50 First Dates
5 Back To December
Notas iniciais
Manhã de sábado, dia 15 de Dezembro de 2015.
Querido diário... Ou seja lá como se deve começar isso,
As meninas disseram que seria bom eu escrever isso. Dizem que não lembro de nada desde meu mochilão pela Europa, e é verdade. Minha última memória é de quando estava embarcando num trem em direção à Luxemurgo junto com Camilla.
Disseram que amanhã vou esquecer que me contaram isso e terei que ler o diário todos os dias para me lembrar. Sabe, perder um ano da sua vida sem nem saber disso é duro.
Mas eles me contaram algumas coisas, do tipo Travis estava perdido e eu liderei uma missão para encontrá-lo. Que loucura. Minha última lembrança é de odiá-lo com todas as minhas forças. Segundo Annabeth, viajamos o pais ineiro procurando por ele, quando eu percebi que o ‘sul’ da profecia era dentro do Acampamento: Travis estava em debaixo de nossos narizes.
Dizem que eu o encontrei e ele disse que me amava. E eu disse que o amava também. Foi quando aconteceu, e fui atingida por alguma coisa lançada pelo “Deus-do-mal”. Aquilo me atingiu justamente na parte que o cérebro guarda as memórias de curto prazo. Resultado? Não lembro de nada desde uns dez dias atrás (pra mim). Todo dia acordo pensando que é dia 16 de outubro de 2014.
É horrivel não lembrar de nada disso; perder um ano de memórias não é facil. Pelo que me contaram, quase todo dia descubro que minha vida era uma mentira e não tenho um ano de lembranças.
Mas tem os dias que eles dizem “não querer me ver sofrer” e me contam coisas do tipo eu voltei da Europa porque Camilla se machucou (o que em parte é verdade) e estou vivendo ali; me dizem que hoje é 16 de outubro do ano passado.
Todo dia pergunto onde está Camilla e descubro que seu pai era o Deus da profecia e ela foi embora do acampamento. Pelo que escrevi em uns pedaços de papel, depois que descubro fico horas sentada pero do lago e não converso com ninguém.
Logo depois, todas as vezes, peço para falar com a minha mãe, para saber se realmente não existe uma cura. São 10:15 da manhã e acabo de descobrir tudo. Me deram esse caderno e um lápis para que escrevesse minhas memórias.
Agora você é meu companheiro.
Status: confusa.
–Kay? Tudo bem?
–Ah, oi mãe. Tudo bem?
–Tudo ótimo mas e você? Está sentada aqui na beira do lago faz mais de uma hora...
–Experimente ter sua memória recente apagada e você vai entender.
Virei para ela e sorri. Minha mãe tinha sido bastante paciente: ficou comigo todos os dias que estive na enfermaria, em coma, depois do acidente; não era justo que eu fosse tão grossa com ela.
–Desculpe. É só que não parece justo. Porque comigo? Eu não podia viver feliz em paz, isso tinha que acontecer? Vocês são os deuses, não podiam ter feito alguma coisa? Não podiam ter impedido isso ou simplesmente tentar reverter?
–Você não acha que já não tentamos de tudo? Viajei o mundo inteiro procurando por uma solução. Consultei cada mago, cada médico mortal, cada oráculo. Li todo feitiço, procurei todas as plantas, fiz tudo que pude...
–Eu sei mãe. Mas a gente não consegue aceitar, né?
Deitei minha cabeça em seu ombro e quis que o mundo desaparecesse. Respirei fundo.
–Hey, Sogrinha! Posso falar com essa gata que está sentada do teu lado? Prometo que vai ser rápido.
–Sinceramente, filha? Tinha que ser esse daí?
–Pra falar a verdade, nem eu sei porque. Não lembro porque.
Ela me deu um abraço e se levantou. Olhei para trás e vi ela cochichar alguma coisa para Travis. Algo do tipo “se a machucar você vai sofrer”. Escutei seus passos e o vi sentar do meu lado, colocando os pés na água.
–E ai, Katie-Kat?
–Engraçado, disso eu lembro; esse apelido.
–Isso porque eu sempre te chamei assim, minha pequena.
–Desse eu não lembro. Sabe, eu sinto alguma coisa lá no fundo quando você fala, mas nenhuma lembrança de verdade.
