42 - Violet Hill
15 O monstro em cada um
Notas iniciais
Parte 15: Hexenbiest, lobos e vampiros
Povs Sam:
Shelby olha para o Freddie de cima a baixo e diz:
— Continua perfeito, saudades da época em que eu tinha você somente para mim, temo que terei que te dividir com a lindinha chamada Sam.
— Ninguém vai dividir nada — ele dá um passo para frente com as mãos cerradas em punhos. — Saia daqui antes que eu mate você.
— Ameaças, ameaças, ameaças... Não entenderam que sou de grande ajuda aqui? — Shelby cruza os braços se achando. — Vim alertá-los do que está por vir e salvar o rabo de vocês, mas se continuarem a dizer que vão me matar, eu deixarei o destino matá-los.
— Fale de uma vez, o que quer nos contar? — pergunto indo para perto do meu namorado.
— Uma nova batalha por conquista de território irá acontecer, será nos arredores de Portland. Seu clã... — Ela aponta para o Freddie. — E sua matilha... — Shelby aponta para mim. — Serão obrigadas a lutar, a menos que se rendam e concedam sua submissão a eles.
— Eles? Eles quem? — Freddie pega a minha mão.
— Os vampiros de Viena — ela responde. — Também conhecidos como os nobres da família real. Eles estão estabelecendo bases aqui no oeste dos Estados Unidos. Procuram lugares bons para expandir algo parecido com um reinado, por exemplo, adorariam possuir as terras de La Push. Os estados de Washington e Oregon em breve pertencerão a eles, isso se não fizermos alguma coisa.
— Por que ir tão longe? Por que logo Seattle e Portland? — Não compreendo nada.
— São uma rota comercial interessante, muitas florestas, lugares para formar novos povoados e é aí que tudo fica divertido — ela ri sombriamente. — Um povoado apenas de vampiros, eles teriam banquetes nas pequenas aldeias existentes e em outros lugares.
— Os caçadores não permitirão isso — afirmo a ela.
Shelby boceja de forma teatral.
— Os caçadores estão de acordo com isso linda, como acham que vão se estabelecer por aqui?
— Alguém está ganhando muito dinheiro com isso para permitir tal coisa — especula Freddie.
— Exatamente e esse alguém vai literalmente enricar do dia para noite deixando aqueles malditos fazerem o que bem entendem — Shelby parece ter alguma ideia em mente.
— Deveríamos matar a pessoa que está aceitando o dinheiro — eu proponho.
— E quebrar o acordo que nós temos e ir contra tudo em que acreditamos? Isso é loucura, Sam — Freddie me repreende.
Shelby fica do meu lado.
— Ela está certa. Temos que cortar o mal pela raiz. Temos caçadores corruptos. Se matarmos quem está ganhando lucro com essa porcaria de Viena, o problema estará finalizado. É isso ou lutar por eles.
— Não mesmo — Freddie se nega. — Vamos lutar contra eles.
— Escuta aqui docinho, vocês podem possuir amigos com poderes e dons inigualáveis, mas mesmo assim, não são páreos para os vampiros de Viena. Eles são como deuses, nós seríamos meros mortais — ela não vai retroceder, gostou muito da minha ideia.
— Vamos convocar uma reunião para hoje à noite, iremos acertar isso — aviso para a Shelby.
— Você sabe que o Conselho Wesen ficará do nosso lado — Shelby usa uma ótima opção, porém lembro-me de um detalhe.
— Não temos Wesens entre nós... — Franzo os lábios.
— Na reunião de hoje à noite, você descobrirá que tem... — Ela rapidamente me beija no rosto. — Agradeço por não me matarem, aparecerei aqui de noite, não me procurem.
— Onde você está hospedada? — Eu lhe pergunto.
— Acha mesmo que eu vou falar? Como se eu quisesse ser achada — Shelby desaparece pela casa.
Eu encaro o Freddie esperando que ele se manifeste. Ele relaxa os ombros aos poucos e eu sinto um arrepio.
— Não é por nada que ela odeia você... — Freddie fala uma coisa idiota.
