Notas iniciais
cap cheio de emoçoes e surpresas...
Enjoy

Abismado... Uma palavra que me definia bem para o momento. Estava em choque, atônito no meio da sala. A meu lado, Elena me olhava com uma expressão preocupada, como se estivesse esperando um ataque meu a qualquer momento.

- Irmão? – Gaguejou assustada.

- Oh, ele não contou para você? – Perguntou o homem que há tanto tempo não via e nunca mais pretendia ver de novo. Isso me fez lembrar de uma época de inocência e ingenuidade vivida por mim, minha infância...

(***)

- Papai, posso brincar lá fora? – Fitei meu pai que lia o jornal sentado á sua velha poltrona bebendo uma xícara de café.

- Claro, mas tenha cuidado, filho. – Olhou-me com seus olhos tristes de sempre. Nunca tinha presenciado um momento em que ele sorriu.

Sai de casa, tendo cuidado de fechar a porta depois. Eu com meus sete anos, já era inteligente o suficiente para sair de casa sozinho, tanto que pulei de série na escola. Meu pai sempre dizia que eu era seu orgulho e que seria bem sucedido na vida e nos negócios. Eu negava esse sonho de consumo dele de me fazer empresário, meu talento era com os animais. Iria me formar em veterinária e cuidar dos bichinhos que são maltratados pelas pessoas.

Andei pela fina camada de neve que se formava pelas ruas de Detroit, observando as paisagens, sentindo o vento em meu rosto, o que era reconfortante. Ouvi um ruído de leve seguido por um miado sôfrego e notei que um gatinho, que estava ao lado de uma lata de lixo, tremia de frio e estava todo machucado, sinal de que tinha sido atropelado.

Compadeci-me por ele e o aconcheguei em meus braços, tentando o livrar um pouco do frio. Ele soltou um miado que mais parecia um gemido de dor. Levei-o para casa, entrei pela porta da cozinha o colocando em cima do balcão para buscar algo para curar seus ferimentos.

- Que droga é isso aqui, Damon? – Stefan perguntou raivoso apontando para o gato que se encolhia de medo.

- Ele estava largado no lixo e eu resolvi trazê-lo para cá. – Respondi simplesmente.

- Você não pode deixá-lo aqui. – Stefan abriu um sorriso macabro. – Vem eu tenho uma ideia para fazê-lo melhorar. – Ele apanhou o gato em suas mãos de qualquer jeito e andou até o lado de fora. Segui-o receoso.

- O que vai fazer? – Perguntei assustado quando vi que ele colocara o animal em cima do tronco de cortar lenha.

- Precisamos tirar a dor dele, Damon. Isso é o certo.

- Você quer matá-lo? – Olhei incrédulo para meu irmão.

- Sacrificá-lo seria uma expressão mais de acordo com a situação.

- Eu não vou deixar. – Puxei o gato para mim o abraçando protetoramente.

- Eu não vou deixar você levar esse animal imundo e sarnento para casa. Escute Damon. Ele está doente, não vai sobreviver, isso é uma maneira de tirar-lhe a dor. Você faz ou eu faço? – Estendeu as mãos para que eu lhe entregasse o bicho.

- Não. – Neguei.

- Então irei fazer. – Puxou-o de minhas mãos com força empurrando-me em seguida. Bati com tudo na neve caindo com agressividade. Levantei-me depressa, mas antes que pudesse reagir, Stefan já tinha apanhando o machado e cortado a cabeça do pobre bichinho que agora só restava carne morta e... Sangue... Por toda parte, em minhas mãos, em meu rosto, nas mãos daquele monstro que tinha um sorriso macabro e realizado na face. Dei uma última olhada para o bicho morto em minha frente antes de correr com todas minhas forças para dentro de casa e chorar...

(***)

Essa lembrança era dolorosa demais, eu tinha apenas sete anos e esse monstro nove. Na época ele foi castigado, todavia não surtiu efeito algum. Cada dia, cada ano ele se tornava mais cruel, egoísta, cada vez mais eu não reconhecia o irmão que um dia tanto amei. Até que o bicho morto se tornou eu, a machucada, sangrenta e dolorosa morte que foi executada em sua infância, foi cruelmente repetida em sua adolescência.

- Não vai dar um abraço em seu irmão, Damon? – Sua voz sarcástica me tira de meus devaneios.

- Por que você não pega esse seu abraço e volta com ele pro inferno de onde veio? – Pergunto com amargura. Elena observava a tudo até então calada.

