42 - Violet Hill

41 Assim na Terra...


Notas iniciais
Bom dia humanos! Eu não postei na quarta-feira por que eu estava exausta e precisava de uma folga, mas estou de volta e voltarei a postar normalmente. O capítulo de hoje está interessante, acho que muitos vão gostar por que alguns mistérios foram resolvidos... Aproveitem: P.S.: Ainda não descobriram quem é o Alfa, não sei mais o que fazer galera kkkk.

Povs Sam:

Um cheiro forte de bacon, torrada e ovos me desperta. Abro minhas pálpebras e vejo a bandeja nas minhas pernas.

Freddie sorri como um menino.

— Olá. — ele cumprimenta.

— Se eu soubesse que eu teria café na cama, eu teria ficado grávida antes. — me sento para comer.

A expressão do Freddie muda.

— Isso não tem nada haver com a gravidez não planejada, apenas coma, alguém deseja te ver.

— E você por acaso dormiu? — eu mordo um pedaço da torrada.

— Sim, ao seu lado. Somente fui em casa trocar de roupa, mas voltei rapidamente para que não sentisse minha ausência. — ele alisa minha perna, aproveitando que ainda estou de vestido. Suas segundas intenções me alertam.

— Você disse algo sobre alguém querer me ver... — saio na defensiva.

— Hayes. — Freddie sorri como se gostasse dele.

— Vocês parecem se dar bem.

— E essa sua observação vem desde quando?

Como mais um pouco antes de responder.

— Na época em que você me transformou. Na batalha de Violet Hill. Depois da batalha. Na última patrulha e agora neste século quando estávamos bolando o plano. Eu sinto muito que tudo tenha sido uma perda de tempo. — eu me desculpo com ele — Sabe, ter feito um plano tão esplêndido para no final o Gatlin me mandar embora.

Freddie franze a testa.

— Eu só queria entender, ele simplesmente te mandou vir?

Eu devo contar a verdade? E se eu contar, o Freddie vai querer ainda mais consertar as coisas? Suas ideias são honrosas mas o resultado delas são um perigo. Ele tem um coração tão bom, amável e puro, faz de tudo por todos, sem nem ao menos medir as consequências. O que eu menos quero agora, é o Freddie interferindo quando o Gatlin aparecer para buscar o meu filho.

— Foi horrível Freddie... Gatlin me contou que matou todos os irmãos, que não passavam de crianças e matou inclusive a madrasta somente para tentar chegar ao trono, algo que ele nunca conseguiu. Eu estava em seu caminho, por isso ele me mandou embora, ainda mais quando descobriu da gravidez. — eu conto superficialmente e omito a verdade.

— Apenas isso? — Freddie retira bandeja das minhas pernas.

— Sim. — minha voz desanda.

— Repita. — ele mantém o olhar dentro dos meus olhos.

— Repetir o que?

— A história... Foi apenas isso?

Eu faço que sim com a cabeça e engulo em seco.

— Sim.

— Mentira. — ele não esconde a mágoa — Seu coração bateu mais rápido, a bile subiu e você corou.

— Eu não menti, eu apenas não te contei tudo.

— Achei que não negociávamos com inseguranças.

Eu coloco minhas mãos nas palmas das suas.

— Está bem... Vou te contar.

— Não importa o que seja, eu te amo. — ele é doce comigo. Eu jamais vou deixar de me surpreender ou quase derreter ao ouvir ele dizer que me ama.

— Ele vai querer o bebê. Quando o Flint nascer, Gatlin irá vir buscá-lo. O bebê vai herdar o trono. Então mesmo que você queira tira-lo agora, vá em frente Freddie, assine a sentença de morte de todo mundo. Eu vou perder essa guerra de um jeito ou de outro. — eu fico olhando para o seu rosto esperando alguma reação.

— E se você morrer...

— Apenas entregue o bebê a ele, sei que você não iria querê-lo.

— Não precisamos falar disso. — ele está transtornado — Meu Deus...

— Eu queria ter te contado antes... Mas você...

Freddie ergue a mão pedindo silêncio.

— Só me diga quando o sofrimento vai acabar.

— Eu lamento.