— Você quase a matou, eu tive que a transformar e se não bastasse namorou com ela depois — reclamo sentindo uma raiva voltar.
— Ela passou três dias queimando com seu veneno, deixaria qualquer pessoa atordoada depois.
— Está defendendo a Shelby?
— Não, mas você não deveria ter feito aquilo, não deveria ter transformado ela — ele me abraça por algum motivo.
— Eu deveria ter feito o que? Deixado ela morrer? — Pergunto contra sua orelha.
— Sim. Teria poupado muitos problemas.
— Pra que? Para depois você ficar se culpando? — Olho em seu rosto. — Não podemos mudar o passado.
Ele me beija com carinho.
— Mas podemos mudar o futuro, começando em não assassinar ninguém.
— De que lado você está? Freddie é a nossa sobrevivência em jogo aqui — toco no seu peito. — Temos que garantir nossa vida juntos.
— Tenho medo como isso pode terminar... — Ele fecha os olhos. — Se algo acontecer com você...
— Nada vai acontecer comigo.
Ele suspira me soltando. Freddie se apoia na pia olhando para seus tênis.
— A visão da Wendy — ele murmura. — Não posso correr o risco.
— Se lutarmos ou não, podemos acabar morrendo, é melhor matar os caçadores.
— Não podemos ficar aqui.
— Não posso deixar tudo para trás — pego suas mãos.
— Eu não entendo, se você me ama, por que não aceita fugir comigo? — Freddie não compreende meu problema.
— Preciso ficar aqui Freddie, eu sei que você não entende, mas não posso abandonar a Carly.
— Ela tem o Spencer... — Ele me contradiz, mas no fundo sabe que tem mais coisa. — Qual é a verdade, Sam?
— O alfa.
— O que tem ele?
— Eu vou ter algum tipo de ligação com o alfa, se eu deixar a cidade e nunca mais voltar, será apenas uma questão de tempo até eu morrer de causas naturais. Um alfa ligado a outro não pode se separar e mesmo que o alfa ainda não exista, eu já sou dele de alguma forma. Assim que eu partir morrerei aos poucos Estou presa aqui, não posso partir — finalizo o assunto.
Freddie engole em seco. Ele não quer acreditar na verdade.
— O imprinting do alfa vai ser com você?
— Não necessariamente, mas terei uma parte do poder junto com ele... É isso Freddie, minha vida toda está aqui, não posso simplesmente virar as costas para isso. É parte do que eu sou. Você tem que aceitar. Eu só quero que... — Eu sou interrompida pelo seu beijo.
Freddie me puxa com certa brutalidade para o seu corpo. Nossos lábios se chocam com força. Mais uma vez fogo e gelo se unem. Eu começo a desabotoar sua camisa. Não o deixo parar o beijo. A língua dele está em cada canto da minha boca. Ele me empurra em um armário que se amassa com o impacto. Consigo tirar a camisa dele. Freddie retira meu colete preto. Seguro suas mãos quando ele tenta tirar minha blusa.
Eu corro para o andar de cima junto com ele. Freddie praticamente me lança na cama. Ele sobe em cima de mim e retira minha camisa. Eu beijo ele novamente. Arrepio-me com seu peito frio encostando-se a mim. Desço as mãos pela sua barriga. Tento abrir seu cinto, quando consigo, rapidamente abro o botão da sua calça e a desço pelas suas pernas. Freddie consegue tirá-las. Ele fica de cueca e puxa minha calça. Estamos apenas de roupa íntima.
Mais um beijo começa. Eu agarro suas costas. É inacreditável sentir o hálito frio dele na minha boca. Sua mão direita aperta minha bunda. Ele leva a mão para a minha calcinha, mas desiste e retira a boxer. Ele desgruda os lábios da minha boca e desce pela minha clavícula. Meu corpo se arrepia. Estou ficando com frio, o que deveria ser impossível. Ele permanece descendo com a boca. Freddie não retira meu sutiã, deixa como está e beija minha barriga. Ele começa a retirar minha calcinha. Eu não presto atenção em mais nada, até que ele se detém e xinga com raiva.
— Mas que porra! — Ele rapidamente pega sua cueca boxer e a coloca de volta, mas eu já vi tudo que tinha para ver.
