Notas iniciais
Genteee eu só estou postando esse capítulo pra dizer que eu adoro mesmo escrever essa fic e já tenho vários capítulos prontos, mas com essa quantidade de comentários não vai dar! Poxa, seis capítulos, quase quinhentas visualizações e só nove comentários? Desanima! Mesmo assim, enjoy!

Acordei suando frio e sentindo meu peito descer e subir com rapidez, tentando oxigenar meu corpo. Eu podia sentir a adrenalina nas minhas veias, me impedindo de raciocinar e embaçando minha visão.

Levantei da cama e quase caí, tentando absorver tudo aquilo.

O que era aquilo? Tinha realmente acontecido ou eu só possuía uma imaginação extremamente fértil? Quem era aquela menina afinal e pelo amor dos deuses, o que é essa sensação que me sufoca, de saber que eu conheço, mas não lembrar?

Parece que tem um pedaço faltando.

E Travis? O que foi tudo aquilo que eu falei sobre ele, porque estávamos num ônibus e porque diabos Connor falou que eu era namorada do seu irmão? Ai céus, o que estava acontecendo?

Sentei na cama de novo e senti uma coisa dura debaixo do meu travesseiro, um diário. Desde quando eu mantinha um diário? Pelo que me lembro sempre os achei tolos e cansativos.

Li todas as páginas num piscar de olhos e imediatamente desejei ter lido mais devagar. Todas aquelas informações giravam na minha cabeça e eu estava tão confusa. Me sentia sufocada. Eu tinha certeza que sabia o que era quilo tudo, mas não conseguia me lembrar.

Perda de memória? Connor e Camilla? Annie e Percy? E o mais importante: o Travis, organizando cinquenta encontros comigo? Como assim? E todos aqueles elogios a ele no diário... Eu sempre soube que ele era tudo isso, mas apaixonada?

Depois de tudo aquilo só tinha vontade de gritar. E foi isso o que eu fiz.

Gritei como se a minha vida dependesse disso, expressei toda a minha frustração e confusão naquele berro e agarrei minhas pernas aos prantos, no momento em que a porta foi escancarada.

Travis e Annie, e Thals e... Na verdade, todos os meus amigos estavam parados ali no batente da porta, ofegantes por ter corrido para me socorrer e cada um esperando que algum fizesse alguma coisa.

–Kay? Kay, calma, vem cá.

Travis veio e me abraçou, envolvendo meu corpo e me apertando contra seu peito, fazendo com que eu sentisse que nada no mundo fosse acontecer comigo, nunca mais.

Eu ainda sentia meu peito descendo e subindo numa velocidade extraordinária e preocupante, mas sentia minha confusão acima de tudo. Tudo o que uma parte do meu corpo queria era afastar Travis e correr dali, tentar entender tudo aquilo. Mas a outra parte me dizia para ficar, porque ali seria seguro.

Então eu só chorei. Chorei por tudo que sabia que tinha perdido, chorei pelos meus sentimentos complicados e incompreensíveis por Travis, chorei pela mais profunda dor que sentia.

Travis me levantou e me tirou dali, passando por todos os meus amigos que tinham sorrisos calorosos, mas doloridos ao mesmo tempo nos rostos. Ele me levou por todos os chalés, levantando as cabeças dos campistas curiosos que não entendiam a cena. Não sabia para onde estava indo, mas ouvia as ondas do oceano, e isso me acalmava.

Travis me sentou na areia ao seu lado, e se virou para mim, esperando que eu dissesse alguma coisa. Eu ainda segurava meu diário e olhei para ele, encabulada.

–Como?

Travis me contou a mesma história que eu havia escrito, mas em suas palavras a história parecia mais e verídica e mais heroica.

–Kay, você me salvou. Eu literalmente te devo minha vida.

Naquele momento eu não me segurei e tive que saber se tudo aquilo era mesmo o que eu sentia. Puxei Travis pela gola da camisa laranja do acampamento que usava e o beijei, procurando ali as respostas para as minhas perguntas.

E encontrei.

–Muito obrigada. Muito obrigada por fazer isso por mim. Eu... Eu amo você – eu disse enquanto o abraçava sem nem pensar nas palavras que saiam da minha boca até que senti o corpo dele enrijecer para logo depois relaxar.

–Também amo você, Katie. – disse enquanto me encarava com aqueles olhos maravilhosos.

