu irmão e vamos fazer mais uma oração. – Damos as mãos e nossa mãe começou a orar: — Senhor, agradeço por ter feito mais uma refeição, coberta pela proteção de meu lar, rodeada pelo amor de minha família e recheada de saúde. Espero ter melhores dias assim, Amém!

– Amém! – Repetimos em uníssono.

(***)

Tentando não tropeçar em nada, segui para cozinha. Lá fora, já se passava das quatro da manhã, porém meu organismo, em especial meu estômago, aparentava não saber disso, me fazendo sentir uma fome indomável. Já podia imaginar o doce chocolate e a quentura do leite em minha língua.

– Temos que ser fortes, Carry. – Foi a voz doce de minha mãe que me fez estancar no meio da escada e parar, abaixando-me, afim de não ser notado. Prestei mais atenção à conversa e pude perceber que meu pai acalentava minha mãe que chorava copiosamente.

– Eu sei, meu amor. – Foi a vez de Carrick falar. – Vamos cuidar bem dele.

– Eu sinto que o Damon não se encaixa em nossa família. – Oh! Estavam falando de mim. – Eu estou com tanto medo. Qual será o jeito certo de cuidar dele? Ele poderá crescer normalmente e construir uma família?

– Mas é claro que sim! Ele é como qualquer outro. Como a Caroline, como o Klaus e Rebekah.

– O que aquele pobre garoto passou, Carry... Eu sinto que devemos dar uma atenção especial a ele.

– Escute, olhe para mim, meu anjo. – Carrick forçou o rosto de minha mãe em sua direção. – Vamos tratá-lo normalmente, ele não precisa se lembrar do que passou a cada momento. Sei que é difícil ser pai, ainda mais de alguém como Damon, mas, o que eu estou querendo dizer é que... É difícil com qualquer um, mas não é impossível. Eu já o amo como se ele fosse meu.

Saio correndo para meu quarto com lágrimas nos olhos.

Um estorvo! Era assim que me sentia.

Um intruso! Um qualquer! Alguém indesejado que se apossa do que não é seu...

Era assim que me sentia...

(***)

Não! Não, não e não!

E se eu não disse antes, não!

Não queria ser pai, não queria esse ser estranho e inconveniente que se acomodou na barriga de minha mulher. Não queria passar por isso!

Jamais conseguiria exercer a função de pai. Motivo? Mal fui criança, como vou cuidar de uma? Como vou ser para ela o que não foram para mim até meus 14 anos de idade? Como vou protegê-lo? Não quero que a Elena passe pelo o que minha mãe passou.

E como num sonho ruim, todos meus fantasmas do passado caíram sobre minha cabeça. Todos os males e dores antigas deixaram-me amedrontado como não estava há dias. Estava atônito, fitando a morena á minha frente, impassível.

– Você não vai falar nada, Damon?

– Por favor, diga-me que é mentira. – Sussurrei aparentemente calmo. – Diga-me que apenas está testando meu alto-controle e que tudo isso não passa de uma brincadeira sem graça.

– Não é mentira, muito menos uma brincadeira, Damon. Desculpe-me. – Sua voz era apenas um murmúrio sufocado por soluços, seus olhos cobertos de lágrimas.

– Droga Elena! – Vociferei. – Para que serve a merda da injeção se você não a toma mensalmente? – Gritei ainda mais alto.

– Oh! Por favor, não faça isso. – Soluçou. – Não faz bem para o bebê.

– Eu não quero saber o que é bom para o bebê ou não! – Andar em círculos pelo quarto mostrava o quanto eu estava transtornado. – Tinha planejado uma vida plena e feliz ao seu lado, mas agora são apenas... Merda e vômito. – Balancei a cabeça, atordoado. – Eu não estou pronto para ser pai... Eu não quero... Isso. – Apontei para o ventre de Elena, me referindo ao ser que jaza ali, com desgosto.

– Você estando pronto, ou não, você querendo, ou não, o problema é inteiramente seu, Damon. – Sibilou. – Ele já está aqui e daqui não sai até a hora de nascer.

– Você que sabe Elena, mas eu não o quero e isso não vai mudar quando ele nascer.

– Por que, Damon? Por que você tem tanto medo de construir uma família e ser feliz?

– Eu queria ser feliz com você. SÓ com você. – Frisei as palavras.

– Eu sinto muito. – Sussurrou.

– Quer saber? Que se dane! – Bati a porta com força antes de sair daquele quarto. Estava sufocado e precisava sair dali antes que explodisse. Um bar nunca foi tão certo quanto agora.

(***)

Meus joelhos enfraquecidos cederam até que eu estava no chão. Desolada, com a mão no peito, tentava conter a dor que Damon propusera-me. Mentalmente, implorava para que tudo não passasse apenas de um sonho ruim e que ele tivesse reagido bem. Apesar de que sua reação ruim era mais do que certa.