— Estamos condenados a isso? A sofrer? O ciclo vai se repetir de novo, de novo e de novo? Mas que merda! — ele esbraveja e levanta da cama — Terminou de comer? Precisamos falar com o Hayes.

— Acha que ele pode nos ajudar?

— Ele não, mas creio que o Alfa pode e Hayes sabe quem ele é.

— Eu vou terminar de comer, não gosto que me apressem. — eu pego outra torrada da bandeja. — Sabe... Eu pensei que iríamos suportar a perda do bebê juntos.

— Não vai ser necessário. Você não vai estar aqui para ter que superar nada. — ele se senta na janela.

— Por que é mais fácil aceitar que eu vou morrer, do que aceitar que o Flint vai ser uma bênção, né?

— Sim. É muito mais fácil. Por que você me tortura?

— Você faz isso sozinho. — eu sussurro mas sei que ele ouviu.

Eu termino de comer e vou tomar um banho. Durante meu tempo no chuveiro eu ouvi Shelby e Freddie discutindo por que ela ouviu nossa conversa, eu pensei em ir apartar, mas eu estou cansada de tudo isso.

Ontem à noite Shelby e eu lemos o diário do Klaus. Descobrimos que "V" era Triny Vega, sua esposa. Antes de ele ter sido transformado em vampiro, após um terrível acidente em uma mina, ele engravidou ela. Pelo o que ele conta, realmente se amavam. Shelby e eu decidimos não ler o final do diário, com medo de que não tivesse um final feliz.

Eu pedi para que Shelby entrasse em contato com o Dice, pois como ele mora na reserva, poderia entregar o diário ao Hayes. Ela continuava hesitante em me deixar sozinha. Eu apreciei seu cuidado comigo. No final correu tudo bem. Eu dormi na minha cama e Freddie alegou ter dormido ao meu lado... Fredward, meu noivo que está quase perdendo sua sanidade e eu sei que a culpa é minha. Alguém sentiu mais a dor dos outros do que eu?

— Soube que você tinha voltado e que não veio sozinha. — Hayes diz para mim. Ele me abraça. Eu devolvo seu abraço com carinho.

— Diga que está do meu lado e que concorda que ela não faz a mínima ideia do que carrega na barriga. — Freddie murmura para o Hayes.

— Se você disser mais alguma coisa eu quebro suas pernas. — Shelby reclama com ele e se senta em uma rocha. Ela chegou aqui primeiro do que nós, então deve ter contado tudo e muito mais ao Hayes.

Estamos próximos da reserva. Perto de onde eu acordei da última vez em que eu estive aqui com o Gibby. Esse lugar virou um novo ponto de encontro, por que Hayes pode dar um pulo na reserva para buscar alguma coisa caso venha precisar.

— Eu não estou do lado de ninguém. Ambos estão errados. — Hayes usa sua inteligência — Freddie quer ter a audácia de se livrar do próprio filho, sem nem ao menos saber se realmente a criança seria algo ruim. E você Sam, está disposta a morrer por algo que nem tem conhecimento e mesmo que ele viva, terá que lidar com a perda dele depois. Vocês não enxergam que estão destruindo a si mesmos?

Eu abaixo a cabeça me sentindo repreendida. É como levar uma bronca de um pai. Freddie também fica envergonhado.

— Eu não quis ouvir, é sério... — Shelby se desculpa por ter ouvido quando eu contei ao Freddie a verdade.

— Ah, você quis sim. — diz Freddie.

— Crianças, parem, o foco aqui não é esse. — Hayes é apaziguador demais enquanto eu torço para ver Shelby e Freddie numa briga épica.

Shelby pigarreia chateada.

— Crianças? Eu tenho dezenove anos. Em idade de vampira cento e cinquenta e quatro.

— Somos velhas. — eu rio feito uma boba.

— Sabe um fato engraçado sobre vampiros? — Hayes pergunta. Shelby e Freddie se olham sabendo que ele vai rir às custas deles.

— Eu quero saber. — eu provoco.

— Um vampiro pode ter quatro mil anos nas costas... Se ele foi transformado com dezessete, sempre pensará como uma pessoa de dezessete. Um adolescente eterno. — Hayes deixa essa indireta para o Freddie.

