42 - Violet Hill
51 Os Miseráveis
Notas iniciais
Parte 51: A banheira
Povs geral:
Sam acordou e coçou os olhos. Ela achou estranho estar na janela de um avião em vez de um carro. Quanto tempo dormiu, ela se perguntou. Seus olhos percorreram o interior do avião. Ela sabia que se encontrava na primeira classe e que Freddie estava ao seu lado esquerdo, extremamente pensativo. Sam tinha vergonha de encará-lo após o ocorrido no carro. Eles passaram dois meses sem se tocarem e quando tiveram a chanche Sam estragou tudo, assim pensava ela. Sam levou seu olhar sutil de volta para a janela. Ela não fazia a mínima ideia sobre qual lugar estava sobrevoando. A paisagem continha apenas escuridão das nuvens densas de chuva. Ela pensou em perguntar ao Fredward, mas se deteve de novo.
Freddie reparou no rosto da Sam de dúvida, mas não disse nada. Ele também estava envergonhado, pois, desenvolvia a ideia de que a tinha forçado a fazer aquilo. Em seu peito sentia a dor do erro que cometera e aquelo vazio, aquele maldito vazio que nunca ia embora. Freddie sentiu os lábios tremerem e as mãos suarem. Ele queria chorar por ter se lembrado do Flynn. A sua visão ficou embaçada pelas lágrimas que não queria deixar escapar. Freddie já estava se levantando para ir ao banheiro quando Sam pegou sua mão e o encarou.
— Eu trocaria o mundo inteiro, nesses olhos mareados. — ela sussurrou o que pensou no dia em que dançaram juntos na formatura.
— Eu que deveria te consolar e ao contrário disso te mandei dormir. — Freddie secou o rosto com as costas da mão esquerda.
— Eu precisava dormir, foi o melhor para nós dois.
Freddie apertou a mão dela com força.
— Se eu pudesse voltar no tempo, eu não teria feito sexo no carro ainda mais dado às suas condições... Foi errado e espero que me perdoe.
— Errado foi, mas eu gostei. O problema é... O problema é... — Sam gaguejou sem conseguir terminar — Eu sinto tanta falta dele... Meu peito tem um buraco longe de qualquer tipo de reparo. Aumenta cada vez mais. É como... Deus, eu não aguento mais. — Sam perdeu a voz.
Fredward a abraçou sentindo aqueles socos de dor vindo dela. Dessa vez ele iria consolar a amada.
— Eu quebrei tantas promessas... Agora só me resta meus votos, os quais irei cumprir cegamente. Sam eu te amo tanto e nem posso tirar essa dor de você. Queria te colocar debaixo dos meus braços e te proteger de todos os males do mundo, mas eu não posso... No mundo teremos aflições e o que podemos fazer é passar por isso juntos. Temos que nos apoiar um no outro. Se nós cairmos, nada no mundo vai nos levantar. — Freddie escolheu cada palavra com cuidado, ele procurou ser sincero em todos os pontos possíveis.
Sam não soube o que responder. Ela queria gritar. Queria arrancar o coração do próprio peito se isso fosse fazer alguma diferença. Tudo o que desejava era se desligar, viver novamente sendo independente de qualquer pessoa ou de qualquer coisa, mas Freddie jamais iria permitir que Sam fizesse tamanha estupidez. Sua função como marido era tomar conta dela. Se alguém merecia se desligar esse alguém era ele, por que cabia a Fredward suportar sua própria dor e a dos outros. Ele realmente estava cansado de viver, mas Sam, a esperança de um dia rever o filho e seu propósito o fazia permanecer vivo.
Freddie inspirou inalando o cheiro de lavanda da Sam. Sua mente foi levada de volta para 1880, durante a batalha de Violet Hill.