- Inferno? Acha que eu vivi em um? – Stefan solta uma sonora gargalhada. – O único infeliz desta sala é você meu caro.

- O que você quer seu verme?

- Com você... Nada, eu vim buscar uns pertences que eu deixei com a minha antiga dominadora. – Lança um olhar lascivo para a morena a meu lado. Rapidamente viro-me para ela com o cenho franzido.

- Elena? – Peço silenciosamente uma resposta.

- Eu posso explicar... Eu, não sabia que ele era seu irmão, Damon.

- Então você tem trepado com o homem que destruiu a minha vida? – Rosnei.

- Ele... Não me contou nada, eu não sei de nada. – Gaguejou encolhendo-se.

- Ela não sabia de nada, Damon. Depois vocês resolvem isso ao estilo Salvatore, não é mesmo? – Stefan debochou. – Afinal você dizia que odiava tanto o que fazíamos a você, mas no fim das contas é o que mais fazes. – Parti para cima dele o socando com violência. Stefan tombou na parede com força. – Não precisa partir para ignorância, irmão. – Levantou as mãos em sinal de paz.

- Não me chame de irmão. – Gritei.

- Não é o que somos? Partilhamos do mesmo sangue, do mesmo DNA e até da mesma mulher.

- Cala a boca! – Elena gritou. – Vá embora e nunca mais volte seu escroto. Você me dá nojo, Stefan!

- Você gostava. – Sibilou com amargura.

- Nunca tive sentimento algum por você... Era tudo carnal, mas com o Damon...

- O que tem ele? Acha que vocês vão ficar lindos e felizes para sempre? – Riu. – Coisas ruins vêm por ai, Elena. Pode ter certeza. – Deixou a suíte batendo fortemente a porta atrás de si. Sentei no sofá atordoado, massageei minhas têmporas buscando o máximo de conforto possível, não encontrado nenhum.

- Damon, eu... – Interrompi-a.

- Não, não, você não me deve explicação alguma, Elena.

- É claro que devo. – Olhou-me exasperada. – Eu não sei o que aconteceu aqui e sinto que isso não é a única coisa que não sei, não é mesmo?

- Você está cobrando algo de mim ou é impressão minha? – Brando incrédulo.

- Você não me falou nada sobre o seu passado! – Grita.

- E você não me disse nada sobre ter um submisso! – Sibilo entre dentes. – Há quanto tempo, Elena? Há quanto tempo você tem me feito de idiota?

- Não é isso, Damon, eu... Ele estava comigo antes de eu te conhecer e eu juro que só tivemos aquela vez que você presenciou. – Disse totalmente sincera, mas para mim ainda não era o suficiente.

- Como posso ter certeza de que você está falando a verdade? Caramba eu fui totalmente sincero com você e nunca menti nada sobre mim.

- Não mentiu? O que você tem contra seu irmão? – Nesse momento um ódio me subiu e não me contive, voei para cima da Elena e segurei com força seus pulsos.

- Não o chame de meu irmão! – Gritei.

- O que deu em você, me larga está me machucando. – Encolheu-se.

- Você quer saber meu passado? – Joguei-a em cima do sofá. Ela me olhou assustada.

- Damon você está me assustando. – Fez menção de se levantar, mas eu a impedi.

- Não! Você quer saber, portanto irá! Sabe o que meu querido irmão fez Elena? Destruiu a minha vida! – Explodi e já não podia conter a minha voz. – Ele e a vadia da minha madrasta tiraram minha virgindade quando eu tinha 12 anos! – Aproximei-me da morena que me encarava perplexa. Segurei seus pulsos novamente com violência. – Você sabe o que é isso? Se sentir um nojo a cada olhada no espelho? Sentir que foi usado como um brinquedo qualquer? Sentir que lhe tiraram a infância a força! – Lágrimas escorriam dos meus olhos.

- Damon, eu... Sinto muito... – Sussurrou.

- Não sinta, pois acabou. – Desabei no chão ao pé do sofá. De meus olhos formava-se uma cascata interminável. Comecei a soluçar. Elena rapidamente ajoelhou em minha frente puxando-me para um abraço. Relutei. – Não, não quero sua pena.

- Não é pena, é... Eu gosto de você, Damon. Não gosto de vê-lo sofrer. Desculpe-me por trazer esse monstro até você.

- A culpa não foi sua. – Acariciei sua face com carinho. – Mas eu ainda não terminei.

- Não precisa... – A interrompi.

- Sim, precisa. Por favor, eu preciso desabafar e contar logo de uma vez, isso... Isso está me matando.