— Perdão se eu não posso amadurecer, algumas pessoas não tem a capacidade de deixar de se transformar em lobo e poder envelhecer, até mesmo engravidar, por exemplo. — Freddie agora fala comigo.

— Onde acha que nosso relacionamento vai chegar com isso? — eu dou um tapa em seu ombro.

— Quando ele nascer, não vai existir relacionamento. — ele retoma a discussão.

— Agradeço se os dois se acalmarem, tem algo que eu gostaria de contar. — Hayes chama nossa atenção.

— O que? — Freddie e eu perguntamos em uníssono com um tom exasperado.

— A respeito do diário que Shelby trouxe.

— Isso pode esperar. — Freddie vem para o meu lado — Temos uma pergunta mais importante.

— Qual? — Hayes parece estar com pressa para nos contar algo.

— Quem é o Alfa? — eu pergunto pelo Freddie.

— Eu não tenho permissão para dizer. — responde Hayes.

— Por quê? — pergunta Shelby.

— Não é o momento, vocês vão ter que esperar.

Freddie pega a minha mão e eu ergo as sobrancelhas preocupada com sua mudança de comportamento. Seu encontro com o lobo preto o perturba até hoje. Me pergunto se é por que Freddie sente as emoções vindas de outros e acabou sentindo inteiramente o Alfa.

— Ele fez a escolha recentemente? — a voz do Freddie sobe uma oitava.

— Não, ele fez há algum tempo... Mesmo que ele continue se mostrando para os outros, ele está apenas verificando as escolhas de cada um. — Hayes faz uma careta com algum pensamento — O Alfa jamais poderia voltar atrás com sua escolha... É algo espiritual, ele é apenas a vontade de um humano em proteger os outros. O Alfa não é uma pessoa... Eu não sei como dizer, mas não é o Alfa que está escolhendo alguém, é a própria pessoa que fará isso. Ela está escolhendo ser o Alfa. O espírito a aceitou.

Shelby, Freddie e eu suspiramos ao mesmo tempo. Quanto mais informações temos sobre o Alfa, mais confusa fica a história e parecemos mais distantes de descobrir quem ele é.

— O que você ia dizer sobre o diário? — eu busco um assunto após o momento de reflexão.

— Klaus estava destinado a ficar com a Triny. — Hayes conta.

— Como assim? — eu me sento na grama e Freddie se senta comigo.

— É algo desde a época de Atenas, é uma ligação conjurada. Todo Benson deve ficar com uma Vega, por obrigação, magia, ou destino, chame do que quiser. — Hayes se senta em nossa frente e olha para o Freddie — Sim Freddie, você rompeu essa ligação de milênios. Seu pai se apaixonou pela Amberly, que era uma Vega, então tiveram Tori e Trina. Por elas serem suas irmãs, você não poderia ficar com nenhuma e você não procurou uma Vega para dar continuidade. Você alterou a história de todos nós ao escolher a Sam naquela noite no baile. Mas você já era apaixonada por ela muito antes disso, eu sei. Você quebrou algo que movia a Terra em seu eixo.

Freddie abaixa a cabeça.

— Eu ferrei as coisas de novo...

— Não, você apenas fez seu próprio caminho, você é independente e de certa forma precisa dos outros. Você é difícil de desvendar. — com palavras sutis Hayes acalma o Fredward.

— Tem uma coisa que eu não entendi e não está no diário do Klaus. — recordo algo importante.

Hayes aperta os lábios.

— Talvez eu possa saber.

— Por que o nome da tribo é Klautriny?

— Oh... Isso... — ele sorri pensando em algo — Klaus e Triny foram o que manteram a tribo em segurança, sem nome na época é claro... Mas depois da morte de Triny, o Conselho dos 42 resolveu prestar uma homenagem, é só pensar.

Eu troco um olhar com o Freddie.

— Klaus... — Freddie murmura.

— Triny. — eu sussurro.

— Klautriny. — Shelby junta o nome dos dois — Bem pensado.

— Espera, Klaus era um vampiro e ele não transformou Triny, isso não diz no diário, então como eles morreram? — pergunta Freddie.