–Mas não adianta nada você ficar aí morgando; vem, vamos dar uma volta.
Ele se levantou e segurou minha mão. Travis cresceu bastante nesse tempo que “estive fora”. Estava alto, forte e muito mais maduro. E claro, estava um gato.
–Onde estamos indo? Não corre Travis! TRAVIS!
–Você costumava ganhar todas as nossas corridas. Parece que está um pouco enferrujada, hein?
Pela primeira vez no dia dei uma risada. Uma risada de verdade, daquelas que vem lá do fundo. Travis me pegou no colo e começou a correr, mesmo eu o dizendo para me colocar no chão.
Depois de alguns minutos de luta, consegui que ele me colocasse no chão. Ficamos mais um tempão rindo e ele pegou minha mão. Era estranho porque me sentia confortável daquele jeito, parecia familiar. Mas ao mesmo tempo não me lembrava do porquê disso.
Quando percebi, já estávamos quase no campo de morangos.
–Pra onde você pensa que está me levando, ladrãozinho?
–Para o nosso primeiro encontro, Gardner – ele saiu da frente e me mostrou que tinha preparado.
Era simples, mas ele tinha realmente se empenhado, e eu adorei. Na grama apoiava-se uma toalha de piquenique com uma cesta em cima, rodeada por comidas gostosas, igual aos filmes. Ele sentou em um lado, liberando o lugar ao seu lado para que eu sentasse.
Travis puxou um caderno que mais parecia um álbum de baixo da cesta de piquenique e abriu na primeira página. Éramos eu e ele, outubro de 2014. Cada foto representava um dia, cada dia que eu acordava sem saber de nada e achando que o odiava. Na maioria delas estávamos sorrindo. Em algumas nos abrasávamos e raramente aparecia uma em que eu apresentava uma cara confusa, mas sempre com um sorriso nos lábios.
–As meninas me contaram ontem sobre todo esse negócio de 50 encontros, que você provavelmente não lembra – ele adicionou rápido – E eu resolvi que valia a pena tentar. Cinquenta encontros, todos como se fossem o primeiro, a cada dia, até você se lembrar. Que tal?
–Travis, eu... –hesitei.
Como falar para ele que já haviam tentado de tudo, que minha mãe tinha revirado o mundo a procura de uma cura, que não existiam esperanças de eu me lembrar de nada? Como falar para ele que todas aquelas memórias estavam para sempre perdidas?
–Travis, olha, eu não vou me lembrar. Já fizemos de tudo, não tem uma cura. Eu não vou me lembrar de nada e se é isso que você quer, é melhor acabar com tudo de uma vez.
Me levantei, voltando na direção do meu chalé, quando escutei uma melodia. Travis ainda estava sentado na mesma posição, cantando uma música que me parecia familiar.
–It almost feels like it was just a dream, all these memories of you and me– e ele parou, como se esperasse que eu cantasse o resto. Eu saia que saia os versos da musica, mas não conseguia me lembrar...
–Blown away in the summer breeze, it almost feels like we just never were – eu não sabia como nem estava interessada nisso, mas me lembrei da musica. Foi inesperado, eu nem sabia que conhecia mesmo essa melodia.
–Essa musica, eu te ensinei no violão em meados de janeiro, Katie. Já começou, você está se lembrando. Não consegue ver? Pelo menos vale a pena tentar, não acha?
Na hora que ele disse aquilo, meu coração apertou. Eu não conseguiria desistir daquele sentimento: com memória ou sem. Mas eu simplesmente não conseguiria mais alimentar esperanças dentro dele.
Voltei para a toalha de piquenique e me sentei, segurando sua mão. Ele sorriu e eu não consegui evitar sorrir de volta, para aquele rostinho tão familiar, mas tão estranho ao mesmo tempo.
***
Estava de volta ao meu chalé, era perto da hora do almoço. Resolvi voltar um pouco mais cedo para escrever tudo aquilo no meu diário, esperando que amanhã já teríamos feito algum avanço.
Tarde de sábado, 15 de dezembro de 2015.
Não vou começar mais com “querido diário”. Acho mais apropriado “Querida Katie”,
Eu sei que é muito para absorver, muito para entender, mas, por favor, não gaste metade do seu dia pensando sobre o que se lembrou. Talvez seja pedir muito, mas você tem um homem lindo que te ama, amigos que só querem estar na sua companhia. Vamos lá, não gaste o pouco de tempo de lembranças que tem.