Flashback On:
Fredward rastejou pela neve com Sam — que estava em forma de loba — enquanto seus inimigos os observam dos telhados das casinhas de Violet Hill. Freddie desviou de um vampiro que tentava o agarrar. Ele se virou com sua habilidade e pegou o vampiro pelo pescoço. Freddie afundou o rosto do homem na neve, pisou o peito dele com o pé e arrancou sua cabeça. Ele rapidamente se afastou daquele corpo e foi para o próximo inimigo. Ele via e sentia à sua volta tanta morte que não conseguia assimilar nada. Todos os seus instintos eram de segurança e focavam somente em proteger a loba branca. Aquela batalha estava perdida de ambos os lados, porém ele tinha que prosseguir ali para salvar a garota que amava. Sam no momento atacava tudo e todos. Ela era rápida, ágil, bela. Fredward não podia perder o juízo agora, ele tinha que se focar em abater mais vampiros e lobos que se ergueram contra a tribo Klautriny. A alcateia e outros guerreiros que estavam do seu lado na batalha foram morrendo aos poucos devido a má estratégia e à grossa camada de neve. A cada passo os que lutavam se afundavam mais na neve que cobria a Colina Violeta. Os humanos morriam de hipotermia, os lobos morriam ao terem dificuldade para se moverem e os vampiros se aproveitavam disso. Freddie viu todo o seu clã morrer, restando apenas sua mãe e seu pai que ele ordenou que voltassem para casa. Ao longe ele ouviu uma cavalaria chegando, eram os membros do tribunal de seres mágicos. Freddie olhou para a Sam que também encontrou o olhar dele. Se Freddie não fugisse agora, seria preso e teria que depor os motivos que o fizeram aliar clã de vampiros com lobisomens para que lutassem. Ele não podia passar por isso. Fredward deu às costas e correu para dentro da floresta. Ele usou toda a velocidade que possuía. A batalha ainda não chegara ao final, mas ele tinha matado tantos quanto pôde.
Freddie ficou escondido na floresta esperando o tempo passar. Uma forte nevasca caía furiosamente. Ele voltou para Violet Hill com as roupas cobertas de gelo. Os corpos se amontoavam na neve. Sam em algum momento após o fim da batalha pegou suas roupas no antigo casebre e se vestiu com elas. A garota tentava caminhar com neve até às canelas. Fredward se aproximou, porém também afundara naquela imensidão branca. Ele puxou Sam pela mão com a intenção de ouvir a garota dizer a verdade, dizer que o amava. Sam não se lembrava que foi Freddie que a transformou em vampira. Ela acha que o conheceu quando procurou por clãs para lutarem na guerra. Fredward não se atreveu a contar, mas mesmo assim ele via a verdade do que ela sentia por ele nas emoções e no rosto dela.
— Foi um massacre... — sussurrou Sam caindo sentada na neve, Freddie caiu com ela — Eles não pensaram direito... Devíamos ter morrido também.
— Não. Não devíamos por que esse não é o nosso propósito. — respondeu Freddie soprando fumaça pela boca.
— Isso não devia ter acontecido.
— Mas aconteceu e não podemos ficar nos lamentando. Protegemos a...
Sam o socou no rosto e se levantou.
— Não! Não protegemos nada! Todos morreram! A tribo inteira foi dizimada! Nós deveríamos estar mortos! Eu queria estar! Eu queria que todos estivéssemos. — ela estava tremendo de ódio — Todos nós.. Hayes, Taha, Eudler, você, sua família... Eu... Não existem vencedores em uma guerra, apenas sobreviventes e eu não queria ter sobrevivido a isso aqui.
Freddie se colocou de pé.
— Eu queria muito poder fazer algo por você ou por aqueles que morreram, mas não posso ficar, tenho que partir antes que eu seja jogado no tribunal por incitar os clãs a lutarem... Eu peço perdão por ter fugido da batalha.
— Não fez diferença, eles iriam morrer igual. — Sam se virou e caminhou para retornar à tribo. Ela montou em um dos cavalos que pastavam não muito longe dali e partiu para o lugar que chamava de casa. Freddie a seguiu. Eles chegaram à reserva em alguns minutos. Sam desceu do cavalo e viu Taha, Eudler e Hayes em meio a destruição que foi deixada por aqueles que se ergueram contra a tribo.
— Está decidido. — Eudler sussurrou com seus cabelos pretos finos cheios de neve — Jogarei um feitiço para proteger este lugar.
— Ninguém poderá entrar aqui? — perguntou Sam assustada.
— Nenhum vampiro pisará os malditos pés nesse solo sagrado de novo. — Eudler tremia vendo tanta desgraça e morte à sua volta — Você terá que partir Samantha. Você também garoto.
Fredward concordou com a cabeça.
— Hayes... — Sam chamou pelo o amigo — Eu sinto muito.
Hayes estava sentado na neve que se prendia ao chão. Ele não conseguiu olhar para Sam de tanta dor interior.
— Este é o fim. — murmurou ele.
