Notas iniciais
Boa tarde senhoras e senhores e cidadãos indefinidos! Aqui está mais um capítulo para todos, aproveitem:

Parte 16: O que vai dar para ele?

Povs Sam:

— Você está com raiva... — Sussurra Freddie.

— Eu quero apenas dormir, deixa isso para outra hora — eu desvio dele e subo as escadas.

— Eu preciso resolver umas coisas, deixe a janela aberta se quiser que eu entre... — Ele diz usando nosso código da janela.

Eu entro no meu quarto. A janela está aberta. Eu fecho com força. Retiro minhas roupas e vou tomar banho. Escovo os dentes. Coloco uma roupa íntima qualquer e visto apenas uma camisa grande estampada com rosto do David Bowie.

Adentro no meu edredom sentindo o cheiro do Freddie no travesseiro. Pena que é um cheiro tão doce, se não eu estaria cheirando a cama inteira.

Rolo diversas vezes na cama e não consigo dormir. Eu xingo com raiva. Levanto-me. Corro para a janela e abro-a. Retorno para as cobertas. Sinto o vento invadir o quarto. Freddie me abraça. Eu deixo minha cabeça no seu peito.

— Eu te amo tanto — eu digo tão baixinho que se ele fosse humano não teria escutado.

— Eu também te amo — ele beija meu rosto.

É o suficiente para eu dormir.

Freddie me acorda me enchendo de beijos.

— Ainda estou brava com você — murmuro colocando o travesseiro no meu rosto.

— Mas você disse...

— Eu só precisava de você na cama para eu conseguir dormir.

Ele retira o travesseiro do meu rosto.

— Então você me usou?

Eu dou risada de sua expressão.

— Sim.

— Você é uma garota frustrante.

— Por que será?

Freddie sobe em cima de mim, meu coração me entrega mais uma vez.

— Eu devia ter te contado.

— Devia mesmo — me sinto magoada.

— Foram apenas alguns beijos, não fiz por sentir nada por ela, eu só... Me perdoa.

— Por que foi até ela? — Quero uma resposta para isso.

— Ela sabia onde estaria a flor que a Wendy iria precisar para ressuscitar o Dice, então fomos juntos para a Polônia.

— Foi quando o beijo aconteceu?

— Foi um pouco antes de irmos... — Ele parece querer adicionar algo.

— O que é?

— Não pense que estou defendendo ela, mas Shelby jamais faria eu te trair. Ela só me beijou por que sabíamos que não estávamos juntos. Ela pode ser uma completa pegadora generalizada — ele ri. — Mas não fica com caras comprometidos, com exceção do Griffin, porém foi apenas uma brincadeira. Ela tem todos os defeitos dela, mas nunca trairia alguém ou faria alguém ser traído.

— Eu discordo com o jeito que ela me agarrou na cozinha.

— É... Com você é outra história.

— Bem, agora ela é parte do nosso show de horrores.

Freddie franze os lábios analisando o que eu disse.

— Diz isso por causa da Wendy?

— Não, mas... Você sabia?

— Eu suspeitava, agora é realmente mais provável que ela te mate durante o sono.

Eu lhe dou um tapa nas costas que não causa efeito nenhum.

— Ela não faria isso.

— Eu sei que não — ele demonstra seu sorriso de menino. — Eu adoraria passar o dia todo nesta cama com você, mas temos que ir...

— Pro colégio, eu já sei — completo rolando por cima dele.

Freddie me olha com apreciação, já que estou usando apenas uma camiseta e minhas coxas estão totalmente visíveis.

— Fique quieta, eu quero fazer uma coisa com você — sussurra ele. Eu aceno com a cabeça. Freddie retira a minha blusa, fico apenas de sutiã e calcinha. Ele retira a camisa que está usando. Eu encosto as mãos no seu peito gelado. — Vá um pouco para trás — eu deslizo para trás, mas ele acaba me retirando de cima dele. Em um piscar de olhos ele está apenas de cueca me puxando para cima dele novamente. — Eu prometi que iríamos tentar — sua boca se move a milímetros da minha. — Mas primeiro tenho que saber até onde você aguenta, então se eu forçar demais ou te machucar, ou se até mesmo ficar difícil, me avise que eu paro... Não minta sobre isso Sam, é a sua vida em minhas mãos.