— Triny morreu de velhice e Klaus... — Hayes faz uma longa pausa — Ninguém sabe para onde ele foi. Seu filho continuou com a ligação, quando cresceu se casou com uma Vega, assim seu filho também fez... Gerações passaram e chegou ao seu pai, August que se casou com a sua mãe, que deu a luz a você. Então há dezoito anos ele se apaixonou por Amberly e todos nós sabemos o final dessa história.

Shelby ri baixinho atrás de mim.

— Algo engraçado, Marx? — Freddie pergunta sorrindo.

— É o fato de eu ser uma Doppelgänger e ser parecida com uma Vega, eu queria compreender essa parte. — ela quer uma explicação.

Hayes suga o ar entre os dentes e parece ficar vermelho.

— É ai que a história fica muito interessante...

— Não me diga que... — Shelby fica ao meu lado sentada.

— Seu pai era um Vega, porém você ficou com o nome da sua mãe. — Hayes lhe responde.

— O que?! — Shelby fica enojada.

Hayes está segurando o riso.

— A ligação só parecia ser poderosa entre um Benson e uma Vega, um homem descendente da família Vega tinha livre arbítrio. Tecnicamente falando você é parente da Tori.

— Tecnicamente falando? Fala sério, essa história não pode ficar pior. — Shelby olha para o Freddie — Se eu sou descendente dos Vega, por que Freddie e eu não fomos adiante com o namoro?

Eu rosno para ela. Não gostei do ponto.

— Porque o universo não funciona baseado no passado como pensamos, todos os dias escutamos as pessoas dizerem que isso aconteceu para aquilo acontecer. — ele faz aspas no ar — Nós mesmos sabemos que tudo que fazemos hoje é para o nosso amanhã. Você e Freddie não estavam destinados, por que Spencer teria imprinting por você, está vendo? A ligação não foi rompida por que não existia um Benson nesta história, era apenas um Vega e suas próprias decisões.

— Eu vomitaria se eu pudesse. — Shelby está incomodada com a história.

— E o que nos resta agora, Hayes? — sussurra Freddie.

— Proteger quem amamos Freddie. Começando pelo exorcismo da Carly, em seguida tomar conta da Sam e quem sabe eu achar um jeito de voltar. Tudo tem seu tempo. — responde Hayes sincero.

— Vamos por partes então. — eu murmuro — Começando em fazer o exorcismo sem matar a Carly, como isso vai ser possível?

Hayes pega o livro ao seu lado e passa os olhos pelas páginas.

— Será um tiro no escuro. Estrela da Manhã tentará ceifar a vida dela ou de qualquer outro.

— Que inferno. — Shelby reclama — E literalmente.

— A pergunta em questão é quem de nós fará isso? Quem vai ter coragem de assumir o risco e ter a morte dela nas mãos? — reflete Hayes.

— Eu poderia... — Freddie diz primeiro do que todos — Posso controlar as emoções da Carly durante o exorcismo.

— Você não tem como controlar o Lucifer, não exagere. — alega Hayes.

— Mas... — Freddie quer dizer alguma coisa.

— Acho que a escolha não cabe a nós, Gibby tem o direito de conversar com a Carly sobre isso, precisamos falar com eles. — eu interfiro.

— Vocês... — Freddie tenta falar de novo.

— A Sam tem razão, eu sei como o imprinting funciona e acredite, nem Carly ou Gibby podem perder um ao outro. — diz Shelby.

— Escutem. — Freddie chama mas nós ignoramos ele.

— Eu também sei. — Hayes se levanta — Para casa da Carly, então?

— Exato. — eu me levanto.

Entramos no apartamento da Carly. Gibby e ela estão conversando enquanto arrumam a cozinha para o almoço.

— Spencer! — Shelby chama ele em voz alta.

Carly se assusta e da um gritinho. Suas mãos vão para a barriga. Gibby olha confuso. Oh merda, ele não sabe ainda.

— Ele saiu. — Gibby diz para a Shelby — Foi comprar algo para você.

— Era para ser segredo. — Carly bate no Gibby com um pano de prato.

— Eu não sei guardar segredos. — ele se desculpa.

— Mas a Carly sabe. — Shelby murmura e eu a encaro de cara feia.

Carly limpa a garganta.