— Freddie o que foi? — Eu pergunto me sentando.
Ele pega a calça no chão, se veste e corre para a janela.
— Carly chegou — ele espia pela cortina. — E está entrando. Empata-foda... – Meu queixo cai no chão quando ouço isso vindo dele.
— Meu Deus — eu saio da cama rindo e utilizo velocidade para me vestir, em cinco segundos já estou vestida novamente.
— Fica para outra hora... — Freddie morde o lábio me olhando.
— Hey — eu chamo indo para perto dele e deixo minhas mãos no seu peito nu. — Quero ser sincera com você.
— Então seja — ele olha para o decote da minha blusa e se inclina para plantar um beijo ali. Eu suspiro. Ele beija meu pescoço e tenta morder devagar.
— Carly vai chegar a qualquer momento... — Eu ofego, por ele estar sem camisa eu estou perdendo o controle.
— Ela está mexendo no celular na sala, ouço o barulho do teclado daqui — ele retira meu cabelo do ombro para me beijar com mais facilidade, ele me pressiona na parede e coloca o joelho entre minhas pernas. — Você não ia dizer alguma coisa?
— Talvez você tenha que pegar leve comigo, você já fez isso com outras pessoas, eu nunca fiz, não sei como é — eu sussurro e dou graças a Deus que ele não está me olhando.
Freddie sobe beijos para a minha orelha.
— Apenas te toquei da maneira que me deu vontade... — Ele começa a me soltar. — Prometo tomar cuidado.
— Você já namorou tanto que eu pensei que... — Fico sem saber o que dizer.
Ele sorri e me beija de forma intensa.
— Apenas namorei, quando as coisas ficavam intensas eu pulava fora, por que acha que terminei com a Shelby?
Não contenho meu sorriso.
— Quer dizer que você é tão santo assim?
— Acho que sim — ele me dá um selinho. — E lá vem a Carly...
Escuto os passos no corredor. Carly entra segurando meu colete na mão e a camisa do Freddie na outra.
— Precisavam mesmo deixar as roupas espalhadas por aí? — Ela ri jogando as roupas em nós. Freddie não perde tempo e veste a camisa. Eu coloco meu colete.
— Eu vou deixar vocês a sós... — Freddie não olha para a Carly e eu sinto um alívio enorme. — Te vejo de noite.
— Até lá — beijo ele já sentindo sua falta.
Freddie some pela janela. Carly estreita os olhos para a cama.
— Então... — Ela me olha.
— Não fizemos nada.
— Nesse caso... — Carly se joga na cama e eu corro para me deitar ao seu lado.
— Shelby esteve aqui — vou direto ao assunto.
— Quem?
— Shelby Marx, a Doppelgänger — respondo.
— Esse assunto parece interessante...
— Então se prepare, lá vai uma bomba — eu sorrio e começo a contar o que Shelby tinha a nos dizer.
Liguei para todos os membros da alcateia informando sobre a reunião aqui em casa. Brad certamente trará Wendy e eu não preciso avisar ao Freddie que traga os vampiros, ele sabe disso.
Carly e eu estamos rindo do programa na televisão. Ela está deitada no sofá comendo pipoca. Eu estou pensativa a respeito de Shelby. Tudo acontece tão rápido que eu só tenho tempo de me jogar sobre a Carly para tirá-la do sofá, quando algo entra voando pela janela e estilhaça o vidro. Levanto Carly do chão que me abraça assustada. O objeto jogado foi um tijolo com as iniciais VV pintadas em vermelho. Pelo cheiro percebo que a tinta usada foi sangue.
— Você não pode ficar aqui — eu digo abraçando a Carly.
— Mas e a reunião?
— Isso é comigo, vou te levar para o Spencer, depois repassarei toda a reunião para ele — eu desfaço o abraço.
— Está bem...
Carly e eu aguardamos a chegada de Shelby, preciso falar com ela antes de deixar a casa e não sei se é seguro sair agora. Por coincidência ela chega junto com o Freddie, eles parecem ter uma sintonia enquanto andam, mas o olhar dele se ilumina ao olhar para mim e ele parece constrangido ao olhar para Carly.