— Eu confio em você — eu sussurro com a respiração descontrolada.

— Mas você sabe que não pode confiar em si mesma — ele relembra. — Eu vou apenas te beijar enquanto te excito, tente não perder o controle.

Eu coro e mais uma vez uso apenas a cabeça como resposta.

Ele está sentado na cama, comigo sobre ele, minhas pernas estão em volta do seu quadril. Freddie começa a trilhar beijos próximos ao meu pescoço. Com muito cuidado ele agarra minhas coxas e faz eu me movimentar com ele. Minha calcinha é fina, então eu sinto uma grande elevação na sua cueca. Fecho os olhos e mordo o lábio. Isso é bom. Meu corpo gosta do que está sentindo. Freddie continua com os beijos, noto ele tremer um pouco por que também está gostando.

Ele chega à minha boca, onde morde o meu lábio, meu instinto manda um alerta. Freddie geme enquanto nos movimenta. É um belo de uns amassos. Ele sobe a mão pela minha barriga e aperta meu seio. Eu solto um suspiro na sua boca. Sua mão está quente. QUENTE?! A minha temperatura aumenta e a fumaça me consome, é tarde demais. Eu me transformo.

Fico com a mandíbula aberta e os dentes expostos a milímetros do seu rosto. O olhar dele é de pânico. Minha pata branca pressiona seu peito com as garras tentando cavar sua pele. Continuo rosnando. Meu lado lobo é mais forte e me faz querer mordê-lo. Eu recuo ainda em posição de ataque.

Freddie já não está mais na cama, ele mantém uma postura rígida enquanto veste a calça em um canto do quarto. A cama cede com meu peso de lobo. Eu rosno por alguns segundos enquanto me acalmo. Olho para ele com a maior expressão de desculpas que eu consigo. Nunca vamos conseguir... E não é apenas por eu ser um lobo — por que já teve casos de lobos que possuíram imprinting com vampiros, por mais que sejam casos raros e alguns fingem que não existiram — mas é por causa da minha parte vampira, meus dois lados juntos criaram certo tipo de aversão.

Eu saio da cama quebrada. Freddie parece sentir dor. Ele passa por mim para pegar a camisa na cama. Ele a coloca com uma expressão petrificada, em seguida sai do quarto andando como se não acreditasse no que viu. Eu solto um ganido de tristeza.

Após voltar para a forma humana — ou quase isso — coloco uma roupa qualquer, pego um livro que vai ser usado na aula hoje e corro até o andar de baixo. Freddie aponta para a mesa onde tem uma tigela de cereal, não era o que eu esperava, mas é melhor do que nada. Eu me sento. Ele escolhe a cadeira da frente, assim a mesa nos separa, apesar de que se eu erguer a perna encostarei na sua, mas me contenho.

Freddie me observa comer. Eu brinco com cereal no prato e após comer metade, sinto coragem para encará-lo.

— Não foi culpa sua.

— Eu sei — ele diz para minha surpresa.

— Foi culpa minha.

— Não foi culpa de ninguém dessa vez — ele evita me olhar nos olhos. — Talvez devêssemos esperar um pouco mais...

Eu largo a colher na tigela.

— Não há nada para esperar. Isso nunca vai ficar mais fácil. Você não pode se privar por minha causa... Eu não sou certa para você.

Freddie finalmente me olha nos olhos.

— Você é a única pessoa certa para mim neste mundo, não vou te deixar por nada — ele se coloca ao meu lado e se ajoelha. — Vamos dar um jeito nisso... Se quiser que eu termine com você, procure um motivo melhor.

— Eu não tenho um — sussurro me virando para ele.

— Como eu pensei – ele sorri de lado. — Já podemos ir? Se isso é tudo que vai comer...

— Sim — eu corro para o andar de cima, escovo os dentes e retorno. — Podemos ir.