— O que os trouxeram aqui?

— Quem de nós você escolhe para fazer o exorcismo? — Hayes vai direto ao ponto.

— Nossa, bom te ver também Hayes. — Carly faz seu caminho até a geladeira.

— Fico honrado em poder vir aqui vê-la Carly. — Hayes caminha com elegância para a cozinha — Agora quem você escolhe para fazer o exorcismo? — ele pergunta novamente e Freddie respira fundo querendo não rir.

— Por que eu deveria escolher alguém? Não pode ser um padre? — ela pergunta pegando uma jarra de suco.

Hayes olha para nós pedindo ajuda, eu dou de ombros o deixando com a palavra. Freddie da um passo para frente querendo participar da conversa, mas eu puxo seu braço.

— Não. É algo complexo demais e não queremos traumatizar ninguém. — Hayes revela para Carls.

— Eu preciso realmente escolher entre vocês? — ela coloca a jarra na mesa. Gibby pega os copos.

— É por que tem o sério risco de você... — Hayes falha e inspira — Morrer durante o processo.

Gibby derruba um copo. Eu o pegaria se eu não tivesse a plena certeza de que com seu reflexo de lobo ele faria isso. Hayes não saiu do lugar. O copo se estilhaça no chão.

— Está dizendo o que? — Carly dá a famosa risada de nervosismo — Que eu vou ter que escolher qual de vocês terá o direito de me matar?

— Não há outra maneira de se explicar isso. — murmura Hayes.

— Isso é loucura. — Gibby se pronuncia — E eu sei que não podemos deixar as coisas como estão, mas deve haver outro meio de não mata-la durante o exorcismo.

— Viemos até vocês por que ela precisa escolher um de nós. Estaremos dispostos a carregar a morte dela, mas pelo menos iremos tentar salva-la. — Hayes explica.

— Entre vocês? — Carly olha para cada um de nós.

— Por que não me escolhe? A culpa foi minha e carregar a morte de alguém, não vai ser nenhuma novidade para mim, mas eu vou tentar salva-la. — eu digo a ela.

— Não. Tem que ser eu... A Sam tem coisas demais para lidar. — Shelby me barra.

— Seria melhor se fosse eu, assim não afetaria mais os problemas entre vocês. — Hayes pede.

Carly faz menção de falar.

— Escolher o Gibby está fora de cogitação. — eu relembro — Nem pense nisso, eu mesma não deixaria.

— Mas ela é minha, nada seria mais justo. — Gibby comenta.

— Não, de maneira alguma eu vou permitir. — eu ando até a Carly — Qual é Carly, não seja estúpida, você não pode fazer isso com ele.

— Os outros também estão inclusos nesse pacote? — ela pergunta brava comigo.

— Quem? Brad e Wendy? E o resto da alcateia? Quer mesmo envolver todo mundo nesse possível... — eu travo.

— Assassinato? Oh Sam, por favor, diga a palavra. — Gibby diz se estressando.

— Somos próximos de você, te conhecemos como ninguém, eles não tem que intervir nisso. — eu agarro a Carly pelos ombros — Escolha a mim.

— Não. Eu ainda acho justo ser eu, minha permanência aqui é temporária, talvez seja esse meu propósito. — Hayes se mete na conversa.

— Não, mas eu sou a namorada do irmão dela e sei que o Spencer se sentiria mais seguro se fosse eu. — Shelby retira minhas mãos da Carly.

De repente nós cinco entramos em uma discussão. Cada um intervém com um argumento plausível que rapidamente é pisado por outro. Estamos erguendo a voz para ver quem é mais ouvido aqui. Gibby gesticula com as mãos, enquanto Hayes altera a voz para mim. Shelby discute com a Carly, eu berro com as duas.

— CALEM A BOCA! — Freddie grita e nós se viramos para ele — Já não chega de discussões e mortes por aqui? Vocês são burros ou o que? — ele opta por ficar no meio de todos — Carly não irá morrer e se vocês parassem para pensar, entenderiam por quê.

— Qual é sua conclusão? — eu pergunto.

— Carly precisa dar à luz a Kimera. Ela não pode morrer e muito menos o futuro irá ser mudado. — ele nos lembra.