–Mas então. Eu já fiz a minha cena, aparentemente. E minha Katie com memórias aqui – digo apontando para o diário – Me disse para não perder tempo com tudo isso.

–Muito espertinha essa daí.

–Cala a boca idiota! Mas sinceramente a gente pode, por favor... Tomar café da manhã? Estou morrendo de fome.

–Você está sempre morrendo de fome Gardner.

Ele disse isso enquanto levantávamos e fomos em direção ao refeitório. Mas eu não podia deixar que ele tivesse a última palavra, logicamente. Então, levantei minha mão e em um segundo Travis estava pendurado de ponta cabeça por uma videira, os cabelos tocando a areia.

–Da próxima vez, Stoll – falei enquanto continuava meu caminho – Pense antes de falar.

Quando já estava consideravelmente na frente, ordenei á videira que o soltasse e assim ela fez. Travis, que alguns segundos atrás estava gritando pedindo por misericórdia, veio correndo até mim e me puxou pelas pernas, me carregando como um bebê.

E eu ri. Pela primeira vez naquele dia, ri como se tivesse esquecido tudo, como se fosse uma garota normal. Ri como se minha vida fosse perfeita e nada tivesse acontecido. Mas claro, em poucos segundo chegamos perto do refeitório e todos começaram a olhar para mim, acabando rapidamente com a minha risada e me lembrando de tudo que havia acontecido.

Pelo menos de tudo que havia acontecido naquela manhã.

–Katie! E ai, como foi com o Stoll? Ainda não acredito que você preferiu de todos os campistas, ficar com ele. – e suspirou.

Fiquei tão feliz que todos os meus irmãos estavam agindo normalmente, como se nada tivesse acontecido, que nem percebi o insulto. Percebi sim, na verdade.

–Por que o nojo, Jackie? – perguntei para a campista que era um ano mais nova que eu e sentou na minha frente quando cheguei á mesa de Deméter.

–Nojo? Nojo não. Completa invejinha branca! Se eu tivesse um homem desses...

Disse ela com uma cara de apaixonada que fez todos na mesa rirem. Quando as ninfas passaram com a comida, peguei um grande pedaço de pizza. Talvez mais que um pedaço.

Ordenei ao meu copo que enchesse de suco de morango, o melhor que se poderia pedir a um copo. Eles se enchem magicamente de qualquer coisa, mas nunca tem o gosto do original. Como produzíamos os morangos ali no acampamento mesmo, o suco saia com um gosto fresco maravilhoso.

Quando acabamos a refeição, Dionísio chamou todos para o anfiteatro, onde o chalé de Atena e o chalé de Hermes escolheriam os times da... Caça Bandeira? Me senti meio mal por ninguém ter pensado em me avisar, mas achei melhor assim.

Você tem que entender que, não saber de nada que todos sabem e acham normal e compartilham, dói. Dói muito e é sim difícil de conviver, mas a gente tenta.

O chalé de Atena foi primeiro e escolheu o chalé de Deméter, o que cutucou alguma coisinha lá no fundo do meu cérebro, mas não consegui identificar o que era.

O que me deixou com mais raiva ainda.

No final, Atena ficou com os chalés de Zeus, Afrodite, Deméter, Hebe, Apolo, Iris, Nêmeses e Hades. Um bom time, se me perguntassem. O chalé de Hermes ficou com Poseidon, Ares, Nike, Hefesto, Hécate, Dionísio, Hipinos e Tyche.

Todos comemoraram e foram pegar seus equipamentos. Alguns de vocês já sabem, mas Caça Bandeira no Acampamento Meio Sangue era realmente uma das maiores conquistas para um chalé. Se ganhasse a caça, vários benefícios seriam aplicados ao seu chalé.

Incluindo não lavar os estábulos, o que se sozinho já não é motivação suficiente, eu não sei o que te motivaria. Todos nos reunimos nas rodinhas de estratégias de cada time, uma bem longe da outra. Quando me dirigia para a rodinha de Atena, fui brutalmente puxada para trás por um ser desconhecido.

–Ai seu brutamontes! Me larga! – eu ainda me debatia quando ouvi sua risada que me trouxe uma sensação maravilhosa me fazendo rir também. Travis me colocou no chão e me puxou para um abraço.

–Eu que ia te escolher, Annie ridícula. Mas, boa sorte: você vai precisar.

–Convencido. Aposto que o jogo não vai durar nem quinze minutos e a gente ganha com certeza. Quer apostar?

