301
8 Guilherme
Fazem dois anos que estou nessa solitária, sem visitas, sem parentescos, sem alguém para me confortar... Agi de má fé, fui psicopata, fui tolo e prepotente.
Era reunião em família, estávamos todos felizes e mais unidos que nunca, até que meu ex-cunhado levantou-se, apontou sua arma para minha irmã e disse que se não pudesse tê-la, ninguém poderia. Eu sabia que esse momento ia chegar, ele sempre foi louco por ela e não aceitou o fim do namoro. Eles terminaram recentemente e como minha família ainda não se acostumou com o rompimento, o convidaram.Debaixo da mesa, debaixo do chão de madeira, meu pai tinha uma arma escondida ali. Como meu pai estava distante do esconderijo, consegui rapidamente descer e pegá-la. Meu pai ficou surpreso, pois o mesmo não sabia que eu sabia onde ele guardava sua arma. Detalhe: ele é um policial bastante respeitado.Sem pensar duas vezes, atirei no meu ex-cunhado, só que, misteriosamente, isso durou 15 minutos mais ou menos. Não sei o que tinha dado em mim. Me empolguei? Não consigo encontrar resposta para isso. Assim que o matei, voltei ao meu "estado normal", vi ao meu redor meus familiares mortos e o sangue havia tomado conta de toda a sala de jantar. Todos: meu ex-cunhado, minha irmã, meus pais, meus dois tios e meu primo estavam mortos no chão.Ao me deparar com a cena, só havia uma coisa que poderia fazer. Apontei a arma para minha boca e "disparei", infelizmente a munição havia acabado. Os vizinhos chamaram rapidamente a polícia ao ouvir os tiros e conseguiram me pegar e prender. Reconheceram a família por conta do meu pai trabalhar com eles e a notícia da tragédia se espalhou em vários jornais, canais de televisão, internet e derivados. Até hoje fico pasmo com as coisas que fiz e vi. Vi vários "Filho mata toda a família" e derivados como destaque de revistas.Agora não tenho mais motivos pra viver. Matei minha família, estou na solitária e todos me odeiam. Desde então sou uma pessoa nervosa, mas nada inocente. Eu não consigo controlar minha tensão, meu nervosismo e isso me deixa tão pra baixo. Disseram que por sorte eu sou o "número oito", o último selecionado. Selecionado?! Seleção para quê?! Não quero colocar a vida de mais ninguém em risco. Não posso deixar meus sentimentos falarem mais alto.
Notas finais
Prólogo final, abrindo as portas para o começo da história de "301".
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