Freddie pega a minha mão e saímos da casa. Ele abre a porta do carro para mim, eu entro me sentindo envergonhada. Em todas as outras vezes em que nos tocamos daquela maneira, ocorreu tudo bem, o que deu de errado nesta tentativa? O fato dele estar quente?

— Para de pensar nisso, o erro foi meu.

— Se vamos ficar debatendo sobre de quem foi o erro aqui, vamos retornar para quando Eva comeu a maçã e ofereceu para Adão, se descobrirmos quem errou ali, descobriremos todos os erros do planeta — uso a maior lógica do universo.

— Eu te amo Sam — com essas palavras ele me faz sorrir e quebrou o clima horrível.

— Eu também te amo Fredward — me inclino e nos beijamos por algum tempo.

Chego em casa após um longo tempo na escola. Freddie me fez esquecer o assunto, mas a minha saudade pela Carly foi o pior problema que tivemos. Acho que azedei o humor de todo mundo. Pedi para o Freddie me deixar ir embora sozinha de novo, avisei que ligaria quando o quisesse lá em casa.

Entrei pela janela do quarto. Shelby está mexendo no meu MacBook, na minha escrivaninha.

— Vocês são intensos hein... A cama não merecia isso — ela comenta soltando um risinho.

— Não conseguimos. Eu me transformei e estraguei tudo, por isso a cama quebrou — eu respondo indo para a cama quebrada. Eu retiro o colchão de cima junto com as cobertas, pego os pedaços de madeira, levo para a garagem, coloco o colchão onde a cama estava e me deito sobre ele.

— Isso já aconteceu antes?

— Não, o que é estranho por que nas outras vezes em que tentamos eu estava controlada, entende? Por algum motivo eu me transformei...

— Como você se sentiu? — Pergunta Shelby se sentando no colchão com o MacBook nas pernas.

— Ameaçada. Eu sentia um alerta de perigo, mas o Freddie não ia me machucar.

Ela coça o queixo.

— Uau. Você está fodida.

— Espera... Por que está aqui? — Me toco que sem a Carly para desabafar eu acabei de fazer isso com a Shelby.

— Eu sei que você era próxima da Carly e que poderia ter algum problema com o Freddie, então pensei em vir te dar uma força. Sou má, mas tenho sentimentos e por mais que eu te odeie não merece nada de ruim — ela responde calmamente.

Fico de queixo caído.

— Agradeço por isso Shelby — ao dizer isso me lembro de uma coisa. — Freddie me disse que não queria que eu transformasse você. Ele queria que você morresse.

Ela retira a franja dos olhos.

— Por que está me contando isso?

— Porque eu sei que não é verdade. Ele iria se culpar pela sua morte para sempre por que se importa com você, mas ele gosta de me fazer se sentir melhor... Qual é o problema dele?

— Não faço a mínima ideia — ela volta à atenção para a tela do aparelho da Apple.

O silêncio se estabelece entre nós. Penso em ligar para a Carly, mas meu celular ficou dentro do carro do Freddie. Olho para a Shelby. Vejo pelo reflexo dos seus olhos que está lendo algo sobre a realeza de Viena. Lembro-me de algo importante.

— Shelby, como você sabia que a Wendy era Wesen?

— O Freddie viu uma marca na língua dela em formato de "U". Toda Hexenbiest nascida possui essa marca.

— Quando ele te contou isso?

— Quando fomos à Polônia, mas eu não disse a ele que a Wendy era Wesen, por isso ele não deve ter te contado. Ele descobriu ontem como todo mundo.

— Ah...

Shelby me olha com um sorriso presunçoso.

— Sam...

— Eu juro por Deus que se você usar seu dom em mim, eu te mato — mantenho a temperatura do corpo alta para que a fumaça mande um aviso para ela.

— Não é isso, calma... — Ela ri. — Eu só queria saber de uma coisa que está me deixando intrigada.

— O que é? — Sou ríspida.

— Você já namorou com o Gibby?

— Oh, é isso... — Me acalmo. — Não, por quê?

— Você parecia com ciúmes ao saber que transei com ele...