–Um encontro na beira do lago, ao meio dia. Aceita? – eu vi o sorriso no canto de sue lábios e percebi que ele tinha planejado tudo aquilo.

–Aceito.

***

Depois de dez minutos a equipe de Atena saiu gritando vitoriosamente da floresta, ao soar de alguma coisa que Quiron tocou. Eu ria sem parar ao lado dos outros campistas que compunham a minha equipe quando o vi vir em minha direção, torcendo e batendo palmas.

–Eu juro que, se você tiver se auto sabotado para ter o seu encontro eu te esgano.

–Eu até queria, mas meus queridos companheiros de chalé me tiraram do comando da operação porque, segundo eles, eu não estava apto para comandar por estar “emocionalmente envolvido” com o adversário.

–Ah, você está emocionalmente envolvido, senhor Travis? Gostei desse termo.

Eu joguei meus braços em volta de seu pescoço e ele me puxou mais para perto, minimizando o espaço estre nós.

–Muito envolvido.

Ele me puxou para um beijo que logo foi interrompido pelos gritos de vitória dos campistas que vinham em nossa direção, me puxando para me carregar junto à Annie e um monte de gente mais.

Quando finalmente nos desceram já estava na hora da minha aula de tiro ao alvo, coisa que eu deveria trabalhar. Péssima pontaria devia ser de família, porque quando cheguei lá quase todo o chalé de Deméter estava treinando com arcos gigantes.

Não pude evitar o sorriso que surgiu no um rosto.

Fui em direção ao único alvo livre e pratiquei por quase uma hora, tempo em que acertei praticamente todas as flechas. Assim, se o objetivo fosse jogá-las ao chão.

Fui ótima.

Corri até o meu chalé, só parando para checar as horas, e já eram quase onze. Entrei no banheiro e tomei um banho longo, para depois sair e colocar um cropped e uma saia curta. Pus um pouco de perfume e uns acessórios enquanto ajeitava meu cabelo. Não era nenhum encontro muito chique, mas como não lembraria nada pela manhã, pelo menos queria ter um momento especial.

Vi que estava meia hora adiantada, mas já fui para a beira do lago mesmo assim, esperando ter um tempo sozinha para ouvir o som das ondas. Quando cheguei lá, encontrei Percy sentado no deck olhando para as águas.

Percy sempre fora um grande amigo meu e fazia tempo que não conversávamos, então decidi interromper seu momento com o oceano e sentei ao se lado, tirando minha rasteira para encostar os pés na água.

E era o que eu teria feito se não fosse tão baixinha para nem alcançar a água. Revirei os olhos e encostei minha cabeça no ombro de Percy, que me olhou curioso.

–Kay, o que está fazendo aqui?

–As ondas. O som delas me acalma. Estranho isso, não acha?

Percebi a bobeira dessa pergunta logo depois de fazê-la. Não, o filho do deus do mar não gosta do som das ondas... Mas considerando que Thalia odiava alturas, tudo era possível.

–Não acho. Eu sempre venho aqui para pensar. Tem algo sobre a calma das ondas e marolas que faz parecer que todos os problemas vão embora, fica mais fácil de raciocinar.

–Penso a mesma coisa. Sei lá, me sinto confortável com o padrão do barulho delas, padroniza meus pensamentos também.

Ficamos ali um tempo, só observando o mar, até ouvirmos passos no deck. Eu pensei em virar e ver quem era, mas como Percy já obviamente faria isso eu fiquei com preguiça e nem me mexi.

Pude ver Percy sorrindo e lamentei quando ele se levantou, até que ouvi:

–Bem, seu homem chegou. Acho melhor eu ir saindo; cuida direitinho dela, hein?

–Pode deixar.

Me virei para ver Travis segurando minha sandália com a mão e esticando o outro braço para me oferecer a mão vazia. Aceitei de bom grado e fomos andando juntos até a base do deck.

–Aonde vamos?

–Isso é um segredo.

Travis me guiou até dentro da floresta, onde sentamos e eu vi o piquenique que ele tinha preparado.

–Porque sempre comida? – perguntei sem pensar bem de onde tirei aquilo.

–Porque, se eu criasse um padrão, você finalmente se lembraria. – Travis disse ao vir me abraçar com o maior sorriso que já vi, me fazendo sorrir também.

Notas finais
Só posto com cinco comentários (nesse capítulo) ou dois favoritos. xoxo