— Iremos reerguer este povoado, não importa quantas luas há de passar. — disse Taha Luzimani, marido de Eudler — Mas sem a presença de demônios aqui, não mais. É melhor assim.
Sam engoliu a bile. Ela queria chorar. Ali ainda era sua casa, mas como explicaria isso a eles? Ela queria ficar, proteger o que restara, ajudar os morteiros a limpar a reserva, acender uma fogueira e chorar por aqueles que perdera. Sam não teria como argumentar. Ela caminhou para longe deles sem dizer adeus, Freddie segurou o braço dela.
— Tem para onde ir? — ele perguntou — Pode ficar comigo, após tudo que passou eu daria tudo para protegê-la.
Sam entrelaçou seus dedos com os do rapaz.
— Não posso, preciso ir embora.
— Para onde? Sua casa é aqui.
— Não mais... Eu não tenho mais casa agora, irei viver pelo o mundo.
Freddie aproximou o rosto da face dela.
— Não quero perder você.
— Eu não sou ninguém para que você me perca. — Sam beijou o rosto dele e se distanciou — Talvez, no encontraremos de novo.
— Desejo muito. — Freddie teve que soltá-la — Eu te... — ele não teve tempo de dizer, por que Sam se transformou em loba e correu, deixando sua casa, sua vida, seu amor e tudo o que a fazia humana para trás.
Fredward sentiu seu coração — aquele o qual não batia — se partir. Ele sentia a dor do abandono. Ele amava tanto aquela garota loira que achou que iria desmaiar. Freddie respirou o ar gelado. Ele quis gritar para que ela voltasse por que nunca tinha sentido aquela emoção antes, nem mesmo na primeira vez em que a perdeu. Agora veio mais forte. Ele estava prestes à se desligar quando escutou os caçadores vindo. Freddie precisava fugir de novo e alertar a Sam para que fizesse o mesmo. Ele olhou para os rastros da loba na neve. Freddie correu seguindo o cheiro e as marcas no chão. No mais profundo de sua alma ele prometeu que iria encontrá-la de novo, ou que ela o encontraria, não importava se levaria dias, semanas, anos ou séculos. Ele precisava de Sam e ela sabia que no fundo precisava dele, mas por quê?
Flashback off.
— No que está pensando? — Sam perguntou ao ver que Freddie ficara em silêncio por muito tempo.
— Na primeira batalha de Violet Hill, você partiu naquele dia, foi a primeira vez na vida em que eu quis desligar a humanidade.
— Será que se eu tivesse ficado com você ao invés de partir, as coisas seriam diferentes agora? — Sam fez uma excelentíssima pergunta.
— Claro, mas, ficaríamos juntos de um jeito ou de outro. Sempre nos encontrávamos de tempos em tempos.
— Como sabe que ficaríamos juntos?
— Estamos juntos agora, não é? — Freddie beijou o rosto dela.
— Você sabe que não foi isso que eu quis dizer. Como sabe que devemos ficar juntos? Como sabe que isso é o certo?
— Eu apenas sei por que eu não quero ninguém além de você e sei que seus sentimentos permanecem recíprocos, assim como naquele dia em que demos nosso primeiro beijo. — Freddie desta vez a beijou na boca.
Sam eufórica com as palavras dele o beijou extasiada, porém ainda triste com sua perda. Era sempre assim, em meio a um momento tão belo, sua alma e sua mente eram devoradas pela tristeza de novo. Sam se acostumou a se sentir consumida pela dor e pela vontade que possuía de matar o Gatlin, de fazê-lo sofrer em suas mãos lentamente, de sentir o gosto do sangue dele, mas sem o matar de uma vez, apenas para ouvir a dor que causaria nele. Sam estava obcecada por isso. Freddie e ninguém fazia ideia desse escuro desejo que abrigava os pensamentos de vingaça dela.
Sam parou o beijo mantendo uma expressão séria. Ela precisava pensar em outra coisa.
— Você faria qualquer coisa por mim... — disse ela.
— Sim meu amor, qualquer coisa.
— Qualquer coisa mesmo?
Fredward sorriu feito um menino.
— Tudo.
— Então me diga uma coisa...
— O quê?
Sam levou a boca para o ouvido dele e perguntou:
— Para onde estamos indo?
Freddie se arrepiou e por um momento quis rir.
— Se lembra quando dormi em seu quarto, horas antes de ter visto o lobo preto em cima de mim?
— Lembro. — Sam se recordou que Freddie tinha marcas de garras no peito.
