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11 Chuva
Notas iniciais
Alguns minutos se passaram e todos nós já estávamos na praia. Na verdade foi o único lugar que possivelmente não conseguiriam nos observar, se é que tem gente nos observando. Queríamos conversar sobre o que estava acontecendo sem precisar ter medo, mas parecia que Rebeca não parava de chorar. Tentei confortar, mas não dava muito certo. Ela me deu um empurrão e parou de chorar.
"Podíamos pedir ajuda aos outros presos. Os que não foram convocados", sugeria brilhantemente Marcelo. Não demorou muito para que todos concordassem, menos Rebeca.
"De que adianta? Seremos mortos antes de agirmos à qualquer coisa", Rebeca dizia assustada, mas era respondida prontamente por Matheus: "Melhor tentarmos algo, não vou ficar aqui esperando brincarem mais uma vezes com um de nós, pelo menos comigo".
Bruno era o primeiro a se levantar e a nos chamar. A ansiedade de Bruno era evidente. Parece que até mesmo Rebeca não estava querendo ficar a mercê de um jogo que mais parecia uma chacina.
Funcionou, era unânime. Estávamos todos, juntos, indo em direção à prisão, que estava bem longe. Fomos pela floresta, era o único caminho, mas algo chamou a atenção. De repente comecei a ouvir sussurros, mas pareciam mais claros, eles diziam que estávamos sendo usados.
"Ouviram isso? Foi a voz que ouvi ontem" era o que eu dizia e pela primeira vez todos admitiram também ter ouvido. Foi aí que percebi que não estava louca e que tinha alguém tentando nos ajudar. Tentei chamar e perguntar aonde essa pessoa estava, mas não ouvia mais nada.
"Se essa pessoa não quer aparecer e apenas nos avisar de supostos perigos, é melhor que a deixe sozinha, não é verdade?", perguntava Guilherme, coerente como sempre. Faz sentido, essa pessoa deve saber demais, o suficiente pra ser tão misteriosa, pelo menos era o que eu acreditava.
O céu começava a escurecer e também a ficar nublado, avisando que uma noite de chuva estava prestes a chegar.
"Sugiro que aproveitemos para tomar banho, estamos precisando", alertava Bruno e era logo completado por Rebeca: "Também precisamos achar um lugar pra guardar nossas roupas, um lugar que provavelmente seja protegido da água da chuva".
Demorou um pouco para acharmos uma árvore que realmente protegesse, encontramos uma com um buraco muito grande, e foi lá que deixamos nossas roupas. Alguns de nós ficaram pelados completamente enquanto outros não tiveram coragem de tirar suas roupas íntimas. Fomos pro lago mais próximo e aproveitamos a chuva para tomar banho, mas não durei muito e saí de dentro pra ficar numa rocha observando os outros.
Todos os outros estavam tomando banho e até que se divertindo, mesmo com tantos mistérios acontecendo conosco. Começamos a ouvir um barulho muito forte, um barulho que lembrava uma trompeta muito forte e logo notei que saía fumaças estranhas do lago. Foi tudo muito rápido, os garotos conseguiram sair e me levantei preocupada até apontar à Rebeca, que ainda estava lá dentro. Mesmo sendo uma garota bastante sentimental, Rebeca foi quase tão rápida quanto os garotos, mas algo estava puxando-a pelos pés.
"Me ajudem por favor, meus pés estão sendo puxados por alguma coisa!!", gritava Rebeca enquanto o barulho e as fumaças só aumentavam. Todos nós, sem exceções, fomos ajudar Rebeca puxando-a para fora, mas o que nos impedia era muito mais forte e o barulho estava incomodando bastante nossos ouvidos a ponto de gerar uma tremenda dor de cabeça, o que atrapalhava bastante.
"Rebeca, aguente firme, tente movimentar seus pés para que atrapalhe o que está te puxando", Bruno parecia estar se importando com alguém, finalmente. Rebeca dizia que estava fazendo tudo que podia, mas quanto mais ela se mexia, mais seus pés eram puxados. Estávamos tão perto de tirar Rebeca de dentro, mas um barulho estranho surgia e Rebeca gritava de dor, algo estava queimando todo o corpo da garota, pelo menos a parte que estava no lago. Rebeca não chegou a dizer mais nada, só a gritar e a ser puxada bruscamente até que não fomos fortes o suficiente.
Rebeca foi puxada para dentro do lago de uma vez e o grito sumiu, junto com seu corpo. Bruno, sem pensar, dizia que ia pular e resgata-la, mas os outros garotos o segurava, dizendo que era loucura, e que ele acabaria indo junto. Eu não cheguei a fazer mais nada, só a ficar ajoelhada na beira do lago em silêncio, apenas pensando no que pode ter acontecido com Rebeca enquanto olhava pros garotos segurando Bruno.
Não conseguimos salvar Rebeca, assim como não conseguimos impedir o fim de Luciano. Os gritos de Rebeca se foram junto com o barulho ensurdecedor.
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