Oh, por que não pode ser normal? Por que ele não pode simplesmente dar-me um abraço e dizer-me que tudo ficará bem e que sempre estará ao meu lado? Por que não podemos ser felizes ao menos uma vez juntos? Eu realmente não sei.

Talvez eu esteja pagando pecados passados, ou sofra de um carma terrivelmente forte, ou pior, seja mesmo uma puta de uma azarada da qual o destino resolveu fazer sofrer até seu último suspiro de vida. Seja lá o que for eu não sei. Essas respostas eu não podia encontrar e mo momento o mais propício era apenas uma coisa: orar.

Fiquei esperando-o horas a fio, sentada àquele sofá que, no momento, parecia-me tão duro e desconfortável. Afaguei minha barriga, conversando com meu bebê e prometendo-lhe que, não importando o que acontecesse, sempre o amaria e estaria ali para ele. Afinal, meu pequeno pontinho brilhante não tinha culpa dos medos de seu pai perdido.

Já era madrugada e eu cochilava no sofá, antes de acordar sobressaltada, ouvindo um barulho forte da porta sendo fechada. Damon entrou cambaleando e apressei-me para estar ao seu lado. Dele, vinha um forte cheiro de Whisky e ele estava completamente embriagado aparentando um moribundo infeliz. Apoiei seu braço em meu ombro, e com dificuldade, caminhei até seu quarto com ele praticamente adormecido.

– Elena... – Sussurrou jogado á cama. – Por que você o deixou tomar o que é meu? Agora está me dando atenção, mas espero só até isso nascer, você nem vai ligar mais pra mim. – Ouvi-lo usando “isso” para se referir ao nosso filho era dilacerante. Conter as lágrimas era quase impossível. – Eu te pedi...

– Irá me perder se continuar agindo assim. – Minha voz estava embargada. Engoli o choro. – Agora durma, por favor. – Antes de terminar de falar ele já estava adormecido, em um sono profundo.

Lentamente, tirei seus sapatos, para depois retirar sua roupa. Por fim, deixei-o apenas de cueca. Fitei seu belo corpo, seminu por um tempo. Ele não tinha cicatrizes físicas, porém tenho certeza que sua alma estava repleta delas. Não queria pensar nisso, estava na hora de dormir e fui me preparar para isso quando notei seu celular piscando sobre a escrivaninha. Tomei-o em mãos, abrindo a seguinte mensagem:

“Alguns hábitos nunca mudam. Apesar de diferente, nossa noite foi ótima. Desejo melhoras no problema. De sua amiga querida, Kamila¬¬x”.

Puta merda, era ela! Eu mal posso acreditar! Enquanto eu estava aqui ele estava lá... Com ela! Enquanto eu chorava por ele, ele bebia... Com ela! Não podia pensar no que mais eles estava fazendo além de beber. Queria sumir evaporar e acordar de um sonho ruim, não podia ser verdade!

Não queria mais chorar por ele, mas já estava o fazendo. Chorava tanto ao mesmo tempo em que me perguntava de onde surgiam tantas lágrimas e se elas, em algum momento, teriam fim.

Em minha mente, hipóteses do porquê de Damon agir assim surgiam. Talvez ele estivesse dando o troco, fazendo com que eu sofresse o dobro, ou melhor, o triplo do que eu o fizera sofrer. E, sinceramente, eu não me julgava merecedora desse castigo tão... Imensurável.

Era esse o amor verdadeiro que ele jurava sentir por mim? Era esse o modo com que ele me queria para sempre? Magoando, despedaçando e fazendo sofrer? Se sim, não o queria mais a meu lado. Nenhum amor paga o que ele está me fazendo. Recusando nosso filho e me traindo tão cruelmente.

Iria sair dessa merda antes que todo esse sofrimento, de algum modo, se torne prejudicial a meu filho. MEU FILHO! Filho que cuidarei sozinha e amarei com toda a força e vigor que nunca senti por algo antes. Ele era parte de mim, minha vida e minha dedicação.

E seu pai? Sumiria da sua vida para nunca mais voltar. Tiraria toda essa merda e vômito de perto dele. Eu seria uma nova Elena. Uma Elena mais forte e determinada do que jamais fui.

Com um novo propósito, de cuidar do meu filho e ser feliz, ergui a cabeça e comecei a arrumar minhas coisas. Sairia daquela casa hoje mesmo, naquela madrugada fria e taciturna, sozinha e despedaçada, pra nunca mais voltar. Iria recomeçar de um jeito ou de outro...

Continua...

Notas finais
E então? o que acharam? não saiam sem comentar..bjs