50 First Dates
4 All You Had To Do Was Stay
Notas iniciais
–Deixa eu ver se entendi. Travis está desaparecido e vocês querem que nós façamos um arco iris para vocês mandarem uma mensagem de iris para ver onde ele está?
–Galera? Vocês sabem que eu tenho uma fonte no meu quarto que é muito mais simples que isso, sim? – Percy tinha no rosto a expressão de lerdo que fazia o tempo inteiro.
–PERCY JACKSON! Eu não acredito que você não disse isso antes. Dá vontade de te matar...
–Podemos ir lá agora.
–Não, agora já está todo mundo aqui. Vamos só façam suas coisas aí.
Lily revirou os olhos e ergueu suas mãos, e pudemos ver os raios de sol as seguindo. Percy se concentrou e trouxe um pouco da água do lago de encontro com a luz do sol de Apolo. Joguei a moeda para cima.
–Ó deusa, aceite minha oferenda. Me mostre Travis Stoll.
Em seguida apareceram em minha frente imagens de um Travis suado e cansado, correndo de alguma coisa. Ele parecia preocupado, como se algo o estivesse caçando. A imagem começou a ficar borrada e então voltou ao foco. Borrou de novo e dessa vez não voltou ao normal.
–Travis! TRAVIS!
–Deixem-no. Agora Travis pertence a mim.
Ele não escutava. Parou para se apoiar em uma árvore, mas logo voltou a correr. A mensagem borrou até se apagar e nos deixou ali olhando para o nada, frustrados. Mas aquela voz... Dava arrepios só de escutar. O que ela estava falando então...
–Uma mensagem de Íris não funcionou alguma vez?
–Não que eu saiba Katie. Mas aquela voz soava poderosa como um deus, vocês não acham? Será que tem algo a ver com ontem...?
–Annie? Como vocês vieram parar aqui? Quero dizer... Vocês viram tudo?
–Sim, Katie. Notei algo estranho quando vi Connor e Percy vindo pra cá, porque ele me disse que estava no banho... Mas viemos correndo.
–Será que alguém pode me explicar o que é “ontem”?
–Esquece Connor. Annie falou mais do que deveria. “Ontem” não é nada do seu interesse, e também não tem nada a ver com isso. Vamos meninas, precisamos conversar.
Olhei para Annabeth, quase que a matando só com o olhar. Ela pediu desculpas silenciosamente, e eu sorri. Não estava brava com ela de verdade.
–Ah, e vocês – apontei para os meninos – Decidam se vão falar com o Quiron. Travis pode estar em perigo de verdade, mas pode ser outra pegadinha também.
Annie e Lily me acompanharam até o chalé de Demeter. Eu me sentia estranha: não sabia o que era. Parecia um medo, junto com a ansiedade de ter que estar no controle da situação, mas também uma angústia enorme só de pensar em poder perdê-lo. O que estava acontecendo comigo? “Perdê-lo”? Travis nem era meu de verdade.
–Katie? Terra para Katie!
–Ah, oi Camilla. Eu estava só pensando
–Estava pensando nele, não? No Travis?
–É que...
Olhei para as meninas, ali me encarando. Tínhamos uma ligação tão forte, éramos amigas desde pequenas. Respirei fundo e me conformei: tinha que falar com elas. O que de pior poderia acontecer? Me levantei e fui até aporta, fechando e ligando a luz. Fechei as janelas e me sentei de novo. Respirei novamente.
–Preciso contar uma coisa para vocês.
–Fala menina, pra que suspense?
–De uns tempos pra cá, eu percebi isso. Pelo visto algumas de vocês também. Acho que esse sentimento sempre existiu, eu só tentava convencer a mim mesma de que era mentira. Desde que o conheci, o odiei de cara, só porque tinha crescido para ser a menina perfeita, aprendendo mais de quatro línguas e tendo aulas de etiqueta o tempo todo, enquanto ele não tinha nenhuma preocupação na vida. Só curtir.