— Gibby e eu temos uma ligação muito profunda, ainda não sabemos bem o porquê disso. Eu me senti incomodada.

— Incomodada para não dizer puta? – Ela ladra uma risada.

— Você deixa todo mundo puta — eu a chuto de leve.

— Mas sério... – Ela volta em algum assunto. — Você ama o Freddie... Ama tanto que seus olhos brilham quando digo o nome dele.

— É. Eu o amo muito — fico meio vermelha. — Não sei quando fiquei apaixonada por ele...

— Hum... Sabia que você é linda? — Ela larga o MacBook de lado.

— Shelby!

— É brincadeira — ela começa a rir de novo. — Vou me encontrar com um cara no centro, se esquenta de ficar sozinha?

— Eu não preciso de uma babá.

— Grossa — ela suspira. — Por favor, uive na hora da reunião, estarei por perto, vou ouvir — Shelby se vai pela janela.

Em alguns segundos ela volta e eu pergunto:

— Encontro rápido?

— Não. Eu vim pegar meu celular... — Ela o pega na escrivaninha. — Mas aproveitando que estou aqui, me fez lembrar uma coisa, o que vai dar para ele?

— Dar o que, para quem?

— Para o Freddie — ela responde como se fosse óbvio. — É o aniversário dele amanhã.

— É mesmo? — Franzo a testa.

— Eu sabia que ele não ia te contar, ele tem mais de cento e cinquenta anos, comemorar aniversários ficou entediante para ele, mas vai ser o primeiro aniversário dele com você, faça ser diferente — Shelby está sendo boa demais comigo, é assustador.

— Não sei o que dar para ele — sou sincera.

— Dê algo que faça ele se lembrar de você o tempo todo, algo que ele goste.

— Tipo, uma camisa?

Ela rola os olhos.

— Já vi que vai ser difícil... Apenas pense em algo que ele deseja. Tem alguma coisa que ele mais quer? Além de você é claro...

— Não sei.

— Pense bem.

Forço a memória repassando todas as nossas conversas.

— Ele queria muito passear comigo na praia em um dia ensolarado.

— Vampiros não podem sair no sol, maldição, queridinha — Shelby ressalta, mas seu olhar se ilumina com alguma ideia. — É uma maldição...

— No que está pensando?

— Vamos comprar o presente do Freddie, em seguida vamos para a casa da Wendy, ela vai ter que fazer um milagre para nós.

— Ela é uma bruxa, não uma santa.

— Não. Ela é uma Hexenbiest — Shelby me puxa pela mão e pulamos a janela juntas.

Shelby e eu andamos por diversas lojas procurando um anel de prata, e da mais pura que tivesse. O preço foi um absurdo, mas eu gastei dinheiro por que a ideia da Shelby realmente poderia funcionar.

Entramos na casa da Wendy e fomos para o quarto dela.

— Eu nunca fiz isso antes, mas talvez funcione — ela pega o anel nos dedos. Ela o faz flutuar em volta dela e fica sussurrando coisas. Em alguns minutos o anel pega o fogo e cai no chão. Ela pisa em cima e me devolve o anel. — Se os vampiros souberem disso, teremos sérios problemas.

— Ninguém vai contar... — Shelby assegura. — Agora, será que esse funciona?

— Quer fazer o teste? — Wendy pergunta dando o anel para a Shelby.

— Quero — ela coloca o anel no dedo médio e vai para o lado de fora pela janela.

— Se ela não voltar em cinco minutos quer dizer que virou cinzas — eu murmuro.

Shelby retorna em pouco tempo. Ela parece totalmente emocionada.

— Sei que o presente é para o Freddie, mas vou querer um desse também.

Eu solto um gritinho típico da Carly.

— Funcionou! — Eu berro.

— Melhor presente de aniversário que ele poderia ganhar... — Wendy tem que admitir.

— Leve-o para a praia amanhã — sugere Shelby.

— Temos aula amanhã — faço uma careta.

— Eu darei um jeito de não ter, apenas partam hoje à noite, vão para a Califórnia — Shelby trama algo.

— Obrigada... — A abraço rapidamente. — Você não ia se encontrar com alguém?