— Pois bem, antes daquilo você e eu conversamos sobre lugares para os quais poderíamos fugir.
— Oh, sim, sim... — Sam recordara dos lugares — Brasil.
— E teve aquele outro...
— Alasca. — ela murmurou sorrindo — Estamos indo para o Alasca.
— Sim estamos.
— Como soube que eu iria preferir o Alasca em vez do Brasil?
— Você não é muito fã do calor e nessa época do ano está quente por lá, resolvi preparar uma lua de mel mais fria, para agradar você. — respondeu ele.
— E você está de acordo com isso? Com o frio e tudo mais?
— Eu gosto do frio, mas gosto ainda mais de você e onde você se sentir melhor eu também irei me sentir. Somos um só, Sammy. — Freddie conseguia derrubar qualquer argumento com sua inteligência.
— Fredward Benson, eu te amo. — Sam colocou as mãos no rosto dele.
— Eu também te amo Samantha Benson, minha alma sabe que viver é se entregar. — ele se inclinou para beijá-la. Foi um beijo singel e ao interromperem o contato de seus lábios, sentiram que precisavam de um escapismo, a realidade era cruel demais para ambos.
Sam por alguma razão desconhecida se lembrou de quando Gibby e ela estavam conversando no beco, e o Alfa os jogou em algum tipo de alucinação. Sam não conseguia relembrar o que tinha visto, mas sabia que existia um jeito de trazer aquelas memórias de volta. Ela queria tentar uma ideia arriscada.
— Sabe aquele gatilho que trás algumas lembranças? — perguntou Sam mordendo o lábio como de costume.
— Gatilho?
— Sim, algo que aciona nosso hipocampo e nos devolve certa parte da memória de um determinado momento.
— Oh... — ele sabia onde ela queria chegar — Para um humano, sentir até mesmo um simples cheiro aciona o hipocampo, mas para nós seres sobrenaturais se quisermos buscar uma memória de séculos atrás precisamos estar...
— Morrendo. — completou Sam — Porém, me refiro a uma alucinação de meses atrás.
A jovem mulher queria impulsionar a imagem daquela batalha que o Alfa a empatava de ver, mas o único jeito de fazer isso era quase morrendo... Sam estava pronta para assumir esse risco.
Fredward carregou Sam nos braços para dentro da grande casa de madeira em uma das muitas montanhas de Christochina no Alasca. Ela riu com a empolgação dele e se sentiu um pouco mal por quase estragar tudo, Sam não sabia que Freddie pouco se importava por que ele já tinha o próprio sofrimento para lidar.
Eles andaram de mãos dadas para conhecer a residência. Era longe de tudo e tudos, exatamente o que Sam queria. Naquele lugar ela poderia ser ela mesma, mesmo que só por algum tempo. Os recém-casados acabaram entrando em um dos banheiros, Sam viu que ali havia uma banheira, algo ideal para o seu mais novo plano.
— Podemos fazer isso agora. — disse ela.
— Sam, eu não sei se você realmente perdeu o juízo ou se decidiu tirar o dia para curtir com a minha cara. — Freddie assentou-se na borda da banheira — É nossa lua de mel, deveríamos estar nos amando ou alguma coisa assim, não brincando com a morte.
— Prometo que vamos aproveitar ao máximo nossa lua de mel, mas por hora eu preciso fazer isso e se você não me ajudar eu irei fazer sozinha. — Sam retirou o casaco mostrando que não estava blefando.
— Na loucura e na insanidade. — murmurou Freddie debochando das promessas de casamento.
Sam ligou a torneira.
— Não existe essa parte.
— Não existe, mas eu deveria ter adicionado. — Freddie subiu as mangas da blusa — O quê você vai fazer?
— Me afogar.
— Mas que porra? — Freddie arregalou os olhos.
— É relativamente seguro, acredite em mim.
— Não. Eu não acredito.
— Freddie... — Sam tocou o rosto dele — Eu preciso relembrar.
— Me explique direito. — ele pediu.
— Meu corpo vai sobreviver talvez uns dez minutos ao afogamento, se passar disso eu não vou conseguir voltar, mas eu preciso encontrar essa visão em que Gibby e eu fomos submetidos, eu preciso ver além dela. Tem alguma coisa lá... — Sam entrou na banheiro com roupa e tudo.
— Eu irei te trazer de volta... Certo?
— Sim.
— Loucura.
