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1 Rebeca
Não queria contar essa história, não porque andei guardando para mim mesma, mas porque é algo doloroso e que me faz pensar e pensar em como fui burra. Poderia ter feito algo, mas se eu fizesse poderia mudar para pior.
Karoline sempre foi minha melhor amiga, era a única que me entendia e era a única que sabia de absolutamente tudo de mim, inclusive da minha confusão sobre sexualidade, o que me deixava mais insegura que o esperado.
Estávamos num longo cais, dois quarteirões da casa de praia da família dela, se eu seguisse a minha intuição nada de ruim teria acontecido, o mal estar que eu estava e que, possivelmente, me impediria de levantar da cama. Por algum motivo eu sentia que estive do começo ao fim de cabeça baixa.
Karoline e eu estávamos num cais abandonado. Eu a chamei, estava tentando saber o motivo de estar triste, ela sempre tentava me alegrar e, quer saber, ela sempre conseguia. Só que foi meu último sorriso perante a minha eterna melhor amiga, dois assassinos fugitivos foram atrás de um barco e não preciso nem explicar onde eles decidiram procurar nos agredindo. Disseram que irá acontecer o mesmo comigo o que iriam fazer com Karoline. Eu não entendi e tentei reagir ao ataque. Um deles prendeu meus braços para trás e parecia querer quebrá-los a todo custo caso eu avançasse mais uma vez, até que me rendi, enquanto isso Karoline estava pendurada de cabeça para baixo, segurada pelas pernas, graças ao outro bandido. Só então percebi que eles estavam mesmo fugindo e procurando por qualquer barco perdido.
Meus gritos foram em vão, tentei fazer de tudo para que eles entendessem que nenhuma de nós duas sabia nadar. "Acreditando ou não, uma teria que 'ir'", disse o rapaz que apertava meus braços. O maior choque da minha vida até agora foi ver minha melhor amiga, minha irmã, minha outra metade, sendo jogada longe, no mar. Eles pegaram o barco e quase a atingiu ao fugirem. Até hoje não entendo o pensamento de alguém insano como aqueles dois. O que foi que fizemos? Eu vi minha melhor amiga morrer, boiando no mar, na minha frente, na frente dos meus olhos.
A família dela apareceu não menos que uma hora depois. Apontaram e me culparam. Não havia ninguém mais suspeito que eu. Estou aqui, presa na solitária, como se fosse uma doente que precisasse de tratamentos vinte e quatro horas por dia, sem nenhuma visita, sem nenhum apoio da minha família.
Os presidiários foram transferidos para outra prisão e apenas alguns, assim como eu, ficaram. O dono do recinto prometeu nos fazer uma proposta que irá mudar nossas vidas, mas qual seria? Espero que seja boa o bastante para que pôr minha vida em risco possa valer a pena.
Será que conseguirei convencer o mundo de que não sou uma assassina? Bom, nada irá trazer minha melhor amiga de volta. Vingança seria o melhor remédio? Eu realmente não sei. Nada sei na verdade.
Karoline, onde quer que você esteja, por favor, me proteja. Estou viva, viva por você!
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