50 First Dates

8 Both of Us


Notas iniciais
hey

Estávamos voltando aos chalés depois do piquenique, e já eram quase duas horas da tarde. No meio do caminho, peguei a mão de Travis e me virei para ele, fazendo com que ele parasse de andar.

–Travis... Eu sei desse seu plano maluco de cinquenta encontros, que aparentemente está funcionando, mas... Quantos já foram até agora? Porque eu tenho um pequeno probleminha e só consigo me lembrar desse.

–Hey Key, não fala assim. E foram vinte e cinco até agora. Eu tenho todos planejados num caderno lá no meu quarto.

–Me deixa ver? Por favor! Olha, eu não vou me lembrar de ter visto eles amanha mesmo. Vai Travis! – olhei para ele com a maior cara de cachorro sem dono que consegui fazer e vi um sorriso se formar no canto dos seus lábios.

–Tá bom, Kay.

Ele me puxou em direção ao seu chalé enquanto eu pulava com a vitória. Mas quando íamos entrar, ele desviou e me puxou para os fundos do chalé.

–Hum, Travis? Onde estamos indo?

–Você não realmente pensou que eu fosse guardar as minhas coisas pessoais num chalé cheio de filhos do deus dos ladrões, achou mesmo?

Revirei os olhos quando ele abriu um pequeno pedaço da parede do chalé, como se fosse uma portinha, tirando de lá um cofre. O cofre tinha uma senha e outro cofre dentro.

Depois de uns quinze minutos abrindo e fechando cofres, Travis tirou de lá dois cadernos, um parecido com o meu diário e outro que me lembrava dum velho álbum de fotos, que ele deixou de lado ao me chamar para sentar com ele.

Sentamos com as costas na parede do chalé e ele abriu o pequeno diário. A cada página que passava ele contava uma história diferente e eu não pude segurar meu sorriso. Mas sentia uma pontada de tristeza a cada encontro que ele mencionava que eu não lembrava, a cada gargalhada e a cada beijo que eu tinha me esquecido.

–Esse... Ah, esse é o de amanhã. Você não pode ver esse.

–Qualé, Travis! Você sabe que eu não vou lembrar disso de manhã... por favor!

–Não Gardner, essa carinha fofa não me ganha dessa vez. Esse você não vai ver.

Ficamos lá sentados por um tempo, ele me contando histórias e coisas que eu tinha feito peças que ele tinha pregado. Em mim principalmente, visto que era seu alvo favorito.

–E aquele ali? – pergunto olhando para o que parecia um álbum de fotografias – O que é aquele exatamente?

Puxei o álbum para perto e abri a primeira página. Era sim um velho álbum de fotografias sem dúvida. Mas eram fotografias nossas, de tempos que eu não me lembrava. Tinha algumas fotos minhas também, tiradas contra a minha vontade pelo jeito que tapava a câmera com a mão nelas.

Já era tarde demais quando ouvi o clique da câmera de Travis e ele havia tirado outra foto, que provavelmente se juntaria ao álbum mais tarde. Pensei em amaldiçoar ele, fazer algo com uma planta ou coisa assim; mas não pareceu certo: não ali, não agora.

Quando Travis abriu a boca para dizer alguma coisa, ouvimos um barulho horrível, daquela coisa que Quiron carregava pra lá e paca cá. E ela só representaria uma coisa: problemas.

Guardamos tudo de volta no buraco da parede e fomos correndo para o Anfiteatro, onde já se encontrava boa parte do acampamento. Me sentei com Annie e Thals na lateral da arquibancada, enquanto Travis foi sentar com seu irmão e Percy.

–Campistas. Vocês foram convocados aqui hoje por um motivo especial, que alguns já acertaram nas fofocas por ai. – o Senhor D se dirige aos campistas – Já era tempo para uma nova profecia e hoje ela foi anunciada. Rachel se puder vir até aqui, por favor.

Rachel, que estava sentada imediatamente atrás de mim se levantou e foi em direção ao senhor D e Quiron, que estavam no meio do placo. Todos esperaram em silêncio enquanto Rach abria a boca e liberava uma fumaça verde, o espírito de Delfos.