Ela arregala os olhos.

— Até depois! — Ela some e Wendy ri comigo.

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Estou no antigo campo de beisebol que fica próximo ao Sound. Eu rapidamente tiro as roupas e me transformo. Uivo mas me engasgo, acabo rindo sozinha o que é ridículo. Tento uivar de novo, dessa vez o mais alto que posso. Minhas orelhas são tão sensíveis nessa forma, que chegam a doer com a altura do uivo. Inclino a cabeça e prossigo uivando.

Quando acho que uivei o suficiente saio da forma de loba e me visto. Antes de sair de casa deixei uma pequena mala pronta, agora terei que pedir que o Freddie arrume a mala dele. Não o vi desde a aula. Sinto sua falta. O presente dele está no bolso da minha calça. Estou inquieta estando sozinha aqui.

Escuto passos rápidos. Viro-me com agilidade, mas não dá tempo de desviar e o Freddie me derruba na grama.

— Você fica linda na luz da lua — sussurra ele estalando um beijo na minha boca.

— Oi... — Dou carinho nos seus cabelos.

— Olá — ele me beija novamente.

Eu deixo o beijo se aprofundar o máximo que posso, mas Freddie já está descendo as mãos pelos botões da minha blusa, ele se descontrola muito fácil. Empurro seu peito devagar, ele se levanta e me coloca em pé.

— Como você está? — Eu pergunto enquanto acalmo as batidas do meu coração.

— Acho que bem. E você?

— Melhor impossível — me apoio no seu peito, Freddie sorri para mim como se gostasse quando fico perto.

— Garota... Eu sou louco por você... — Ele junta nossos lábios de novo.

— Que brega — murmura Shelby atrás de mim. Freddie desfaz o beijo e encara Shelby com o maxilar trincado. — Não me olha assim — ela mostra a língua para ele.

Eu rio por que é engraçado. Admito que estou simpatizando mais com a Shelby.

— Hoje você explicará sobre o Conselho Wesen? — Eu pergunto permanecendo ao lado do Freddie.

— Exatamente e também ensinarei técnicas de luta contra os vampiros da realeza — ela responde.

Freddie boceja ao meu lado. Shelby e eu olhamos para ele totalmente abismadas.

— Que foi? — Ele sorri para nós.

— Você bocejou... — Diz Shelby.

— Não bocejei — ele se nega a acreditar que fez uma coisa humana.

— Sim, bocejou... Você parece estar com sono — eu falo.

— Que coisa ridícula — Freddie se distancia colocando as mãos no bolso e fica olhando para os sapatos.

Eu ando para um lado puxando o braço da Shelby.

— O que foi isso? — Eu sussurro para ela.

— Não sei, mas é uma atitude humana, talvez ele fez sem querer... Também me assustei. Será que ele está se tornando humano? — Ela aproveita para aproximar a boca do meu ouvido.

— E isso é possível?

Shelby olha por cima do meu ombro.

— Não que eu saiba, mas vamos ver se algo parecido acontece.

Dou um aceno com a cabeça para ela.

Um uivo penetrante cortar o ar. Shelby e eu somos pegas despreparadas, nos assustamos. Ela ri se divertindo. Um lobo sai do meio das árvores, pelo tamanho sei que é o Dice. Ele corre para mim e começa a uivar, rosnar e tentar me dizer alguma coisa.

— Droga! — Eu corro ao lado dele, Dice desaparece para dentro da floresta, eu vou tirando minhas roupas durante o trajeto.

Shelby solta um gritinho.

— Linda!

Eu pulo no ar e caio transformada. Viro-me e tenho um vislumbre de Shelby pegando minhas roupas pelo chão. Em segundos me dou conta das vozes na minha cabeça.

Sam! Dice me chama, mas vejo que está rindo e não está preocupado.

Está tudo bem? Eu pergunto para ele.

Sim, eu só queria que você se transformasse por que acabamos de... Ele não precisa terminar de falar para eu saber o que aconteceu. Gibby se transformou. A matilha acabou de ler todos os meus pensamentos na mente dele. Eu dou um grito mudo.