Nós seis nos estreolhamos.

— Faz sentido. — diz Gibby.

— Bom ponto. — fala Shelby.

— Eu me esqueci completamente. — murmura Hayes.

— É Freddie, você está certo. — eu concordo com ele.

— Mesmo assim... — Hayes vai recomeçar a discussão — Carly precisa decidir.

— Será eu, pare de insistir. — Gibby empurra o ombro dele.

Shelby cruza os braços.

— Todo Gibson é insistente, não é mesmo?

— Eu sou digno de fazer isso. — Gibby ignora a Shelby e retoma a conversa com o Hayes.

— Eu sou tão digno quanto você. — Hayes rebate.

— Não é questão de dignidade. — eu digo a eles.

— Sim. É. — Carly discorda de mim.

Eu fico de boca aberta.

— Licença?

— Eu já escolhi. — ela nos diz.

— Ótimo, diga logo que sou eu e vamos acabar com isso. — Gibby é cheio de si.

— Me lembre de quando você morrer comprar dois caixões. — Shelby é grossa na medida certa.

— Dois caixões? — Gibby fica confuso.

— Sim. Um para você e outro para o seu ego. — ela responde ácida.

Hayes omite um sorriso de surpresa.

— Circo. — escuto o Freddie murmurar.

— Vão deixar eu falar, ou não? — Carly está brava.

— Vamos. — eu concedo sua vontade.

— Freddie. — ela revela e olha para o meu vampiro.

Ele se surpreende.

— Por que eu?

— Porque você foi o único que não pediu e sei que faria isso da melhor maneira possível. — Carly responde — E você é digno. E querendo ou não... — Carly nos encara — Freddie tem mais fé que todos nós juntos. Ele acredita em Deus, sabe que Jesus morreu por nós, frequenta a igreja quando pode e sempre fez o melhor por todos. O Freddie é bom, então será a verdadeira batalha de bem versus mal. Ele vai saber lidar com isso. Vai saber me proteger quando o outro se revelar.

Freddie balança a cabeça concordando. Diferente de nós ele não estava levando isso como uma competição. Era a vida da Carly em jogo aqui, fomos insensíveis, enquanto mesmo ele sabendo que ela não morreria, não se atreveu a opinar até que a situação fugisse do controle.

— Quando vai ser? — ela faz uma importante pergunta.

— Iremos dar mais algumas estudadas nos livros, buscar fontes novas... Talvez em um par de dias. — meu namorado responde.

— Ok. — Carly suspira.

— Por mais que pareça impossível e por mais que ela não fique livre do espírito se não morrer durante o ato, iremos fazer como os médicos. — Freddie faz um comentário estranho.

— Comos os médicos? — Hayes pergunta.

— É... Eu aprendi isso com a minha mãe. — ele sorri e eu me pego sorrindo também só por vê-lo alegre — Sabem por que os médicos tentam ressuscitar um paciente mesmo que ele chegue praticamente morto no hospital?

— Não. — eu lhe respondo.

— Para dizer à família da pessoa que fizeram todo o possível. — ele encerra a frase nos fazendo pensar sobre isso — Faremos o possível Carly para ser de uma maneira que não machuque você ou o... — eu beslico o braço dele — O seu estado de espírito. — Freddie se safa rapidamente e Gibby estreita os olhos para nós.

— Perfeito, o assunto termina por aqui. — Hayes deixa bem claro.

— Ótimo. — Carly me fita — Sam, vamos comigo ao mercado aqui em frente, eu preciso comprar algumas coisas, fiquem para o almoço. — Carly segura o rosto do Gibby — Eu volto logo. — ela o beija com carinho e eu desvio o olhar. Eu não devo sentir ciúmes, mas por alguma razão algo ainda não rompeu o que Gibby e eu tivemos.

Carly e eu andamos pela prateleira do mercado. Eu estou empurrando o carrinho.

— Você não contou para ele? — eu pergunto acusando ela.

— Não estou pronta. — ela quer sair do assunto.

— Quando sua barriga começar a crescer, não vai ter mais nada a esconder. — eu empurro o carrinho com força. Eu sei que estou errada por tão ter contado sobre mim também.

— Você contou ao Freddie e para a Shelby. — agora ela está me acusando.

