Notas iniciais
Primeiramente, eu gostaria de pedir um milhão de desculpas pela demora! Vocês não têm ideia de como eu sofri nas mãos da minha escola. Mas eu gostaria de agradecer vocês também, porque mesmo depois de 4 meses sem postar, os views não paravam de subir e hora ou outra eu recebi um novo review. Obrigada por tudo, gente, você são incríveis! Agora, esse é o último capítulo ou, de um ângulo diferente, o primeiro ;) Diferentemente dos outros, esse é narrado em terceira pessoa, mas focado mais no ponto de vista da Ravena. Esse também é muito mais longo do que qualquer outro capítulo que já escrevi na minha vida, mas foi absolutamente necessário para o desfecho da história; uns podem gostar, outros não (deixem-me saber o que acharam!). Enfim, já chega de falar, né? Esperem sexo sim (hehehe) e também um pouco de angústia (por que não, não estou certa?). Aproveitem! ♥

Um grito excruciante de agonia ecoa pela Torre, misturado aos trovões e ao som da tempestade castigando as janelas.

Ravena levanta da cama com um pulo, seguindo a origem do som, apenas para chegar à porta de Mutano, que já está sendo batida por Robin e Ciborgue. Estelar aparece logo em seguida.

— Mutano! — Robin começa a socar a porta com a lateral da mão. E então vira-se para Ravena. — Ele não está respondendo.

Os olhos de Estelar se iluminam com verde e Ciborgue prepara seu braço de raio sônico azul, mas Ravena apenas estende a mão e a porta desliza com sua telecinese. A primeira visão de todos é um beliche vazio, com os lençóis rasgados e os colchões arranhados. As paredes com marcas de garras, a janela aberta, deixando a chuva e o vento entrar, e tudo mais bagunçado do que o normal. Então todos se viram para um Mutano ajoelhado no chão com as mãos apoiadas logo à sua frente, de cabeça baixa. E rosnando.

O instinto dos quatro é dar um passo para trás. Todos já viram isso acontecendo: Mutano está prestes a virar aquela fera, e sem autocontrole algum. Ravena começa a chegar mais perto lentamente, mesmo com os outros tentando impedi-la. Ela se ajoelha ao lado de Mutano e coloca a mão sobre suas costas.

— Ravena... — Estelar sussurra, apreensiva. De repente, Mutano tira as mãos do chão e as aperta na testa com um resmungo de choro, como se estivesse com dor de cabeça. Ravena olha para os outros três, que começam a se aproximar. Então, quando ele levanta a postura, seus olhos reviram e ele desmaia, caindo para trás. Ravena o segura justamente antes de bater no chão.

Todos avançam e se debruçam sobre Mutano, analisando-o dos pés à cabeça. Ele está coberto de cortes, alguns sangrando muito, o que deixou seu pijama empapado de vermelho. Deve tê-los feito em si mesmo com as garras sem querer, enquanto se debatia dormindo ou algo do tipo. Ou assim Ravena espera.

— Vamos… — Ciborgue fala olhando ao redor, enquanto Ravena tira o cabelo de Mutano da testa — vamos para a sala. Eu não gostaria de acordar em um quarto assim.

Ele passa as mãos por baixo de Mutano e o levanta em seus braços, saindo para o corredor. Enquanto eles seguem em direção à sala de estar da Torre, Ravena vasculha pelas gavetas do quarto do namorado até encontrar um kit de primeiros socorros e então flutua atrás deles.

Robin empurra os controles remotos e DVDs do sofá, onde Ciborgue gentilmente coloca Mutano deitado. Ravena se ajoelha ao lado dele e começa a limpar os cortes de seu rosto, dois dos quais simplesmente jorra sangue. Um bem na testa, ensopando suas sobrancelhas, e outro bem abaixo do olho direito, misturando-se às lágrimas.

— Vocês acham que ele estava chorando de dor? — Ciborgue pondera. — Esses cortes estão bem feios.

— Mas foi ele mesmo quem os fez. — Robin afirma o que ninguém queria admitir. — Por que faria isso consigo mesmo? Quero dizer, ele ficou naquele quarto dois dias inteiros, nem saiu para o jantar de Ação de Graças ontem. Será que ele chegou a se transformar?

— Acho que não. — Ravena se pronuncia pela primeira vez e todos viram-se para ela. — Esse tempo todo eu fui checar ele pelo lado de fora e ele parecia normal. — Ou tão normal quanto ele pode estar nessas últimas semanas, Ravena pensa, e hesita em continuar. — Bom, ele tem esses sonhos… ele nunca me conta sobre eles, mas sei que são horríveis.