— Temos problemas — já vou dizendo para Shelby.
— Ela é... — Carly se surpreende. — Uau.
— Estou mais surpresa que você — Shelby olha para a janela quebrada. — O que eu perdi?
— Sam, o que aconteceu? — Freddie em instantes está com o braço em minha volta.
— Alguém jogou um tijolo pela janela, tinha as iniciais VV pintadas com sangue — explico apontando para o tijolo no chão.
— Malditos! — Shelby xinga. — Não esperava que ainda fossem tão arcaicos a esse ponto.
— Eles devem estar querendo me matar — murmuro.
Shelby anda pela sala analisando os estragos.
— Qual era a letra na parte de trás do tijolo?
— Que parte de trás? — Cruzo os braços sem entender.
— Você não entende nada... — Ela pega o tijolo no chão. — Os vampiros de Viena deixam a inicial marcada de quem procuram, neste aqui... — Ela vira o tijolo e me mostra a inicial C. — Uou... A perfeita Carly parece estar com problemas.
— Por que eles iriam querer me levar? — Carly se apavora.
Eu sei o motivo, mas não quero a Carly surtando no meu pé.
— Talvez uma forma de atingir a mim... — Desconversei.
— Não — Shelby nega me encarando. — Eles são príncipes. Membros da família real. Os princípios deles vão muito além de atingir alguém.
— É irrelevante agora, temos que manter a Carly em segurança — Freddie intervém.
— Seattle não é mais segura — eu deixo bem claro. — Carly você precisa deixar a cidade com o Spencer durante um tempinho.
— Não posso deixar meus estudos de lado — ela diz uma coisa tosca.
— Seus estudos são mais importantes do que a sua vida, agora?! É a sua maldita segurança Carly! — Eu perco o controle sem nem me dar conta, Freddie me segura contra ele.
— Ela é nervosa — Shelby ri como se tudo fosse uma comédia.
Alguém bate na porta. Shelby já está lá para abrir.
— Tori? – pergunta Griffin surpreso. — Você...
Shelby o puxa para um beijo rapidamente. Carly solta um suspiro e Freddie aperta a parte de cima do nariz.
— Shelby! — Eu reclamo e ela solta o Griffin rindo.
— Ficou louca?! — Griffin empurra a Sheby, ele rosna deixando a fumaça subir.
— Ah parem, foi divertido — Shelby retorna para o meu lado.
— Não sei como não está morta, tem sorte da Sam ter um bom coração — Griffin cospe as palavras com ódio.
— Vamos se acalmar — Freddie pede. — O importante agora é tirar a Carly da cidade.
— Por que? — Griffin pergunta arrumando a jaqueta de couro preta.
— Os vampiros de Viena estão querendo alguma coisa com ela, não podemos correr o risco — mais uma vez Freddie toma a voz.
— Ligue para o Spencer, mande-o vir te buscar com as malas prontas, você tem que ir para La Push, é o lugar mais seguro para você — eu conto a Carly.
— A tribo também é segura, nenhum vampiro pode entrar lá — Carly supõe.
— Não estamos lidando apenas com vampiros aqui, foram humanos que deixaram as marcas no tijolo que voou pela janela — Shelby relembra.
— Tijolo? — Griffin está perdido.
— Freddie explica para ele, enquanto eu vou até a cozinha com a Carly para ela ligar pro Spencer — eu digo e trocamos um beijo rápido.
— Eu vou vasculhar o bairro na procura de alguma coisa — Shelby desaparece pela porta da sala, típico dela.
Carly rapidamente disca o número do Spencer. Eu fico mordendo o lábio me xingando mentalmente por estar escondendo a verdade sobre o passado dela. Ela é curta com o Spencer e está gaguejando muito, eu retiro o celular de sua mão.
— Spencer me escute, Carly está em perigo. A família real de Viena com seus clãs de vampiros estão atrás dela por algum motivo... — Ele sabe bem o motivo. — Então faça as malas dela e as suas, vem para cá de carro e sigam para La Push, se necessário revessem na hora de dirigir até lá, mas não parem durante o caminho, entendeu?