— Apenas faça.
— Meu Deus... Boa sorte. — Freddie a beijou com dúvida.
— A banheira ainda não encheu, converse comigo enquanto isso.
— Eu estava pensando em Klaus e em Triny... — Freddie iniciou um assunto vago — Ela morreu antes que ele tivesse a oportunidade de se casar com ela. Ele até me mostrou o papel que carrega consigo, estava quase ilegível aquelas belíssimas palavras.
— Quais palavras?
— As que pretendia dizer a ela.
— Recite-as.
— Vi sua beleza como se o céu tivesse se aberto somente para mim. Teus olhos buscavam os meus de maneira constante e fico pasmo ao lembrar disso todos os dias. Eu preciso e vivo aquele momento de novo por que toda vez que te olho é como da primeira vez... Então se case comigo e faça eu ver o céu de novo, por que você é o meu anjo...— Fredward terminou de recitar — Ele a amava tanto.
— E por quê não a transformou?
— Ele preferia vê-la morrer a ter que aceitá-la como vampira.
Sam sentiu a água quente chegar à sua cintura e se arrepiou.
— Você faria o mesmo se tivesse essa opção? Se eu fosse humana iria me deixar morrer ao invés de me transformar?
— Não. — respondeu Freddie — Eu sou egoísta demais para isso. Com certeza eu iria te transformar só para te ter para sempre.
Sam gargalhou.
— Egoísta? Você nem sabe o que isso significa. Você ajuda a todos sem dar importância ou pedir algo em troca. Você é tão bom, tão inteligente, tão perfeito... Isso não é egoísmo, você me ama demais Freddie, é apenas isso, me ama tanto que faria de tudo para não me perder.
— Te perder é um dos meus maiores medos. — sussurrou ele.
— Quais são os outros?
— Quer um top 5? — Freddie rolou seus olhos — Vejamos, o meu maior medo não é te perder, é apenas um dos maiores. O meu maior medo de verdade é do Alfa.
— Por causa do encontro que ele teve com você no quarto?
— Não necessariamente por causa disso, por que aquele era apenas o espírito. Mas eu tenho medo de quem é a pessoa.
— Ela é tão ruim assim?
— Não. A decisão vai ser dela se caminhará para as trevas ou para a luz.
— E você acha que a pessoa caminhará para as trevas? — Sam sentiu frio por mais que a água estivesse quente.
— A banheira encheu. — Freddie mudou de assunto, essa era uma área perigosa demais para se entrar.
— Estou pronta. — Sam o beijou de novo para se acalmar.
— Espero que encontre o que procura.
— Obrigada. — Sam foi se deitando e Fredward desligou as torneiras. Sam afundou na banheira branca. Ela respirou e seus pulmões queimaram com a água quente. Ela se debateu mas aguentou firme, em breve seu corpo iria parar de funcionar.
A mente de Sam encontrou uma escuridão, que ia se clareando e dando lugar a uma batalha o quanto mais ela perdesse a consciência. Ela não estava em Violet Hill como pensara, a guerra era travada na reserva. Sam rapidamente soube que se estava em solo sagrado só podia significar uma coisa: que o Alfa tinha retornado e quebrado o feitiço. Sam avançou pela aquela briga dos diabos. Havia pessoas, Wesens, lobos e vampiros envolvidos. Ela viu todos os seus amigos naquele lugar, até os que a magoaram. Eles estavam ali lutando... Todos eles, com exceção de alguém. Fredward não estava ali. Sam não sabia o que começará aquilo. Suas mãos se moviam tirando pessoas de seu caminho, ela sentia que estava realmente vivendo aquele momento. Na visão ela percebeu qual era o seu objetivo e o encontrou: Gatlin. Sam não sabia se era o seu corpo impulsionado pelo ódio que vinha guardando ou se nessa guerra ela buscava por ele no meio de tantos outros inimigos. Sam tão cheia de rancor correu em direção ao Gatlin, porém um lobo gigantesco de cor tão preta que brilhava no sol se jogou em sua frente. Sam não teve medo, em vez disso deferiu um soco no lado esquerdo do focinho do animal. Ela caiu de joelhos por que o Alfa a ordenou, era como se ele mesmo não pudesse estar ali. Sam cuspiu água. Seus pulmões queimaram. Ela se engasgou e sua visão escureceu.