Todos prenderam a respiração quando a grande fumaça verde foi em direção a um grupo de campistas mais no centro da arquibancada. Meu coração parou quando ela se dirigiu a Travis.

Eu não consegui escutar a profecia muito bem, mas sabia o que aquilo significava. Travis estava partindo. Ele iria embora para alguma maldita missão e poderia nem voltar. Meu coração batia tão rápido que nem percebi quando Travis veio até mim, me abraçando com o acampamento todo de telespectador.

–Eu... Eu não ouvi. Eu não consegui entender direito. O que a profecia dizia Travis? Você não está indo embora, está?

Ele me olhou como se pedisse desculpas e me abraçou de novo. Não sei quando nem como, mas lágrimas começaram a descer pelo meu rosto e o puxei para ficar de frente a mim.

–O que exatamente a profecia dizia Travis?

–Meu pai. Ele está com problemas, não tenho muita certeza do que aconteceu, mas tenho que ajuda-lo.

–Quem vai? Quero dizer, você não pode ir só, eu não vou deixar, vai que você morre ou algo do tipo?

Ele ri com a possibilidade e responde.

–Não, não vou e nem poderia ir sozinho. Vou levar Connor e Luke. Afinal, é o nosso pai que corre perigo.

–Você não vai levar eles não. Eu vou Travis. Eu vou contigo, eu preciso ir. Se alguma coisa acontecer com você eu não vou me perdoar...

–Kay, você não pode ir. Vai ficar aqui no acampamento onde é seguro, e eu volto rapidinho, tudo bem? Eu prometo que vou voltar pra você.

Alguém o chama para conversar com Quiron, acho que Luke. Ele olha para mim sorrindo e me da um beijo, para logo depois descer as escadas e ir de encontro com os seus irmãos, prontos para partir para a possível morte.

Eu olho para o lado e vejo Thalia sentada olhando para o nada, chorando também. Tinha me esquecido, mas Luke vai também. Deve estar sendo tão difícil para ela quanto para mim. Subo alguns degraus e vou ao seu encontro abraçando-a.

–Eu to com medo, Katie. Não sei se te contaram, mas está perigoso lá fora. Tem mais monstros do que já vimos na vida. E se eles não voltarem? – quando diz isso, Thalia tem uma expressão de extremo medo no rosto, que me deixa assustada.

Mas ela não olha exatamente para mim e de repente aponta para um ponto atrás das arquibancadas. Quando levanto meus olhos para ver o que a deixou tão assustada, vejo uma menina. Linda, cabelos claros e um corpo esbelto.

Camilla.

Corro para ela no instante que todos os campistas começam a notar sua presença. De olhar para trás vejo a expressão de Connor, o sorriso sumindo do rosto aos poucos enquanto percebia que estava parada a alguns metros de distância.

Me apresso para Camilla que tem um sorriso no rosto, e ergue os braços como se esperando que eu vá abraçá-la. Minha intenção era chegar lá e dar um tapa na sua cara.

Mas não consigo.

–Kay!

–O que você pensa... O que você estava pensando quando foi embora do acampamento? Como assim, você simplesmente me deixou? Deixou Connor... Por quê?

–Katie... A gente pode conversar em outro lugar? – era a segunda vez no dia que falavam comigo sem olhar para mim, então direcionei meus olhos lá para baixo, para onde ela olhava. Encontrei Connor, desolado e sem expressão, imóvel lá no anfiteatro.

Por mais que estivesse brava com Camilla, deixar os dois sofrendo olhando um para outro não pareceu a coisa certa a fazer. Meu chalé estaria cheio de enxeridos, então a puxei para o chalé de Hera. Sim, era errado, mas era o que a situação pedia.

Sentamos em uma das camas que obviamente nunca seria usada, mas nunca tinha uma camada de pó e eu olhei para ela.

–Katie, eu fui embora com meu pai, mas foi antes de saber que tudo era tão sério com você. Me falaram que não tinha sido muita coisa, que você ficaria bem e.. Puxa, era meu pai Kay! E quanto a Connor, eu não achei que nutrisse tantos sentimentos. Pra mim eu era só amis uma na lista dele, sabe? Meu pai e eu estivemos viajando o mundo, sem muito contato com ninguém.