- Comece então. – Apoiou minha cabeça em seu peito. Respirei fundo e comecei a contar a história da minha vida...

- Minha mãe morreu no parto depois de me ter, meu pai sempre criou a mim e ao Stefan sozinho, meu irmãozinho, — Frisei com ironia. – Sempre foi um desalmado filho da mãe, com o passar do tempo ele só se tornava pior. O inferno começou mesmo, quando meu pai se casou novamente.

- Ela?

- Sim... – Minha voz era apenas um sussurro. – Ele se casou com ela quando eu tinha nove para dez anos.

- E quando começou o... – Gesticulou com as mãos.

- Eu tinha doze anos, era um dia ensolarado que tinha tudo para dar certo. Eu cheguei em casa do treino de futebol e ouvi gemidos no quarto, nem liguei, pois sabia que ela traia meu pai, contudo ele não acreditava. Fui para o meu quarto dormir um pouco e quando acordei, ela estava lá... Aquele sorriso... Eu nunca irei esquecer... – Podia sentir mais lágrimas se formarem no canto de meus olhos. Elena me olhava atentamente. – Ela me dopou e levou-me para o andar de baixo. – Pigarreei quando senti minha voz se desfazer aos poucos. – Tirou a minha roupa e...

- Para, por favor, não precisa. – Sua voz também estava embargada como a minha.

- Precisa Elena. – Respirei fundo. – Me deixa continuar... Eu vi o Stefan lá e ele... Ele estava compartilhando o sorriso dela, daí eu entendi tudo, era ele com quem minha madrasta traia meu pai... Seu próprio filho o colocava chifres com uma mulher nojenta da qual era adepta a bater e esfaquear os homens.

- Como? – Me perguntou uma Elena chocada.

- Eu fiz várias cirurgias para tirar as cicatrizes da faca.

- Oh meu Deus, Damon. – Levou as mãos à boca chorando copiosamente.

- Não chore baby, por favor. – Sussurei.

- Me desculpe de verdade por ter trazido esse monstro até você. – Olhou-me culpada.

- A culpa não é sua, você não sabia.

- Mas...

- Shh, venha cá. – Aconcheguei-a em meus braços.

- Como o seu pai soube? – Perguntou depois de um tempo.

- Essa é a pior parte, baby...

(***)

Anastasia serpenteava em cima de mim mais uma vez neste dia, ela parecia querer prolongar isso ao máximo, estava mais carinhosa e todo momento sorria demonstrando afeto. Ouvi um forte estrondo antes da voz que queria que irrompesse neste momento há dois anos.

– Damon? – Meu pai se encontrava na soleira da porta, atônito.

– Oh, Robert, não é isso que está pensando. – Sua vadia e imprestável mulher apressou-se em dizer.

– Na minha casa Ana, na minha cama? Com o meu filho? – Gritou ainda não acreditando no que via. Também como poderia? Sendo isso um absurdo. – Sua vadia. – Desferiu uma tapa em seu rosto o fazendo sangrar.

– Por favor, eu posso explicar. – Choramingou.

– Não pode. Stefan, amarre ela e ligue para a polícia. – Papai virou-se para seu outro filho. Stefan, porém não se mexeu. – Stefan, filho. Vamos.

– Não posso. – Stefan tinha um olhar sombrio. Estremeci.

– Ora, por quê?

– Porque a amo. – Todos se silenciaram depois disso, eu já estava antes, mas... Tanto faz! Mal se ouvia as respirações dos presentes. – Me desculpe. – Stefan sacou uma arma, não sei de onde, e apontou-a para nosso pai.

– Stefan pare com isso! – Exclamei. – Stefan!... – Puxei com todas minhas forças meus pulsos da algemas, fazendo-os sangrar, finalmente conseguir fazer com que elas se abrissem.

- Parado ai, Damon. – Presenciei a arma sendo apontada para mim. Vi meu pai serpenteando seus bolsos à procura de seu celular até que meus olhos presenciaram a pior cena que julguei ter visto. Anastasia sacou uma faca e desferiu golpes no pobre homem que caíra ao chão. – Pai. – Gritei desesperado. – Anastasia, pare, vai matá-lo!

- Essa é a intenção. – Corri a seu encontro empurrando a mulher à minha frente, ajoelhei-me em frente a meu pai que tinha a respiração fraca.

- Pai, não... – Murmurei com a voz sufocada.

- Filho... – Sussurrou com um fio de voz.