Hey Sam desculpa, Gibby conversa comigo lendo meus pensamentos e passando para os demais.

Não importa, me sinto exposta.

Não queria que se sentisse assim, ele parece estar se aproximando.

Bem, agora não existem mais segredos entre nenhum de nós, tenho que admitir a contra gosto.

Que ideia é essa do anel? Jade pergunta correndo por um trajeto alternativo.

Agradeço se não comentarem nada com o Freddie, é surpresa, fico constrangida por que se eu penso no Freddie, o Gibby lê tudo na minha mente e como os outros sabem os pensamentos dele estão vendo tudo pelos meus olhos também.

Não acredito que vai abrir mão da alcateia, Griffin uiva em protesto.

Eu paro de correr e me detenho em uma parte da floresta, não preciso ir longe.

Não é minha escolha, por mim eu ficava com vocês para sempre, mas sabem que o conselho da tribo não vai permitir, eu murmuro me sentando nas patas traseiras.

Conselho ridículo, diz Jade.

Nada contra ter você como líder Gibby, mas... Brad quer explicar.

Eu já entendi, murmura o Gibby. Ele está mais focado em não pensar em mim e no Freddie juntos, do que em assumir o cargo de líder.

Isso é um baita triângulo amoroso, Jade ladra uma risada.

Ok, chega, rosno. Eu lambo minha pata da frente como um hábito.

Achei que éramos lobos e não gatos, Dice comenta e vai ser difícil eu me acostumar que agora eles lerão sempre meus pensamentos através do Gibby.

Imaginem que ela vai beijar o Freddie depois, Jade volta a dar risada.

Alguém vai contar onde ela estava com a boca? Brad parou de correr para rolar no chão de rir.

Há que engraçado. Por quê vocês não calam a boca? Eu uivo brava com eles.

Ai meus tímpanos, Dice choraminga.

Vou voltar para a forma humana, Nevel vai traduzir o que vocês precisarem falar, já me coloco a andar de volta para o campo.

Eu nunca vi o jeito que ela anda, agora dá para perceber, parece uma donzela toda delicada, Jade volta a fazer piada e todos riem as minhas custas.

Gibby vai me pagar.

Eu ouvi isso, ele comenta sem perder o ritmo da corrida.

Adeus para vocês, eu me despeço com a intenção de mudar de forma antes de chegar ao campo.

Esperem por mim! Uma nova voz se junta as nossas.

O coro de pensamentos recomeça.

Tori.

Tori?

Vega?!

Tori!

Tori, eu me detenho ouvindo seus passos na terra.

Estou chegando, calma, não é fácil correr desse jeito, ela diz toda desajeitada.

Quem te ajudou a se transformar? Eu pergunto vasculhando na sua mente.

Trina, ela responde repassando a cena para nós.

Ela te deixou brava hein, diz Griffin

Sim, Tori se constrange por todos estarem lendo sua mente.

Penso no Freddie por acidente e todo mundo se contorce.

Sam! Eles dizem ao mesmo tempo.

Desculpa! Eu fico totalmente envergonhada.

Corro o mais rápido que posso. Quando avisto o campo, Shelby vem ao meu encontro. Ficamos na floresta e ela se apoia em uma árvore com minhas roupas na mão. Eu rosno para que ela vá, mas ele não sai do lugar. Não vou me trocar na frente dela. Os outros ignoram meus pensamentos.

— Pode se trocar — ela murmura balançando as roupas.

Eu exponho os dentes para ela e troco de forma. Eu tiro minhas roupas com raiva de suas mãos.

— Você não presta — eu reclamo pegando a minha calcinha da mão dela.

— Que corpão — ela sorri debochadamente.

— Para com isso — eu fico vermelha e tento me vestir o mais rápido que eu posso. Quando me visto totalmente, eu coloco meus tênis e saímos da floresta.

Caminhamos para perto do Freddie. Ele está em pé cantarolando Sweet Dreams, isso me lembra da Carly e de repente sinto uma enorme falta dela de novo.