— Sonhos? — Robin pergunta confuso. Um trovão faz todos pularem.

— Antes de mais nada, deveríamos levá-lo à enfermaria. — Estelar comenta olhando para a janela e entregando a Ravena mais um pedaço de agodão.

— E fazer alguns exames. — Ciborgue acrescenta.

— Vários. — Robin assente.

— Eu… — Ravena começa a curar com seus poderes os cortes que limpou. — Vocês… podem ir. Eu cuido dele.

— Você está louca? — Ciborgue exclama.

— Não vamos te deixar sozinha com ele! Ele pode virar aquela fera e te atacar. — Estelar coloca os indicadores na boca para imitar presas.

— Sem falar que seria melhor levá-lo à enfermaria o quão antes possível. — Ciborgue completa.

Robin apenas olha para Ravena. Ele percebeu que ela sabe algo que não está falando. Ela apenas pensa que a palavra “sonhos” não deve ter parado de ecoar na mente dele.

— Por favor… — Ravena para de usar seus poderes por um instante. — Vão para seus quartos ou algo assim. Prometo que chamo vocês se algo der errado.

— Você tem certeza? — Robin se aproxima. Ravena assente. Ele a olha com compreensão. — Depois nós voltamos, pessoal. Daqui a uma hora, para levá-lo à enfermaria.

Estelar e Ciborgue viram-se para ele, surpresos.

— Mas, Robin... — Estelar começa.

— Vamos. — Ele os olha com seriedade, então eles apenas concordam reluntantemente e andam até sair da sala. Robin dá uma última olhada para Mutano e então para Ravena. — Espero que saiba o que está fazendo. — E se retira.

Ravena continua a tratar os cortes, e quase meia hora depois, quando está acabando de limpar o segundo braço de Mutano, ele se sobressalta, acordando. Gemendo, ele leva as mãos ao rosto e esfrega os olhos.

— Mutano, você está bem? — Ela larga os algodões no chão e se senta ao seu lado no sofá. Ele levanta até ficar sentado e apenas olha para ela. — Como se sente?

De repente, ele avança para beijá-la, um beijo com um ligeiro gosto metálico, levemente no começo e então com mais intensidade. Ravena jamais esperaria que ele fizesse isso, então sabe que ele precisa disso, precisa dela. E ela não tem a coibição ou a força para afastá-lo, para ser sensata e pensar sobre o que está acontecendo. Há algo mais intenso nesse beijo, é quase como se ele estivesse desesperado para afogar seus pesadelos.

Mutano se coloca sobre ela enquanto eles se deitam. Ele começa a beijar sua mandíbula, descendo por seu pescoço e até sua clavícula. Ravena sente que ele está tremendo quando abre as pernas e ele se coloca entre elas, enquanto suas mãos trilham por seu torso e braço. Ele entrelaça os dedos nos dela e leva as mãos acima de sua cabeça, apoiadas no sofá. Mutano olha para Ravena e ela percebe que seus olhos marejados estão tristes e assustados e, quando ele abaixa a cabeça para beijar seu pescoço, seu peito encosta no dela e ela sente seu coração martelando.

E ainda assim ela não tenta impedi-lo.

Um relâmpago ilumina a sala, e um trovão ecoa justamente quando Mutano solta as mãos de Ravena e os dois tiram as camisetas um do outro, arfando quando suas peles se encostam. Uma dor quente sobe entre as pernas de Ravena e isso faz com que seus quadris vão para a frente, roçando nos dele, e os dois soltam um gemido. Ela sente sua ereção quando suas pernas o abraçam, o que faz o calor apenas aumentar, e Ravena sente que precisa reprimi-lo imediatamente, ou então pode até explodir.

Seus shorts logo encontram o chão também, e Mutano, ainda de boxers, dá algumas estocadas firmes e rápidas enquanto deixa um chupão em seu pescoço. Ela geme, desesperadamente querendo o puxar mais perto e para dentro dela. Mas não fala nada, com medo de que ele sinta que está fazendo algo que ela não queira, e ela sabe que nada no mundo o convenceria o contrário. Porque ele está com medo e agitado, mas acima de tudo ele é doce e tão genuinamente bom, e ela não consegue o admirar mais do que já o faz por isso.