Falando nisso, vamos puxar um pouco para o Travis. Eu sei que você já sabe que o ama, mas deixa eu te contar o porquê. Você já reparou, naquele sorriso brincalhão, que parece que vai aprontar alguma a qualquer momento? Ou naqueles olhos escuros maravilhosos? Cá entre nós, de Katie para Katie...
Você sabe que gosta dele. Não precisa nem pensar sobre o assunto, é só pensar na sensação esquisita que te vem ao estômago quando ele chega, ou no fato de que o abraço dele parece o lugar mais seguro no mundo.
Eu queria te contar umas pequenas coisinhas para salvar o seu tempo.
Primeiramente: sim, Annie e Percy estão juntos! Que coisa mais fofa, não? Aleluia eu diria, porque aparentemente só nós duas sabíamos que isso iria acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Cuidado ao tratar o assunto “amor” ou “namoradas” com Connor, está bem? Eu sei que você lembra de Camilla, certo? Eles começaram realmente a se envolver, mesmo todos achando isso impossível. Mas bem aí, a historia tinha que ser interrompida: Camilla teve um acidente quase tão sério quanto o seu, ao enfrentar um deus não muito legal (que, fomos descobrir mais tarde, era seu próprio pai). Agora, ela está por aí, vagando com a figura paterna que tanto lhe fez falta na vida.
Mas acho que Connor não se recuperou muito bem. Sabemos que ele não é de se apaixonar, mas quando o faz, é realmente lindo. Quando Camilla foi embora, algo dentro dele quebrou, não é mais o mesmo.
Talvez isso tenha sido para o melhor, porque Connor está verdadeiramente maduro agora, mas sempre tem o lado negativo. Eu realmente espero que Camilla volte um dia.
Ah, e muito importante! Alerta de encontro: todos os dias! Travis tem esse plano muito louco para nos fazer lembra de tudo que envolve encontros com ele diariamente. Parece um sonho, (você diz agora).
Bem, acho que é só. Até amanhã Katie. Espero que se lembre.
Fechei o diário e segui o resto do meu chalé para almoçar, no pavilhão de refeições. No caminho, acabei esbarrando em alguma coisa muito peluda que andava solta por ai.
–Desculpe Katie querida, não te vi ai embaixo – era Quiron. Soltei a respiração e dei um sorriso amigável para o centauro.
–Que isso, Quiron, não foi nada de mais.
Conversamos mais um pouco e fomos direto para o pavilhão. Sentei-me junto aos meus irmãos e ouvimos quase dormindo as palavras do Senhor D.
Me servi com uma grande porção de macarrão com almôndegas e queimei um pouco na fogueira, sussurrando bem baixinho: Deméter. Nós comemos e brincamos o resto da noite e, quando já era quase hora de nos recolhermos, Senhor D e levantou e animou a todos dizendo:
–Bem campistas, amanhã teremos uma caça à bandeira liderada pelos chalés de Atena e Hermes, que escolherão os chalés aliados logo após o café da manhã de amanhã. Estão liberados.
Agora com uma nova animação dentro de si, os campistas todos cochichavam estratégias e planos de ataque enquanto se recolhiam nos chalés.
–Hey, Katie! Só pra avisar que vou escolher seu chalé primeiro amanhã, viu? Pode já ir avisando pro seu namoradinho que ele já perdeu. – era a Annie.
–Claro, pode deixar. Ei Annie, posso te perguntar uma coisa?
–Claro Katie.
Pensei um pouco se deveria mesmo fazer a pergunta ou se guardava a dúvida para mim mesma. Depois de agarrar minhas mãos que estavam inquietas com a ansiedade e pensar em todas as consequências, tomei uma conclusão:
–Nada não, boa noite.
Saí quase correndo, deixando Annie para trás com uma cara de dúvida, mas nem liguei muito para isso. Entrei no meu chalé, disse boa noite a todos e apaguei as luzes, por ser a Chefe do Chalé de Deméter. Deitei na minha cama e percebi que a única coisa que não conseguiria fazer aquela noite era dormir.
Porque assim que fechei os olhos, veio o pesadelo.
LEIAM AS NOTAS FINAIS.
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