— Eu entendi — ele é rápido.
— Você tem que protegê-la com a sua vida, ela é sua irmã e essa é a sua maior responsabilidade.
— Eu sei.
— Não saia do carro quando chegar aqui e tome cuidado — eu desligo o celular e devolvo para a Carly.
— E se eu for e algo acontecer com vocês? — Ela começa a se preocupar.
— O importante é você estar segura, o resto é adicional.
— Se você me transformasse eu não seria mais um problema... — Ela diz na cara dura.
— Não vem com essa — reviro os olhos. — E se eu te transformasse você iria virar um verdadeiro problema, imagina ter que te controlar. Imagina você com sede... Meu Deus, eu não quero nem pensar.
Ela solta um muxoxo e fica emburrada.
— Um dia vai ser tarde demais.
— É, que bom que você sabe — eu falo sem me importar.
Não era assim que eu queria me despedir dela. Com intrigas entre nós. Isso estava longe dos meus planos, mas ela tem razão, ela precisa ser transformada.
— Fico pensando em qual será seu dom... — Eu comento para quebrar a tensão.
— É possível ter mais que um? — Seus olhos brilham de expectativa.
— Sim — eu aceno com a cabeça.
— Eu sei que foi você que transformou a Shelby e sei que seu veneno é diferente dos vampiros normais, ela queimou por três dias, é em parte por isso não é? Você não quer que eu sofra? — Carly encosta a cabeça no meu ombro.
— Não quero. Acha mesmo que eu suportaria te ver gritando durante três dias? Não posso — beijo seu cabelo.
Ela suspira e faz uma pergunta interessante:
— Qual é o dom da Shelby?
— É um dom perigoso — trinco meus dentes. — Shelby tem a capacidade de induzir alguém a amá-la. É tipo o que o Freddie faz, mas ele faz surgir uma ilusão e controla outras emoções, a Shelby faz você sentir uma compulsão verdadeira. Ela não mexe com sua mente, ela mexe com seu corpo. Sua respiração aumenta, seu coração bate mais rápido, você acha que está apaixonado.
— A vadia é boa — Carly tem que reconhecer. Eu rosno. — Ai meu Deus — ela ri. — O dom dela funciona em você.
Bufo chateada.
— Sim, funciona.
— Que loucura.
— Eu que o diga — acabo por rir.
Spencer estaciona o carro lá fora. Freddie acompanha Carly comigo para a calçada. Shelby ainda não retornou.
— Se algo acontecer, e eu não estiver aqui... — Carly murmura querendo chorar.
— Apenas entre no carro e fique viva. Se eu morrer, será por uma boa causa.
— Sam! — Ela fica histérica. — Você é minha melhor amiga, não pode morrer.
Lembro-me da visão da Wendy. Não posso prometer nada.
— Vamos arrumar as coisas por aqui — eu abro a porta do carro. — Conto com você Spencer.
— Me mantenha informado — ele se refere à matilha.
— Manterei e avisarei aos outros sobre sua partida.
— Carly... — Freddie chama receoso. — Tome cuidado, você é propensa ao perigo.
— Vou tomar — ela não hesita em abraçá-lo, talvez a raiva esteja passando ou é desespero. — Toma conta da Sam para mim.
— Sempre — ele sussurra e cheira seu pescoço, mas noto a dor em sua face, ele está morrendo de sede com ela tão próxima.
Carly solta o Freddie e vem me abraçar.
— Eu te amo.
— Eu também — praticamente a coloco no carro.
Spencer parte pela rua. Uma densa neblina cobre o lugar que estamos. Eu me viro para o Freddie. Relembro a visão da Wendy de novo. Por mais que ela nunca me veja em suas visões, nessa ela sentiu que Freddie tomaria conta da Carly porque nenhum dos dois me teria mais em sua vida.
— Ela vai ficar bem — Freddie segura minha cintura.
Eu me distancio dele suspirando.
— Me prometa que se algo acontecer comigo, você vai tomar conta dela — eu sinto minha garganta se fechar.
— Eu não vou deixar...