Ela inverte os lugares e se coloca em cima dele, com seus lábios e língua e dentes passando por seu pescoço e descendo até seu peito, fazendo questão de beijar cada um dos cortes, e deixando alguns chupões pelo caminho. Ele mantém os olhos fechados e a cabeça deitada no sofá até que sente Ravena tirando sua cueca, quando levanta o tronco e ergue uma sobrancelha. Ele claramente está tentando a olhar de forma provocadora ou talvez até lúdica, mas as olheiras, os cortes e o sangue seco o deixam com uma expressão quase maligna, e Ravena não consegue decidir se essa é melhor do que a triste.

Ela tira sua cueca, e quando se senta para tirar a calcinha, percebe que Mutano prende a respiração e seus olhos a fitam de cima abaixo, vidrados. Ela acredita por um segundo que seja a mesma reação que ele tem sempre que a vê nua, mas então ele desvia o olhar, que começa a se encher de lágrimas. Ela olha para baixo e vê que está coberta de sangue, do qual Mutano a sujou com todo o contato.

Ele começa a se encolher e as lágrimas a escorrerem. Ravena tira a calcinha e escorrega para perto dele, o beijando enquanto esfrega sua bochecha. Ele olha direto em seus olhos e ela beija sua testa, sentando gentilmente em seu colo, mas ela sente que ele ainda está tremendo quando seus peitos encostam um no outro e ela repousa as mãos em seus ombros. E ela sorri para ele. Mas quando os olhos dele encontram seus lábios, ela pondera se ele vê apenas uma vã tentativa de conforto, quando ela verdadeiramente quer dizer que está tudo bem.

Mutano passa o braço por suas costas e a segura enquanto se inclina para frente e se agacha para alcançar o kit de primeiros socorros. Ele tira um preservativo e coloca em si mesmo. Ravena passa a mão por seu cabelo e, quando ele levanta a cabeça, ela não espera nada mais do que pura melancolia em sua expressão, mas ele beija sua mão e sorri para ela. Um sorriso fraco mas que a assegura de que ele a ama. E, nossa, como ela o ama também.

Ele coloca as mãos em sua cintura e a levanta com delicadeza. Ravena morde o lábio inferior e assente para responder a pergunta nos olhos dele. Suas coxas tensionam e ela abaixa. Mutano geme e, quando sua respiração sopra no rosto dela, ela apoia a testa em seu ombro, sentindo-se completamente preenchida. É como se ela estivesse queimando por dentro, mas não é dor; é uma sensação levemente desconfortável que é atenuada quando Mutano a beija.

E, quando está pronta, ela começa a se mexer, a subir e a descer, a fixar mais suas coxas em volta dele e a passar os dedos por seu cabelo. As mãos de Mutano pressionam contra sua coluna e ele a levanta, girando os dois e a colocando de volta no sofá. Ela abre as pernas e ele a preenche novamente, com movimentos tão ritmados que ela quase esquece o quão desastrado ele normalmente é. Ele pega sua mão e seus dedos se entrelaçam, apoiados ao lado da cabeça dela. E aquela sensação ardente, formigante e absolutamente fantástica apenas cresce dentro dela, aumentando mais e mais.

E então os movimentos começam a ficar irregulares, mais rápidos e inconsistentes. Suas mãos abandonam as dela e ele as apoia no sofá. Ela segura em seus quadris, subindo por suas costelas e esfregando suas bochechas, todo o caminho com seus dedos passando delicadamente por cada um de seus cortes. E ela o puxa mais para perto, arfando em seus lábios enquanto a euforia se acentua como agulhadas na boca de seu estômago, como se a sensação de ter ele dentro dela avançasse como ondas pelo seu corpo.

E ela não consegue respirar…

E ela vê estrelas…

… Por toda parte.

Ravena joga a cabeça para trás, incapaz de focar em algo conciso, mas tendo quase certeza de que soltou um gemido bem mais alto do que gostaria de admitir, enquanto Mutano volta a ficar trêmulo. Ele começa a se mexer mais rapidamente, em direção da sensação que pulsa dentro dela e a beija vorazmente, arfando e suspirando enquanto as coxas dela se contraem em volta dele. Mutano se separa do beijo, gemendo quando ele chega ao seu ápice também. Ele sai de dentro dela e deita ao seu lado no sofá, a fazendo se sentir vazia, mas não necessariamente de um jeito ruim.

E então há um momento de quietude, em que tudo que se ouve é a chuva lá fora e as respirações pesadas misturadas ao gemidos. Um relâmpago corta o céu e ambos se viram para a janela, apenas esperando o trovão.