— Não foi de propósito, simplesmente saiu da minha boca antes que eu me desse conta.

— Agora eles sabem... Vai ser questão de tempo até o Gibby saber, isso se eles não aproveitarem minha saída para contar. — ela joga algumas latas no carrinho.

— Pelo menos o Freddie vai fazer de tudo para não ferir o bebê. — eu digo com um pouco de inveja, Freddie está se importando com o bebê errado.

— Ele não deixa de ser útil. — ela age de maneira indiferente. Carly parece saber de alguma coisa sobre o bebê.

— Nunca deixa. — eu coro por pensar em certas coisas a respeito do Freddie.

Carly olha para mim e ri, mas sua expressão se altera.

— Eu vi a maneira que você olhou quando eu beijei o Gibby. — ela dá uma desviada do assunto do bebê — Você ainda gosta dele?

— Não como antes, agora é apenas confuso. Não se preocupe.

— Não estou preocupada.

E pelo o que eu vejo, ela não está mesmo.

— E como vão seus poderes de Hexenbiest? — entro em outra história.

— Eu não os uso, ele aparece quando eu faço isso. — ela engole em seco.

— Isso vai acabar.

— É em parte o meu medo.

— Como assim Carly?

Ela segura a parte da frente do carrinho.

— Tudo que eu tenho é meu poder de Hexenbiest, se isso sair de mim eu serei apenas uma humana que sabe demais novamente.

— Você ainda será a Carly. A garota que eu tirei daquele rio... Acima de tudo você sempre vai ser minha melhor amiga.

— Eu lembrei da promessa que você me fez, que iria me transformar depois da formatura.

Eu coço meu queixo.

— Eu não vou quebra-la, assim que você tiver livre do espírito e ter o bebê... E também a Kimera, nem que leve anos, eu vou te transformar, se é o que você quer.

— É o que eu quero. — ela é durona quando o assunto é esse.

— Mas... Eu acho que você deveria falar com o Gibby sobre isso.

— Sobre o bebê?

— Também, mas eu estou me referindo à sua transformação, ele não gosta de vampiros, nem um pouco... Tudo bem que ele teve imprinting por você, mas nem por isso tem que ser obrigado a conviver prendendo a respiração toda vez que for te beijar.

— Ele vai lidar comigo da mesma forma que o Spencer lida com a Shelby.

— Se você diz... — eu falo baixinho.

Almoçamos com pressa para iniciar nossa pesquisa. Conseguimos coisas bem interessantes e tentamos passar despercebidos pelos outros, que devem estar se dando conta da nossa ausência.

— Vejamos, encontrei uma passagem aqui que parece ser um manual. — Freddie diz com o livro que eu trouxe de Viena na mão.

— Leia em voz alta. — eu peço ao seu lado.

— Água benta, insenso e amuletos não são uma necessidade em um exorcismo, tão pouco funcionam com integridade. Um mito criado por fanáticos que acreditam em qualquer coisa para se livrar daquilo que as aflinge. O único item mais necessário que sobrassai todos os outros é o crucifixo sem a imagem de Jesus Cristo crucificado, pois como é de praxe, sabemos que ele ressuscitou no terceiro dia e seu corpo não jaz mais na cruz do calvário. O exorcismo depende da pessoa que o executa. Seu coração não pode ser corruptível e muito menos virado para o mal deste mundo... -

Freddie para de ler e seus olhos se arregalam.

— Freddie, o que foi? — eu me preocupo.

— Você por acaso leu este livro? — ele não tira os olhos da página.

— Apenas dei uma olhada, por quê?

— Freddie você está mais pálido que o normal. — Spencer faz piada.

— Quem escreveu... — ele finalmente me olha — Foi ele.

— Lucifer escreveu? — Carly pergunta chocada.

— Não. Meu Deus, não. — Freddie nega achando ridículo — Hayes ele estava lá.

— Quem? — Hayes fica curioso.

— Klaus Benson. — Freddie nos mostra o livro — Parece que ele tem influência em muitas coisas ao longo da história.

— Sua família vem de uma linhagem interessante. — eu aplaudo de forma teatral.

