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2 Matheus


Tudo estava tão perfeito, tão feliz, tão limpo... Por conta de meu descuido, uma das maiores tragédias da minha vida aconteceu. Conseguiu tirar meu bom humor durante muito, mas muito tempo. Só precisei me virar por um segundo para tudo acontecer.

Eu tenho um irmão mais novo, no qual não quero falar o nome. Fui capaz de tirar a felicidade do rosto dele naquele dia, naquele parque, naquela maldita hora.

Meses atrás eu e meu irmão estávamos num parque de diversões enquanto nossos pais estavam numa festa entre amigos dos tempos dourados da faculdade, localizada na casa de um de seus amigos. Bom, o parque era um pouco distante da casa do colega do meu pai, onde a "reunião" estava acontecendo. O estranho era ver meu pai e minha mãe juntos numa festa, principalmente em dias como esse. Já estava de noite, o parque já estava fechando, mas nenhuma ligação dos meus pais. Meu celular praticamente mal foi tirado do meu bolso no dia. Já que eles não ligaram ainda, pensei que iam ficar mais um pouco e eu insisti ao cara da Montanha Russa para que deixasse eu e meu irmão irmos mais uma vez. Felizmente (ou, obviamente, infelizmente) um casal também estava querendo ir mais uma vez, mesmo com o parque fechando.

Tudo corria bem durante a Montanha Russa, nós quatro estávamos bastante seguros até que eu olhei pro lado, já que dava para ver a casa onde meus pais estavam lá de cima e consegui ver. Ao finalmente conseguir enxergar a casa, olhei pro meu irmão e a proteção estava levantada e ele com os braços abertos, e para fora. Quando eu me assustei, meu irmão percebeu minha expressão e também se assustou, não percebendo que um dos ferros que segurava o brinquedo estava adiante, o fazendo seu braço voar longe e jorrar sangue compulsivamente. O brinquedo ainda faltava mais duas voltas para terminar, mas com o acontecido o rapaz responsável parou a Montanha Russa e, assustado, mandou nós dois sairmos. Minutos depois os gerentes apareceram, demitiram o rapaz e também prestaram socorro imediatamente. Ambulâncias foram enviadas e o lugar ficou bastante notável, fazendo meus pais aparecerem e verem tudo, sem entender. Minha mãe desmaiou e meu pai ficou furioso comigo me xingando, me chamando de irresponsável e quase me espancando em público.

Uma dúvida surgiu em mim: por que o rapaz mandou só eu e meu irmão sairmos se tinha um casal também conosco? Lembrei que, ao sair correndo do brinquedo com meu irmão, olhei para trás e não avistei ninguém no brinquedo. Nenhum casal, ninguém além do rapaz do brinquedo, eu e meu irmão. Bom, isso é o de menos comparado ao meu irmão. Até hoje ele se encontra hospitalizado e como meu irmão adora vôlei e sempre sonhou em ser um jogador, será triste vê-lo sem um braço por aí. Andei pensando em um braço mecânico, porém é caro, muito caro, mas é a melhor solução. Ninguém foi culpado. Foi "apenas" um acidente. O moço do brinquedo ficou preso apenas por algumas semanas até me convocarem à delegacia mais uma vez, só que tudo agiu contra mim, fui acusado e falsas testemunhas apareceram até me prenderem de vez. Fui preso neste lugar porque segundo eles, maltratar uma criança, principalmente quando ela é seu irmão, é algo cruel e desumano, mas não foi culpa minha. Ou será que foi?

Admito a culpa por não estar de olhos atentos pro meu irmão. Quero pagar por isso. Quero fazê-lo feliz como antigamente. Quero saber que casal era aquele. Eu realmente enlouqueci?

O dono da prisão, misteriosamente, convocou eu e mais alguns presidiários para participar de uma espécie de jogo. Que jogo será esse que tanto falam? Deve ser perigoso. Os presidiários que não participarão estão sendo enviados para uma outra prisão, para uma outra ilhota. Irei levantar a cabeça e seguir em frente. Obrigado por me dar essa chance de provar que posso te fazer feliz de novo, meu irmão.