Os vampiros vão surgindo no campo. Alguns lobos também. Dice mexe as orelhas e eu aperto a parte de cima do nariz quando Shelby começa a cantar o hino dos E.U.A. Por que ela irrita todo mundo assim?

— Oi gente — Trina cumprimenta feliz com uma mochila nas costas.

— E aí — eu aceno com a mão.

Shelby canta baixinho. André, Nevel, Cat e Robbie também cantam o hino em tom baixo. Eu finjo que isso não está acontecendo.

Os lobos enormes se colocam ao meu lado. Gibby fica próximo de mim e eu acaricio sua cabeça. Ele emite sons fofos apreciando. Freddie bufa.

— Eu irei traduzir o que eles pensarem? — Pergunta Nevel.

— Sim — Freddie responde com certa arrogância.

— Freddie seu merda! — Nevel dispara e todo mundo ri, até eu.

— O que? — Freddie fica confuso.

— Estou traduzindo o que o Gibby pensou — diz Nevel.

— Não é para traduzir agora — eu digo segurando uma risada. Gibby gane, ele está rindo.

Reparo no lobo quase preto ao lado do Griffin. É o lobo mais belo da alcateia. É Tori.

Shelby ergue as sobrancelhas.

— Quase da cor preta.

— Exatamente, um coração extremamente puro — eu sussurro.

— Um coração quase incorruptível — diz Freddie.

— Obrigado pela presença de todos aqui esta noite — Shelby corta a nossa conversa. — Como todos já estão informados, iremos utilizar o Conselho Wesen a nosso favor... A localização é dentro de um prédio da Gum Wall. O lugar é antigo e passa despercebido por todos. Convocaremos uma reunião com eles para explicar o caso e pedir sugestões. Como já sabem, a mais viável é matar os caçadores, mas se o Conselho Wesen nos sugerir algo melhor, iremos aderir a ideia deles. O Conselho Wesen surgiu há muitos séculos atrás, ninguém sabe exatamente quando começou, ele é tipo uma casa de leis. Ao longo dos anos ajudou as criaturas a se adaptarem ao mundo, hoje em dia ficou mais liberal... Creio que... — Shelby para de falar por algum motivo. — Cadê a Wendy?

Um portal em cor roxa se abre e Wendy sai de dentro dele.

— Vocês não vão acreditar no que eu aprendi a fazer — ela diz e todo mundo está chocado demais para dizer qualquer coisa.

Os lobos soltam ganidos assustados. Brad uiva tentando chamar a atenção.

— Ele está perguntando como você abriu um portal tridimensional — traduz Nevel.

— Mais um bônus da reunião em Salem. Ainda estou praticando, parei em quatros lugares diferentes antes de conseguir chegar aqui — ela explica fungando, noto que está com frio. Ela pega na mão da Shelby para pegar o resumo da conversa, me preocupo que ela está ficando tão poderosa em tão pouco tempo. — Prossiga Shelby — Wendy caminha para o lado do lobo marrom-claro, óbvio que ela tinha que ficar perto do Brad.

Shelby suspira admirada.

— Como eu estava dizendo, iremos marcar uma reunião, sugiro que só alguns de nós vá. Sam, você escolhe.

Olho em volta selecionando rapidamente quem deve ir.

— Wendy é claro... — já que ela é nossa Wesen. — Gibby — para passar as informações para a alcateia. — Nevel — para ler os pensamentos do Conselho. — E o Freddie — pego na mão dele.

— Então irei marcar essa reunião para o sábado de manhã, usem roupas um pouco mais formais, eles são bem... Exigentes — Shelby nos conta. — Agora ensinarei a vocês como se luta. Eu gostaria de um voluntário.

— Lobo ou vampiro? — Eu pergunto.

— Os dois — ela dá aquele sorriso de novo.

Entendo perfeitamente o que ela quer dizer e solto a mão do Freddie para ir me juntar a Shelby.

— Aqui estou.

— Os vampiros da realeza, tem uma determinada técnica de batalha — a voz dela fica grave. — Eles procuram logo chegar ao pescoço para matar suas vítimas — Shelby se coloca atrás de mim.

— Não se aproveite muito — eu lhe falo.