— Deveríamos procura-lo. — Gibby tem uma ideia — Shelby, Sam e Freddie, vocês conhecem gente pelo mundo inteiro, alguém deve ter visto esse cara. Ele pode nos ajudar.

— Eu concordo com o filhote, devemos procura-lo. — Hayes usa um tom brincalhão.

— Acho que é má ideia, temos tudo que precisamos para fazer o exorcismo, estamos lutando contra o tempo. — Shelby é mais sensata do que eu pensei.

— Carly não pode morrer, não seria um problema esperar mais um pouco. — Gibby nos lembra.

— Mas será só uma questão de tempo até ela incorporar e matar todos nós. — Shelby diz o que ninguém tem coragem de dizer.

— Não é por nada não, mas eu concordo com ela. Tirem isso de mim e rápido. — Carly dá a sua opinião.

Eu movo a cabeça concordando.

— Eu concordo com a morena. Quanto mais rápido, mais seguro.

— Idem. — Freddie concorda comigo.

Eu tive um longo dia. Descobrimos diversas técnicas para ajudar com o problema da Carly. Agora que a morte dela não está em pauta, podemos ir mais fundo. O assunto da minha gravidez foi deixado de lado, mas em nenhum momento eu deixei de pensar no Flint. Ele ainda é um mistério que eu desejo desvendar. Acredito eu, que ele será tanto parecido com o Freddie, como parecido comigo. Quero acreditar que ele será um híbrido. Um lobo e um vampiro. Tão forte quanto todos. Ele vai ser bom. Por mais que o Gatlin o leve para longe, eu sei que Flint terá bondade em seu peito. Ele vai ser poderoso... Ele está destinado à grandeza. Filho de uma Ômega. Filho de um vampiro de uma linhagem perfeita. Ele não vai ser um monstro. Ele vai ser um anjo.

Eu me deito na cama retirando minhas roupas. Mantenho minha calcinha e meu sutiã. Freddie está no banheiro escovando os dentes, de certo com a minha escova.

Eu aguardo ele se deitar. Não quero dormir sem ele. Em segundos seus braços me apertam. Eu inalo seu cheiro, aprendi a me acostumar e agora o sangue faz ficar suportável.

— Que bom que está apenas de cueca. — eu beijo seu peito.

— Se quiser eu tiro. — ele ri.

— Não, eu me sinto exausta demais para fazermos isso... Flint está crescendo rápido.

Um rosnado parte dele.

— Agora ele está consumindo sua energia também...

— Todo bebê faz isso, não é só por causa que ele é especial.

— Especial. — Freddie repete tentando se acostumar.

— É... — eu fecho os olhos.

— Você vai ser uma mãe perfeita, mesmo que o Gatlin venha busca-lo, você seria a melhor mãe do mundo. — Freddie diz algo surpreendente para mim.

— Ah... — não consigo dizer nada.

— Se voce sobreviver à sua morte eminente, você vai... Você sabe, voltar a se transformar em loba?

Eu procuro seu olhar.

— Se o Gibby permitisse... Por quê?

— Porque eu ainda quero viver a minha eternidade com você.

— Eu também quero. — toco seus lábios com meus dedos — Por quê você tem que ser tão dramático? Eu vou sobreviver Freddie.

— Espero que sim.

Não quero que a conversa termine assim.

— Eu te amo Freddie.

— Eu também te amo Sam, você sabe disso. — sua boca beija minha testa.

Me aconchego. Meus olhos estão quase se fechando, mas eu vejo marcas no seu pescoço que quase chegam ao seu peito.

— Quem te arranhou? — eu pergunto sentindo raiva.

— Eu não sei. — ele não parece estar mentindo — Mas eu gostaria de saber.

Eu lembro do seu encontro com o Alfa, mas um uivo ao lado de fora nos assusta. Não é um uivo qualquer... É um uivo de dor. De agonia. Ele está sofrendo. Gibby? Oh não... Carly está com problemas!

Notas finais
Este foi o capítulo de hoje. Comentem, por favor, leitores fantasmas eu adoraria a opinião de vocês e suas teorias. Beijão para a galera do Whatsapp e para o povo do Twitter. Próximo capítulo: Como no Inferno. See you soon guys! Very soon...