— Você. — Mutano quebra o silêncio, não só o momentâneo, essa sendo a primeira palavra de verdade que Ravena escuta sair de sua boca há dias, seu peito indo para cima e para baixo com dificuldade.

— O quê? — Ela pergunta virando-se de lado para ficar frente a frente com ele, repousando a mão em seu braço.

— Meus sonhos são sobre você. — E ele esvazia os pulmões como se todo o peso do mundo fosse retirado de seus ombros, como se ele finalmente tivesse vomitado o caroço em sua garganta, das palavras que aparentemente não poderiam ser contadas a ninguém.

— Mutano… — Ravena passa a mão por seu cabelo.

— Eles começaram com você morrendo, de um jeito ou de outro… — Ele se senta com as costas curvadas e apoia as mãos uma sobre a outra no colo. — E eu não podendo fazer nada.

— Você não precisa… — Ela se senta ao seu lado com as pernas dobradas e coloca a mão em seu ombro.

— Mas então eu passei a ser indiretamente responsável pela sua morte… — Ele balança a cabeça, tentando encontrar as palavras. — Sempre situações diferentes mas, de uma forma ou de outra, eram minhas decisões que faziam você morrer.

Ele olha diretamente nos olhos dela e então ela sabe. É essa a hora. Ele está disposto a contar, e a contar tudo. Ele obviamente não espera nada em troca. Nem um conselho ou uma solução. Mas ele confia nela ao ponto de simplesmente lhe dar o direito de ouvir. E ela sabe disso também.

— E um dia eu sonhei que eu havia me transformado naquela fera horrível e eu… — sua voz vacila. Ele inclina a cabeça para desviar o olhar como sempre faz quando não quer terminar a frase. E nem precisa. Ele deu o golpe final. Mutano sonhou que tirara a vida de sua própria namorada, e ela não consegue imaginar como deve ter sido horrível essa cena, principalmente porque foi realizada pelo próprio ponto de vista dele. — Mas a questão é… — sua voz falha, trêmula com os soluços. — Eu… aquela fera... queria fazer aquilo. Era como se fosse a coisa que ela mais precisava nesse mundo.

— Não era você. — Ela acaricia seu rosto e ele assente.

— E essa era a única coisa que me fazia ter certeza do que era real e do que não era. A fera mataria você… — seus olhos se enchem de lágrimas — mas essa é a última coisa que eu jamais faria.

Mutano olha para as próprias mãos sujas de sangue e faz um pequeno sinal de negação com a cabeça. Ele não continua o raciocínio, então Ravena hesita em falar qualquer coisa, mas não consegue esquecer o que mais quer perguntar desde que descobriu sobre os pesadelos.

— Por que você se sente tão culpado? — Ela sussurra.

Ele inspira com força, sua respiração craquelando.

— Desde algumas noites atrás… — ele reprime um soluço — eu tenho o mesmo sonho, e é a primeira vez que um deles se repete. Era uma noite como essa, com uma tempestade assustadora e o mar estava agitado a ponto de parecer que ia derrubar a Torre. E, ao mesmo tempo, tudo tinha essa coloração horripilante, como se eu estivesse vendo tons de vermelho, mas sentindo um completo azul.

Mutano a fita, apreensivo. Ele provavelmente pensa que não está fazendo sentido algum, e ela sabe que ele jamais conseguirá contar exatamente como foi, mas mesmo assim o olha com compreensão, e assente para ele seguir em frente.

— Nós cinco estávamos no telhado, lutando. Mas tudo estava muito confuso, porque eu não sabia exatamente contra quem nós lutávamos. Eu ergui as garras e, quando eu dei golpe, de repente tudo ficou nítido. Robin, Ciborgue e Estelar estavam virados contra mim, prontos para atacar. Você estava no chão, um corte horrível na sua garganta. Então eu olhei para mim mesmo, e era eu.

— Eu não… — Ravena começa.

— Não era a fera. — Ele obviamente não encontra uma maneira melhor de explicar. — Nada de pelos, não tinha três metros de altura. Era eu. — Ele fita as próprias mãos, vidrado. — A parte lógica do meu cérebro não conseguia acreditar no que eu acabara de fazer. Mas meus sentimentos? Eu estava em êxtase, quase como há alguns minutos.

Ravena fica em silêncio. Ela queria dizer que isso não significava nada, sonhos são apenas sonhos. Mas a forma como eles afetam Mutano… sua insônia e inquietação e tristeza e culpa… Isso não é por acaso.