–Pai do ano, esse aí – digo com remorso. Se não fosse ele, nada disso estaria acontecendo.

–Katie, eu sei que ele é ruim, mas ele nunca teve amor. Eu nunca tive amor também. Juntos a gente aprendeu a lidar com essas coisas; acredite em mim quando digo que ele está muito melhor agora. Esses dias ele sugeriu que eu entrasse para a caçada de Ártemis. Foi quando percebi que tinha que voltar: não seria justo comigo mesma entrar na Caçada sem saber se amava um homem, entende? Quando cheguei para conversar com Ártemis, ela disse que estava ocupada, procurando plantas e todo o tipo de coisa mágica para curar uma menina que havia perdido a memória. E ela disse seu nome, Katie. Eu não tive dúvidas de que tinha que voltar, e aqui estou.

–E seu paizão?

–Ele vai conseguir se virar sozinho. Eu espero, pelo menos.

Eu me ajeitei na cama e encostei minha cabeça nas pernas dela, e na mesma hora ela começou a mexer no meu cabelo.

–Mas e você, minha jardineira preferida?

–Nada bem. Sabe, eu não consigo mais lidar com isso. Essa dor de acordar todos os dias e não lembrar nada. Ah, e coitado do Travis. Ele tem que fazer com que eu me apaixone todos os dias. Eu já disse pra ele que ele devia parra com isso, me esquecer e achar outra pessoa.

–Como você se lembra de que já disse isso pra ele?

–Você entende agora, Camilla? Eu tenho pequenos flashs de memória, pequenas sensações de dejavu que me deixam mais curiosa e inquieta. É como se estivesse tudo atrás de uma porta que eu não consigo abrir de jeito nenhum.

–E se fosse tipo um bloqueio de memória? Que você mesma colocou? Meu pai e eu fomos até a Ásia e falamos com alguns hindus. Eu acho que você mesma fez isso e não sabe.

–Você está insinuando que eu quis apagar a minha própria memória? – digo já me levantando do colo dela.

–Não você, você. Mas seu subconsciente. E é reversível, com meditação e talvez um pouco de Hécate. Vale a pena tentar, não? Porque não fazemos o seguinte: amanhã a gente começa seu tratamento, pode ser? Acho que hoje você devia ficar com Travis... Falando nele, como está Connor?
Pensei em todos os momentos que já havia visto o garoto na vida e como o vi hoje. Parecia que a luz tinha se apagado.

–Nada bem, Camilla. Ele ficou arrasado. Acho que ele nunca tinha amado ninguém de verdade na vida dele. Não como ele amou você. Mas às vezes foi para o melhor, sabe? Ele está muito mais responsável e parece que amadureceu...

Nesse momento escutamos uma batida na porta e por um segundo pensei que fosse Dionísio, e ele iria ficar muito bravo se nos visse ali. Pensei por um momento que fosse a hera própria, pronta para transformar a gente em vacas. Mas era só Connor.

Ele abriu a porta com receio e ficou parado por um tempo, como se escolhendo as palavras para dizer. Fiquei logo sem paciência e me levantei, escancarando a porta que estava só com uma fresta aberta.

–Sim?
–Katie, será que eu podia ter um momento a sós com a Camilla? Por favor? – ele me olhou nos olhos e eu sorri, dando passagem para ele.

Quando eu já ia saindo, Connor me chamou de volta.

–Katie, meu irmão está te procurando. Ele parece preocupado.

Assenti rapidamente e fechei a porta ao sair. Fui andando até o anfiteatro, onde encontrei Luke e Thalia conversando em um canto, e os dois tinham lágrimas nos olhos. No momento em que passei por eles Thals se atirou nos braços do loiro e eles ficaram assim por um bom tempo.

Fui atrás de Travis e o encontrei conversando com Percy. Quando cheguei, Percy deu um sorriso se despedindo e foi caçar alguma coisa pra fazer.

–Estava procurando por mim?

–Sim, eu... Queria dizer tchau. Sabe, porque amanhã você não vai se lembrar disso e tudo mais... – ele me deu um abraço apertado e eu sorri. – Eu amo você, Kay. Eu juro que vou voltar.

–Eu sei que vai.

***

Notas finais
xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.