— Não se preocupe — ela agarra meu pescoço por trás. Eu me viro e agarro o seu. Ela tenta torcer meu pulso, mas eu prendo seu braço. Com algum movimento rápido Shelby faz eu me virar e me ajoelhar no chão. Tento passar uma rasteira nela, mas seu treinamento é bom, suas mãos se cravam nas minhas pernas e eu giro no chão. Caio de cara na grama molhada. Não acredito que fui derrotada na frente da minha matilha. Vejo os murmúrios silenciosos entre eles. Eu me levanto e parto para bater nela, ela desvia de todos os meus socos e me acerta um na barriga. Eu cambaleio para trás sem ar.

— Shelby, chega — Freddie diz e me segura, mas eu o empurro e volto para a Shelby.

— Ainda nem comecei — ela avança em mim.

Consigo agarrar seu cabelo, mas ela acerta minha garganta e eu fico sem respirar de novo. A dor lateja. Ela usa a velocidade e me derruba novamente, sua boca anda pelo meu pescoço onde ela morde devagar.

— Não se atreva — eu cuspo entre os dentes. Ela não se importa e me morde com força. O veneno entra nas minhas veias. Eu caio de cara no chão de novo e grito sentindo aquilo queimar.

— Sam! — Freddie berra vindo me auxiliar enquanto eu me contorço na grama.

O veneno não pode me matar, mas me causa dor. Gibby rosna furiosamente e Shelby faz um sinal com a mão para ele se acalmar.

— Primeira regra nessa porcaria é: nunca partam para cima de uma vez, eles esperam por isso e se fizerem, vão morrer — Shelby se ajoelha ao meu lado. — Escutem aqui lobos, se forem mordidos morrem na hora, Sam é a única que sobrevive, mas como podem ver, ficará inútil se contorcendo de dor no chão por alguns minutos.

— Em que os vampiros da realeza são diferentes de vocês? — Nevel pergunta, ele aponta para o Gibby que assume a postura de líder.

— Eles são extremamente fortes, treinados e tem séculos de idade. Vocês sabem que veneno de um vampiro na veia de um lobo mata em menos de uma hora, mas o veneno de um vampiro da realeza, mata em menos de cinco minutos. A dor vai ser excruciante e vocês morrerão. A principal vantagem é manter a boca deles longe dos pescocinhos de vocês, assim talvez sobrevivam.

Eu abafo um grito quando o veneno chega às pontas dos meus dedos. Não demora muito e meu corpo todo queima. Freddie segura a minha mão, mas eu dou um soco na cara dele sem querer.

Em vez de todos ficarem quietos, eles riem. Shelby não ri, mas vejo a dificuldade dela em segurar isso.

Meu corpo ainda está queimando, mas consigo me levantar.

— Obrigada — eu agradeço de forma sincera, por mais que foi cruel da parte dela, Shelby tem razão, não podemos vacilar na hora da luta e é melhor sentir na pele agora.

Shelby faz mais um breve discurso sobre ataques. Freddie conversa em tom baixo com alguém.

— Agora preciso de um lobo — diz Shelby e seus olhos se detêm no Gibby. Ele estava sentado, Freddie conversava com ele sobre helicópteros e Nevel traduzia. Quando Gibby se levanta chega a ser assustador. Ele vai andando para frente de Shelby. Ele poderia simplesmente arrancar a cabeça dela com uma mordida.

Eu trinco os dentes por causa do veneno que se dissipa aos poucos. Foco na luta de Shelby e Gibby. Acho que isso vai demorar. Aposto que Dice está se divertindo, isso se tornou um belo clube da luta.

Notas finais
Comentem ai! Soltem o verbo! Agradeço se os leitores fantasmas pararem de me assombrar ahuahuaua... Muita mensagem no Whats do pessoal que leu a resposta em que eu disse que a Carly pode ser uma vilã na fic... Carly vai ser imbatível e provocar muito fuzuê, até lá vão se preparando para lidar com ela... Meus dedos estão congelando tá ruim pra digitar, mas eu amo frio... Fuuui! See you soon guys! Very soon...