— Não é você que tem controle sobre isso. Ela vai precisar de alguém Freddie e eu não me refiro ao irmão, e nem me refiro a você ser apenas um amigo. Ela vai realmente precisar de você — eu seguro a mão direita dele.
— Se você morrer Sam, eu morrerei com você.
Aperto sua mão com força.
— Você tem que ficar vivo. Tem que ficar vivo pela Carly.
Ele não cede.
— Mas eu te amo, Sam.
— Então se você me ama, vai fazer isso por mim, e não por ela. Promete para mim? — Eu pego seu rosto frio entre minhas mãos. — Você promete?
Ele dá um aceno com a cabeça quase imperceptível para mim, com o olhar focado nos meus olhos.
— Eu prometo — ele sussurra.
Eu o beijo com medo do dia de manhã, mas relembro o que minha mãe dizia quando as coisas ficavam difíceis.
— Não se preocupe, o dia de amanhã pertence a Deus – eu falo a ele.
Freddie retorna comigo para dentro da casa. Deve ser mais de meia noite. Aguardamos os outros que chegam um a um. Os vampiros vieram. Trina avisou que Tori iria demorar um pouco. Meus lobos chegaram. Brad avisou que Wendy viria em breve pois, fez a viagem de emergência para Salem com a intenção de poder fazer magia de novo. Gibby também veio ao meu pedido. Shelby surgiu pela porta dando uma olhada rápida em todos e sorriu para o Gibby que já havia sido informado de quem Shelby era.
Deixei que Shelby contasse para todos tudo que sabia a respeito da família real de Viena e seus planos macabros. Eles fizeram algumas perguntas. Freddie ficou próximo a mim, praticamente fiquei nos seus braços. Shelby contou sobre o tijolo e me olhou.
— Sam, você poderia nos dizer por que os Reais desejam pegar a Carly? — Shelby pergunta.
Eu me solto do Freddie. Eu observo os vampiros e lobos amontoados pelos cantos na minha pequena sala. Mais uma coisa que vim escondendo deles, nem mesmo Gibby conseguiu ler isso em meus pensamentos, por ser uma coisa que deixei profundamente escondida.
— Os pais da Carly não eram pessoas comuns e não morreram em um simples acidente de carro. Eles foram mortos — eu revelo. — O acidente foi o método para isso.
— Por que? — Dice pergunta por todos.
— Porque o pai dela era da família real. Carly tem sangue real nas veias, assim como o Spencer, porém ele é um lobo... E se já perceberam eu vivia chamando a Carly de "vossa majestade"... Não era brincadeira. Carly poderia facilmente ingressar na linha de sucessão e entrar para o clã de vampiros. Algo que eu não vou permitir — deixo bem claro.
— Mas... E se for isso que ela quiser? — Gibby pensa nas vontades da Carly. — Por que a impedir?
— Porque isso significa que teríamos que matá-la — explico como se fosse óbvio. — Ela seria o inimigo.
— Ou agente dupla — Jade sugere.
— Tem razão — Trina concorda.
— Ela saberia de tudo lá dentro e nos manteria informados — Nevel diz.
— Não vamos expor ela a esse tipo de perigo — Freddie tira as palavras da minha boca.
— Freddie está certo — concordo com ele. — É muito perigoso, ela poderia ser morta, não podemos cogitar esse risco.
— Até eu para todos os efeitos, sei o quanto é uma ideia estúpida — Shelby diz para si mesma.
— Agora você quer comentar sobre ideias estúpidas? — Gibby se enoja.
A porta se abre e Wendy entra. Ela parece exausta.
— Espero que isso seja importante, eu poderia ir para casa dormir por que estou cansada da viagem que fiz para Salem com o Sikowitz, eu acabei de chegar e já são mais de uma da manhã — ela fala e segura a minha mão. Ela quase cai para trás como se algo a tivesse atingido na testa. — Caramba! — Ela se surpreende. — Valeu a pena ter vindo.
— O que foi isso? — Pergunto olhando para a minha mão.
— Um bônus que ganhei ao receber minha permissão de magia de volta, posso ler os pensamentos recentes com apenas um toque. Obrigada pelo resumo e não gostei da Carly ter ido... Quando ela volta? — Wendy pergunta.
