Notas iniciais
ahhh nem dmeorei tanto assim graças a Deus ehehuehue boa leitura!

Querido Damon...

Quando você estiver lendo essa carta eu devo estar bem longe. Eu realmente sinto muito por tudo que aconteceu e ainda não acredito nos motivos ou razões de termos chegado a esse ponto. Sei que está com medo e me ama, nunca duvidei disso, mas tenho que ir. Pelo nosso bem, eu tenho que partir. Não posso continuar com você enquanto pisa em mim e nosso filho. Sinto-me uma pecadora recusada, alguém que fez algo terrível para você e merece ser punida. Não aguento isso! Nem todo o amor que eu sinto por você me faz aceitar o fato de você tratar nosso bebê como “isso”. Quero que seja feliz ao seu modo (seja sozinho, com sua “amiga” ou com uma nova submissa) e, por favor, não me procure mais!

Li aquela carta uma última vez, antes de deixá-la em cima da cama daquele quarto vazio. Optei por largá-la onde seria mais conveniente (o quarto de jogos). Controlei as lágrimas insistentes, e, involuntariamente levei a mão a minha barriga, imaginando o serzinho que já crescia ali dentro.

Permiti-me devanear em como seria se o Damon quisesse esse filho. Seria tudo tão mais fácil se ele tivesse aceitado bem. Há essa hora, poderíamos estar deitados agarradinhos, enquanto ele alisava minha barriga e discutíamos o sexo do bebê e com quem ele iria se parecer mais.

Balancei a cabeça, a fim de espantar esses pensamentos confortantes. Sei que isso jamais aconteceria e por isso mesmo iria embora. Iria ser feliz ao meu modo, sem Klaus, sem Stefan e sem Damon com todas suas bagagens.

Foi com essa determinação, que fechei o zíper da minha última mala. Estava um pouco pesada, mas dava pra carregar. Eu vestia uma roupa simples, quem não me conhecesse julgaria que estava indo a um enterro. Bom, figurativamente era, sim, um enterro.

Desci as escadas com minhas duas malas, me surpreendendo ao descer o último degrau. Caroline olhava para mim confusa e assustada. Puta merda! O que eu diria a ela? “Oi Car, como vai? Estou indo embora, pois seu irmão é um filho da mãe covarde e medroso que não quis assumir nosso bebê.” Definitivamente essa não era a melhor opção.

– Elena, algum problema? – Franziu o cenho.

– É... Não, amiga está tudo bem. – Amaldiçoei-me por gaguejar.

– Onde está o Dam? Vim desejar feliz aniversário a ele. – Putz! Com tudo que aconteceu, esqueci-me totalmente o aniversário do Damon.

– Dormindo. – Respondi rápido, rápido até demais.

– E essas malas? – Suspirei rendida.

– Estou indo embora. – Sussurrei tão baixo que, se ela não estivesse tão perto, não seria capaz de me ouvir.

– Embora? Mas por quê? – Perguntou mais confusa ainda.

– Eu estou grávida, Car e... – Falar fora impossível quando recebi um imenso abraço apertado de minha cunhada, ou ex-cunhada, não sei.

– Oh! Meu Deus é maravilhoso! Que notícia perfeita! – Exclamou com total orgulho e, naquele momento soube o quanto seria para o Damon recusar esse filho com toda sua família atenciosa e altruísta presente.

– É. – Disse evasivamente. Fechei os olhos, orando silenciosamente para que a obra divina, de alguma forma, me tirasse daquela casa antes do dono acordar e as coisas ornarem-se terrivelmente complicadas.

– Mas você ainda não me explicou o motivo de estar indo embora. – Ergueu uma sobrancelha.

– O seu irmão, ele... – Respirei fundo me preparando para passar aquela notícia. – Ele não quer o bebê. – Senti uma lágrima descer por meus olhos.

– Ele te expulsou daqui? – Perguntou aumentando algumas oitavas em sua voz, totalmente incrédula.

– Não! – Apressei-me em responder. – Escolhi ir por vontade própria. – Encolhi-me diante de seu olhar acusador. – Vai ser melhor assim, Car. Eu tenho que ir com as memórias boas que eu tenho dele antes que ele me machuque mais o que já fez.

– Elena! – Jogou as mãos para o alto em um ato de indignação extremamente parecido com sua irmã Caroline e perguntei-me se elas não eram mesmo irmãs de sangue.

– Escuta nada que você disser me fará mudar de ideia, portanto me deixe ir embora, por favor.

– Então venha comigo, eu prometo não falar para o meu irmão onde você está.

– Por que você ficaria do meu lado ao invés do lado de seu irmão? – Questionei.

– Por que eu gosto de você, e de qualquer forma, esse serzinho – aproximou se para poder colocar as mãos carinhosamente em minha barriga. – é meu sobrinho. – Sorriu.