— Você entende? — Ele continua, virando-se para ela. — Eu queria ter feito aquilo. Eu fiz, e me senti muito bem. Tão bem que sensação não foi embora nem quando eu acordei. E toda vez que eu olhava para você, duas emoções completamente opostas vinham à tona. Era quase como… — ele hesita.

— Como o quê, Mutano? — Ravena pergunta, apoiando a mão em seu braço, e ela vê que seus olhos se enchem de lágrimas novamente. Ele desliza a cabeça até encaixar na curva do pescoço dela e a abraça enquanto começa a soluçar. Chega a ser quase impossível de suportar sentir o peito dele ir para e cima e para baixo, junto com o som do choro querendo sair por sua garganta e as lágrimas caindo de seu rosto e entrando em contato com a pele dela.

— Está tudo bem. — Ravena desliza a mão na parte de trás de sua cabeça. — Eu estou aqui com você.

Mutano se desvencilha e apenas olha para fora da janela por alguns instantes, seu peito ainda palpitando.

— Mas essa era a pior parte… — ele a olha nos olhos — Saber que você não estava mais aqui comigo.

Ela se ajeita para ficar mais de frente para ele. De repente, a percepção de com que ela está conversando finalmente chega a ela, e Ravena sabe exatamente o que dizer.

— Mutano, olha para mim. E, de preferência, tente não se concentrar no fato de que eu estou pelada. — Ela tenta atenuar o clima, mas ele apenas esboça um sorriso fraco e torto. — Você realmente acha que você conseguiria fazer alguma coisa comigo? Comigo?

— Do que você…? — Ele começa.

— Se você tentasse me matar, eu acabaria com você. — Ela o fita e ele abafa um riso vacilante.

— Ah, isso não é justo… — Ele abre ainda mais o sorriso, o que a deixa infinitamente mais feliz.

— Eu entendo como esses sonhos são horríveis para você. Meu Deus, e toda noite? Que pesadelo. Mas você não pode ter medo de me perder por causa da vida que nós temos, nem pela fera que você pode se tornar. Eu sei me defender, nossos amigos sabem cuidar de nós, e eu tenho certeza de que você consegue se controlar. Sabe como eu sei?

— Como? — Ele franze o cenho.

— Você é literalmente a pessoa mais doce e de coração mais bondoso que eu já conheci. E, nossa, se o caminho contrário acontecer da mesma forma que ele flui de mim para você, então eu vou ficar muito bem.

— Como assim?

— Eu te amo, Mutano. Muito. — Ela passa a mão por seu cabelo. — Se você sente o mesmo por mim, eu vou ficar bem.

Ele a fita por vários segundos, quase não acreditando.

— Eu te amo muito também. — Seu sorriso continua torto, mas dessa vez com uma sinceridade que faz o coração de Ravena falhar uma batida. Ela beija sua testa.

— Eu realmente não sei como fazer seus pesadelos pararem. Há coisas que funcionam para mim quando eu tenho sonhos ruins que eu simplesmente sei que nada fariam por você. — Ela continua a passar a mão por seu cabelo enquanto ele balança a cabeça. — Mas saiba que eu sempre estarei aqui por você, e com você.

Ele assente e beija as costas de sua mão, e então seus lábios.

— Pelo menos — ela se inclina para pegar o kit de primeiros socorros —, tem uma coisa que eu posso fazer por você agora. Deixe-me terminar de limpar seus cortes.

Ele vira-se para si mesmo, como se tivesse esquecido que está todo machucado, mas eventualmente ergue o braço para ela.

E eles ficam em silêncio.

— Ravena. — Mutano chama depois de um tempo.

— Sim? — Ela responde ainda concentrada nos cortes.

— Com o que você sonha? — Ele sussurra como se acreditasse que sua pergunta é tola demais para uma hora dessas.

— Você quer dizer sobre o que são meus pesadelos? — Ela continua concentrada.

— Não, seus sonhos. Aqueles com final feliz.

Ravena levanta o olhar.

— Que engraçado você perguntar isso. — Ela segura sua mão.

— Por quê? — Ele entrelaça os dedos nos dela. Ela solta uma risada baixinha.

— Porque eu sonho com você — ela avança e lhe rouba um beijo. — Toda noite.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Essa é a primeira fic que eu termino na minha vida e, mesmo que tenha demorado (desculpem novamente!) - e acreditem, eu a escrevo desde o começo de 2014 -, eu estou muito orgulhosa de mim mesma. E espero que ela tenha deixado vocês contentes também! Contem-me absolutamente todas as opiniões de vocês, eu realmente quero saber. E é isso haha ♥