— Nem tão cedo — Freddie responde.
Brad atravessa a sala em duas passadas enormes para abraçar a Wendy. Ele parece sofrer por ter ficado longe dela. Eu nunca vou entender o imprinting. Eles se beijam rapidamente.
— Ok... Onde nós estávamos? — Shelby retoma o assunto.
— Dizendo o quanto suas ideias são estúpidas — Gibby volta a discutir.
— Você fala isso só por que fizemos sexo... Vai dizer que não gostou? — ela sorri e eu tento avançar na direção dela. Freddie me segura. Ele me repreende com o olhar. Freddie tem razão, Gibby não é nada meu para eu me importar com isso.
— Você dormiu com ela? — Trina fica surpresa.
— Eu pensei que fosse a Tori — Gibby se desculpa.
— Como é?! Teria dormido com a Tori sabendo que ela e eu estamos juntos?! — Griffin empurra o Gibby.
— A Tori... — Gibby se detém. — A Shelby — ele se corrige. — Fez uma imitação bem convincente e não mencionou nada sobre namoro.
Eu não me aguento e me intrometo.
— E você não notou nada errado? O cheiro diferente, a pele gelada, o cabelo liso...
— Não. Ela inventou uma boa história para essas coisas, parem de me culpar! Ela me manipulou — Gibby fica estressado, não quero nem ver o estrago que ele faria se transformando aqui dentro.
— Esse é o dom dela, não culpem o Gibby — Freddie defende o cara que me ama na frente de todos.
— Oh Freddie... Conta para eles... — Shelby tem uma carta na manga.
— Contar o que? — Eu pergunto prevendo o pior.
— Shelby, não faça isso, por favor — Freddie fecha os olhos brevemente sem acreditar.
— Vai mesmo fazê-la ouvir da minha boca? Pensei que soubesse que ela odeia ser sempre a última a saber... — Diz Shelby.
— O que ele fez? — Wendy rouba minha fala.
— Anda Freddie, conta para ela a visitinha que você me fez enquanto estava com a humanidade desligada, eu nem precisei te manipular para conseguir alguns beijos. E a propósito, eu adorei — ela joga o cabelo sobre o ombro.
Eu estou fervendo de raiva. Quero arrancar a cabeça da Shelby, mas o problema é saber que ela não fez nada de errado. O Freddie devia ter me contado e mais uma vez eu sou a última a saber.
— Por que ela ainda está viva?! — Gibby pergunta com raiva.
— Conta você Dice — Shelby pede.
Todos olharam para ele.
— Olha, eu sei que a Shelby está fazendo coisas erradas com a gente, mas ela não quis me matar, foi um acidente. Ela tentou me sequestrar, então eu gritei. Quando ela foi me agarrar acabou quebrando meu pescoço, sei que o que ela iria fazer era errado, mas isso não quer dizer que ela merece todo esse ódio de vocês — Dice a defende. É como ver alguém defendendo o diabo.
— Terminamos aqui — Freddie anuncia.
— Não terminamos — Shelby reclama. — Agora é hora de eu contar a vocês onde o Conselho Wesen entra nisso.
— Conselho... Ham? — Dice ainda não sabe nada sobre isso.
— Wesens são como criaturas, seres mágicos assim como nós, porém mantém sua verdadeira forma escondida. Diferente de nós lobos que nos transformamos em um animal, os Wesens apenas mudam suas características, mas ainda mantém certa forma humana... Apesar de que alguns são bem feios. A mudança de forma se chama Woge — eu conto para ele.
— E por que esse tal Conselho Wesen nos ajudaria? — Dice faz a pergunta que todos queremos saber.
— É aí que tudo se anima... Preparados? — Shelby olha para a Wendy que parece querer cavar um buraco e sumir. — Wendy é Wesen.
— Que? — Eu não acredito. — Eu conheço ela há muito tempo, eu saberia se ela fosse Wesen. Isso é impossível.
— Os Wesens podem manter sua verdadeira natureza escondida. Foi o que a fofa e adorável Wendy aqui fez — justifica Shelby.