Olhei para ela indecisa, porém por fim concordei. Seria boa para mim a companhia de uma amiga Sei que não contaria com America porque, ela estava em uma viagem de férias com meu irmão.

No caminho até a casa de Caroline, pude contar detalhadamente o que aconteceu. Só então percebi o quanto doía lembrar das coisas que ocorreram ontem e o quanto seria difícil esquecê-las.

Quando chegamos, ela me deixou em um quarto de hóspedes para tomar meu banho, relaxei perante a água morna e permiti que mais lágrimas viessem. Seria difícil, bem difícil, mas não impossível.

(***)

O pior de ser acordar de ressaca é fazer isso sozinho. Você fica confuso e desorientado, sem ninguém para refrescar a memória. Aos poucos comecei a recordar-me os motivos de tal ato. Elena estava grávida de um filho meu! Essa lembrança me fez colocar a mão na cabeça e suspirar alto.

Uma dor de cabeça quase insuportável tomava conta de mim, o que frisava bem o fato da bebedeira ter sido muita. Tentava me mexer o mínimo possível, no entanto, fora inevitável dar um pulo da cama quando vi o closet aberto e algumas roupas espalhadas pelo chão. Eram as roupas que dei a Elena, oh não!

– Elena. – Minha voz saiu baixa e rouca. – Elena. – Chamei novamente, agora descendo as escadas. Comecei a me desesperar. Não a encontrava em lugar algum. Procurei por todos os quartos, na sala, cozinha e até lavanderia. Nenhum sinal de sua presença. Foi ai que me toquei que faltava um lugar. O quarto de jogos! Mas que irônico! Fui correndo afobado até o quarto, que estava trancado para meu azar. Abri a porta com a chave que ficava dentro da gaveta na escrivaninha ao lado da porta, deparando-me com um quarto escuro e vazio ao entrar. Encontrei algo na cama e não precisou de muito tempo para identificar uma carta. Imediatamente, reconheci a linda caligrafia de minha morena e prendi a respiração. A cada palavra, cada lida meu coração ia se despedaçando. Ela estava me deixando! Lágrimas tomavam conta e meus olhos, já podia ouvir-me soluçar. Não!

Lentamente, fui escorregando até estar ao chão chorando como uma criança que se perdeu da mãe. Ela foi embora, eu fui um idiota, recusei nosso bebê, a machuquei, estraguei o nosso amor, meu Deus! Não podia deixar acabar assim!

Desesperado, liguei para seu número, mas ela não atendia e quando liguei para o da casa de seu irmão, que ela havia me dado, uma mensagem automática soou uma voz conhecia: “Estamos viajando, voltamos dia 15”.

E agora? Meu Deus, o que eu faria?

(***)

– Você tem certeza de que irá ficar bem? – Caroline me perguntava pela centésima vez e isso não era uma hipérbole considerando o fato de Caroline ser... Caroline.

– Pela última vez, Car. Sim! – Exclamei impaciente.

– Você não está sentindo nenhum enjoo? Ou algum desejo? – Ignorou minha impaciência.

– Pode ir à sua festa tranquila. – Assegurei.

Suspirando fundo, ela disse:

– Sabe de uma coisa? – Neguei com a cabeça. – Eu estou inventando mil e uma desculpas para não ir a essa festa porque não quero encontrar o Damon depois de tudo que ele fez. – Fez uma pausa antes de sorrir. – Acho que não é certo matar o aniversariante da festa em? – Ri de sua piada. Apesar da ironia do destino, Caroline estava sendo meu ponto seguro naquele momento conturbado, ela que me fazia rir e cuidava para que eu não derramasse mais nenhuma lágrima pelo seu irmão errante.

– Claro que não. – Entrei na brincadeira. – Ainda mais quando a vítima em questão é seu irmão.

– Tudo bem, eu sou Caroline Salvatore e posso fazer qualquer coisa.

– Boa sorte com isso. – Sussurrei.

– Até mais tarde e qualquer coisa ligue! – Ordenou frisando bem as palavras.

– Pode deixar capitã! – Bati continência rindo alto.

Contemplei a solidão assim que Caroline foi embora. Damon hoje completava 25 anos de idade. Lembro que ele não queria festa, mas eu o convenci com minhas táticas. Sorri com a lembrança, mas logo fechei o sorriso quando uma leve tontura tomou conta de mim fazendo um enjoo súbito surgir.

Depois de vomitar tudo o que eu tinha e não tinha em meu estômago, desejei deitar a fim de passar o mal estar, porém fui interrompida pelo toque estridente de meu celular. Atendi o número desconhecido ao segundo toque.

...

– Alô?

– Elena?

– Sim, quem fala?

– Sou a faxineira da casa do Senhor Salvatore que vem uma vez por semana.

– Ah, desculpe, mas eu não moro mais aí.

– É que eu encontrei o Senhor Damon desacordado e esse era o último número na sua lista telefônica.