- Não fale, eu vou chamar a ambulância.

- Não, me escute.

- o que?

- Perdão. Perdoei-me por não ouvi-lo, não devia ser assim...

- Tudo bem, você não tem culpa.

- Sim. – Tossiu. – Eu tenho, se eu não a tivesse trazido até aqui você nunca...

- Ninguém tem culpa pai, só ela, apenas ela. – Chorei abertamente. Ele levou as mãos ao meu rosto, segurei-as ali.

- Só me perdoe e eu poderei ir, em paz.

- Não...

- Por favor.

- Eu te perdoo, mas vamos sair dessa, meu velho. – Sorri. Vi seus olhos se fechando ao mesmo tempo em que sentia sua mão enfraquecida se tornar morta em meu rosto, segurei-a ali com força, tentando fazê-lo reagir. Nada, seu rosto e corpo estavam mortos... Virei para a mulher ali com ódio. Avancei em sua frente estapeando seu rosto com força.

- O que você fez? – Rosnei.

- Era necessário, Damon?

- Necessário? Matar a minha única família?

- Eu sou sua família agora.

- Você? Você não é nada! Apenas uma cobra mal-amada que gosta de fazer os outros sofrerem. – Disse com amargura. – Acha o que? Que não vão notar a morte do meu pai e vim prendê-la?

- Venha comigo, por favor. Podemos ser felizes juntos. – Implorou.

- Está ai uma coisa que eu nunca serei muito menos com você. Você vai apodrecer na cadeia e depois... No inferno. – Gritei antes de sentir uma forte pancada na cabeça, e logo... Veio a inconsciência...

(***)

- E depois o que aconteceu?... Você quer me contar o resto? – Perguntou receiosa.

- Sim. – Sussurrei.

(***)

Estava no hospital, cercado por paredes brancas sem vida assim como eu. Podia ainda estar vivo, mas minha alma tinha sido arrancada de mim junto com meu coração... Não sobrou mais nada, apenas um corpo vazio... Fui interrompido por uma leve batida na porta.

- Posso entrar? – Era uma mulher. Ela aparentava estar na casa dos trinta anos, sua pele era bem cuidada e em seu rosto jazia um sorriso genuíno. Assenti para sua pergunta.

- Oi. – Sorri tímido.

- Oi, sou a Grace. – Estendeu a mão para mim.

- Sou Damon. – Alcancei a sua mão a apertando de leve.

- Você quer vim para casa comigo?

- Promete não me machucar? – Sussurrei.

- Nunca lhe machucaria. – Puxou-me para um abraço protetor e naquele momento identifiquei o que eu mais precisava...

(***)

- Ta tudo bem agora, Damon. – Abracei a minha morena com mais força, chorando em seus braços.

- Desculpe por estar chorando assim.

- Não se desculpe bote tudo para fora. – Acariciou meus cabelos.

- Desculpe-me por culpá-la, o Stefan que é o culpado, você não sabia.

- Está tudo bem, o importante é que estamos juntos.

...

Deixei Damon dormindo no sofá enquanto preparava uma surpresa para o mesmo. O seu passado realmente era o mais obscuro que já ouvi, por isso iria dar-lhe o que mais o acalma... Sexo!

- Mas o que? – Damon perguntou confuso ao chegar ao quarto de jogos.

- Isso é para você, baby. – Estava amarrada ao pé da mesa, usando apenas uma fina calcinha.

- Elena, mas...

- Não! Nada disso, quero que você faça o que sabe fazer melhor. Foder e bater em mulheres que se submetem ao seu jogo sujo.

- Eu... Não posso. – Me desamarrou.

- Por quê? – Perguntei confusa. Cobri-me com um roupão branco escondendo minha nudez.

- Porque eu... Eu quebrei uma regra, Elena.

- Não tem problema agente resolve isso.

- Não, você não entendeu, eu... Quebrei a regra... A primeira... – Em seus olhos tinha arrependimento. Meu coração se apertou.

- Você está dizendo que... – Sussurrei.

- Sim, eu me apaixonei.

- Quem é ela, Damon? – Perguntei com ódio nos olhos.

- Elena, não...

- Me diz quem é ela! – Gritei o interrompendo.

- É você, Elena! – Gritou também. O choque era perceptível em meu rosto. – É você, eu... Eu te amo!

Continua...

Notas finais
ninguem acertou quem era, n era o Klaus e sim o Stefan ohhhhh
e agr oq acham q vai acontecer? qual sera a reaçao da Elena?
façam suas apostam
Beijos