— Mas ela é apenas uma bruxa — Brad defende a namorada.
— Bruxa não é bem o termo que eu usaria para ela. Wendy é uma...
— Hexenbiest — Tori diz entrando.
— Tori, estávamos esperando por você — diz Shelby olhando para sua cópia. — Que inveja, você é mais bonita.
— Nossa... Obrigada... Eu acho — Tori agradece.
— Não cai nessa não — eu já advirto a Tori.
— Como sabe que a Wendy é uma... Hexen... Hexin... É essa coisa que você falou? — Cat pergunta para a Tori.
— Hayes me disse no outro lado — Tori responde.
— Qual é a diferença entre uma bruxa e uma Hexenbiest? — pergunta André.
Shelby se dispõe a responder:
— Uma bruxa é ensinada a fazer magia e é descendente das bruxas de Salem. Uma Hexenbiest já nasce com esses poderes, então a mamãe ou papai da Wendy, eram Wesens.
— Mas isso não é uma coisa ruim, não é? — Brad aperta Wendy com carinho.
— Depende do ponto de vista... — Shelby toca no braço do Wendy. — Acho que está na hora de você mostrar como é realmente.
— Shelby, deixe ela em paz — diz Freddie.
— Não. Ela tem razão. Eu venho escondendo isso há muito tempo, está na hora de mostrar a verdade para vocês... — Wendy se solta do Brad. — Está tudo bem — ela se afasta de nós um pouco.
— Estou escutando até uma trilha sonora de suspense — Shelby se empolga. — Anda garota, mostra o que você é.
Wendy respira fundo. Com um movimento rápido na cabeça, seu rosto se transforma em outra coisa.
— Puta merda! — Eu solto e dou um passo para trás assim como todo mundo em pé. Os que estavam sentados recuaram.
A pele da Wendy fica repuxada em um tom marrom, como um cadáver apodrecido, ela parece um zumbi. Seus lábios são reduzidos a nada, apenas os dentes cinzentos estão no lugar que deve ser a sua boca. Os olhos sumiram, dando lugar a buracos profundos com esferas pretas. Seu lindo cabelo ruivo se tornou cinza escuro. Ela parece uma criatura mortal.
— É assim que eu sou — ela revela e até a sua voz se tornou mais demoníaca. Com o mesmo movimento ela volta a ser a Wendy novamente. — Eu não queria que me olhassem da forma que estão me olhando agora, para todos os efeitos, eu ainda sou eu mesma. Sei que os históricos de uma Hexenbiest são dos piores possíveis, mas assim como vocês vampiros, eu renunciei minha própria natureza — ela encerra e volta para perto do Brad, ele demonstra apenas estar surpreso, mas não aparenta nojo ou algo do gênero, assim como nenhum de nós.
— Todos nós temos um monstro em cada um — Freddie murmura.
— Hexenbiest, lobos e vampiros... — Shelby ri. — Essa vai ser uma missão histórica.
— Teremos uma reunião amanhã à noite no campo de beisebol abandonado no Puget Sound, uivarei dando o alerta da hora, por hoje chega... — Eu aviso me sentindo sobrecarregada.
— Então nos vemos amanhã... — Trina é a primeira a se levantar e sair.
Ninguém diz nada. Todos apenas deixam a sala, restando apenas Wendy que me fita. Brad espera por ela. Shelby troca um olhar com o Freddie.
— Não vou pedir desculpas Sam, tem coisas que vão além da amizade e você sabe disso melhor do que ninguém — diz Wendy. Ela pega na mão do Brad e sai com ele.
Shelby bate palmas e me olha.
— Não culpe o Freddie por causa daquilo que eu falei... Ele não era ele mesmo e eu certamente só quis te atingir, mas você é mais forte do que isso Sam, nada derruba você — Shelby anda até a porta. — Nos vemos amanhã — ela me lança um beijo. No fundo eu sei que Shelby e eu estamos deixando o ódio de lado. Ela não precisa de muito para ser uma boa pessoa e quando quer tentar agir da maneira certa, ela realmente consegue... Ou quase.
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