Meu corpo inteiro gelou em pânico.

– Oh, meu Deus, eu estou indo para aí agora.

– Okay, Sra. Gilbert.

...

Rapidamente, peguei o carro e sai em disparada pelas ruas de New York. Por mais que estivesse decepcionada com o Damon, eu ainda o amo e, como sempre o amor que sinto por ele falou mais forte e me impediu de ignorar seu estado. Ele estava mal e definitivamente precisava de mim.

(***)

– Por que você nunca se arruma na hora certa, cara? – Alaric adentrou meu quarto, bufando alto. Revirei os olhos.

– Talvez porque a festa seja minha? – Disse com desdém.

– Está no estágio da irritação. – Sussurrou mais para si mesmo.

– O que? – Franzi o cenho.

– Sobre perder a Elena. Primeiro é a incredulidade, depois a negação e, agora você atira pedras em todas as pessoas que trocam mais de meia dúzia de palavras com você.

– Primeiro, eu não perdi a Elena, estamos apenas esfriando a cabeça...

– Então por que você chorou tanto com esse esfriamento de cabeça?

– Segundo. – Ergui o dedo, ignorando-o. – Não estou irritado com esse “esfriamento de cabeça”, apenas não gosto de festas de aniversário.

– Tudo bem, mas nem sempre temos o que queremos, então vá se arrumar, mulherzinha.

– Suas filosofias te fazem cada vez mais maricas, Ric. – Desviei de uma almofada que fora lançada contra mim. Rindo, fui tomar banho.

...

A festa estava definitivamente um saco e eu mal via a hora de poder sair de lá. Estava a alguns minutos, que mais pareciam horas, ali apenas ouvindo minha irmã, Rebekah, tagarelar ao lado do que eu supus ser “seu namorado”, enquanto observava a casa extremamente grande ir-se enchendo de convidados.

Capturei a figura de minha outra irmã, trajando um vestido curto com o seu tom de rosa mais característico. Caminhei, até ela desejando abraçá-la e poder receber meus parabéns, porém quando fui tentar saciar minhas vontades, ela se esquivou olhando-me feio.

Enruguei a testa, em dúvida antes e perguntar:

– O que houve Car?

– Nada, apenas estou decepcionada com o dono da festa.

– E o que ele fez? – Entrei na brincadeira.

– Apenas recusou um filho. – Disse de um modo sarcástico. Meu divertimento imediatamente morreu junto com meu sorriso que se desfez.

– Como você sabe? – Sussurrei.

– Por que tive que protegê-la de você, seu animal! – Rosnou.

– Foi apenas um momento de fraqueza. Eu... Eu pediria desculpas se ela aparecesse.

– Espera ai. – Nunca tinha visto minha irmã tão brava como estava agora e, aquilo me fizera encolher por dentro. – Você está querendo dizer que se acha certo? É isso mesmo?

– Eu não disse isso, apenas acho um exagero e infantilidade da parte dela ter ido embora sem conversar.

– Ela foi embora porque encontrou a maldita mensagem da sua amiguinha no seu celular. – Cuspiu as palavras, de sua voz, pingava ácido.

– Kamila? – Fique rígido. Bingo! Aí estava a origem do problema! – Mas a mensagem que ela me mandou não continha nada, apenas um “boa sorte com o problema”.

– Não fora a mensagem, Damon. Fora o fato de você trocar a companhia da sua mulher para beber com sua amiga! – Sibilou entre dentes, estava pronto para me defender, quando Josh, o jardineiro da casa, interrompeu nossa “pequena” discussão.

– Senhor Salvatore, tem alguém querendo vê-lo lá fora.

– Diga que estou ocupado.

– Mas ele disse que é um caso de vida ou morte e tem haver com Elena Gilbert. – Deu de ombros.

– Okay, eu estou indo.

– Vou com você. – Disse Caroline com convicção.

Estava nervoso. Seja lá quem for tem algo grave para contar e o que me deixa mais nervoso é o fato desse assunto ser sobre a Elena. Apressei mais o passo até encontrar o homem que me esperava com uma feição preocupada e temerosa no rosto.

Aquele rosto! O conheceria em qualquer lugar, passasse o tempo que fosse. Fazia tantos anos, porém, fisicamente, ele ainda era o mesmo. Caroline, ao meu lado, também parecia estar surpresa e queria dizer alguma coisa, mas o primeiro a tomar palavra fui eu:

– O que faz aqui? – Minha voz era séria, ostentando um pouco de amargura e frieza.

– Trouxe um presente para você. – E das sombras, ergueu-se um corpo magro e curvilíneo, com os olhos marcantes e sorriso maligno nos lábios que me fizera tremer.

– Anastasia. – Sussurrei.

– Feliz aniversário, querido...

Continua...

Notas finais
hm..quem sera esse personagem que levou o melhor presente pro Damon? ashuahush