Freddie puxou Sam da banheira. Ela tossiu assustada. Ele a abraçou contra si. Sam quis chorar se lembrando do que vira. Realmente ela não era o Alfa. Sua mente trabalhava para descobrir quem era.
— Venha, vamos te secar. — disse Freddie levando a Sam nos braços para um dos quartos. Imediatamente ele a colocou na cama, a enrolou com uma toalha e desfez as malas. Ele conhecia Sam bem o suficiente para saber o que ela gostaria de vestir. Como dentro da casa estava quente por causa dos muitos aquecedores, ele optou por uma roupa simples e leve.
Sam se despiu. Freddie entregou peças íntimas para ela, que Sam vestiu sozinhas mas, as roupas que ele tinha escolhido fez questão de poder vesti-las nela. Sam agradeceu e se deitou na cama Kingsize. Ela suspirou tentando achar sentido naquela guerra. Fredward se deitou puxando-a para seu peito. Sam notou ele fazer uma careta com o lado esquerdo do rosto como se tivesse incomodado com algo.
— Foi estupidez, eu sei mas, você não faz ideia do que eu vi. — Sam quis explicar.
— Apenas não faça de novo, não queira ver nada antes da hora Sammy.
— Não vou mais tentar.
— Prometa que se eu tiver que sair por algum momento e te deixar sozinha você não vai tentar de novo na primeira oportunidade. — ele queria se certificar que Sam não iria agir pelas costas dele.
— Eu prometo que nunca mais vou fazer isso. — murmurou ela.
— Bom.
— Eu dei um soco no Alfa. — Sam suspirou e Fredward riu.
— O quê ele fez pra você? — Freddie gargalhou de novo.
— Nada. Esse é o problema, aquele imprestável não fez porra nenhuma para mim e muito menos por mim, e ainda quer que eu me ajoelhe diante dele.
— Entendo seu ódio.
— Como não pode odiá-lo?
— Eu já disse que o odeio, o quê mais você quer? Eu o mataria se pudesse...
Sam se preparou para dizer o que pensava.
— E por quê não o mata?
— Porque isso magoaria você.
Sam se sentou na cama imediatamente.
— Gibby, Dice... Você. — ela tremeu — Só pode ser um de vocês.
Freddie ergueu as sobrancelhas de forma cínica.
— Jura? Esses são os seus palpites?
— Talvez ele seja uma garota, tipo a Carly.
— Ok, agora você foi longe demais.
— É tem razão, se ela fosse o Alfa já teria me contado...
Sam prosseguiu falando coisas a respeito disso. Ela estava determinada a descobrir. Freddie fechou os olhos para ignorar os comentários dela. Ele não queria ouvir nada daquilo. Por fim ele se levantou da cama e caminhou para ligar a tv do quarto por que não tinha encontrado o controle. Ele apertou o botão e ligou o aparelho de tv a cabo. Estava sendo exibido o filme "Os Miseráveis". Fredward retornou para a cama e se sentou na beirada.
Sam fitou a tv um pouco receosa.- A história de Jean Valjean me perturba.
— O quê tem contra o personagem principal da trama? — perguntou Freddie sem tirar os olhos da tela.
— Ele fez de tudo para esquecer o seu passado, mesmo assim nunca conseguiu escapar e na maioria das versões de Os Miseráveis, Jean Valjean morre.
— É isso que te irrita?
— Sim e também o fato de que mesmo a história sendo sobre ele... — Sam engatinhou para se sentar próximo do Freddie — Fantine, Cosette e até mesmo o inspetor parecem ter mais destaque.
— Discordo. — disse Freddie — O livro, os filmes, as peças, são sobre Jean.
— Mas...
Freddie colocou os dedos nos lábios de Sam.
— A história não precisa se chamar "Jean Valjean", por que Os Miseráveis aborda muito mais do que apenas ele, por mais que ele seja o principal. Se olharmos bem vemos a trama mostrando problemas do mundo atual como prostituição, desigualdades sociais, crianças órfãos, guerras, prisões... Jean infelizmente teve o azar de fazer parte deste mundo.
Sam deu um tapa na mão do Freddie.
— E como eu estava dizendo, ele quis fugir disso e não pôde, não vê como é uma coisa injusta?
— O mundo não é justo. — ele sussurrou.
— Acho que nós somos eles... — Sam repousou a cabeça no ombro do Freddie.
— Eles quem?
— Os Miseráveis. — respondeu Sam.
Freddie quis discordar, mas Sam tinha toda a razão.
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