“Percebi que todo esse ódio era só porque queria ser exatamente igual a ele, mas sempre me disseram que disciplina era mais importante do que curtir a vida. Eu não conseguia ser como ele. E isso era pior do que qualquer coisa. Percebi que só o odiava porque ele era exatamente o que eu queria ser; ele era meu oposto. Quando me dei conta disso, acho que... Não sei. Mas foi naquela hora que me apaixonei, tenho certeza. Foi quando reparei que aquilo não dependia de nossas diferenças. Eu só senti; soube que era ele”.
–Um pouco cedo para casar, não acha?
–Cala a boca! – atirei uma almofada na direção de Thalia.
–Pois eu achei uma história maravilhosa. Você tem que contar para ele, Katie.
–Claro, Silena, porque ele nem está preso em algum tipo de jaula muito louca, né.
–todas nós já sabíamos disso, Katie. Só faltava você admitir para si mesma, mas agora o menino resolveu desaparecer da face da terra...
–E ainda tem isso. Não podíamos ter um namoro normal, sem sumiços ou Deuses envolvidos em nossas vidas? Sinceramente.
–Mas esse menino resolve virar sonâmbulo do nada também, Katie. E ainda consegue viajar daqui até algum lugar desconhecido e se prender na armadilha de um Deus enquanto dorme.
–É mesmo, Annie. Praticamente impossível...
Nesse momento algum ser do além bateu na porta assustando todas nós. Levantei e fui atender à porta, dando de cara com um Connor sorridente e um Quiron bem bravo.
–Estou mandando vocês dois para uma missão de emergência amanhã de manhã. Cada um escolha três acompanhantes – vai ser uma missão perigosa. Melhor estarem acompanhados.
–Olha, gosto muito do Travis, ele é super gente boa, mas eu não vou pro mato. Não, não e não.
–Que frescura, Silena.
–Meto uma faca na costela de Cronos, mas não entro na mata, Annie.
–Connor, quem você vai levar? – perguntei tentando ganhar mais tempo para pensar.
–Levo Percy, Luke e Leo. Não são os melhores, mas dão para o gasto.
–Nossa, valeu amigão. – Percy revirou os olhos.
–Relaxa cara. E você, mocinha? Quem vai levar? Só não leva a Annie.
–Porque não? Vou levar ela sim.
–Ela e o Percy vão se pegar a viajem toda.
–Hum-hum – fez Quiron, olhando feio.
–Vou levar Annie, Thalia e Rachel.
–Não, o Oráculo não. Rachel tem que permanecer aqui.
–Mas Quiron, eu...
–Sem mas. Ela fica. Escolha outra pessoa.
–Annie, Thalia e Camilla.
–Agora eu e ela vamos nos pegar a viajem toda. – ironizou Connor. Camilla se levantou, foi até ele e levou sua mão ao queixo do menino à sua frente.
–Quem disse que eu quero ficar com você, gatinho? – piscou e virou para mim – Katie, eu vou lá ver a Meg que estava passando mal esta manhã, já volto.
–Bem, apontem-se e estejam prontos amanhã às sete. Tenho que conversar com Dionísio.
–Sim, Quiron.
Quando ele saiu, o quarto mergulhou num silêncio, provavelmente todos pensando no o que nos esperava quando chegássemos a Travis. Me desencostei da parede e fui até a porta.
–É, garanhão. Vai precisar um pouco mais do que uma cantada barata para conquistar o coração dela.
–Por favor, ela já é minha; só não sabe disso ainda.
Revirei os olhos e fui atrás de Camilla. Lógico que aquela fora uma desculpa para sair dali, porque Meg estava perfeitamente bem, e perfeitamente em Miami, Flórida, atrás de um meio sangue no colegial.
–Ei, você viu aquilo, não? Ele está totalmente caidinho por mim.
–Isso mesmo, Rapunzel. Agora cai na real e vai arrumar suas coisas. Precisamos de uma estratégia para achar a peste que resolveu se perder na floresta amaldiçoada do Deus malvado.
Leiam as notas finais s2
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